Praça dos Três Poderes

Praça dos Três Poderes
Brasília,  Distrito Federal,  Brasil
Vista aérea da Praça dos Três Poderes
Tipo Praça
Inauguração 21 de abril de 1960 (60 anos)

A Praça dos Três Poderes, em Brasília, no Brasil, é um amplo espaço aberto entre os três edifícios monumentais que representam os três poderes da República: o Palácio do Planalto, sede do Executivo brasileiro, o prédio do Supremo Tribunal Federal, corte máxima do Judiciário, e o Congresso Nacional do Brasil, que representa o Legislativo. Além dos três prédios principais, na atualidade outras edificações e monumentos completam a paisagem da praça.

Como em quase todos os logradouros da cidade, a parte urbanística foi idealizada por Lúcio Costa e as construções foram concebidas por Oscar Niemeyer com projetos estruturais de Joaquim Cardozo.[1][2][3][4]

HistóriaEditar

 
Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro, Lúcio Costa e JK examinam o projeto da Praça dos Três Poderes
 
Uma maquete e desenhos da Praça dos Três Poderes em exposição.
 
A praça sendo construída.
 
A praça em meados dos anos 1960.

A Praça dos Três Poderes foi concebida por Lúcio Costa em seu projeto enviado ao Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil. Em seu famoso relatório justificativo, cujo é considerado o grande fator que levou Lúcio a vitória, a diretriz de número 9 trata, entre outros setores, da Praça dos Três Poderes, onde ela é nomeada assim pela primeira vez.[5][6]

Veja-se agora como nesse arcabouço de circulação ordenada se integram e articulam os vários setores. Destacam-se no conjunto os edifícios destinados aos poderes fundamentais que, sendo em número de três e autônomos, encontraram no triângulo eqüilátero, vinculado à arquitetura da mais remota antiguidade, forma elementar apropriada para contá-los. Criou-se então um terrapleno triangular, com arrimo de pedra à vista, sobrelevado na campina circunvizinha a que se tem acesso pela própria rampa da auto-estrada que conduz à residência e ao aeroporto. Em cada ângulo dessa praça — PRAÇA DOS TRÊS PODERES — localizou-se uma das casas, ficando as do Governo e do Supremo Tribunal na base e a do Congresso no vértice, com frente igualmente para uma ampla esplanada disposta num segundo terrapleno, de forma retangular e nível mais alto, de acordo com a topografia local, igualmente arrimado de pedras em todo o seu perímetro. A aplicação em termos atuais, dessa técnica oriental milenar dos terraplenos, garante a coesão do conjunto e lhe confere uma ênfase monumental imprevista. (...)
— Lúcio Costa, Diretriz 9 do Relatório do Plano Piloto de 1957

É definido ai o formato, os três prédios principais do conjunto, e a posição de cada uma - com o Palácio do Congresso Nacional ficando no vértice, tendo outra fachada voltada a "ampla esplanada" que seria a Esplanada dos Ministérios, com um terreno adequado usando técnicas de terraplanagem - na execução, porém, foi usado concreto armado ao invés de pedras no arrimo.[7] Lúcio pensa a praça com o principal espaço simbólico da cidade e um símbolo laico de um país institucionalizado.

As obras começam logo que o projeto é confirmado vencedor, e a praça é inaugurada, junto com a cidade, no dia 21 de abril de 1960. Além da praça e dos edifícios dos três poderes, ela contava, a época, apenas com o Museu Histórico de Brasília, que assim como os palácios também foi desenhado por Niemeyer, e os monumentos A Justiça e Os Guerreiros (hoje conhecido como Os Candangos).

Em 1961, a praça recebe sua primeira adição, o Pombal, um pedido da primeira-dama Eloá Quadros feito por Niemeyer sob a justificativa de que uma praça deveria ter pombos. Por seu formato, acabou ficando conhecido por "prendedor de roupa".[8] Na mesma década, foi feita mais uma obra de Niemeyer, a Casa de Chá, que acabou virando um ponto de boêmia em pleno coração político do Brasil.[9]

Outras adições foram sendo feitas com o passar dos anos e novos monumentos e prédios surgiram na praça e em seu entorno. Um Monumento a Israel Pinheiro, primeiro prefeito de Brasília, foi construído perto do museu. Em 1972, um colossal mastro de bandeira foi colocado na base do triângulo, fora da parte seca da praça. Em 1986, o Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves foi construído na mesma região, que passou a ser chamada Bosque dos Constituintes após 1988. Mais um monumento de Niemeyer foi adicionado após tombamento da cidade pela UNESCO em 1987. O Espaço Lúcio Costa foi construído no subterrâneo em 1992.[10][11][12]

CaracterísticasEditar

 
A Praça dos Três Poderes. Em primeiro plano a escultura "Os Candangos" com o Mastro especial da Praça dos Três Poderes ao fundo.

A Praça dos Três Poderes, localizada no extremo leste do Plano Piloto, é um espaço aberto que mede aproximadamente 120 x 220 m, de modo que os prédios representativos dos poderes não se sobressaíssem um diante dos outros, em atenção ao princípio de que os poderes são harmônicos e independentes e, portanto, têm o mesmo peso.

Não é uma praça tradicional, pois não possui árvores nem qualquer outro elemento que proporcione sombra às pessoas que nela permanecem. De vegetação, somente as palmeiras imperiais que circundam a grande superfície de água à altura do Congresso Nacional e o Bosque dos Constituintes, composto por arvores plantadas pelos deputados constituintes de 1988.

Como os edifícios em volta da praça, nas orientações norte e sul, ocupam área reduzida em relação à área total do logradouro, obteve-se um efeito escultórico impressionante. Durante a noite, causa expressivo efeito o jogo de luzes dirigidos às colunas dos brancos palácios, sugerindo estarem suspensos no ar.

Além dos palácios, a Praça dos Três Poderes, inclui as esculturas Os Guerreiros, de Bruno Giorgi (mais conhecida como Os Candangos[13]), considerado um símbolo de Brasília, e A Justiça, escultura de Alfredo Ceschiatti, em frente ao STF. Pode-se ver ainda a Pira da Pátria e o Marco Brasília, em homenagem ao ato da Unesco que considerou a cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.

Na parte mais a oeste da praça está o Museu Histórico de Brasília ou Museu da Cidade, em cuja fachada se pode admirar uma escultura da cabeça de Juscelino Kubitschek.

A paisagem da praça também é marcada pelo Mastro da Bandeira, um monumento de autoria de Sérgio Bernardes de cem metros de altura. A Lei 5.700/71 determina a presença perene de uma bandeira nacional. Segundo o Livro Guinness dos Recordes, ela já foi a maior bandeira hasteada do mundo, medindo 286 m². Ela é substituída todo primeiro domingo de cada mês em cerimônia solene.[14][15]

Ao leste, está o Panteão da Pátria, construído em homenagem ao presidente Tancredo Neves e que poderá vir a abrigar os restos mortais de ilustres figuras brasileiras. Sua forma sugere a imagem de uma pomba. No salão principal podem ser admirados o vitral de Marianne Peretti e o painel sobre Inconfidência Mineira, de João Câmara. No Salão Vermelho, pode-se apreciar o painel de Athos Bulcão. Já tiveram seus nomes inscritos no livro de aço lá exposto, os nomes de várias personalidades históricas. Também próximo ao Panteão, encontra-se ainda o Pombal, uma escultura de Niemeyer, em concreto[8], e a a Casa de Chá, hoje usada como Centro de Informações Turísticas, que fica semi-enterrada na praça. Niemeyer declarou que não pretendia criar mais prédios que chamassem atenção, já que o local já tem muitos deles. Pelo mesmo motivo, o Espaço Lúcio Costa está situado sob o piso da praça. Lá os visitantes podem ver uma maquete de Brasília, com 179 m².

Já o Espaço Oscar Niemeyer está localizado na parte posterior da Praça dos Três Poderes, no Bosque dos Constituintes. É uma edificação cilíndrica, com área de 433 m², onde se podem admirar os trabalhos (painéis, desenhos e fotos) que representam as obras deste arquiteto. Apesar de um pouco retirado, com relação aos demais monumentos, é considerado parte da praça.

A Praça dos Três Poderes é ponto de visitação turística e de concentrações populares, não só as cívicas, como a troca da guarda do palácio presidencial e o hasteamento da bandeira, mas também das grandes manifestações de reivindicação e protesto.

Os principais prédiosEditar

Congresso NacionalEditar

 Ver artigo principal: Palácio Nereu Ramos

Em seus depoimentos, Oscar Niemeyer declara que o Edifício do Congresso Nacional é sua realização predileta. Cartão-postal de Brasília, com sua concepção plástica arrojada, a sede do Poder Legislativo brasileiro é um conjunto de construções onde se destacam as duas cúpulas representando os plenários: a cúpula maior (côncava) do plenário da Câmara dos Deputados e a cúpula pequena (convexa), que abriga o plenário do Senado Federal.

Na face voltada para a Praça dos Três Poderes, possui um espelho d’água. No anexo I, formado por dois prédios verticais de 28 pavimentos, com cem metros de altura, funciona a administração das duas casas legislativas. Ao longo dos anos, outros anexos foram sendo construídos, fora da área da praça, para novos gabinetes parlamentares e instalação de escritórios para as atividades de apoio.

Compõem o prédio o Salão Negro, o Salão Verde, o Salão Nobre, os Plenários da Câmara e do Senado, bem como as galerias (que unem o prédio principal aos anexos tanto na Câmara como no Senado) e a chapelaria no Senado. Na chapelaria existe um pequeno museu com o mobiliário do antigo Senado, que funcionou no Palácio Monroe no Rio de Janeiro. O Congresso possui um acervo artístico expressivo, com obras de Di Cavalcanti, Alfredo Ceschiatti, Marianne Peretti, Fayga Ostrower, Carybé e Maria Bonomi.

Supremo Tribunal FederalEditar

 Ver artigo principal: Palácio do Supremo Tribunal Federal

O prédio de colunas externas segue o mesmo modelo criado para o Palácio do Planalto e o Palácio da Alvorada. Prédio moderno, o Supremo possui obras de arte distribuídas por seus espaços e um museu com um plenário da antiga sede do Rio de Janeiro, além de móveis, togas e objetos pessoais de ex-ministros. Em exposição permanente, a história das leis e de todas as Constituições do país.

O prédio situado na praça é usado para solenidades e para as sessões plenárias. Os serviços administrativos funcionam em anexos construídos ao longo do tempo.

Palácio do PlanaltoEditar

 Ver artigo principal: Palácio do Planalto

A sede do Poder Executivo do Brasil, é local de trabalho da Presidência e abriga também alguns ministérios como a Casa Civil. É revestido de mármore branco e da fachada principal, voltada para a Praça dos Três Poderes, são visíveis apenas quatro andares, embora a edificação possua subsolos e anexos administrativos.

As reuniões ministeriais são realizadas no amplo salão onde está instalada a imponente mesa oval, no segundo andar. O Gabinete Presidencial está localizado no terceiro andar, ao lado dos Gabinetes Civil e de Segurança Institucional. Uma ampla rampa, em espiral, une esses dois pisos. Ainda no segundo andar, estão localizados os salões Leste e Oeste, onde são realizadas as cerimônias de entrega de credenciais de diplomatas estrangeiros, assinaturas de leis e tratados ou de posse de ministros de Estado.

Lista de monumentos da Praça dos Três PoderesEditar

Vista panorâmica da Praça dos Três Poderes: a esquerda (sul) o poder judiciário (Supremo Tribunal Federal - nº 3), no centro o poder legislativo (Congresso Nacional - nº 12) e a direita a sede do poder executivo (Palácio do Planalto - nº 16).
 
Os Candangos
Os números da imagem correspondem aos números listados abaixo.
1 Casa de Chá (Centro de Informações Turísticas)
2 "O Pombal" (por Oscar Niemeyer)
3 Supremo Tribunal Federal
4 "A Justiça" (por Alfredo Ceschiatti)
5 Museu Espaço Lúcio Costa
6 Câmara de Deputados do Brasil anexo IV
7 Museu da Cidade
8 Monumento a Israel Pinheiro
9 Palácio Itamaraty (Ministério de Relações Exteriores de Brasil)
10 Esplanada dos Ministérios
11 Monumento UNESCO
12 Congresso Nacional
12a Torre da Câmara de Deputados do Brasil
12b Torre do Senado do Brasil
13 Torre de televisão de Brasília
14 Escultura "Os Guerreiros" também chamada "Os Candangos" de Bruno Giorgi
15 Edifício anexo ao Senado II
16 Palácio do Planalto

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Niemeyer e Joaquim Cardozo: uma parceria mágica entre arquiteto e engenheiro». EBC. Consultado em 29 de dezembro de 2018 
  2. «Brasília 50 anos» (PDF). VEJA. Consultado em 19 de janeiro de 2014 
  3. «PINI Web - O engenheiro da poesia». 1 de agosto de 1998. Consultado em 25 de outubro de 2008 
  4. «Joaquim Cardozo». Museu Virtual de Brasília. Consultado em 17 de janeiro de 2016 
  5. «A Praça dos Três Poderes». Vitruvius. Maio de 2010. Consultado em 21 de julho de 2020 
  6. Lúcio Costa, Relatório para o Plano Piloto, Doc Brazilia, 26 de junho de 2020
  7. Lúcio Costa, Relatório para o Plano Piloto, Doc Brazilia, 26 de junho de 2020
  8. a b «Visão Lateral: O Pombal da Praça dos Três Poderes». Revista AE. 30 de janeiro de 2020. Consultado em 29 de julho de 2020 
  9. NIEMEYER, Oscar. Quase memórias: viagens, tempos de entusiasmo e revolta (1961 – 1966). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. (p.59)
  10. «Avião ou borboleta? Entenda as inspirações de Lúcio Costa para o projeto de Brasília». G1. 4 de junho de 2019. Consultado em 29 de julho de 2020 
  11. «Projeto arquitetônico de Lucio Costa para Brasília completa 60 anos». G1. 18 de março de 2017. Consultado em 29 de julho de 2020 
  12. Lúcio Costa, Relatório para o Plano Piloto, Doc Brazilia, 26 de junho de 2020
  13. «Dois Guerreiros ou Os Candangos homenageia quem construiu Brasília». Consultado em 18 de setembro de 2015 
  14. «Atrações turísticas». STF. Fevereiro de 2007. Consultado em 27 de maio de 2012 
  15. «PATRIOTISMO - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público». patriotismo.org.br. 2012 [última atualização]. Consultado em 21 de agosto de 2012. Arquivado do original em 27 de novembro de 2010  Verifique data em: |ano= (ajuda)

Ligações externasEditar