Abrir menu principal

Publicação digital

documento difundido sob formato legível por máquina
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde junho de 2012). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.

O conceito de publicação digital é de difícil definição. Ainda assim, e num sentido lato poder-se-á dizer que publicação digital engloba todas as edições produzidas sob a forma de um suporte apenas legível por máquinas. Também o projecto NEDLIB utiliza uma definição algo semelhante, definindo-a como "um documento difundido sob formato legível por máquina". Mas este projecto vai mais longe considerando que uma publicação digital engloba quer objectos nascidos digitais, quer objectos que foram digitalizados a partir do seu suporte analógico. Assim sendo, poder-se-ão considerar no âmbito das publicações digitais toda uma miríade de publicações para além dos livros que são disponibilizados on-line, inclusive periódicos, bases de dados bibliográficas, um simples romance publicado num Web site ou até mesmo um conjunto de imagens transferidas por e-mail. Uma publicação digital é pois um objecto virtual que dependente do sistema informático que o elaborou. Não sendo perceptível por si necessita do recurso de um sistema intermediário – hardware e software – que permite a sua descodificação.

Índice

HistóriaEditar

Se atendermos ao simples conceito de publicação digital como referimos anteriormente, poderemos especular que a publicação digital se iniciou assim que os primeiros computadores puderam comunicar entre si. Facto que poderá ser situado algures no início dos anos 60 nos EUA, após a criação das primeiras redes de computadores. No entanto importa explicar quais os principais passos que tornaram as publicações digitais tão largamente difundidas actualmente. A ideia de livro digital, que por sua vez não deixa ele próprio de ser uma forma de publicação digital, remonta a 1968 quando Alan Kay criou a ideia de Dynabook. Pouco depois, em 1971, nasce o projecto Gutenberg, cujo objectivo era a disponibilização de obras literárias em formato digital mediante o recurso a uma rede de computadores existente à época. O seu fundador, Michael Hart estava convicto que num futuro próximo estas redes estariam ao dispor de um elevado número de utilizadores, e de facto não se enganou. Com o advento da Internet o número de publicações digitais deverá ter crescido de forma quase imensurável. Existia, no entanto, uma grande limitação no que concerne à transmissão de material gráfico, pois a maior parte dos utilizadores estavam limitados a textos em formato ASCII, ou seja, a médias alfabéticas. O fenómeno que de facto veio possibilitar a existência e disseminação de um tão grande número e sobretudo de uma tão diversificada variedade de publicações digitais foi o desenvolvimento da World Wide Web em 1992. A World Wide Web possibilitou o desenvolvimento do conceito de hipermédia, e o consequente "nascimento" de novos e populares géneros de publicações digitais, tais como as revistas on-line ou os news services. Surgem também neste período as primeiras "livrarias" digitais, como a BiblioBytes de Glenn Hauman. O volume de publicações digitais torna-se tão intenso que irá exigr, também do início dos anos 90, um esforço legislativo por parte dos países mais desenvolvidos no sentido de regulamentar a propriedade intelectual em ambiente digital. O desenvolvimento em quantidade e diversidade de publicações digitais continuou durante toda a década de 90 de forma absolutamente exponencial, tendo a sua continuidade nos nossos dias, na medida em que cada vez mais populações têm acesso aos objectos digitais. Actualmente existem inúmeros exemplos de publicações digitais: e-books, e-journals, e-mails, Web sites, blogs, etc.

Características de uma publicação digital on-lineEditar

Uma publicação digital on-line acaba por absorver as características próprias da ambiência Web, registando algumas diferenças fundamentais quando comparada com a publicação analógica tradicional em suporte de papel. Assim a publicação digital acarreta consigo algumas das vantagens que caracterizam a web e os Web Services:

  • No que concerne à sua acessibilidade, as publicações digitais encontram-se disponíveis em todo o universo Web. O que equivale a dizer que se encontram disponíveis em todo e qualquer local no planeta onde exista uma ligação em rede, num total estimado de 1,4 biliões de pessoas, cerca de 1/5 da população mundial (21,9%).[1] Além do enorme número de potenciais utilizadores, qualquer publicação digital que se encontre on-line proporciona também a vantagem de poder ser acedida por múltiplos utilizadores em simultâneo.
  • Através da hipermédia e do hipertexto e da possibilidade de serem estabelecidas hiperligações, os documentos publicados digitalmente contribuem para a génese de uma nova maneira de lidar com a escrita e com a leitura. As publicações digitais proporcionam uma escrita e uma leitura não-linear, pois a anterior relação de continuidade de leitura imposta pelo objecto impresso é substituída por uma vivência mais descontínua e fragmentada do acto de ler e podendo facilmente ser agregadas ou com outros conjuntos de informação na forma de blocos de textos, imagens ou sons, e cujo acesso se dá através de referências específicas denominadas hiperligações.
  • Existe a possibilidade de aplicar motores de busca que auxiliem mais rapidamente uma eficaz recuperação de informação. Por exemplo, mediante a utilização de técnicas de OCR (Optical Character Recognition) torna-se possível a digitalização de um livro produzindo um ficheiro de imagem que é convertido para formato de texto através de um programa de OCR.
  • Podem incluir interactividade com a utilização de recursos multimédia, como por exemplo a transposição do texto para discurso áudio.
  • Contudo, o ambiente digital coloca-nos ainda algumas reservas no que concerne à informação nele existente. As referidas reservas derivam fundamentalmente das problemáticas relacionadas com o grau de credibilidade deste tipo de publicações. De facto, a quantidade de informação digitalmente publicada é tão elevada que é praticamente impossível aplicar um qualquer controlo sobre a sua qualidade. Está será provavelmente a maior desvantagem de uma publicação digital em relação à sua congénere analógica, pois o livro "enquanto objecto impresso, aparece como a forma quase "natural" de existência dos textos que são classificados, pelos especialistas, como "literários" (…)".
  • O nascimento de publicações digitais possibilitou novos métodos de publicação e distribuição, com maior nível de exposição e potencial de leitura. Assim não há intervenção de terceiros para além do autor e do leitor, Possibilitando ao autor criar o seu próprio meio de produção e distribuição.

Construindo uma publicação digital on-lineEditar

Mesmo se exceptuarmos as formas de publicações digitais mais simples como e-mails ou blogs, o desenvolvimento e a disponibilização na Internet de uma publicação digital pode ser feita com recurso a um computador pessoal e por qualquer indivíduo que possua conhecimentos relativamente básicos de linguagens como o HTML (HyperText Markup Language) ou XML (Extensible Markup Language) e que possa aceder a um editor para a criação de páginas Web. Existem inclusivamente disponíveis on-line alguns programas não-proprietários que automatizam a geração dos atributos da linguagem de programação HTML a partir de simples ícones e botões nas barras de ferramentas. Já no campo do software proprietário, uma das ferramentas mais poderosas é o Microsoft Frontpage. O qual, além de um editor, traz acoplado um programa de administração e gestão de Web sites. Também da parte da Netscape fazendo parte do Netscape Communicator, existe um bom editor de HTML, o Netscape Composer, que também é muito fácil de usar. O Netscape Communicator pode ser encontrado no site da Netscape.[2] Outros editores disponíveis para download incluem o GNNpress,[3] o HotDog,[4] o HoTMetaL Para o,[5] o HTML Assistant Para o,[6] o HTML Easy,[7] e os brasileiros W3e [8] e Web Script.[9] Para a produção de uma publicação online, além de um editor de HTML, poderão ser necessários também um programa de edição de imagens (Photoshop, Corel Photopaint, etc.) e um scanner para as fotografias e gravuras. É aconselhável também ter os dois navegadores mais populares instalados no micro (Netscape e Internet Explorer) para verificar os resultados do trabalho em ambos.

Nas editorasEditar

As editoras de revistas e jornais passaram há adotar o meio eletrônico de divulgação de conteúdo através de soluções de revistas digitais. Com o advento dos tablets o modo de ler acabou mudando e hoje em dia há quem prefira receber a versão impressa na tela do computador a ter que manusear um papel. Alguns exemplos de veículos que utilizam esse formato: Abril[10], Editora Globo[11] entre outras. Essas soluções para criar uma revista digital hoje em dia são fáceis de encontrar. No exterior a mais comum e utilizada são o Pressreader[12], issuu[13] e a PageSuite[14]. Já no Brasil a solução de destaque fica por conta do Mavenflip[15] que é utilizada pelo governo federal por trabalhar com software livre e Presslab[16] utilizada por jornais e revistas.

Ainda há muitos obstáculos para a remoção completa do "impresso" mas todos estão caminhando nesta direção e muito em breve teremos novos dispositivos de leitura que irão nortear o formato de veicular conteúdo.

Preservação digitalEditar

Mais cedo ou mais tarde todo o material proveniente de uma publicação digital vai-se tornar obsoleto pois qualquer plataforma tecnológica que o sustente, quer se trate de hardware ou software, acaba inevitavelmente por se tornar obsoleta e desaparecer do mercado, tornando assim a recuperação da informação contida nos objectos digitais que necessitam dessas mesmas plataformas, uma tarefa difícil e sobretudo por vezes bastante dispendiosa.

Existem então diversas estratégias de preservação digital que apresentam soluções para tentar contornar tal problema, as mais habituais são:

  • Preservação da tecnologia - A manutenção de toda tecnologia necessária para a leitura dos objectos digitais. No entanto esta solução irá trazer a longo prazo mais prejuízos do que benefícios para a organização, sobretudo devido ao espaço físico necessário para as manter (ex: para armazenar todo o hardware necessário) e os custos de manutenção (informáticos especializados num qualquer software arcaico). Ainda assim esta solução assegura a total fidelidade do objecto digital original.
  • Emulação - Através de um emulador consegue-se "artificialmente" recriar comportamento de hardware e/ou software há muito desaparecido numa máquina actual. Obtém-se também uma óptima preservação ao nível do objecto digital original e com a vantagem de se ultrapassar todos os problemas anexos à manutenção de tecnologias passadas. No entanto esta solução traz consigo problemas tecnológicos, técnicos e económicos (eventuais vírus ou bugs que o software original possa trazer, a dificuldade em criar emuladores de hardware, a contratação de mão-de-obra altamente especializada, etc.), ao mesmo tempo que pode ser um obstáculo aos utilizadores que serão confrontados com aplicações e sistemas operativos entretanto desaparecidos e que desconhecem.
  • Migração - Actualização do material digital através da transferência do mesmo para hardware e/ou software mais recente, permitindo que a informação contida num dado objecto digital possa ser lida com recurso a uma tecnologia actual.
  • Encapsulamento - Opção que se baseia em preservar toda a informação necessária para que no futuro, se possam aplicar algumas das estratégias já descritas como por exemplo a emulação.

Notas e referências

  1. Internetworldstats.com http://www.internetworldstats.com/stats.htm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  2. Netscape.com http://www.netscape.com/pt/  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. Tools.gnn.com http://www.tools.gnn.com  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  4. Sausage.com http://www.sausage.com  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  5. Sq.com http://www.sq.com/products/hotmetal/hmp-org.htm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  6. Fos.nstn.ca http://fos.nstn.ca/~harawitz  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  7. Ist.ca http://www.ist.ca/htmled/  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  8. Nce.ufrj http://www.nce.ufrj/~cracky/w3e.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  9. Domain.com.br http://www.domain.com.br/~dtc/index.htm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  10. «Editora Abril» 
  11. «Editora Globo» 
  12. «Site da Pressreader» 
  13. «Issuu» 
  14. «Site da Pagesuite» 
  15. «Site do Mavenflip» 
  16. «Site da Presslab» 

BibliografiaEditar

  • URTADO, José Afonso - O papel e o pixel: do impresso ao digital, continuidades e transformações. Florianópolis: Escritório do Livro, 2006
  • FERREIRA, MIGUEL – Introdução à preservação digital [Em linha] Guimarães, 2006. [Consultado em 15 de Dezembro de 2008]. Disponível em [1]