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Pedro Abelardo
Petrus Abaelardus
Escultura de Abelardo no Palais du Louvre
Nascimento ca. 1079
Le Pallet, Royal Standard of the King of France.svg Reino da França
Morte 21 de abril de 1142 (62-63 anos)
Chalon-sur-Saône, Royal Standard of the King of France.svg Reino da França
Cônjuge Heloísa de Argenteuil
Filho(s) Astrolábio
Ocupação Filósofo, teólogo e professor
Influências
Influenciados
Principais trabalhos Lógica para iniciantes (1121)
Sic et non (1122)
Historia Calamitatum (1132)
Empregador Escola da Catedral de Notre-Dame de Paris
Cargo Professor
Escola/tradição Escolástica
Principais interesses Lógica, Filosofia da Linguagem, Metafísica, Ontologia, Teologia
Ideias notáveis Conceitualismo, Nominalismo Teoria dos Universais
Principais críticos Bernardo de Claraval
Religião Católico

Pedro Abelardo, em francês, Pierre Abélard, Pierre Abailard ou Pierre Abeilard; em latim, Petrus Abælardus (Le Pallet próximo de Nantes, Bretanha, 1079Chalon-sur-Saône, região da Borgonha-Franco-Condado, 21 de abril de 1142) foi um filósofo escolástico, teólogo e grande lógico francês. É considerado um dos mais importantes e ousados pensadores do século XII.[1]

Ficou conhecido do público especialmente por seu trágico romance com Heloísa de Argenteuil, de quem fala em sua História das Minhas Calamidades.[2]

Índice

Vida, pensamento e obrasEditar

Na filosofia ocupa uma posição importante por ter formulado o conceitualismo, posição que não pertence, propriamente, nem ao idealismo, nem ao materialismo.

A obra principal de Abelardo, chamada Dialética, inspirada no pensamento de Boécio. Foi a obra de lógica mais influente até o final do século XIII, em Roma, onde foi usada como manual escolar, já que a lógica era ministrada como parte do trivium, fornecendo aos estudantes os argumentos e armas para as disputas metafísicas e teológicas.

A opinião de Abelardo de que a dialética é o único caminho da verdade teve o efeito benéfico, na época, de desfazer preconceitos e encorajar o pensamento livre. Para ele nada, exceto as Escrituras, é infalível; mesmo os apóstolos e os padres são passíveis de erro. [3]

Abelardo identificava o real ao particular e considerava o universal como o sentido das palavras (nominum significatio), rejeitando o nominalismo. Dessa forma, o significado dos nomes permitiria esclarecer os conceitos, de forma a emancipar a lógica da metafísica, tornando-a uma disciplina autônoma.

Foi o mais ilustre teólogo e filósofo do século XII, nasceu em Pallet, perto de Nantes, França. Destinado à carreira das armas, escolheu, no entanto, a das letras. Foi discípulo de Roscelino de Compiègne e Guilherme de Champeaux, chamou a atenção para a divergência que os separava quanto aos universais.

A controvérsia centrava-se na qualidade empírica ou abstrata dos conceitos: os universais têm uma entidade genérica real ou são coisas puramente pensadas ? O problema despertava interesse em todo o campo teológico. Enquanto Guilherme os considerava reais e necessários, Roscelino só lhes atribuía o valor de palavras. Abelardo adoptou uma posição intermédia: definia como não sendo meras palavras, mas também não estabelecendo um saber real, visto que, sendo a sua significação subjetiva, o que exprimem são apenas opiniões pessoais sobre o ser (sermones), que, contudo, possibilitam o entendimento entre os homens. As palavras importantes tornam-se universais ao serem aceites como tal, e como tal são usadas para exprimir as verdades necessárias.

 
Abelardo e Heloísa

Enfrentando não poucas dificuldades e lutas, ensinou desde 1108, com grande êxito, na escola de Santa Genoveva. De 1113 a 1118 ocupou, finalmente, um lugar na escola da catedral de Paris. A agitação doutrinal provocada por Abelardo, repercutiu também no modo de ensino, que sofreu completa revolução. Romperam-se as formas de ensino da velha escola platónica, criando-se o embrião do que viria a ser o ensino universitário, inteiramente diferente daquele das escolas locais existentes.

Mas o conteúdo doutrinário do seu ensino era, também ele, revolucionário. Para aprofundar o estudo dos temas, desenvolveu um método, já usado anteriormente, que consistia em analisar os diferentes pontos de vista contraditórios em relação a uma mesma questão, lançando, assim, as bases da escolástica, em especial, a técnica das disputaciones que culminou na Summa. Este método foi tratado por ele na obra Sic et non ('Sim e não'). Original foi também a sua concepção ética: afirmava que a intenção é tão importante como o ato que dela dimana.

Abelardo, desde as primeiras dificuldades em Paris, mostrou-se sempre rebelde. Em razão do seu envolvimento amoroso com Heloísa, sobrinha do cónego Fulberto, foi vítima de castração. Depois disso, Heloísa entrou para um convento e Abelardo, para um mosteiro. A partir desse período, trocaram cartas regularmente. Do relacionamento entre os dois nasceu um filho, Astrolábio (1116 - 1171).

Abelardo foi condenado duas vezes: uma no Concílio de Soissons, no ano de 1121, a que respondeu, como forma de desafio, fundando um oratório dedicado ao Espírito Santo (Oratório do Paracleto), e depois no Concilio de Sens, em 1141, por pressão de Bernardo de Claraval, com quem se envolvera em uma polémica. Poucos meses mais tarde, morreria no Priorado de Saint-Marcel, em Chalon-sur-Saône, na Borgonha.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Chambers Biographical Dictionary
  2. Estêvão, José Carlos Abelardo e Heloísa. Discurso / Paulus, 2015. Coleção Filosofia Medieval.
  3. Chalita, Gabriel. Vivendo a Filosofia, Editora Ática, 2010

BibliografiaEditar

  • SPINELLI, Miguel. A Dialética Discursiva de Pedro Abelardo. Revista Veritas, Porto Alegre, v. 49, n. 03, 2004, pp. 437-447.
  • MARQUES, Luiz Guilherme. A Verdade sobre Abelardo, Heloísa e Astrolábio. São Paulo: Editora Letras do Pensamento , 2016.

FilmografiaEditar

  • Stealing Heaven (no Brasil, intitulado Em Nome de Deus), filme de Clive Donner (1988) baseado no romance de Pedro Abelardo e Heloísa de Argenteuil

Ligações externasEditar

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