Praça Dante Alighieri

Vista parcial da Praça Dante Alighieri, com a Catedral ao fundo e a estátua da Liberdade à direita
Vista da Praça Dante no final do século XIX, com a primeira Matriz.

A Praça Dante Alighieri é o logradouro público mais antigo e tradicional de Caxias do Sul, no Brasil, estando localizada no coração da cidade. Foi definida na planta da colônia desde os primórdios da ocupação do território e foi o cenário de inúmeros eventos importantes, possuindo em seu entorno diversos edifícios históricos de grande relevo.

HistóriaEditar

A criação de uma praça em Caxias do Sul estava prevista desde a fundação da colônia italiana em 1875, no mesmo local onde hoje se encontra. Em sua origem sua topografia era outra, sendo um largo bastante mais elevado do que é hoje. Até 1880 não há notícia de benfeitorias, a área era apenas um quadrado de terra batida e a urbanização incipiente no entorno avançava indevidamente sobre alguns de seus trechos. Essas estruturas foram removidas em 1882, após a aprovação de uma reforma do plano de ocupação do solo urbano, que incluiu a retificação das suas ruas delimitantes.[1]

Logo em seguida começaram as obras de urbanização, com a construção de alguns balaústres para cercamento, e ao redor começaram a ser erguidos em definitivo prédios comerciais, hotéis e casas recreativas, formando o embrião do atual Centro Histórico de Caxias do Sul. Na área da praça se instalaram alguns quiosques para venda de bebidas e petiscos diversos, e o local também recebia circos e quitandas, definindo-se como um ponto de encontro e confraternização da população.[1]

Monumento a Dante Alighieri

Na administração de José Penna de Moraes elaboraram-se planos para melhoramentos, sendo rebaixado o seu nível com a remoção de 1.200 m³ de rochas. Foi ajardinada, recebeu bancos e cerca, um muro de contenção no alinhamento da rua Júlio de Castilhos, calçaram-se os passeios do entorno, e foram instalados os monumentos a Júlio de Castilhos, obra de Prosperi, e a Dante Alighieri, trabalho do italiano Eugenio Bellotto. Também foi erguido um coreto para discursos de autoridades e apresentações de banda].[1]

Em 1917 recebeu o Chalé Municipal, uma réplica em alvenaria dos tradicionais quiosques de madeira, com um bar, restaurante e salas de jogos. Em 1922, no centenário da Independência do Brasil, foi inaugurado um monumento à Liberdade, com uma estátua de autoria de Michelangelo Zambelli e pedestal de Silvio Toigo. Em 1927 iniciaram-se outras obras de nivelamento e benfeitorias, que se prolongaram até 1940, e incluíram um novo ajardinamento com profusão de roseiras, a construção de um chafariz e o calçamento das alamedas com mosaico de pedra. Entretanto, em 27 de agosto de 1933, defronte à Catedral, lançou-se a pedra fundamental do monumento ao Duque de Caxias.[1]

Durante a II Guerra Mundial, com a onda de xenofobia que grassou pelo Brasil, o nome da praça foi alterado para Praça Rui Barbosa, após violentas manifestações populares. Na década de 1970 foi instalado um novo chafariz e a praça foi ampliada, absorvendo um trecho da avenida Júlio de Castilhos, transformado em calçadão. Em 1990 o poder público propôs a reabilitação da memória de Dante Alighieri, restaurando a antiga denominação da praça, o que ocorreu em 12 de junho. No início do século XXI o trecho do calçadão foi novamente aberto ao tráfego de veículos, e o logradouro foi completamente reajardinado.[1]

ConservaçãoEditar

Pela sua antiguidade, e por ter desde o início da colonização sido o palco de uma série de eventos marcantes na vida comunitária, inclusive sediou várias das primeiras Festas da Uva, a praça está carregada de memórias e tradições, as quais, no entanto, estão sendo rapidamente perdidas diante do progresso acelerado que a cidade experimenta, recebendo, além disso, uma grande população nova oriunda de outras regiões, para a qual a história da cidade, intimamente ligada à imigração italiana, pouco diz respeito diretamente.[2]

A praça preserva atualmente uma configuração geral bastante próxima daquela estabelecida nos anos 1940, mas o seu entorno de prédios históricos sofreu profunda descaracterização ao longo do século XX, perdendo-se edifícios notáveis como a antiga sede do Banco Nacional do Comércio, o Hotel Pezzi e a primeira sede da Intendência, e nas últimas décadas os seus remanescentes foram ainda mais descaracterizados por reformas arbitrárias e por grandes placas publicitárias instaladas nas fachadas, ocultando grande parte de seus elementos.[3][4]

No entanto, a Municipalidade tem desenvolvido alguns programas de revitalização, como o Caminhos da Memória, que incluem a praça, existe legislação protegendo a arquitetura com mais de 50 anos de idade, vários imóveis do entorno foram tombados, foi aprovada legislação minimizando os impactos da poluição visual nos edifícios do Centro Histórico e lentamente a população parece estar despertando para a importância da preservação do patrimônio local, embora ainda muito trabalho neste sentido ainda precise ser feito para impedir que novas descaracterizações ocorram, como as que recentemente sofreram a Catedral e a Casa Canônica, os dois mais relevantes edifícios históricos que ainda sobrevivem no entorno, e que ainda não receberam o benefício do tombamento.[5][3][6]

A praça ainda preserva diversas placas comemorativas a cidadãos ilustres caxienses e eventos importantes, bem como o Marco Zero da cidade. Outros edifícios significativos do entorno são a Casa Scotti, a Casa Sassi e a sede social do Clube Juvenil.[1]



Panorâmica da Praça vista de cima das escadas da Catedral

Ver tambémEditar

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Referências

  1. a b c d e f "A Praça Dante Alighieri". In: Memória — Boletim informativo do Museu e Arquivo Histórico Municipal, 1992 (15)
  2. Brum, Rosemary Fritsch. Uma cidade que se conta. Imigrantes italianos e narrativas no espaço social da cidade de Porto Alegre nos anos 20-30. Editora da UFMA, 2009, p. 15
  3. a b Uez, Pablo Cesar & César, Pedro de Alcântara Bittencourt. "Análise do roteiro cultural de Caxias do Sul - RS: diagnóstico do espaço turístico para uma perspectiva de planejamento urbano". In: Anais do VI Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercosul: Saberes e fazeres no turismo: Interface. Caxias do Sul: UCS, 09-10/07/2010
  4. "A preservação não recusa o novo". In: Memória — Boletim do Museu e Arquivo Histórico Municipal, 1992; (4)
  5. Prefeitura Municipal de Caxias do Sul. Bens Imóveis Tombados.
  6. Frantz, Ricardo A. A lenta e dissimulada degradação de dois ícones arquitetônicos da cidade de Caxias do Sul. Academia.edu, 2013