Províncias do Império do Brasil

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As províncias foram subdivisões do território brasileiro, criadas no Reino do Brasil e herdadas pelo Império do Brasil. Foram instituídas após a transformação das capitanias em províncias ultramarinas, pelas Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, ocorrida em 28 de fevereiro de 1821, ainda no âmbito do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Províncias e o Município Neutro no território do Império do Brasil em 1889.

A Constituição de 1824 criou o Conselho Geral de Província o legislador das províncias[1] que substituiu o extinto Conselho dos Procuradores das Províncias. Este conselho era composto por 21 ou 13 membros eleitos, dependendo do tamanho da população da província.[2][3] Todas as "resoluções" (leis) criadas pelos conselhos precisavam da aprovação da Assembleia Geral, sem direito de recurso.[2] Os Conselhos Provinciais também não tinham autoridade para aumentar as receitas e os seus orçamentos eram debatidos e ratificados pela Assembleia Geral.[2] As províncias não tinham autonomia e eram inteiramente subordinadas ao governo nacional.[1]

Com a emenda constitucional de 1834, conhecida como Ato Adicional, os Conselhos Gerais de Províncias foram suplantados pela Assembleias Legislativas Provinciais. As novas Assembleias gozavam de uma autonomia muito maior em relação ao governo nacional.[4] A Assembleia Provincial era composta por 36, 28 ou 20 deputados eleitos, número que dependia do tamanho da população da província.[5] A eleição de deputados provinciais seguia o mesmo procedimento usado para eleger deputados gerais para a Câmara dos Deputados.[5]

Após a proclamação da república, em 1889, as províncias imperiais passariam a ser intituladas como estados.

ProvínciasEditar

Bandeira Brasão Província Capital Mapa População População da Capital
    Alagoas Maceió   511 440 (1890) 31 498 (1890)
    Amazonas Manaus   147 915 (1890) 38 720 (1890)
    Bahia São Salvador   1 919 802 (1890) 174 402 (1890)
    Ceará Fortaleza   805 687 (1890) 40 902 (1890)
    Cisplatina Montevidéu   c. 60 000 (1822) 57 913 (1860)[6]
    Espírito Santo Vitória   135 997 (1890) 16 157 (1872)
    Goiás Vila Boa de Goiás   160 395 (1872) 19 159 (1872)
    Grão-Pará Belém   275 237 (1872) 61 997 (1872)

50 064 (1890)

    Maranhão São Luís   359 040 (1872) 31 604 (1872)
    Mato Grosso Cuiabá   60 417 (1872) 35 987 (1872)
    Minas Gerais Vila Rica   3 184 099 (1890) 48 214 (1872)
    Município Neutro Rio de Janeiro   552 651 (1890) -
    Paraná Curitiba   249 491 (1890) 24 553 (1890)
    Paraíba Parahyba   457 232 (1890) 24 714 (1872)

18 645 (1890)

    Pernambuco Olinda (1821-1837)
Recife (1837- 1889)
  1 030 224 (1890) Olinda: Desconhecido

Recife: 111 556 (1890)

    Piauí Oeiras (1821–1852)
Teresina (1852–1889)
  202 222 (1872) Oeiras: Desconhecido

Teresina: 31 523 (1890)

    Rio de Janeiro Niterói   1 399 535 (1890) 47 548 (1890)
    Rio Grande do Norte Natal   268 273 (1890) 13 725 (1890)
    Santa Catarina Desterro   283 769 (1890) 25 709 (1890)
    São Paulo São Paulo   1 384 753 (1890) 64 932 (1890)
    Rio Grande do Sul Porto Alegre   897 455 (1890) 52 421 (1890)
    Sergipe São Cristóvão (1821–1855)
Aracaju (1855–1889)
  176 243 (1872) São Cristóvão: Desconhecido

Aracaju: 16 636 (1890)


O Município Neutro não era uma província, mas gozava do mesmo status.

AlteraçõesEditar

As fronteiras dessas províncias durante o Império do Brasil não estavam totalmente definidas e sofreram alterações, o mesmo em relação às fronteiras do Brasil com os países limítrofes.

A província Cisplatina tornou-se independente em 1828 com o nome de República Oriental do Uruguai.[7] Foram criadas apenas duas províncias durante o Império: a província do Amazonas, em 1850, desmembrada da província do Pará, pela lei nº 582, de 5 de setembro, e a província do Paraná, em 29 de agosto de 1853, desmembrada da província de São Paulo, pela lei n.º 704. Portanto, com a independência do Uruguai, antiga província Cisplatina e a partir da criação da província do Paraná, o Brasil passou a ter vinte províncias. Com a Proclamação da República, elas passaram a serem chamadas de "Estados", mantendo as mesmas fronteiras das antigas províncias.

As outras mudanças importantes na divisão política administrativa brasileira que ocorreram desde a chegada da corte portuguesa, em 1808, foram:

Questão de PalmasEditar

 Ver artigo principal: Questão de Palmas

Em 5 de fevereiro de 1895, o então presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland, deu ganho de causa ao Brasil na Questão de Palmas e o oeste catarinense passa a pertencer definitivamente ao Brasil. Porém, a região continuou sendo disputada entre Paraná e Santa Catarina, até 1916, quando foi estabelecido definitivamente as divisas entre os dois estados.

Referências

  1. a b Dolhnikoff 2005, p. 59.
  2. a b c Dolhnikoff 2005, p. 60.
  3. Constituição Imperial de 1824 p. 9
  4. Dolhnikoff 2005, pp. 64, 97.
  5. a b Dolhnikoff 2005, p. 97.
  6. «Censos 1852 - 2011 - Instituto Nacional de Estadísdica del Uruguay». Instituto Nacional de Estadísdica del Uruguay. Consultado em 26 de Maio de 2020 
  7. «Breves considerações acerca da Província Cisplatina: 1821-1828.». Revista Tema Livre. Consultado em 23 de agosto de 2017 
  8. Martins, Herbert Toledo. «A Retaliação de Pernambuco: o caso da comarca do Rio de São Francisco.». Clio - Revista de Pesquisa Histórica. Consultado em 23 de abril de 2015 
  9. Veras, Lia (25 de junho de 2012). «Comarca do São Francisco». PE-AZ 
  10. Paulo Roberto Baqueiro Brandão. «A formação territorial do Oeste Baiano: a constituição do "Além São Francisco" (1827-1985)»