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Protestantismo clássico

Protestantismo clássico, protestantismo tradicional ou Evangélicos de Missão são expressões usadas no Brasil para se referir as famílias denominacionais protestantes com origem anterior aos séculos XVIII ou XIX. Assim, são considerados os luteranos (incluindo hussitas /morávios), reformados (incluindo reformados continentais, presbiterianos, congregacionais e valdenses), anglicanos, batistas, anabatistas (incluindo amish, menonitas e dunkers) e metodistas. Para alguns autores e classificações são também inclusos no grupo os adventistas e quakers.[1][2]

Não são considerados protestantes clássicos em nenhuma definição os pentecostais (protopentecostais, deuteropentecostais e neopentecostais), bem como as igrejas não denominacionais e independentes.[3][4]

Estados UnidosEditar

Diferenças entre evangélicos e mainlinesEditar

O protestantismo clássico, nos Estados Unidos, pode ser divido em duas categorias em todas as famílias denominacionais: protestantes de linha principal (em inglês mainline) e os evangélicos (em inglês evangelical).

Os evangélicos são o grupo mais conservador. São as igrejas que enfatizam a pregação do Evangelho como principal propósito da Igreja, a necessidade de conversão pessoal (ou novo nascimento), crença na Bíblia como única fonte de doutrina infalível, bem como a ênfase no ensino da morte redentora e ressurreição real de Jesus.

Os evangélicos costumam ser conservadores, contra: o ecumenismo amplo, o liberalismo teológico, ordenação feminina, aborto e casamento gay.

São exemplos de igrejas evangélicas clássicas nos Estados Unidos: Igreja Presbiteriana na América, Convenção Batista do Sul, Igreja Cristã Reformada na América do Norte, entre outras.

Já os principais (mainlines) são as igrejas com maior ênfase em obras sociais, com postura mais progressista e ecumênica. Os mainlines costumam ver a Bíblia como algo que contém a palavra de Deus e não como a própria Palavra de Deus. Muitas vezes entendem como válidas as práticas de outras religiões, diferente dos evangélicos, que afirmam que só há salvação no Cristianismo. Se caracterizam por maior tolerância nos temas do liberalismo teológico, ordenação feminina, aborto e casamento gay.[5]

São exemplos de denominações mainlines nos EUA: Igreja Evangélica Luterana na América, Igreja Episcopal (EUA) e Igreja Presbiteriana (EUA).[6]

BrasilEditar

 
Percentual de protestante históricos por estado em 2010 (incluem principais e evangélicos)

No Brasil, segundo o censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 4,02% da população brasileira identifica-se como "evangélico de missão",[1] termo utilizado por este órgão para se referir a todos os protestantes não pentecostais, tanto evangélicos como mainlines. O grupo aumentou seu percentual na população entre 2000 e 2010 nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, mas declinou no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, onde eram historicamente mais numerosos. No geral, sua participação na população geral do país apresentou um pequeno declínio de 0,1% no período.[1] A idade média dos protestantes de missão foi de 29 anos, a mesma média nacional. Embora 51% da população brasileira seja feminina e 49% seja masculina, há desproporcionalmente mais evangélicos de missão mulheres do que homens; segundo o censo, 55,65% são mulheres e 44,35% homens. Também há desproporcionalmente mais brancos entre o grupo do que na população em geral (que corresponde a 47% do total). Cerca de 52% dos protestantes históricos são bancos, 40% pardos, 7% negros, 1% asiáticos e 1% indígenas. Assim sendo, o protestantismo histórico é o segundo grupo religioso mais branco do país, atrás apenas dos espíritas. Isto é explicado, em parte, pelo fato de que seus primeiros praticantes no país foram imigrantes de origem europeia, sobretudo alemã.

Assim como ocorre nos Estados Unidos, os protestantes históricos têm renda média e formação escolar superior à média nacional. Cerca de 12% do protestantes tradicionais com mais de 15 anos tem nível superior completo, acima da média nacional de 9,3%, e da média dos católicos romanos, pentecostais, evangélicos sem denominação e pessoas sem religião.[1] Também é o terceiro grupo com o maior percentual de pessoas alfabetizadas, atrás apenas dos espíritas e umbandistas/candomblecistas. Além disso, 3,12% dos protestantes históricos tem renda superior a 10 salários mínimos, número superior à média nacional de 3% e à média de católicos romanos, pentecostais e evangélicos sem denominação.

Referências

  1. a b c d «Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Religião no Brasil em 2010» (PDF). Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  2. «Evangélicos Tradicionais». 31 de outubro de 2017. Consultado em 27 de fevereiro de 2019 
  3. «Protestantes clássicos diferenciados de Protestantes carismáticos». 24 de novembro de 2011. Consultado em 27 de fevereiro de 2019 
  4. «Universo das crenças neopentecostais» (PDF). 2016. Consultado em 27 de fevereiro de 2019 
  5. «Definição de Mainlines». Consultado em 27 de fevereiro de 2019 
  6. «Diferenças entre Mainlines e Evangélicos». Consultado em 27 de fevereiro de 2019