Rangel Pestana

político brasileiro
Rangel Pestana
Nascimento 26 de novembro de 1839
Nova Iguaçu
Morte 17 de março de 1903 (63 anos)
São Paulo
Cidadania Brasil
Alma mater Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
Ocupação político

Francisco Rangel Pestana (Iguassu, 26 de novembro de 1839São Paulo, 17 de março de 1903) foi um jornalista, político e jurista brasileiro. Foi um importante político, tendo participação importante no Partido Republicano e na imprensa, sendo um dos fundadores do jornal O Estado de S. Paulo.

BiografiaEditar

Primeiros anosEditar

Filho de João Jacinto Pestana, um imigrante da Ilha da Madeira, e de Dona Luisa Rangel Pestana, nasceu em Iguassu, a atual Nova Iguaçu, na Província do Rio de Janeiro, no dia 26 de novembro de 1839. Após iniciar os estudos na cidade natal, fez o ensino secundário no Colégio Curiáceo e no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Foi para São Paulo no início de 1857, visando entrar na Faculdade de Direito de São Paulo, o que consegue em 1859, aos 19 anos. Se forma em 1863.[1][2][3][4]

Início no jornalismo e nas ideias repúblicanasEditar

Durante o Império, entretanto, seguiu outra carreira: a de Jornalista. Antes mesmo de deixar a Faculdade de Direito, foi redator do jornal O Lírio, participou ativamente da fundação do jornal Timbira e também participou de outros periódicos, como Futuro e Época. Ainda em 1863 funda o Partido Radical, que seria um ancestral do Partido Republicano.[3]

Após se formar, volta a morar no Rio de Janeiro para tentar ser promotor, sem sucesso. Lá, Zacarias de Góis e Vasconcelos, o Conselheiro Zacarias, o convidou para ser redator do Diário Oficial. Em 1866, se junta aos amigos Limpo de Abreu e Monteiro de Souza, o jornal Opinião Liberal, e em 1868, cria o Correio Nacional, não tendo seus interesses satisfeitos por nenhum dos periódicos. Foi Signatário do Manifesto Republicano em 1870, que foi publicado no jornal A República - fusão dos periódicos anteriores - e defendia ideias nos seus jornais que se tornariam parte do programa republicano, como a descentralização, substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre, ensino livre, sufrágio direto, o cargo de senador temporário - na época, era vitalício - e a independência da magistratura.[3]

Em São PauloEditar

Em 1871, casou-se com Damiana Quirino dos Santos, filha do capitão Joaquim Quirino dos Santos. Eles tiveram treze filhos.[3]

Voltou para a província de São Paulo na década de 1870, para a cidade de Campinas, onde abre um escritório de advocacia e a Escola do Povo, iniciativa de cursos gratuitos - ele defendia o ensino público e a educação feminina. Também passa a dar aulas de retórica e português no Colégio Americano Internacional Morton em 1874. Não abandonou o jornalismo, escrevendo para a Gazeta de Campinas. Se torna redator chefe do A Província de S. Paulo, jornal de tendências republicanas, após sua criação em 1875, sendo considerado um dos fundadores deste jornal por fazer parte de sua sociedade gestora.[5][6] Passa a dar aulas também no Colégio Florence e em 1876, cria, junto com sua esposa Damiana, uma escola secundária voltada a meninas, o Colégio Pestana, que acaba fechando em 1879 por dificuldades financeiras.[3]

Em 1882, passa a ser o maior cotista da sociedade gestora do A Província de S. Paulo. Se torna deputado provincial de São Paulo pela primeira vez. Após idas e vindas de investidores, em 1888 a propriedade do jornal fica com Rangel Pestana & Cia. e Júlio Mesquita.[3][6]

Em 1884, foi eleito pela primeira vez para o cargo de deputado representando o Rio de Janeiro.[2]

RepúblicaEditar

Com a chegada da República, Francisco passou a dirigir a província de São Paulo em um breve triunvirato em que também faziam parte Prudente de Morais e o coronel Joaquim de Sousa Mursa.[7]. Em 1890, o Governo Provisório o nomeou como membro da comissão encarregada de elaborar o projeto e a Constituição da República, o que o leva a Petrópolis e o afasta do A Província de S. Paulo, que devido as mudanças políticas havia sido recém renomeado para O Estado de S. Paulo, deixando o jornal para Júlio Mesquita, orientando as diretrizes a distância.[3][6]

Foi eleito Senador por São Paulo, ficando no cargo entre 1890 e 1892, tendo sido signatário da Constituição de 1891. Se afasta do O Estado de S. Paulo, vendendo sua participação, após se desiludir com os rumos da república, o que só piora com a dissolução do Congresso Nacional pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Seu futuro sucessor, Floriano Peixoto, indica Rangel para ministro do Supremo Tribunal Federal, o que ele recusa.[3]

Foi eleito novamente ao Senado em 1893, mas perde o cargo após aceitar o cargo de vice-presidente do Banco da República do Brasil, oferecido por Deodoro. Este banco, resultado da fusão do Banco do Brasil de 1808 e do Banco da República dos Estados Unidos do Brasil, equivale ao Banco do Brasil atual, tendo voltado a usar o nome em 1906. Em 6 de setembro de 1893 ele assume a presidência do banco interinamente, ficando novamente no cargo entre janeiro e abril de 1894 e entre abril de 1894 e setembro de 1895.[8]

Foi eleito vereador e voltou para São Paulo, em 1896, fixando sua residência definitivamente na cidade. Foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 1899, tendo sido reeleito em 1900 e 1901. Em 1902, se torna vice-presidente do Rio de Janeiro e consegue uma vaga no Senado Federal.[9][3]

Rangel acabaria falecendo no dia 17 de março de 1903 na cidade de São Paulo.[10][8][6]

Referências

  1. «Um Advogado Republicano – A História de Rangel Pestana». São Paulo in Foco. 22 de outubro de 2015. Consultado em 15 de agosto de 2020 
  2. a b «Rangel Pestana». Senado Federal. Consultado em 15 de agosto de 2020 
  3. a b c d e f g h i Ribeiro, Antônio Sérgio. «PESTANA, Rangel» (PDF). FGV. Consultado em 15 de agosto de 2020 
  4. «Cadeira 43 - PATRONO: Francisco Rangel Pestana.». Museu Maçônico Paranaense. Consultado em 15 de agosto de 2020 
  5. «Rangel Pestana». O Estado de S. Paulo. Consultado em 15 de agosto de 2020 
  6. a b c d «Cronologia histórica do Grupo Estado». O Estado de S. Paulo. Consultado em 15 de agosto de 2020 
  7. LACOMBE, Lourenço Luiz. Os chefes do Executivo Fluminense. Petrópolis, RJ : Museu Imperial, 1973.
  8. a b Pinheiro, Fernando. «História do Banco do Brasil - 1906-2011» (PDF). Consultado em 2 de agosto de 2020 
  9. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil; Cláudio Beserra de Vasconcelos. «Dicionário da Elite Política Republicana (1889-1930), verbete: Lourenço Maria de Almeida Batista, Barão de Miracema» (PDF). Fundação Getulio Vargas. Consultado em 30 de novembro de 2017 
  10. «Banco do Brasil – Relação dos presidentes (desde 1853)». Banco do Brasil. Consultado em 6 de fevereiro de 2015. Arquivado do original em 6 de fevereiro de 2015 


Precedido por
José Vieira Couto de Magalhães
Junta Governativa Paulista de 1889
1889
Sucedido por
Prudente de Morais
Precedido por
Manuel Pinto de Sousa Dantas
Presidente do Banco do Brasil
6/9/1893 a 10/9/1893 (interino)
29/1/1894 a abril/1894 (interino)
abril/1894 a 2/9/1895
Sucedido por
Fernando Lobo Leite Pereira
(interino)