Abrir menu principal

Wikipédia β

Parque Natural da Arrábida

O Parque Natural da Arrábida é uma reserva biogenética (ciência que estuda os carateres que os seres vivos transmitem aos seus descendentes) situada na Serra da Arrábida, no distrito de Setúbal, em Portugal.

Parque Natural da Arrábida
Categoria V da IUCN (Paisagem/Costa Protegida)
Localização Setúbal,  Portugal
Dados
Área 10800 hectares
Criação 28 de julho de 1976 (41 anos)[1]
Gestão Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas
Coordenadas 38° 31' 14" N 8° 53' 32" O

O Parque Natural da Arrábida foi criado pelo Decreto-Lei n.º 622/76, de 28 de Julho, com uma área aproximada de 10 800 hectares, protegendo a vegetação maquis de tipo mediterrânico nascida deste microclima com semelhanças com regiões Adriáticas, como a Dalmácia.

A fauna é bastante diversificada, apesar de ter sofrido grandes alterações desde o século XIX. Até ao início do século XX era ainda possível observar lobos, javalis e veados. Recentemente, verificou-se um aumento desenfreado do número de javalis na Serra da Arrábida, que está a ameaçar espécies de flora protegida pelo parque natural, como orquídeas raras e tulipas selvagens.[2]

O Parque Natural está integrado em redes internacionais de conservação.

Todo o seu território está classificado como Sítio de Especial Interesse para a Conservação da Natureza - Biótopo CORINE.

Inclui várias áreas de Reserva Integral, como a Mata do Solitário, a Mata do Vidal e a Mata Coberta.

Índice

FloraEditar

Nesta área protegida subsiste vegetação natural de grande importância conservacionista, não só do ponto de vista nacional como internacional.

Destacam-se os carvalhais de Quercus faginea frequentes um pouco por toda a Arrábida, nas encostas setentrionais e vales; as formações nas linhas de água torrenciais com Crataegus monogyna e a notável Acer monspessulanum; as perenifólias de cariz mediterrânico como a oliveira (Olea europaea) e alfarrobeira (Ceratonia siliqua) nos vales orientados a Sul; as escarpas calcáreas interiores que incluem Piptatherum coerulescens, Catapodium salzmanii, Narcissus calcicola (narciso calcícola), Cheilanthes catanensis, Convolvulus siculus, Linaria melanantha, Chaenorrhinum origanifolium, etc.; as perenifólias de possível transição durisilvae-laurisilvae com portes que atingem 15 m e nos estádios mais equilibrados por Quercus coccifera, Phillyrea latifolia e incluindo a Smilax aspera; as formações de hemi-fruticeta muito localizadas nas arribas marítimas entre os Cabos Espichel e D'Ares caracterizadas pela presença de Euphorbia pedroi e Withania frutescens; as estruturas vestigiais de laurisilvae nas arribas marítimas junto do Cabo Espichel (caracterizado pela presença de Convolvulus fernandesii).

FaunaEditar

 
A Serra da Arrábida é o único ponto da costa portuguesa onde nidifica a rara Águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus)

Estão registadas no Parque Natural da Arrábida um número considerável de espécies, num total de 213 de vertebrados: 8 anfíbios, 16 répteis, 154 aves e 35 mamíferos.

Entre os mamíferos destacam-se a raposa (Vulpes vulpes), a doninha (Mustela nivalis), o toirão (Mustela putorius), a geneta (Genetta genetta), coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), o texugo (Meles meles) e a provável ocorrência de gato-bravo (Felis silvestris), a doninha e a fuínha (Martes foina). As grutas, principalmente nas arribas têm associada uma fauna muito particular de morcegos: morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii), morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale), morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum) e morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus meherlyi).

Entre as aves destacam-se a águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus)- com o único casal a nidificar na costa portuguesa, o falcão-peregrino (Falco peregrinus), o bufo-real (Bubo bubo), a coruja-das-torres (Tyto alba), o andorinhão-real (Apus melba), o melro-azul (Monticola solitarius) e o rabirruivo-preto (Phoenicurus ochrurus), o rouxinol (Luscinia mergarhynchos), o pisco-de-peito-ruivo e a carriça (Troglodytes troglodytes), o bico-grossudo (Coccothraustes coccothraustes), a poupa (Upupa epops), a perdiz-comum, a cotovia-de-poupa (Galerida cristata), o noitibó-de-nuca-vermelha (Caprimulgus ruficollis) e o guarda-rios (Alcedo atthis), o pica-pau-malhado-grande (Dendrocopus major), os chapins (Parus spp.), a trepadeira-comum (Certhia brachydactila), e o cuco-canoro (Cuculus canorus).

Nos anfíbios e répteis, a lagartixa, a cobra-de-pernas-pentadáctila (Chalcides bedriagai), a cobra-de-escada (Elaphe scalaris), a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), a víbora-cornuda e a cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis). Os recursos aquáticos proporcionam abrigo ao cágado (Mauremys leprosa) e a cobras-de-água (Natrix spp.).

De entre as milhares de espécies de invertebrados inclui-se uma das poucas espécies animais Portuguesas classificadas como em Perigo Crítico de Extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza - a aranha cavernícola do Frade - Anapistula ataecina.

Parque marinhoEditar

 
Costa da Arrábida vista da Foz do rio Sado

O Parque Marinho Prof. Luiz Saldanha é a área de reserva marinha do Parque Natural da Arrábida. Estabelecido em 1976, contempla cerca de 53 km² correspondentes aos 38 km de costa entre a praia da Figueirinha e o Cabo Espichel. É uma área com uma riqueza natural única a nível nacional e europeu, onde se encontram mais de 1000 espécies de animais e plantas marinhas, que já nos finais do século XIX suscitou o interesse do Rei D. Carlos, entre outros naturalistas e universidades.

O Parque apresenta fundos diversificados, rochosos e arenosos, com profundidades até aos 100 metros. Com zonas abrigadas , como várias enseadas na base das escarpas costeiras, até zonas de forte ondulação, como no Espichel. A elevada diversidade animal pode ser facilmente observada junto às rochas, onde são frequentes as anémonas, as estrelas-do-mar, ouriços-do-mar e crustáceos. A variabilidade de peixes é também surpreendente, com espécies menos conhecidas, por não serem alvo de pesca, que tornam este ecossistema marinho dos mais ricos a nível nacional e europeu. De especial relevo a fauna marinha na Pedra da Anicha, com a baía costeira a ser uma zona importante para criação e manutenção da fauna marítima do Atlântico Norte. A flora subaquática tem também características de assinalável importância ecológica.

O Parque Marinho inclui uma área de Protecção Total com 4 km² (10% da área do Parque) onde não é permitida qualquer pesca, quatro áreas de Protecção Parcial com um total de 21 km² (40% da área do Parque), com restrições à pesca com armadilhas e linhas, parte entre o Portinho da Arrábida e a Figueirinha (cerca de 1,8 km²), e três áreas de Protecção Complementar com um total de 28 km² (50% da área do Parque) onde só embarcações licenciadas poderão operar.

GeologiaEditar

 
Brecha da Arrábida em bruto

De especial importância, a existência de alguns afloramentos rochosos, nomeadamente os calcários brancos do Sul e os cinzentos do Norte, que geram uma abundância de grutas. De referir a existência da conhecida brecha da Arrábida, uma rocha de origem sedimentar formada de fragmentos grandes e angulosos, em meio de uma massa de cimentação composta de material mais fino. Muito apreciada como rocha ornamental, é vulgarmente conhecida como "mármore da Arrábida", apesar de não ser uma pedra metamórfica. Única em Portugal e, provavelmente, a nível mundial, foi muito utilizada nas igrejas e capelas de Setúbal. Contudo a pedreira onde era extraída foi encerrada na década de 70. Actualmente, ainda é utilizada pelos organismos de Setúbal em placas inaugurais.

Há também um sítio com pegadas de saurópodes, o Monumento Natural da Pedra da Mua.

BibliografiaEditar

FloraEditar

  • PEDRO, José Gomes Pedro; SANTOS, Isabel Silva Santos. Flores da Arrábida: Guia de Campo. Lisboa, Assírio & Alvim, 2.ª ed., 2010. ISBN 978-972-37-1446-3

Ligações externasEditar