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Pirajá (Salvador)

bairro de Salvador, Brasil
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Pirajá
  Bairro do Brasil  
A Estrada Velha do Cabrito danificada após chuvas.
A Estrada Velha do Cabrito danificada após chuvas.
Mapa de localização do bairro na cidade.
Mapa de localização do bairro na cidade.
Unidade federativa Bahia Bahia
Região administrativa Região Ipitanga, RA XV[1]
Município Bandeira de Salvador.svg Salvador
População
 - Total 30,641
- IDH 0,702
Limites Marechal Rondon (sul), Valéria (norte), Dom Avelar e Águas Claras (leste), Alto do Cabrito (oeste)
Energia elétrica (%) 100%
Água encanada (%) 100%
Coleta de lixo (%) 90%
Fonte: Não disponível

Pirajá é um bairro do município de Salvador, no estado da Bahia, no Brasil.[2] Concentra garagens de empresas de ônibus, galpões atacadistas, várias lojas de autopeças, uma estação de ônibus (Estação Pirajá), um porto seco, conjuntos habitacionais, a Represa do Cobre e o Parque São Bartolomeu. Também abriga a sede do "Cortejo Afro", agremiação voltada à cultura negra e cantada por Daniela Mercury na música "Preta".

Índice

EtimologiaEditar

"Pirajá" é um termo de origem tupi: significa "o que está repleto de peixes", através da junção de pirá (peixe) e îá (repleto).[3]

HistóriaEditar

A Batalha de Pirajá é considerada um dos principais choques bélicos da guerra pela Independência da Bahia, sendo travada na área de Cabrito-Campinas-Pirajá. A principal batalha pela independência, em que os baianos venceram as forças do colonialismo português, em 1823, foi no Panteão (Pantheon) de Pirajá, situado no Largo de Pirajá. Todo dia 1º de julho, o local recebe o Fogo Simbólico vindo do Recôncavo, representando as vilas revolucionárias instaladas na região. Na principal praça do bairro, Pierre Labatut, o general francês combatente da Batalha de Pirajá, está com seus restos mortais no panteão do local.

O bairro é um dos mais antigos de Salvador: surgiu a partir de engenhos de açúcar e das primeiras missões jesuíticas que aportaram na Bahia no período da colonização, como constata o professor Luís Henrique Dias Tavares: “Na Ribeira de Pirajá, os jesuítas estabeleceram nos primeiros anos de colonização a aldeia de São João de Plataforma, dando início às primeiras experiências de catequese. Ali, surgiram os primeiros engenhos de açúcar da cidade, como o de El-Rei ou Pirajá.

No engenho São João, pertencente à Companhia de Jesus, o padre Antonio Vieira pregou o seu primeiro sermão, em 1633. Pelas colinas de Pirajá, corria a mais antiga via de penetração para o interior do país, a Estrada das Boiadas. A Enseada do Cabrito oferecia, por outro lado, o único abrigo verdadeiramente seguro para as naus, nas vizinhanças da cidade.”

LocalizaçãoEditar

O bairro de Pirajá fica localizado nas margens da BR-324 e do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Seu acesso pode ser feito pela BR-324 (pelo Norte e Leste), Estrada do DERBA (pelo Norte), Estrada Velha de Campinas e (pelo Sul) e Ligação Pirajá-Suburbana (pelo Oeste). Pirajá tem pouquíssimas ligações, vias e transporte para a Região do Subúrbio Ferroviário e bairros vizinhos separados pela Represa do Cobre como Rio Sena, Alto da Terezinha e Ilha Amarela.

Festa de LabatutEditar

A Festa de Labatut existe desde 1853, criada quatro anos após a morte do general Pedro Labatut (Pierre Labatut, em francês). Nessa época, iniciou-se uma romaria ao túmulo do general, que, até hoje, é reverenciado como o principal personagem da independência da Bahia. A festa de Labatut inicia-se uma semana depois da maior festa do 2 de julho. Na ocasião, os moradores de Pirajá e bairros vizinhos se reúnem e fazem a sua festa, que dura três dias.

Rua 8 de NovembroEditar

A origem do nome da rua de maior movimento de comércio de Pirajá, a 8 de novembro, está relacionada à data da batalha de Pirajá. A batalha começou na madrugada do dia 8 de novembro de 1822, quando 250 soldados portugueses que desembarcaram em Itacaranha atacando a área do Engenho do Cabrito, enquanto um outro grupo avançava por terra até Pirajá. A batalha durou 8 horas, com um total de 4 000 homens e revelando-se na mais alta demonstração de resistência brasileira ao longo da luta pela independência.

A vitória desta batalha guarda uma dúvida até hoje não esclarecida, pois atribui a uma falha do “Corneteiro Lopes” que não se sabe se intencionalmente ou não trocou o toque da corneta. A versão deve-se a Ladislau dos Santos Titara, encarregado de registrar em livros toda a correspondência do general Labatut, onde ele consta que o cabo-corneta Luís Lopes salvou o exército brasileiro com o toque de “avançar a cavallaria, e sucessivamente à degola”, ao contrário do toque de retirada que lhe havia sido ordenado pelo tenente-coronel Barros Falcão. "Mas há quem diga que o corneteiro Lopes e sua façanha não passe de balela. Um deles é o historiador Ubiratan Castro. Segundo acredita, o corneteiro Lopes não passa de uma lenda inventada pelos portugueses. Estaria mais próxima de um deboche: brasileiro só ganhou a campanha porque errou o toque da corneta. A essa ideia, soma-se o preparo do exército português, acostumado às campanhas napoleônicas. Sendo assim, ficaria difícil acreditar que um simples toque de corneta levassem os lusos a fugir. Bem, verdade ou mentira, a figura do corneteiro Lopes está incorporada à história da Independência da Bahia. É assim que se criam os mitos".

DemografiaEditar

Foi listado como um dos bairros mais perigosos de Salvador, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgados no mapa da violência de bairro em bairro pelo jornal Correio em 2012.[4] Ficou entre os mais violentos em consequência da taxa de homicídios para cada cem mil habitantes por ano (com referência da ONU) ter alcançado o segundo nível mais negativo, com o indicativo de "61-90", sendo um dos piores bairros na lista.[4]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Prefeitura Municipal do Salvador. Lei n° 7.400/2008 Dispõe sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano do Município do Salvador – PDDU 2007 e dá outras providências.[ligação inativa]
  2. Bairros de Salvador
  3. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 593.
  4. a b Juan Torres e Rafael Rodrigues (22 de maio de 2012). «Mapa deixa clara a concentração de homicídios em bairros pobres». Correio (jornal). Consultado em 1 de maio de 2019 

Ligações externasEditar