Abrir menu principal

Pedro José de Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa

Pedro José de Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa
Nascimento 17 de agosto de 1716
Morte 11 de março de 1788 (71 anos)
Cidadania Portugal

Pedro José de Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa (17 de agosto de 1716 - 11 de março de 1788) foi 4º conde de Vila Verde e 3º Marquês de Angeja de juro e herdade. Foi gentil-homem da câmara de D. Maria I de Portugal, foi um estadista, exercendo diversos cargos de confiança régia, nomeadamente o de Capitão-General da Armada Real dos Galeões de Alto Bordo do Mar Oceano[1].

Para si e para todos os seus foi sempre de grande prodigalidade. Apesar de tantos cargos e honrarias, não consta que para o bem público estabelecesse alguma coisa útil, além dum jardim botânico[2], o reconhecido Parque do Monteiro-Mor. Isso embora no conhecido Palácio dos Marqueses de Angeja, na Rua da Junqueira, em Lisboa, igualmente conseguiu formar um notável Gabinete museológico de Curiosidades com diversos espécimes de história natural e alguns objetos de etnografia, de onde se destaca uma múmia egípcia, único exemplar cujo paradeiro se conhece actualmente[3].

BiografiaEditar

Foi Presidente do Real Erário. Estadista, sucessor de toda a casa do Pai, teve o senhorio de suas várias terras e comendas.

Era contrário ao governo do Marquês de Pombal, e atravessou a época com tanta dissimulação, que confessava ser ele, entre os membros da nobreza, um dos únicos homens em cujos pensamentos a intenções nunca pudera penetrar. Depois da queda do ministro, favorecido pela intimidade do Infante D. Pedro, pela fraqueza da Rainha, e pela fama de erudito, que alcançara, Angeja foi escolhido para Presidente do Real Erário quando se formou o novo Gabinete.

Falta de experiência, parece ter presidido os seus atos, como Ministro, a única ideia de uma completa reação contra o governo do seu antecessor, porque uma das primeiras medidas que adotou foi mandar suspender as obras começadas pelo Marquês de Pombal para a reconstrução de Lisboa, que o terremoto de 1755 havia reduzido a um monte de ruínas. 0 Povo dizia então, resumindo nesta frase o juízo que formava do novo governo, a cuja frente estava Angeja: «Mal por mal antes Pombal»[4].

O Marquês, além dos títulos que herdara do Pai, alcançou sucessivamente os seguintes: Gentil-Homem da Real Câmara, Deputado da Junta dos Três Estados, do Conselho da Rainha D. Maria I de Portugal e do Conselho de Guerra, Tenente General dos Exércitos, Ministro Adjunto do Gabinete, Presidente e Lugar-Tenente da Real Pessoa no Erário Régio, Governador da Torre de São Vicente de Belém, Inspetor Geral de toda a arrecadação das fazendas dos armazéns da Guiné e Índia e do Arsenal Real da Marinha, Inspetor Geral das obras públicas e do plano de reedificação da cidade, Comendador da Ordem de Cristo e da Ordem de Santiago, Capitão General da Armada Real dos Galeões de Alto Bordo do Mar Oceano.

Em 1783, tendo adoecido, foi substitui-lo no ministério o Visconde de Vila Nova de Cerveira, D. Tomás Xavier de Lima Nogueira Vasconcelos Teles da Silva, agraciado depois com o título de Marquês de Ponte de Lima. Ainda em 1786, o marquês de Angeja recebeu a valiosa comenda da Vila do Torrão[5].

Silveira Pinto, na «Resenha das Famílias Titulares de Portugal» e Felgueiras Gaio, no «Nobiliário ''das Famílias de Portugal», dizem que tinha o escudo do seu brasão aquartelado as Armas Reais de Portugal, no segundo das de Castela, mantelado de prata, e dois leões de púrpura batalhantes com uma bordadura de ouro e veiros da cor azul, assim os seus alternos. Era brasão privativo dos Noronhas da Casa D'Angeja, pois a casa tinha a varonia de Noronha, provinda de D. Henrique II de Castela, já que seu filho o Sr. D. Afonso, Conde de Gijon e Noronha em Castela, casara com Isabel, filha bastarda de Fernando I de Portugal, e foram pais de D. Constança de Noronha.

dados genealógicosEditar

Era filho do 2.º marquês de Angeja e 3.º conde de Vila Verde, D. António de Noronha, e de sua mulher D. Luísa Josefa de Meneses, filha dos 4.os condes de Tarouca.

Casamentos:

Pais de: D. José Xavier de Noronha Camões de Albuquerque de Sousa Moniz (1741-1811 Rio de Janeiro), 5º Conde de Vila Verde, 4º Marquês de Angeja.

Referências

  1. Capitão-mor, Navegações Portuguesas, Instituto Camões, 2006
  2. Angeja (D. Pedro José de Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa, 4.º conde de Vila Verde, e 3.º marquês de, Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, págs. 542-543, Edição em papel, João Romano Torres - Editor, 1904-1915, Edição electrónica, por Manuel Amaral, 2000-2012
  3. MUHNAC colabora na recriação do Gabinete de Curiosidades do 3º Marquês de Angeja, Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC-ULisboa), Museus da Universidade de Lisboa, 30 de outubro de 2018
  4. Angeja (D. Pedro José de Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa, 4.º conde de Vila Verde, e 3.º marquês de, Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, págs. 542-543, Edição em papel, João Romano Torres - Editor, 1904-1915, Edição electrónica, por Manuel Amaral, 2000-2012
  5. Angeja (D. Pedro José de Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa, 4.º conde de Vila Verde, e 3.º marquês de, Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, págs. 542-543, Edição em papel, João Romano Torres - Editor, 1904-1915, Edição electrónica, por Manuel Amaral, 2000-2012
  6. Angeja (D. Pedro José de Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa, 4.º conde de Vila Verde, e 3.º marquês de, Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, págs. 542-543, Edição em papel, João Romano Torres - Editor, 1904-1915, Edição electrónica, por Manuel Amaral, 2000-2012
  7. O Palácio do Marquês de Angeja e o colapso do painel frontal do chafariz d’el-rei, por António Augusto Salgado de Barros, 22/04/2016, Cadernos do Arquivo Municipal de Lisboa. ISSN 2183-3176. 2ª Série Nº 5 (janeiro - junho 2016), p. 235 - 263, pág. 237

Ligações externasEditar