Pierre de Montreuil

arquiteto francês

Pierre de Montreuil (Montreuil, ? — Paris, 17 de março de 1267) foi um arquiteto, pedreiro-escultor e mestre-de-obras francês medieval.

O Adão de Notre-Dame

As informações sobre sua vida são escassas. Possuía terras e uma pedreira nos arredores de Conflans. Nos anais da Abadia de Saint-Germain-des-Prés em Paris é dito que ele foi o construtor do refeitório entre 1239 e 1244 e da capela da Virgem entre 1245 e c. 1250. Em 1247 é citado no contrato de aquisição de uma casa como construtor em atividade na Basílica de Saint-Denis, e em 1265 aparece como mestre-de-obras da Catedral de Notre-Dame. Sua obra em Saint-Germain-des-Prés foi destruída no século XVIII e só subsistem algumas partes, com destaque para o portal decorado da capela da Virgem. Durante sua atividade em Saint-Denis construiu parte da nave e possivelmente projetou o transepto, e em Notre-Dame modificou o projeto do transepto iniciado por Jean de Chelles, construiu a fachada sul do transepto e diversas capelas laterais do lado norte da nave.[1][2][3]

Também a ele se atribui a decoração escultórica da fachada do transepto de Notre-Dame, que incluía um grande conjunto composto por um par de Adão e Eva aos pés de Cristo Juiz rodeado de anjos carregando os instrumentos da Paixão. Apenas o Adão sobrevive. O Adão passou muito tempo ignorado pela crítica de arte, mas nos últimos quarenta anos sua reputação se estabeleceu solidamente como uma obra-prima, uma das mais notáveis da escultura gótica.[4][5]

Outras obras lhe foram atribuídas, incluindo a Sainte-Chapelle de Paris, autoria que parece estar hoje descartada;[6][7] a Sainte-Chapelle de Vincennes;[8] e a capela de São Luís no Castelo de Saint-Germain-en-Laye, atribuição sustentada por vários especialistas.[9]

Foi sepultado em Saint-Denis, e seu epitáfio o louva como "flor perfeita dos bons costumes, que em vida foi o doutor dos pedreiros", um elogio que denota seu elevado prestígio.[10] Foi um mestre do estilo gótico radiante, com uma concepção inovadora do espaço, dando importância a interiores amplos e luminosos. Também é original o tratamento elegante e meticuloso que deu à ornamentação esculpida dos edifícios. Seu estilo foi muito admirado em seu tempo e imitado por mais de um século.[2]

Ver tambémEditar

Referências

  1. "Pierre de Montreuil". In: Grove Art Online. Oxford University Press, 2021
  2. a b Prache, A. "Pierre de Montreuil". In: Enciclopedia dell' Arte Medievale. Treccani, 1998
  3. Plagnieux, Philippe. "Pierre de Montreuil". In: Vauchez, Andre. Encyclopedia of the Middle Ages, Volume 1. Routledge, 2001, p. 1139
  4. Dectot, Xavier. "Adam". Collections du Musée de Cluny. Réunion des musées nationaux – Grand Palais, 2011
  5. Rudolph, Conrad. A Companion to Medieval Art: Romanesque and Gothic in Northern Europe. John Wiley & Sons, 2011
  6. Erlande-Brandenburg, Alain. "Paris, V, 2: Sainte-Chapelle". In: Turner, Jane (ed.). The Dictionary of Art, vol. 24. Grove, 1996, pp. 156–157
  7. Prache, Anne (1996). "Pierre de Montreuil". In: Turner, Jane (ed.). The Dictionary of Art, vol. 24. Grove, 1996, pp. 774–775
  8. Sturgis, Russell. A Dictionary of Architecture and Building, vol. 2. Macmillan, 1901, p. 938
  9. Ayers, Andrew. The Architecture of Paris. Axel Menges, 2004, p. 316
  10. Binski, Paul. "The architect, scholasticism and rhetoric". In: Carruthers, Mary. Rhetoric beyond Words: Delight and Persuasion in the Arts of the Middle Ages. Cambridge University Press, 2010, pp. 31-32