Flávio Promoto (em latim: Flavius Promotus; m. 391) foi um general do século IV, ativo durante o reinado do imperador Teodósio I (r. 378–395). Aparece antes de 386, quando ocupou posição na África. Depois, foi nomeado mestre da infantaria por Teodósio e lidou com a invasão de Odoteu, enquanto em 388 foi elevado a posição de mestre da cavalaria por Teodósio em preparação a campanha contra Magno Máximo (r. 383–388). Em 389, foi designado cônsul posterior e no ano seguinte, após um sucesso militar contra grupos bárbaros próximo a Salonica, recebeu o comando de todos os assuntos militares. Por sua disputa com Rufino, logo cairia vítima.

Promoto
Morte 391
Nacionalidade
Império Romano
Ocupação Oficial militar

Biografia

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Promoto aparece pela primeira vez antes de 386, quando recebeu a epístola III.76 de Quinto Aurélio Símaco; nela Símaco introduz seu cliente Paregório em seu caminho de volta a África. Os autores da PIRT sugerem que poderia ter sido conde da África nesse momento. Em 386, ele adquiriu o título de mestre da infantaria da Trácia.[1] Quando o chefe Odoteu dos grutungos, reunido na margem do Danúbio, perguntou sobre admissão no império, presumivelmente nas mesmas condições dos tervíngios dez anos antes,[2] Promoto instalou suas tropas na margem sul do rio e enviou-lhe alguns de seus homens para enganá-lo. Quando os grutungos estavam atravessando o rio, Promoto os confrontou com uma frota de embarcações do rio que afundaram todas as canoas inimigas. O poeta Claudiano diz que a ilha de Peuce foi coberta com corpos e o rio ficou vermelho devido o sangue. Teodósio, que estava perto, libertou os godos sobreviventes na esperança de usá-los em sua próxima campanha contra Magno Máximo (r. 383–388).[3]

Em 388, foi promovido, junto com Arbogasto, Timásio e Ricomero, à posição de mestre da cavalaria em preparação à campanha contra Magno Máximo.[4][5] Em 389, foi feito cônsul posterior com Timásio. Em 391, auxiliou Teodósio em operações contra os godos perto de Salonica quando retornava ao Oriente após a morte de Máximo; ele passou a controlar os assuntos militares por concessão imperial,[6] mas logo Teodósio começou a favorecer o mestre dos ofícios Rufino. Promoto discutiu com Rufino e estapeou-o em consistório, o que levou Rufino a persuadir o imperador a transferir Promoto à Trácia, onde no final de 391 foi emboscado e morto por um bando de bárbaros, talvez por instigação sua.[1][7]

Legado

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Zósimo louva-o por sua indiferença ao dinheiro e como um servo honesto do Estado e dos imperadores. Ele era casado com Marsa com teve dois filhos que foram criados com as crianças do imperador; para vingarem-se da morte dele ajudaram Eutrópio a frustrar o plano de Rufino de casar sua filha com o imperador Arcádio (r. 395–408).[8] Promoto era dono de uma casa em Constantinopla; em 404 o terreno de sua propriedade foi reutilizado como local de um mosteiro gótico. Ele foi destinatário das epístolas III 74-80 de Símaco e é citado na epístola II.16 de Símaco, na 867 (de 388) de Libânio e na IX.40 de Ausônio.[9]

Ver também

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Cônsul do Império Romano
 
Precedido por:
Magno Máximo II (Ocidente)
Teodósio II (Oriente)

com Sem colega (Ocidente)
Materno Cinégio (Oriente)

Promoto
389

com Timásio

Sucedido por:
Valentiniano IV

com Neotério


Referências

  1. a b Martindale 1971, p. 750.
  2. Heather 2006, p. 153-154.
  3. Zósimo, IV.35; 38-39.
  4. Zósimo, IV.45.2.
  5. Filostórgio século V, X.8.
  6. Zósimo, IV.48-49; 50.1.
  7. Zósimo, IV.51.
  8. Zósimo, V.3.2.
  9. Martindale 1971, p. 751.

Bibliografia

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  • Martindale, J. R.; A. H. M. Jones (1971). The Prosopography of the Later Roman Empire, Vol. I AD 260-395. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Zósimo. História Nova  In Ridley, R.T. (1982). Zosimus: New History (em inglês). Camberra: Byzantina Australiensia 2