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Pilobolus

género de fungos
Como ler uma infocaixa de taxonomiaPilobolus
Pilobolus spp.
Pilobolus spp.
Classificação científica
Reino: Fungi
Ordem: Mucorales
Família: Pilobolaceae
Género: Pilobolus
Espécies
(lista incompleta)

P. crystallinus
P. kleinii
P. longipes
P. sphaerosporus
P. umbonatus
P. roridus

Pilobolus é um género de fungos que normalmente desenvolve-se em excrementos de herbívoros. O seu esporângio é o objecto mais rápido do planeta terra.

Ciclo de vidaEditar

O ciclo de vida de Pilobolus inicia-se com um esporângio preto que caiu em um substrato vegetal, aderindo-se ao mesmo através da camada gelatinosa que o envolve. Um animal herbívoro ao ingerir o substrato, sem o saber, ingere também o esporângio. O esporângio de Pilobolus sobrevive à passagem pelo tracto gastrointestinal do herbívoro e emerge com o excremento. Uma vez no exterior do seu hospedeiro, os esporos no interior do esporângio germinam e desenvolve-se um micélio no excremento. Mais tarde, o fungo frutifica, produzindo mais esporos.

A estrutura frutífera assexual (o esporangióforo) das espécies de Pilobolus é singular. Consiste de um “pé” transparente que se eleva acima do excremento terminando numa vesícula subesporangial. Em cima desta, desenvolve-se um esporângio preto. O esporangióforo tem a capacidade notável de se orientar de forma a apontar directamente para uma fonte de luz. A vesícula subesporangial funciona como uma lente, focando a luz por meio de pigmentos carotenóides depositados próximo da sua base. O esporangióforo em desenvolvimento cresce de tal forma que o esporângio em maturação é apontado directamente à luz.

Quando a pressão de turgor no interior da vesícula subesporangial aumenta até a um nível suficiente (frequentemente 7 atm ou superior) o esporângio é lançado, podendo viajar distâncias que vão de poucos centímetros a dois metros, sofrendo uma aceleração inicial superior a 20 000 g[1], um feito impressionante para um esporangióforo com menos de 1 cm de altura. A orientação do “pé” em direcção à luz, garante aparentemente que o esporângio é lançado a alguma distância do excremento, aumentando a probabilidade de que se fixe à vegetação e seja ingerido por um novo hospedeiro.

Outra adaptação interessante de Pilobolus é o facto de o esporângio estar coberto de cristais de oxalato de cálcio. Além de servirem de mecanismo protector, a sua natureza hidrofóbica leva o esporângio a dobrar-se em direcção à sua base pegajosa após aterrar numa gota de orvalho, permitindo assim que se fixe a uma planta cultivada artificialmente, mas apenas quando o meio de crescimento é suplementado com alguma forma de ferro quelatado ou com excremento de herbívoro esterilizado.

O mecanismo de descarga forçada de Pilobolus é aproveitado por nemátodes parasitas como os do género Dictyocaulus. Larvas de nemátodes excretadas por veados, cavalos ou bovinos infectados (entre outros hospedeiros) trepam os esporangióforos de Pilobolus e são lançados com o esporângio. Completam o seu ciclo de vida quando eles o seu vector Pilobolus são ingeridos por um novo hospedeiro.

Referências

BibliografiaEditar

  • Yafetto, L., Carroll, L., Cui, Y., Davis, D. J., Fischer, M. W., Henterly, A. C., Kessler, J. D., Kilroy, H. A., Shidler, J. B., Stolze-Rybczynski, J. L., Sugawara, Z., Money, N. P. (2008). «The fastest flights in nature: high-speed spore discharge mechanisms among fungi». PLOS One 3:e3237 (em inglês) 
  • Foos, K. M. (1997). Pilobolus and lungworm disease affecting elk in Yellowstone National Park (em inglês). [S.l.]: Mycological Research 101:1535-1536 
  • Bruce, V. G., F. Weight, and C. S. Pittendrigh (1960). Resetting the sporulation rhythm in Pilobolus with short light flashes of high intensity (em inglês). [S.l.]: Science 131:728-730 
  • Uebelmesser, E. R. (1954). Ãœber den endogenen Tagesrhythmus der Sporangienbildung von Pilobolus (em inglês). [S.l.]: Arch Mikrobiol 20:1-33 

Ligações externasEditar