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Ponte da Boa Vista é uma ponte recifense sobre o Rio Capibaribe, ligando a Rua Nova, no bairro de Santo Antônio, à Rua da Imperatriz Teresa Cristina, no bairro da Boa Vista.

É a ponte mais típica da paisagem urbana recifense, mandada construir por Maurício de Nassau, em 1640.

HistóriaEditar

A primeira ponte foi construída em local diferente ao da hoje existente. Foi construída em sete semanas, toda em madeira.[1]

No Século XVIII, o então governador da província de Pernambuco Henrique Luís Pereira Freire (que governou a província entre 1737 e 1746) mandou derrubar a antiga ponte e construir outra, também em madeira, no local da hoje existente.

O engenheiro Antônio Bernardino Pereira do Lago a reconstruiu em 1815, colocando gradis de ferro e calçamento de seixos irregulares e construiu varandas, onde foram colocados bancos.

Com projeto do engenheiro Francisco Pereira Passos [2], a ponte foi reconstruída em agosto de 1874, por ordem do então governador da província, Henrique Pereira de Lucena, futuro Barão de Lucena. Esse novo projeto deu feições mais modernas à ponte. Seu formato é o que hoje ela apresenta. Feita em ferro batido (importado da Inglaterra), a ponte apresenta pequenos ladrilhos que se encaixam em forma de losangos.

Nas décadas de 1940 e 1950, a ponte servia de passarela para que os recifenses ali desfilassem, sob a vigilância das câmeras de fotógrafos, que ofereciam suas fotografias.

Foi parcialmente destruída em duas enchentes do Rio Capibaribe, em 1965 e 1966, tendo sido restaurada em 1967, na gestão do prefeito Augusto Lucena. Essa restauração a descaracterizou [3] e a obra foi embargada pelo IPHAN, embora tardiamente, quando o trabalho já estava praticamente concluído.

ArquiteturaEditar

Destacam-se, na arquitetura da ponte, as quatro pilastras metálicas, duas em cada extremidade, todas com o brasão imperial no alto. E em todas elas há datas e dísticos em relevo, que são uma síntese da história de Pernambuco e do Brasil.[4]

Extremidade oriental, lado esquerdo Extremidade oriental, lado direito Extremidade ocidental, lado esquerdo Extremidade ocidental, lado direito
Imperador
1503
Feitoria de Itamaracá
Cristóvão Jaques
1530
Feitoria de Igarassu
Duarte Coelho
1535
Fundação de Olinda
Duarte Coelho
1630
Invasão dos Holandeses
Tomada de Olinda
1635
Rendição do Arraial
Holandeses de posse de Pernambuco
D. Pedro II
1645
Batalha de Tabocas
e Batalha da Casa Forte
1648
1ª Batalha dos Guararapes
1649
2ª Batalha dos Guararapes
1654
27 de janeiro [5]
Restauração de Pernambuco
Barreto, Vidal, Vieira,
Dias, Camarão
Imperador
1710
Guerra dos Mascates
Primeiro brado de independência
1817
6 de março
Governo republicano em Pernambuco
1818
20 de maio
Restauração do Governo da Metrópole
1822
8 de dezembro
Adesão de Pernambuco
ao fato da Independência do Brasil
D. Pedro II
1824
2 de julho
Confederação do Equador
1824
13 de setembro
Restauração do Governo Imperial
Martírio pela Liberdade
1831
7 de abril
Abdicação do Sr.
D. Pedro I
Começo do reinado

do Sr. D. Pedro II

ReferênciasEditar

  • FRANCA, Rubens. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.
  • Fundação Joaquim Nabuco (página visitada em 7 de fevereiro de 2010)

Notas

  1. No local da primitiva Ponte da Boa Vista foi erguida, depois, outra ponte, oficialmente denominada Ponte Seis de Março, porém conhecida pelos pernambucanos apenas como Ponte Velha.
  2. Francisco Pereira Passos foi mais tarde prefeito da cidade do Rio de Janeiro.
  3. Suas passarelas foram alargadas, seus pilares foram unidos por um revestimento de concreto até o nível da água e toda a estrutura do lastro inferior foi concretada.
  4. FRANCA, Rubem, Monumentos do Recife, páginas 135-137.
  5. Observe-se a data "27 de janeiro", quando deveria ser talvez "26". (Anotação de Rubem Franca em sua obra citada).

Ligações externasEditar