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Pranayama[1] (do sânscrito प्राणायाम, transliterado prāNāyāma, "expansão do prana") é o quarto ramo do Raja Yoga exposto nos Ioga Sutras de Patañjali. Prana é a fonte de energia. O prana é substrato universal. Pranayama é o conhecimento e controle do Prana. Para o Yôga antigo, é a expansão da bioenergia no corpo humano através de movimentos respiratórios conscientes e estruturados. De forma sistemática, Patañjali precede do revestimento externo do ser humano e procede até o mais tênue das sua camadas. Respiração e mente são interdependentes e interpenetrantes. A primeira descrição de prana está descrita em uma Upanishad. Prana está em qualquer ser vivo e é uma energia tão sutil que a fisiologia ocidental ainda está procurando decifrar os seus mecanismos e como mapeá-la.

"Ayama" significa "expansão" e designa o objetivo maior da prática desse conjunto de técnicas: a expansão da bioenergia. Esta uniformidade pode ser acessada pela concentração contínua nos processos da respiração. Auxiliado pelas técnicas de relaxamento, nestas práticas de pránáyáma se percebe a relação entre a expiração, inspiração e seu intervalo. Levando a uma profunda mudança de estado, e transformando a consciência ao ponto de ela ser sensibilizada pelo admirável material de que é feita a vida.

Pranayama (controle do ritmo da respiração), junto com o Pratyahara, são dois estágios do Yoga que ensinam a controlar a respiração e a mente da escravidão dos desejos. A palavra pránáyáma é formada por prana (vida, respiração) e Ayama (expansão). Este controle deve estar nas quatro divisões da respiração: inspiração (puraka) expiração (rechaka) retenção cheia (kumbhaka - ou antara kumbhaka) e a retenção vazia (shunyaka - ou bahya kumbhaka). Quando o folego é mantido após a inspiração (antara kumbhaka (interna)). Quando o fôlego é mantido após a expiração (bahya kumbhaka (externa)). Desde que a meta do Yoga é o controle e expansão da mente, o yogin aprende as técnicas do pranayama de modo a dominar a respiração, controlar os sentidos, e permanecer no estado de pratyahara e predispor-se para o dhyana (meditação).

Índice

Controle respiratórioEditar

O controle da respiração significa cessar os movimentos de entrada e saída do fôlego. A respiração é a representação mais sutil da energia vital dentro do seu corpo. Exatamente como se você conseguisse segurar um pedaço do tempo e o impedisse de se mover - como o tênue dente de uma engrenagem - trazendo, finalmente, a estabilidade. Trata-se de algo sutil como um fio de cabelo. Só então, pelo controle desta força que põe a mente em movimento, é que se pode parar a mente. Pois é o prana que faz a sua mente se mover: se o Prana for interrompido a mente não pode se mover, fazendo emergir o estado de serenidade (Manonasha).

Portanto:

"deter a movimentação do Prana é Pranayama" ("Path to Blessedness", de Sri Swami Chidananda)

Existe entre a inspiração e a expiração um ponto de repouso, um momento de completa satisfação respiratória. É neste ponto que o praticante do controle respiratório repousa sua atenção, deixando sua respiração fluir espontaneamente ele tenta engendrar sua mente neste estado de segurança que na verdade é um ponto absoluto, uma espécie de eixo, o qual é circundado pela inspiração e pela expiração. Quando os movimentos de entrada e saída do fôlego cessam estão na verdade em união com este ponto, o momento preciso entre a ânsia e a repulsa do ar, a satisfação completa.

As principais técnicas do pranayamaEditar

O pránáyáma tem diversas funções:

Essas técnicas respiratórias, como exercícios de controle da respiração, ficaram mais conhecidas devido à utilização no Hatha Yoga. Para o Hatha Yoga tem o objetivo de ampliar o efeito dos ásanas, estimulando estados meditativos. O treino do pranayama necessita de um profundo embasamento nos asanas sentados e deve ser executado com a supervisão de um guru ou um especialista. O melhor momento para praticar pranayamas é no período da manhã, após o alvorecer - o sol da manhã tem alta concentração de prana. Segundo Sivananda um horário excelente é o brahmamuhurta (4h30 da manhã). As práticas são diárias e devem durar pelo menos 15 minutos, com propósito e regularidade: devem ocorrer sempre à mesma hora e posição (sentado sobre um pavimento, um pequeno tapete ou uma espuma vinílica acetinada, mantendo as costas eretas). O olhar deve estar focado em um ponto, de forma a manter a mente concentrada e evitar a distração com algum objeto externo. A uniformidade da respiração fará a mente entrar em um estado de serenidade. O pranayama não deve ser executado por mais de 15 minutos após a prática controlada de asana . Após o término da prática, deve-se permanecer na posição de shavasana por volta de 5 - 10 minutos (praticar imobilidade, deitando-se e entregando o peso do corpo em completo relaxamento), de forma a refrescar a mente e o corpo. Os principais pránáyámas são apresentados abaixo:

Entretanto, no Patáñjala Rája Yoga, o objetivo é preparar o corpo energético para a abstração dos sentidos (pratyahára), através da observação da respiração. Em exercícios de controle respiratório do Hatha Yoga, visa ampliar a energia vital e limpar os canais energéticos (nadis). Com isso, chakras e kundaliní são ativados.

  • Kumbhaka pránáyáma
  • Bhastrika pranayama
  • Nadí shodhána pránáyáma
  • Ujjayi pránáyáma (mais utilizado no hatha que em outras linhagens)
  • Chaturanga pránáyáma
  • Visama vritti pránáyáma
  • Kêvala kúmbhaka (descrito pelo sábio Pátañjali).

Ao conscientemente modificar os ritmos respiratórios, alteramos estados de consciência, administramos o stress, favorecemos despertamento de energias internas. E ainda incrementamos nosso potencial energético.

Classificação dos PranayamasEditar

Os pranayamas são classificados em agarbha e sagarbha, em relação à contagem com mantras mentais ou não, pelo seu ritmo (inúmeros e conforme a linhagem e seus objetivos), pela utilização de bandhas (compressões de plexos e glandulas) e quantas narinas são utilizadas.

Uma divisão interessante de nível de adiantamento é conforme o tempo de cada fase da respiração.

adhama (iniciante): 1 a 12 matras,

madhyama (mediano): 13 a 24 matras,

uttama (avançado): 25 matras em diante.

MatraEditar

Matra é a unidade ancestral de contagem de tempo. Era a forma que os antigos contavam em seus respiratórios. No Vêdas encontram-se valores de um piscar de olhos e o tempo de um raio, para denotar essa unidade de tempo. Portanto, julga-se que seja cerca de 0,6 segundo. Normalmente se é treinado com os segundos, para facilitar a conta e o treino com metrônomo.

Psicologia do pranayamaEditar

Pranayama é um modo de expandir o Sukshma Prana no qual você não tem acesso direto. Prana é um energia invisível e sutil. Ela é a força vital que preserva o corpo. Ela é o fator que conecta o corpo a mente. Ela é a ligação entre corpo e mente.

Prana não é Svasa. O ar aspirado dentro dos seus pulmões não é prana. Ele é chamado de Svasa Vayu. Svasa-Prasvasa, inalação e exalação, do ar. Mas então, por que ele é regulado pela inspiração e expiração dos pulmões que se dá o nome de pranayama, quando eles não se constituem de prana e apenas de Svasa Vayu? O processo de regular a respiração é chamado de pránáyáma, porque ele é o único caminho de conseguir o controle do sobre a força vital sutil que existe dentro do prana."

"A Filosofia, Psicologia, e Prática do Yoga"; Sri Swami Chidananda (1984)

Simultaneamente à prática de asanas, é um esforço para a regularização do prana. Assim, asana e pránáyáma devem ser trabalhados juntos. Há uma íntima relação entre a atividade física do corpo e a do prana. O prana é a energia que preserva todo o sistema físico e age como um meio entre o corpo e a mente. O Prana age mas não pode pensar. O Prana não é simplesmente respiração. O processo de, inalação e exalação e retenção não formam o prana, mas é um indicador do funcionamento do prana. Nós não podemos ver o prana; ele não é um objeto físico. Mas nós podemos inferir na sua existência pelo processo da respiração. O ar é aspirado e expelido por uma ação do prana. Algumas pessoas defendem que existem muitos tipos de prana, outros que existe só um. O prana é uma energia muito singular, mas pode determinar que o mesmo é diversos se observar-se pelo ponto de vista de suas diferentes funções. Quando nós expiramos, o prana opera de um forma específica. Quando nós inspiramos, o Apana surge. A inspiração afeta a atividade do apana. O centro do prana está no coração, o do apana está no ânus.

Existe uma terceira classificação de função chamado Samana, a força de uniformalização. Seu centro é no umbigo. Ela digere o alimento para aquecer o corpo e também equilibrar todas as remanescentes funções no sistema. A quarta função do prana é chamada Udana. Seu selo está na garganta. Ele determina a fala, e na morte, ele determina a separação do prana do corpo. A quinta função é chamada de Vyana, uma força que preserva todo o corpo e mantém a continuidade da circulação do sangue através do sistema.

Esta quinta função do prana é sua principal forma. Ele também realiza outras funções como arroto, o abrir e fechar das palpebras, causar a fome, bocejar e nutrir o corpo. Quando ele faz estas funções secundárias ele é chamado de Naga, Kurma, Krikara, Devadatta e Dhananjaya, respectivamente. A essência do prana é a atividade. é o prana que faz o coração bater, o pulmão funcionar e o estomago secretar sucos. Portanto, desde que nem a respiração, e nem a atividade do pulmão param até a morte. O Prana nunca dorme da mesma forma que o coração nunca para de bater. O prana pode ser considerado o vigia do corpo."

"The Yoga System"; Swami Krishnananda

CautelasEditar

Entretanto, as práticas das técnicas de pranayama não são triviais, e Kason (2000) menciona circunstâncias onde as técnicas do pránáyáma podem perturbar o equilíbrio do corpo. A possibilidade de efeitos adversos do uso destas técnicas não deve ser subestimado. Estas cautelas estão também na literatura tradicional Hindu, como ilustrado no seguinte trecho do Yoga Sutras de Patanjali:

"A real conquista do pranayama está diretamente relacionada com a atividade física e mental do nossa vida diária. Somente quando o perfeito domínio é conquistado na vida mundana é que nós podemos esperar gerenciar a parada da respiração e pulsação do corpo. Este processo é sempre perigoso para iniciantes sem o controle da respiração. Tentar o controle da respiração sem ter um controle pela rotina diária e sua reação sobre os outros processos existentes no corpo podem causar perigosos desequilíbrios em sua constituição. Qualquer experimento com a respiração resulta na estimulação dos centros de energia no plano etérico.

Quando o corpo físico e emocional não for suficientemente purificado, estes desequilíbrios causam tempestades na atividade emocional do indivíduo. Isto resulta em uma grande tensão nos nervos e no sistema vascular, causando uma parcial ou total ruína do corpo físico. Isso pode ser causado por se tentar iniciar um pranayama com o controle do fôlego antes de se conquistar o controle de suas outras atividades.

Uma forma prática de exercitar o pranayama deve ser sempre bem discriminatória, pois o aumento é fácil mas a abstinência é desconfortante para os iniciantes. Existem vários métodos de Puraka, Kumbhaka e Rechaka descritos por diversos professores e prescrita como o nome de 'respiração esotérica'.

O pránáyáma e a gnose modernaEditar

As correntes filosóficas denominadas gnósticas iniciadas em meados do século XX apresentam o pranayama como uma das formas de se transmutar a energia sexual.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Academia Brasileira de Letras. Disponível em http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23. Acesso em 1 de outubro de 2014.
  • Chidananda, Sri Swami (1991) "Path to Blessedness". A DIVINE LIFE SOCIETY PUBLICATION 2nd Ed.: 1991 (3,000 copies) World Wide Web (WWW) Edition : 1999 WWW site: http://www.SivanandaDlshq.org/este site tem política de distribuição grátis de matérias.
  • Chidananda, Sri Swami (1984) "The Philosophy, Psychology, and Practice of Yoga". A DIVINE LIFE SOCIETY PUBLICATION 1st Ed.: 1984, 2nd Ed.: 1991 (3000 copies) World Wide Web (WWW) Edition : 1999 WWW site: http://www.SivanandaDlshq.org/ este site tem política de distribuição grátis de matérias.
  • Kason, Yvonne (2000) Farther Shores: Exploring How Near-Death, Kundalini and Mystical Experiences Can Transform Ordinary Lives. Toronto: HarperCollins Publishers; Revised edition.
  • Krishnananda, Swami "The Yoga System". The Divine Life Society Sivananda Ashram, Rishikesh, India Download: http://www.swami-krishnananda.org/yoga_00.html (pdf and zip)
  • "Yoga Sutras of Patanjali"; Master E.K, Kulapathi Book Trust, Visakhapatanam, Bharat, ISBN 81-85943-05-2

Ligações externasEditar