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Processo de impeachment de Park Geun-hye

O processo de impeachment de Park Geun-hye consistiu em uma questão processual aberta com vistas ao impedimento da continuidade do mandato de Park Geun-hye como a Presidente da República da Coreia. Park foi acusada de cumplicidade em um caso de tráfico de influência e fraude protagonizado por uma amiga íntima, Choi Soon-sil, que, por sua vez, é suspeita de ter interferido em assuntos de Estado sem possuir cargo público.[1] Esta foi a primeira vez que um chefe de Estado da República da Coreia foi destituído de seu cargo.[carece de fontes?] Em 2004, o processo de impeachment contra o então presidente Roh Moo-hyun foi rejeitado pelo Tribunal Constitucional.[1]

Processo de impeachment de Park Geun-hye
Park Geun-hye (8724400493) (cropped).jpg
Acusado Park Geun-hye
Proponentes Woo Sang-ho, Park Jie-won e Roh Hoe-chan
Período 3 de dezembro de 2016 a 10 de março de 2017
Situação Concluído pelo impedimento do mandato em 10 de março de 2017
Consequências: perda do mandato, posse temporária do Primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn e convocação de eleições diretas.
Acusações Abuso de poder
Votações
Votação na Assembleia Nacional
Resultado Aprovado
Placar 234 votos favoráveis
56 votos contrários
3 abstenções
7 votos inválidos
Votação na Corte Constitucional
Resultado Aprovado em 10 de março de 2017
Placar 8 votos favoráveis
0 votos contrários
1 ausência

Em 9 de dezembro de 2016 a Assembleia Nacional aceitou o processo de impeachment e Park foi suspensa do cargo por 180 dias.[2] Como resultado, o Primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn se tornou no presidente interino durante o período em que a Corte Constitucional analisava o pedido. O impeachment foi aprovado em 10 de março de 2017 por decisão unânime, encerrando a presidência de Park.[3]

Índice

HistóriaEditar

 
Protesto contra Park Geun-hye em Seul, 29 de outubro de 2016
 
Protesto realizado em novembro de 2016

No final de outubro de 2016, começaram as investigações sobre o relacionamento de Park com Choi Soon-sil, filha do falecido líder do culto da Igreja Eterna e do mentor da presidente Park, Choi Tae-min. [4] A mídia, como a JTBC e a Hankyoreh, relatou que Choi, que não tem nenhum cargo oficial do governo, teve acesso a documentos originais confidenciais e à informação da presidente e agia como uma confidente próxima de Park. Choi e os funcionários de Park, como Ahn Jong-bum e Jeong Ho-sung, usaram sua influência para extorquir 77,4 bilhões de dólares dos conglomerados coreanos e criaram duas fundações de cultura e esportes, a Mir e a K-sports. [5][6][7] Choi também é acusada de ter influenciado a Universidade de Mulheres Ewha a mudar seus critérios de admissão para que sua filha, Chung Yoo-ra, pudesse estudar lá.[8] Ahn Jong-bum e Jeong Ho-sung, principais assessores presidenciais, foram presos por abusar do poder e ajudar Choi; eles negaram as irregularidades e alegaram que simplesmente seguiram as ordens da presidente Park.[9]

Em 25 de outubro de 2016, Park reconheceu publicamente sua estreita ligação com Choi. Em 28 de outubro, Park demitiu os principais membros de sua equipe de funcionários, quando suas taxas da aprovação caíram a 4%. Sua taxa de aprovação variou de 1 a 3% entre os cidadãos coreanos com menos de 60 anos de idade, enquanto permaneceu maior de 13% no grupo com mais de 60 anos.[10] É a pior taxa de aprovação da história da Coreia, pior do que o índice de aprovação de 6% do ex-presidente Kim Young-sam, que foi amplamente responsabilizado por forçar a economia coreana a entrar na crise financeira asiática.[11][12] A controvérsia levou a protestos em massa e comícios em outubro e novembro, que pediam a renúncia da presidente.[13] No dia 12 de novembro, mais de 1 milhão de cidadãos participaram dos protestos na Praça Gwanghwamun, perto da residência presidencial, exigindo a demissão ou a destituição da presidente Park.[14] No dia 19 de novembro, mais um milhão de cidadãos participaram do protesto nacional depois que o presidente Park se recusou a ajudar na investigação sobre as acusações de abuso de poder.[15][16]

Em 29 de novembro de 2016, Park se ofereceu para renunciar como presidente e convidou a Assembleia Nacional a organizar uma transferência de poder. Os partidos da oposição rejeitaram a oferta, acusando Park de tentar evitar o processo de impeachment.[17]

Em vez disso, a Assembleia Nacional da Coreia do Sul apresentou uma moção de impeachment, que foi votada em 9 de dezembro e aprovada por 234 parlamentares. Devido à ratificação da proposta de impedimento, os poderes e deveres presidenciais de Park foram suspensos e o primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn assumiu o poder como presidente em exercício.[1][18]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c g1.globo.com/ Parlamento sul-coreano vota impeachment da presidente nesta sexta-feira
  2. «Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-Hye, é afastada pelo Congresso». G1. 9 de novembro de 2016. Consultado em 10 de março de 2017 
  3. «Coreia do Sul aprova impeachment da presidente Park Geun-hye». G1. 10 de março de 2017. Consultado em 10 de março de 2017 
  4. «Investigations into 'Choi Soon-sil gate' widening». The Korea Times. 23 de outubro de 2016 
  5. «박 대통령 독대한 대기업들 미르·K 출연금 유독 많았다». hani.co.kr. 3 de novembro de 2016 
  6. «[안선희의 밑줄 긋기] 재벌들이 피해자라고?». hani.co.kr. 3 de novembro de 2016 
  7. «[단독]"미르-K스포츠재단 모금, 안종범 수석이 지시했다"». news.donga.com 
  8. McCurry, Justin (30 de outubro de 2016). «'Rasputin-like' friend of South Korean president returns amid protests». The Guardian 
  9. «검찰, 안종범 전 정책조정수석 긴급체포…서울남부구치소로 이송». news.donga.com 
  10. «President Park breaks YS's record, approval rating at 5 percent». Oh My News. 6 de novembro de 2016 
  11. «데일리 오피니언 제234호(2016년 11월 1주)» [Daily Opinion No. 234 (1 de novembro de 2016)]. Gallup Korea 
  12. «Park orders secretaries to resign over 'Choi Soon-sil scandal'». The Korea Times. 28 de outubro de 2016 
  13. «Thousands protest in South Korea, demand president quit over scandal». Reuters 
  14. «'100만명'이 지하철 통계로 증명됐다». huffingtonpost.kr 
  15. «들불로 번진 2주연속 '100만 촛불혁명'…26일 300만 예고». news.nate.com 
  16. «Dreaming of a new world, one million candles again burn nationwide». english.hani.co.kr 
  17. McCurry, Justin (29 de novembro de 2016). «South Korea's president calls on parliament to arrange her exit». The Guardian. Consultado em 29 de novembro de 2016 
  18. noticias.uol.com.br/ Parlamento aprova impeachment da presidente da Coreia do Sul

Ligações externasEditar