Quatro Grandes (Europa Ocidental)

grupo integrado por quatro grandes potências da Europa Ocidental
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Quatro Grandes (Europa Ocidental)
France Germany Italy UK in the EU.svg
Alemanha Alemanha
França França
Itália Itália
Reino Unido Reino Unido

Os Quatro Grandes, também conhecidos como G4 ou UE4 (em inglês: EU4), é um grupo internacional informal composto por Alemanha, França, Itália e o Reino Unido.[1][2][3][4][5] Estes países são considerados as maiores potências do continente europeu[6][7] e integram individualmente os grupos G7, G10 e G20 de maiores economias. Alemanha, França, Itália e Reino Unido têm sido referidos coletivamente como "Os Quatro Grandes da Europa" desde o período Entre Guerras.[8] Em contrapartida, o termo "G4" foi aplicado pela primeira vez pelo Presidente francês Nicolas Sarkozy durante uma cimeira que reuniu também Silvio Berlusconi, Angela Merkel e Gordon Brown em 2008 para discussão de medidas diante da Grande Recessão.[9] A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OECD) descreve o grupo como "Quatro Grandes Nações Europeias".[10]

Quadro comparativoEditar

Quatro Grandes (G4)
País Capital População
(População europeia)[11][nota 1]
Tipo de governo PIB (nominal) Orçamento UE[12] Eurodeputados
  Alemanha Berlim 80,716,000 (16.10%) República constitucional federal 3 357 614 (4) 21.1% 96 (750)
  França Paris 66,616,416 (13.09%) República democrática semipresidencialista 2 421 560 (6) 16.4% 74 (750)
  Itália Roma 60,782,668 (11.95%) República parlamentar unitária 1 815 757 (8) 13.6% 73 (750)
  Reino Unido Londres 64,100,000 (12.85%) Monarquia constitucional parlamentarista unitária 2 849 345 (5) 13% 73 (750)

HistóriaEditar

Alemanha, França, Itália e Reino Unido têm sido referidos como "os quatro grandes países da Europa" desde o Período entreguerras (1919-1939), quando os quatro países firmaram o Pacto das Grandes Potências e os Acordos de Munique. Reino Unido e França, membros permanentes do Conselho Executivo da Sociedade das Nações, juntamente com Itália e Japão, estavam liderando uma política de apaziguamento com a Alemanha. Na Segunda Guerra Mundial, estes dois países aliaram-se a União Soviética, China e Estados Unidos contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão). A derrota das Potências do Eixo resultou no estabelecimento das Nações Unidas em 1945. Desde então, os cinco países que integraram o grupo dos Aliados detêm a Membresia permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. No período pós-guerra, Itália, Alemanha e Japão experimentaram um milagre econômico, vindo a fundar o G6 juntamente com Estados Unidos, França e Reino Unido em 1975.[13]

Desde os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial, França e Grã-Bretanha têm desempenhado uma forte liderança internacional, especialmente em áreas de defesa, economia e diplomacia. Enquanto Itália e Alemanha têm atuação marcante em organizações internacionais de todo o globo. Por exemplo, os quatro países possuem representações individuais no processo de paz sírio, sendo que França e Reino participam diretamente da campanha militar contra o Estado Islâmico.[14]

QuintetoEditar

 Ver artigo principal: Quinteto da OTAN
 
O Quinteto da OTAN: Cameron, Obama, Merkel, Hollande e Renzi, em 2016.

O "Quinteto" é um grupo informal composto pelos cinco maiores países da Organização do Tratado do Atlântico Norte: Estados Unidos e os "Quatro Grandes da Europa". Atualmente, o grupo atua como um diretório de diversas outras entidades além da OTAN, como o G8 e o G20.

A ideia de um eixo trilateral sobre questões de política externa foi proposta pelo presidente francês Charles de Gaulle através do Plano Fouchet. No entanto, o plano nunca chegou a ser implementado. As reuniões entre os representantes dos três países e a Alemanha Ocidental durante a década de 1980 ficaram conhecido como "Quad". As cimeiras possuíam um aspecto simbólico e nunca implementaram medidas efetivas.[15] O Quinteto atual se projetou especialmente após a suspensão da Rússia como membro do G8.[16]

BrexitEditar

Ver tambémEditar

Notas

  1. Votação no Conselho da União Europeia, em que o procedimento indica o voto majoritário, requer uma dupla maioria de, pelo menos, 55% dos Estados-membros e 65% da população europeia para admissão de propostas da Comissão Europeia. Estes valores são elevados a 72% de Estados-membros e 65% da população europeia quando a proposta é apresentada por um Estado-menbro.

Referências

  1. Mallinder, Lorraine (30 de janeiro de 2008). «EU's Big Four speak as one ahead of G7 in Tokyo». Politico 
  2. Fincher, Christina (30 de janeiro de 2008). «Europe's "Big 4" want clarity on bank risks». Reuters 
  3. Gegout, Catherine (Junho de 2002). «The Quint Acknowledging the Existence of a Big Four-US Directoire at the Heart of the European Union». p. 331-334 
  4. «Leading indicators and tendency surveys». Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico 
  5. Linchfield, John (3 de outubro de 2008). «EU 'Big Four' in bailout row». The Independent 
  6. Kirchner, Emil; Sperling, James. «Global Security Governance: Competing Perceptions of Security in the Twenty Century». p. 265 
  7. Aghion, Phillipe. «Handbook of Economic Growth» 
  8. «Big Four of Europe sign Munich pact». The Milwaukee Sentinel 
  9. «Rescue of German bank falls through, G4 summit closes». RFI. 5 de outubro de 2008 
  10. «OECD Glossary of Statistical Terms - Composite leading indicator zones Definition» 
  11. «Voting calculator - Consilium» (em inglês). Secretariado-Geral do Conselho. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  12. «EU Budget: 2016 Financial Report» (PDF). Comissão Europeia. 2017. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  13. «Weight of the world too heavy for G8 shoulders». Globe and Mail. 5 de julho de 2008. Consultado em 1 de outubro de 2018 
  14. «IS: France launches air strike in Syria». BBC News. 25 de setembro de 2015 
  15. Domber, Gregory F. (2008). «Supporting the Revolution: America, Democracy, and the End of the Cold War in Poland». ACES Working Paper 
  16. McGregor, Richard; Fontanella-Khan, James (24 de março de 2014). «Russia suspended from G8, but not expelled». Financial Times