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Raul Ryff
Nascimento 1911
Berna
Morte 27 de julho de 1989 (78 anos)
Cidadania Brasil
Cônjuge Beatriz Bandeira
Ocupação jornalista, político

Raul Francisco Ryff foi um jornalista e político brasileiro.

BiografiaEditar

Nascido em Berna, na Suíça, em 1911, veio ao Brasil no primeiro ano de vida. O primeiro contato de Ryff com o jornalismo foi ainda na adolescência, no colégio jesuíta Ginásio Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre, como colaborador do jornal escolar O Pindorama, dirigido pelo colega de escola Érico Veríssimo[1]. Foi segundo secretário da Aliança Nacional Libertadora (ANL) e entrou para a clandestinidade em 1935 quando foi fechada por Getúlio Vargas. Preso no ano seguinte, ao ser libertado exilou-se no Uruguai. Voltou ao país em 1938 após ser absolvido de envolvimento na revolta armada organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), em nome da ANL.[2]

Tornou-se assessor de Jango em 1955 e quando este tornou-se presidente em 1961, na renúncia de Jânio Quadros, assumiu aos 50 anos de idade o cargo de Secretário de Imprensa do governo de João Goulart. Era membro do Partido Comunista Brasileiro. Sobre o Golpe de Estado no Brasil em 1964 que depôs Jango, afirmou no livro A Esquerda e o Golpe de 1964, de Dênis de Moraes, que Osório de Almeida, encarregado de negócios da embaixada do Brasil nos Estados Unidos, trouxera documentos circunstanciados sobre a conspiração e os teria mostrado a João Goulart, sem que o presidente se surpreendesse por estar informado da possibilidade[3].

Consumada a conspiração, seu nome constava na lista do Ato Complementar Número Um, decreto do governo instaurado pelos deflagadores do golpe civil-militar e que cassava direitos políticos de dirigentes, políticos e militares de esquerda. Junto com Rubens Paiva, solicitou asilo diplomático à Embaixada da Iugoslávia e de lá foi para a França, retornando ao Brasil em 1968. Contratado pelo Jornal do Brasil, teve como estagiária a jornalista Leda Nagle.

Raul Ryff lançou em 1979 o livro O fazendeiro Jango no governo, em que faz a denúncia de que o ex-presidente, se não fosse deposto em março de 1964, seria morto no mês de abril seguinte, em Belo Horizonte durante um comício de comemoração do dia 21. Tais revelações teriam sido feitas pelo general José Lopes Bragança para a imprensa em 1977.[4] Foi um dos entrevistados no documentário Jango, de Sílvio Tendler, de 1984, em depoimento de sua convivência leal ao presidente deposto.

Filiado ao PDT, foi secretário da gestão de Marcello Alencar na Prefeitura do Rio de Janeiro, após o fim do regime militar, e continuou na gestão de Saturnino Braga. Faleceu em 27 de julho de 1989. Teve três filhos do casamento que durou mais de 5 décadas com a militante comunista Beatriz Bandeira: Tito Bruno, economista, Luiz Carlos, físico, e Victor Sergio, jornalista, falecido na década de 90[5].

Referências

  1. Cláudia Souza (19 de agosto de 2011). «Raul Ryff, o companheiro fiel». Fundação Astrojildo Pereira. Consultado em 7 de janeiro de 2015 
  2. Flavia Hasselmann (26 de agosto de 2011). «Raul Ryff, o homem de imprensa e amigo de Jango». Portal PUC-RJ Digital. Consultado em 6 de janeiro de 2015. Arquivado do original em 6 de janeiro de 2015 
  3. Flavio 19 (30 de março de 2011). «Depoimentos: A influência dos EUA no Golpe de 64». BLOG DO @PORRA_SERRA_. Consultado em 7 de janeiro de 2015 
  4. Hildegard Angel (22 de agosto de 2011). «Raul Ryff, o companheiro fiel de Jango». Blog de Hildegard Angel. Consultado em 7 de janeiro de 2015 
  5. «Adeus a Beatriz Bandeira». Associação Brasileira de Imprensa. 3 de janeiro de 2012. Consultado em 8 de janeiro de 2015