Queda do Piper Aztec PP-ETT

Desastre Aéreo de Fortaleza
Acidente aéreo
PiperAztecToronto.jpgLockheed T-33A Shooting Star USAF.jpg
Acima, Piper PA-23 similar ao avião destruído. Abaixo, Lockheed T-33 similar ao avião danificado.
Sumário
Data 17 de julho de 1967 (52 anos)
Causa Colisão no ar
Local Fortaleza,  Ceará,  Brasil
Mortos 5
Feridos 1
Sobreviventes 3
Primeira aeronave
Origem Aeroporto de Quixadá, Quixadá,  Ceará
Destino Base Aérea de Fortaleza, Fortaleza,  Ceará
Passageiros 4
Tripulantes 2
Mortos 5
Feridos 1
Sobreviventes 1
Segunda aeronave
Modelo Estados Unidos Lockheed T-33
Operador Roundel of Brazil.svg Força Aérea Brasileira
Prefixo 4325
Origem Base Aérea de Fortaleza, Fortaleza,  Ceará
Destino Base Aérea de Fortaleza, Fortaleza,  Ceará
Passageiros 0
Tripulantes 2
Mortos 0
Feridos 0
Sobreviventes 2

A Queda do Piper Aztec PP-ETT foi um acidente aéreo ocorrido em 17 de julho de 1967, nas proximidades de Fortaleza (Ceará) . Nessa data, um Piper Aztec PA-23 prefixo PP-ETT de propriedade do estado do Ceará teria sido atingido pela asa de um jato de treinamento Lockheed T-33 (nº 4325) da Força Aérea Brasileira que realizava voo de instrução nas proximidades da Base Aérea de Fortaleza. Após a colisão, o Piper teria perdido seu estabilizador sendo que seus destroços teriam caído numa área próxima a Fortaleza enquanto que o T-33 teria pousado na base aérea de Fortaleza com sua asa severamente danificada. Entre os passageiros do Piper, figurava o marechal Humberto de Alencar Castello Branco, que não resistiria aos ferimentos e faleceria pouco depois da queda dos destroços de sua aeronave.[1][2]

AeronavesEditar

 
Esquadrilha de T-33's da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) em voo de instrução.

O Lockheed T-33 Shooting Star foi uma aeronave desenvolvida para o treinamento de pilotos militares no início da era do jato. Derivado do P-80, o T-33 realizaria seu primeiro voo em 22 de março de 1948. Seriam construídas 6657 aeronaves, que voariam pelas forças aéreas de 30 países, incluindo o Brasil. A FAB iria adquirir 58 aeronaves da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), numeradas de 4310 a 4357, distribuídos entre 3 grupos de caça.[3] O Lockheed T-33 voaria na FAB entre 1956 e 1973 quando seria substituído pelo Embraer AT-26 Xavante.[3] A aeronave envolvida nesse acidente tinha o número 4325 e estava sediada no 1º/4º Grupo de aviação , onde fez parte das primeiras aeronaves recebidas pela FAB em 10 de dezembro de 1956. Após o acidente, a aeronave seria reparada e continuaria voando regularmente até sua baixa em 1973, tendo sido preservada. Atualmente, encontra-se exposta na entrada da Base Aérea de Fortaleza.[4]

O Piper Aztec PA-23 seria uma aeronave de transporte de pequeno porte, tendo sido fabrica-dos 6976 exemplares entre 1952 e 1981. A aeronave destruída tinha o prefixo PP-ETT e pertencia ao governo do estado do Ceará, sendo utilizada para o transporte de autoridades civis e militares durante viagens pelo interior do estado. No acidente a aeronave teria sua cauda cortada pelo T-33. Durante os trabalhos de resgate dos corpos, seria destruída e seus destroços foram recolhidos pela FAB, ficando anos guardados num galpão do 23º Batalhão de Caçadores até ser parcialmente restaurado.[4]

AcidenteEditar

Após visitar Rachel de Queiroz em seu sítio na região de Quixadá, o marechal Castelo Branco embarcaria junto com sua comitiva no Piper Aztec, prefixo PP-ETT, do governo cearense. A aeronave era comandada pelo comandante Celso Tinoco Chagas tendo como copiloto seu filho, Emílio Celso Chagas. Além do marechal Castelo Branco, embarcariam no Piper a escritora Alba Frota, o major Manuel Nepomuceno e Cândido Castello Branco, irmão do marechal.[4]

A aeronave decolaria por volta das 9 h da manhã de 17 de julho e tinha como destino a Base Aérea de Fortaleza. Ao mesmo tempo em Fortaleza, decolariam 4 jatos Lockheed T-33, comandados pelo Tenente Areal. Essa esquadrilha tinha como objetivo realizar um voo de treinamento rotineiro.[4]

Por volta das 9h 30 min, o Piper voava a 5 mil pés (1500 metros) sobre o circuito aéreo da Base de Fortaleza, quando seria atingido por uma das asas do Lockheed T-33 nº 4325, pilotado pelo aspirante Alfredo Malan d'Dagrogne.[5] A colisão arrancaria um dos tanques de combustível suplementares do T-33, que severamente avariado realizaria um pouso de emergência na base aérea. Já o Piper PP-ETT perderia seu estabilizador e cairia numa área descampada nas proximidades da base aérea. A queda levaria cinco dos seis passageiros do Piper ao óbito, tendo sobrevivido apenas o co-piloto Emílio Celso Chagas. Os corpos seriam resgatados com muita dificuldade pelo 23º batalhão de caçadores do exército. Após o pouso, o aspirante Malan seria conduzido a um hospital militar.[5][4]

ConsequênciasEditar

A morte de Castelo Branco causaria comoção em parte da população e nos círculos militares. O presidente Costa e Silva seria informado sobre o acidente pelo ministro Rondon Pacheco às 14h45 min, tendo decretado 8 dias de luto nacional.[1]

Pouco tempo depois seria iniciado um inquérito militar para investigar as causas do acidente. Por conta de o inquérito ter sido conduzido numa das fases mais duras do regime militar, poucas informações seriam divulgadas para a imprensa na época. Posteriormente seria divulgado que o acidente fora atribuído ao piloto do Piper, que teria invadido inadvertidamente uma área restrita ao treinamento dos pilotos do 1º/4º Grupo de aviação.[1][5]

Ao mesmo tempo, um inquérito sigiloso seria aberto pelo Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, tendo sido apresentado ao presidente da república em novembro de 1967. A existência desse inquérito seria descoberta apenas 39 anos depois.[5]

ControvérsiasEditar

 
Tanque de combustível suplementar de um T-33 da Força Aérea Portuguesa.

O inquérito oficial seria marcado por contradições em relação aos dados colhidos pela equipe de investigação. Os pontos mais controversos seriam:[5]

- Tipo de colisão: segundo o relatório oficial, a asa do T-33 arrancaria a cauda do Piper. Porém as fotos tiradas pela equipe de investigação mostravam que apenas o leme da aeronave fora arrancado;

- Danos: a aeronave teria sido parcialmente incendiada. No entanto, as fotos e testemunhos demonstram que não houve incêndio a bordo. Durante o resgate dos corpos, a aeronave seria destruída a golpes de machado, prejudicando as investigações;

Durante algum tempo foi especulado por alguns historiadores e setores da mídia que a morte do marechal fora um atentado,[5] por conta do seu suposto envolvimento em um movimento, liderado pelo senador Daniel Krieger, que era contrário ao endurecimento do regime militar.[6] Essa versão ganharia força pelo fato do tanque de combustível suplementar do T-33 que colidiu com o estabilizador do Piper estava vazio.[5] Porém os adeptos dessa teoria nunca conseguiram explicar o porquê do Piper ter invadido uma área restrita de treinamento da FAB.[1]

Em 1991, Rachel de Queiroz contaria que Castelo Branco ordenara ao piloto sobrevoar uma linha de transmissão construída em sua gestão para que apreciasse uma de suas obras. Apesar da oposição do piloto, a mudança da rota foi efetuada, de forma que o Piper invadiria a área de treinamento da FAB, assumindo o risco de colisão com os jatos de treinamento.[7]

Referências

  1. a b c d «Enterro de Castelo é hoje as 16h no S. João Batista». Jornal do Brasil Ano LXXVII, número 88, página 1. 19 de julho de 1967. Consultado em 24 de março de 2013 
  2. UPI (19 de julho de 1967). «Pereció Castello Branco- En un accidente aéreo en Brasil». El Tiempo (Colômbia) Ano 57, nº 19414, páginas 1 e 2. Consultado em 24 de março de 2013 
  3. a b Rudnei Dias da Cunha. «Lockheed T-33 A Thunderbird». História da Força Aérea Brasileira. Consultado em 24 de março de 2013 
  4. a b c d e culturaaeronautica.blogspot.com.br/2009/09/o-estranho-acidente-que-matou-o.html - O estranho acidente que matou o Marechal Castello Branco - Jonas Liasch - Blog Cultura Aeronáutica, 25 de setembro de 2009
  5. a b c d e f g Alan Rodrigues (20 de dezembro de 2006). «A segunda morte de Castello Branco-Documento secreto obtido por ISTOÉ coloca sob suspeita investigações sobre desastre aéreo que matou o presidente. Promotor defende reabertura do caso. Foi atentado?». Istoé, Edição 1939. Consultado em 24 de março de 2013. Arquivado do original em 7 de maio de 2015 
  6. Carlos Fehlberg. «O último diálogo de Castello com seu ex-líder foi de advertência diante da articulação da "linha dura". Mas não houve tempo ...». Política para Políticos. Consultado em 24 de março de 2013. Arquivado do original em 18 de janeiro de 2012 
  7. «Rachel de Queiroz». Memória Roda Viva. 1 de julho de 1991. Consultado em 24 de março de 2013 

Ligações externasEditar