Pedro Comestor

Pedro Comestor
Nascimento 1100
Troyes
Morte 22 de outubro de 1179 (79 anos)
Paris
Cidadania França
Ocupação historiador, teólogo, escritor
Empregador Universidade de Paris
Religião Igreja Católica

Pedro Comestor (em latim: Petrus Comestor; c. 1178) foi um teólogo francês do século XII. O epíteto "Comestor" ("devorador"), que Pedro ganhou ainda em vida, demonstra a admiração de todos por sua erudição: ele era um "devorador de livros". O próprio Pedro fazia referência ao epíteto em seus sermões e seu suposto epitáfio dizia: "Petrus eram ... dictusque comestor, nunc comedor." ("Era Pedro...e chamado de devorador: agora fui devorado.").

BiografiaEditar

Nascido em Troyes, Pedro iniciou sua vida religiosa na Igreja de Notre-Dame da cidade e neste época assinava como "Presbyter Trecensis". Antes de 1148, tornou-se deão do capítulo e recebeu um benefício em 1148. Por volta de 1160, passou para o capítulo de Notre-Dame de Paris e, no mesmo ano, substituiu Eudes (Odon) como chanceler e tornou-se o responsável pela escola teólogica da catedral.

Foi em Paris que Padro compôs sua "Historia Scholastica" e dedicou-a ao bispo de Sens, Guillaume aux Blanches Mains (r. 1169–76). O papa Alexandre III ordenou que o cardeal Pedro de São Crisógono permitisse que o chanceler Pedro cobrasse uma pequena taxa ao conferir licenças para ensinar, uma autorização de cunho estritamente pessoal. Logo depois, o próprio cardeal mencionou Pedro ao papa como sendo um dos três homens mais cultos da França.

No final de sua vida, retirou-se para a Abadia de São Vítor e tornou-se cônego. Morreu e foi enterrado ali por volta de 1178.

ObrasEditar

Sua "Historia Scholastica" é uma espécie de história sagrada composta para estudantes. Ele começa com a narrativa da Criação e continua até o último dos incidentes nos Atos dos Apóstolos; todos os livros da Bíblia estão contidos nela, portanto, exceto os de natureza puramente didática como o Livro da Sabedoria, os Salmos, os profetas e as epístolas.

Pedro frequentemente se baseia em autores profanos, especialmente Flávio Josefo para o período inicial dos Evangelhos, mas há muitos erros e fábulas no texto. A obra está dividida em vinte livros com breves apêndices com informações geográficas e etimológicas no final de cada capítulo. Como atesta a grande quantidade de manuscritos sobreviventes, a obra gozou de enorme sucesso durante toda a Idade Média, principalmente a famosa "Bíblia Historiale", uma tradução da "Vulgata" para o francês.

Entre suas obras estão comentários sobre os Evangelhos, alegorias sobre as Escrituras e um comentário moral sobre São Paulo, nenhum deles publicado até o momento.

Os sermões de Pedro também sobreviveram em diversos manuscritos, geralmente assinados com outros nomes, e uma série completa autoritativa ainda não foi publicada. Como exemplo, 51 sermões de Comestor foram publicados erroneamente sob o nome de Pedro de Blois[1] e outros tantos sob o nome de Hildeberto de Mans[2]. O sermão no qual a palavra "transubstanciação" ocorre, o 93º, é de Pedro Comestor (e não de Hildeberto). Porém, a palavra já havia aparecido antes de 1150 na obra de Roland Bandinelli, o futuro papa Alexandre III.

Outras coleções, como a de 114 sermões copiados em São Vítor antes de 1186 ou os 12 manuscritos nas bibliotecas de Paris, ainda não foram publicados. Como pregador, Pedro era sutil e pedante em seu estilo, como era moda na época e convinha à plateia de acadêmicos e professores que se juntava à volta do púlpito do chanceler. Os sermões atribuídos a ele durante sua estadia em São Vítor são mais simples, com um tom mais instrutivo e natural. Finalmente, alguns versos atribuídos a Pedro e uma coleção de máximas chamada "Pancrisis", provavelmente a que ainda existe num manuscrito em Troyes.

Referências

  1. Patrologia Latina, de Migne, CCVII e CCVIII, 1721, etc.
  2. Patrologia Latina, de Migne, CLXXI, sermão 7, 15, 17, 21, 22, 23, etc.

AtribuiçãoEditar

BibliografiaEditar

 
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  • Petris Comestoris Scolastica Historia: Liber Genesis. Edited by Agneta Sylwan. Turnhout: Brepols, 2004, Pp. xc + 227. (Corpus Christianorum Continuatio Mediaevalis, 191).