Quinto Fúfio Caleno

Quinto Fúfio Caleno (m. 41 a.C.; em latim: Quintus Fufius Calenus) foi um político da gente Fúfia da República Romana eleito cônsul em 47 a.C. com Públio Vatínio.

Quinto Fúfio Caleno
Cônsul da República Romana
Consulado 47 a.C.
Morte 41 a.C.

CarreiraEditar

 
Denário de Caleno (c. 70 a.C.).

Caleno foi eleito tribuno da plebe em 61 a.C. e atuou na defesa de Públio Clódio Pulcro em seu julgamento por ter violado os mistérios da Bona Dea.[1] Com o objetivo de evitar a condenação, propôs uma lei para que ele não fosse julgado por um tribunal especificamente reunido para este fim e sim por uma corte ordinária. A lei foi aprovada graças ao apoio do grande orador Quinto Hortênsio Hórtalo. Dois anos depois, foi eleito pretor por influência de Júlio César, a quem serviria ativamente no futuro, e elaborou uma lei que ditava que os senadores, equestres e tribunos erários, classes sociais que formavam os júris nos tribunais romanos, deveriam votar separadamente para que votação fosse anônima.[2]

Em 52 a.C., Caleno apoiou o partido da Clódio depois que ele foi assassinado por Tito Ânio Papiano Milão e lutou nas Guerras Gálicas, no ano seguinte, sob o comando de César como seu legado. Quando irrompeu a segunda guerra civil, uniu-se aos cesarianos, juntando-se a César em Brundísio. No caminho, encontrou-se com Cícero em sua villa e, segundo este, chamou Pompeu de "criminoso" e acusou o Senado de "frivolidade e loucura".[3] Combateu na Hispânia contra Lúcio Afrânio e Marco Petreio como legado de César. Quando ele seguiu para a Grécia, em 48 a.C., para perseguir Pompeu, Caleno ficou encarregado de levar até o Epiro o restante das tropas que ainda estavam na Itália. Durante seu retorno, ele e sua frota foram atacados pelo almirante pompeiano Marco Calpúrnio Bíbulo, que o derrotou de maneira tão devastadora que ele quase não conseguiu chegar à costa italiana. Mais para frente, Caleno voltou para o Epiro acompanhando de Marco Antônio.

Antes da decisiva Batalha de Farsalos, Júlio César o enviou até a Acaia, onde Caleno ocupou Delfos, Tebas e Orcomeno. Depois, Atenas, Megara e, finalmente, Patras.

Em 47 a.C., Caleno foi eleito para o consulado com Públio Vatínio graças à influência do ditador César. Depois que ele foi assassinado, Caleno uniu-se a Marco Antônio e, durante as operações militares na primeira metade de 43 a.C., defendeu Antônio no Senado contra os ataques de Cícero.[4] Na guerra contra Bruto e Cássio, foi legado de Antônio e comandou as legiões do norte da Itália. Quando terminou a Campanha de Perúsia (40 a.C.), Otaviano estava ansioso para se apoderar das legiões de Caleno, acampadas nos sopé dos Alpes. Para sorte de Otaviano, Caleno morreu e seu filho, que era muito jovem, entregou as legiões ao futuro imperador sem luta.[5][6][7][8][9]

Segundo Apiano,[10] Caleno teria salvado a vida de Cícero durante as proscrições de César.

Ver tambémEditar

Cônsul da República Romana
 
Precedido por:
'Júlio César II

com Públio Servílio Vácia Isáurico I

Quinto Fúfio Caleno
47 a.C.

com Públio Vatínio

Sucedido por:
'Júlio César III

com Marco Emílio Lépido I


Referências

  1. Cícero, Epistulæ ad Atticum 1.16.
  2. Dião Cássio, História Romana XXXVIII 8.
  3. Cícero, Epistulæ ad Atticum IX 5.
  4. Dião Cássio, História Romana XLII 1, & c.
  5. Cícero, Epistulae ad Familiares 6; Epistulæ ad Atticum I 14, 15, XI 15, 16; Philippicae VIII 4, & c
  6. Ascônio, ad Milan. p 43, ed Orelli;
  7. Júlio César, De Bello Gallico VIII 39; De Bello Civili III 8, 26, 55.
  8. Dião Cássio, História Romana XXXVIII 8, XLII 14, 55, XLVIII 10, 20.
  9. Apiano, De bellis civilibus II 58, V 3, 12, 24, 33, 51, 61.
  10. Apiano, De bellis civilibus IV 47.

BibliografiaEditar

  • Broughton, T. Robert S. (1952). The Magistrates of the Roman Republic. Volume II, 99 B.C. - 31 B.C. (em inglês). Nova Iorque: The American Philological Association. 578 páginas 
  • Canfora, Luciano (1999). Giulio Cesare. Il dittatore democratico (em italiano). [S.l.]: Laterza. p. 445-446. ISBN 88-420-5739-8 
  • Carcopino, J. (1993). Anna Rosso Cattabiani (trad.), ed. Giulio Cesare (em italiano). [S.l.]: Rusconi Libri. ISBN 88-18-18195-5 
  • Bartels, Jens (2001). Der Neue Pauly. S. Isauricus, P (em alemão). 11. [S.l.: s.n.] p. 467