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Partido Comunista Revolucionário

Partido político de esquerda
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Partido Comunista Revolucionário
Presidente Luiz Falcão (Comitê Central)
Fundação Maio de 1966
Sede Recife (PE)
Ideologia Comunismo
Socialismo
Marxismo-leninismo
Stalinismo
Espectro político Extrema-Esquerda
Publicação A Verdade
Ala jovem União da Juventude Rebelião (UJR)
Afiliação internacional Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML)
Cores       Vermelho       Amarelo
Página oficial
Site oficial do PCR

Política do Brasil
Partidos políticos
Eleições

O Partido Comunista Revolucionário (PCR) é um partido político brasileiro de esquerda, que segue os princípios do marxismo-leninismo com expressão nacional e penetração nos meios sindicais e estudantis. Seu símbolo é a foice e martelo amarelos com a estrela vermelha acima e à esquerda (símbolo soviético), que simboliza a aliança operário-camponesa, sobre um retângulo vermelho onde está escrito a sigla "PCR". Edita o jornal A Verdade, e internacionalmente, é membro da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML).

Foi fundado em maio de 1966, em Recife a partir de uma ruptura do PCdoB. Reivindicando a trajetória política de Josef Stálin no comando da União Soviética, o PCR surge discordando tanto da linha maoísta do PCdoB, quanto da linha khrushevista do PCB, partidos por ele considerados revisionistas. Ao longo da Ditadura militar no Brasil (1964-1985), a maior parte dos militantes do PCR foi perseguida e morta.[1] Os seus sobreviventes, então, entram no MR-8, um outro partido comunista que permaneceu 30 anos dentro do PMDB. A partir de 1995, esses militantes rompem com o MR-8 e com PMDB, e o PCR volta a se reorganizar,[2] lançando seus candidatos eleitorais pelo PDT.[3]

Durante os governos de Lula e Dilma (formado pela coalizão PT/PMDB/PCdoB), o PCR construiu (junto com PSOL, PSTU, PCLCP e PCB) a oposição de esquerda e atualmente se posiciona contra o governo de Temer, que avalia como ilegítmo. No movimento estudantil, se organiza através da colateral União da Juventude Rebelião (UJR). Este coletivo impulsiona o Movimento Correnteza (fundado em 2016 com a unificação nacional do antigo Rebele-se na UNE), e o Rebele-se na UBES, que compõem a Oposição de Esquerda da União Nacional dos Estudantes e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, junto com coletivos referenciados no PSOL. No movimento sindical, o PCR atua na corrente Movimento Luta de Classes (MLC), que, contrariamente aos movimentos da oposição de esquerda, deliberou por retornar à Central Única dos Trabalhadores (CUT), hegemonizada pelo PT.[4]

Apesar de fazer oposição ao governo federal, nas eleições presidenciais de 2010, o PCR chamou voto em Dilma Rousseff já no primeiro turno.[5] Quatro anos depois, nas eleições de 2014 o PCR apoiou Luciana Genro (PSOL) no primeiro turno[6] e Dilma Rousseff no segundo. Mesmo com o apoio, o PCR mantém divergências ideológicas e políticas com ambos partidos.[7]

Com o objetivo de conseguir registro eleitoral como partido junto ao TSE, os militantes do PCR vem recolhendo assinaturas para legalizar a chamada Unidade Popular pelo Socialismo (UP)[8][9].

Índice

HistóriaEditar

FundaçãoEditar

Fundado em maio de 1966 em Recife, o Partido Comunista Revolucionário (PCR) foi organizado por um grupo de militantes egressos do PCdoB e descontentes com os rumos que este tomava. Desde o primeiro momento, o PCR enfrentou uma encarniçada luta contra os desvios do leninismo no movimento comunista internacional: de um lado, o revisionismo soviético, do outro, o misto de esquerdismo e conciliação do Partido Comunista da China. Coube ao PCR, portanto, a tarefa de proclamar independência financeira e política a essas duas orientações antileninistas e, assim, “separar no Brasil, de modo irreversível, os comunistas revolucionários dos revisionistas e oportunistas”. (Estatutos do PCR)

O núcleo inicial da formação do PCR foi constituído pelo já experiente líder camponês Amaro Luiz de Carvalho e pelos jovens Manoel Lisboa de Moura, Selma Bandeira, Valmir Costa e Ricardo Zarattini. Ainda em 1966, o Partido lança seu primeiro documento de formulação programática, a Carta de 12 Pontos aos Comunistas Revolucionários, onde defende a classe operária como vanguarda da revolução socialista brasileira e a ditadura do proletariado. Em 1968, o PCR já tinha seu programa e seu estatuto, bem como a definição de seu Conselho Nacional, Regional, de Luta Operária e de Luta Estudantil. Sua linha era a da Guerra Popular Prolongada, isto é, o cerco das cidades pelo campo, sendo o Nordeste a melhor área definida para desencadear a luta. Com isso, o PCR seria talvez o único dos clandestinos a insistir numa tentativa de regionalizar suas estratégias. Mas no que se referia ao programa, mantinha firme a luta contra a burguesia nacional e internacional, o imperialismo e o latifúndio. O partido discordava das resoluções da OLAS, e achava que só um partido com características leninistas poderia conduzir a guerra revolucionária. Em virtude dessa direção, não foi possível a realização de uma aproximação do partido com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) em 1968.

"A Luta" era o nome do material impresso que seria publicado pelo PCR para a divulgação de suas concepções políticas, e o "Luta Operária", que era dirigido para o meio operário de algumas capitais. Em novembro de 1969 a repressão colocaria as mãos em alguns importantes quadros do partido, entre eles o Capivara - que posteriormente seria assassinado na Casa de Detenção de Recife. Sua morte foi anunciada em agosto de 1971 atribuindo a autoria do crime a alguns presos comuns - mais tarde era divulgada a notícia que os tais presos comuns cometeram o crime a mando dos próprios chefes carcerários. O PCR, ao mesmo tempo, tentava intensificar sua penetração em outros estados do Nordeste; a propaganda era feita através de panfletagens nas portas de algumas fábricas. Em 1973 o partido sofreria novos golpes dos órgãos repressores que resultaram na morte de mais um de seus fundadores, Manuel Lisboa, e prisão de vários efetivos.

Luta armadaEditar

Neste período, o partido tinha como reduto de atuação as capitais e a zona canavieira dos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Passou cerca de sete anos com forte atuação na luta de resistência armada à ditadura militar, promovendo diversas ações de massas como panfletagens nas portas de fábricas e greves e passeatas estudantis, além de ações clandestinas como assaltos a quartéis e incêndios de canaviais.

Com a efetivação do regime ditatorial a partir de 1968, as diversas organizações revolucionárias que lutavam pela retomada da democracia e pelo socialismo sofrem uma brutal e crescente perseguição, e o mesmo ocorre com o PCR, que resiste bravamente, mas também é atingido por duros golpes consecutivos e se desarticula parcialmente. No dia 22 de agosto de 1971, Amaro Luiz de Carvalho é executado, dois meses antes de quando sairia da Casa de Detenção do Recife, onde cumpria pena. Entre os anos de 1971 e 1972, outro líder camponês do PCR, Amaro Félix Pereira, é assassinado. E em agosto/setembro de 1973, as forças policiais capturam, torturam e matam três outros destacados dirigentes do Partido: Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra dos Santos e Manoel Aleixo.

Atuação nos anos 70Editar

Na década de 1970, o PCR atua decisivamente no movimento estudantil universitário, dirigindo, em Pernambuco, os Diretórios Centrais das principais universidades, além da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP). O PCR também cumpriu um destacado papel na reconstrução de outros DCEs no Nordeste e na mobilização para a reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), que se concretizou em 1979, chegando à vice-presidência da entidade, em 1981, representado pelo militante Luiz Falcão, hoje editor do jornal A Verdade. Neste período, ocorre a prisão de Edival Nunes da Silva, o "Cajá", dirigente do PCR e líder estudantil da Universidade Federal de Pernambuco. Cajá foi sequestrado e preso na cidade do Recife, em 12 de maio de 1978, e, três dias depois, mais de 12 mil estudantes da UFPE realizaram uma greve pelo fim das torturas e por sua libertação. A prisão política foi amplamente noticiada e recebeu atos de solidariedade de todo o Brasil e no exterior, entre os quais se destaca o apoio de setores da Igreja Católica alinhados a Dom Hélder Câmara. Atualmente, Cajá é presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, de Pernambuco.

Unificação com o MR-8 e ReorganizaçãoEditar

Em julho de 1981, os militantes do PCR, com a finalidade de melhor se articular nacionalmente para realizar sua agitação política e um trabalho de massas mais amplo, visando a unidade das forças comunistas brasileiras, decidem pela fusão do Partido com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), e assim deixando de atuar independentemente como partido até 1995. No entanto, em fevereiro de 1995, após muita luta política interna, o núcleo original do PCR rompe definitivamente com o MR-8 e dá início à refundação do Partido Comunista Revolucionário. Junto com a refundação do PCR, é constituída, pela primeira vez na história do Partido, uma organização própria para a juventude: a União da Juventude Rebelião (UJR).

O PCR nos dias de hojeEditar

No movimento estudantil, o PCR atua por intermédio da União da Juventude Rebelião (UJR) construíndo a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Federação Nacional dos Estudantes de Ensino Técnico (FENET), assim como diversas entidades de base. Constrói também o Movimento Luta de Classe (MLC), que atua no movimento sindical, o Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), atuante no movimento de moradia, e o Movimento de Mulheres Olga Benário. Tem como órgão central do partido o Jornal A Verdade e, a partir de 2004, passou a representar o Brasil na Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (Unidade e Luta) (CIPOML).

Ligações externasEditar

Referências