Realismo mágico

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O realismo mágico é uma corrente artística, pictórica e literária da primeira metade do século XX.[1] Também é conhecida como realismo fantástico ou real maravilhoso, sendo este último nome utilizado principalmente em castelhano.[2] É considerada a resposta latino-americana à literatura fantástica europeia.[3] A origem desse termo e seu escopo, entretanto, são muito mais gerais e têm sido usados ​​para qualificar uma grande variedade de romances, poemas, pinturas e obras cinematográficas. Além disso, o realismo mágico conhece diversas variações e pode caracterizar vários estilos, estéticas, gêneros, correntes e movimentos na Ásia , Europa ou América.[4]

O realismo mágico se desenvolveu fortemente nas décadas de 1960 e 1970, como produto de duas visões que conviviam na América hispânica e também no Brasil: a cultura da tecnologia e a cultura da superstição. Surgiu também como forma de reação, através da palavra, contra os regimes ditatoriais deste período.[5] Dessa forma, mantem o elo com o realismo, nomeadamente levando em conta o contexto histórico, geográfico, étnico, social ou cultural.[4]

Geralmente, ele busca forjar laços estreitos entre correntes geralmente opostas como o naturalismo, o maravilhoso e o fantástico para pintar uma realidade reconhecível, transfigurada pelo imaginário e na qual o racionalismo é rejeitado. Porém, não existe uma definição rigorosa e sua aplicação depende da abordagem intelectual e estilística do escritor ou do artista que a utiliza. O termo "realismo mágico" não deve ser confundido com a expressão realismo fantástico.

Entre os grandes autores do realismo mágico devemos citar o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (Prêmio Nobel de Literatura em 1967), os mexicanos Carlos Fuentes e Juan Rulfo, os argentinos Adolfo Bioy Casares e Julio Cortázar, o boliviano Jaime Sáenz, os peruanos José María Arguedas e Manuel Scorza. No Brasil, Jorge Amado também pode estar relacionado, em alguns aspectos de sua obra, como seu tratamento em seus romances à sincrética das religiões afro-brasileiras; e, finalmente, podemos associar emblematicamente a ela o colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura em 1982, cujo romance Cem anos de solidão, publicado em 1967, é frequentemente citado como o modelo perfeito desse tipo de história.

Principais autoresEditar

Muitos[quem?] consideram o venezuelano Arturo Uslar Pietri o pai do realismo mágico, mas os autores vêm de muitos países:

Alejo Carpentier, no prólogo de Reino deste Mundo, enquadra sua obra no conceito de realismo maravilhoso, o qual o autor define como semelhante (sem ser idêntico) ao conceito de realismo mágico, característico da obra de Gabriel García Márquez.

Este conceito pode ser definido como a preocupação estilística e o interesse em mostrar o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum. Não é uma expressão literária mágica: sua finalidade é melhor expressar as emoções a partir de uma atitude específica frente à realidade. Uma das obras mais representativas deste estilo é Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez.

Características do realismo mágicoEditar

Os seguintes aspectos estão presentes em muitas histórias do realismo mágico,[6] mas não em todas. Do mesmo modo, obras pertencentes a outras escolas podem apresentar algumas características dentre aquelas aqui listadas:

  • Conteúdo de elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens;
  • Presença de elementos mágicos algumas vezes intuitivos, mas nunca explicados;
  • Presença do sensorial como parte da percepção da realidade;
  • Realidade dos acontecimentos fantásticos, embora alguns não tenham explicação ou sejam improváveis de acontecer;
  • Percepção do tempo como cíclico ao invés de linear, seguindo tradições dissociadas da racionalidade moderna;
  • Distorção do tempo para que o presente se repita ou se pareça com o passado;
  • Transformação do comum e do cotidiano em uma vivência que inclui experiências sobrenaturais ou fantásticas;
  • Preocupação estilística, partícipe de uma visão estética da vida que não exclui a experiência do real.

Ver tambémEditar

Notas

  1. Este ciclo de romances da Guerra Silenciosa se inicia com as duas primeiras baladas, Bom Dia para os Defuntos e Garabombo, o Invisível, que relatam os primórdios da luta. Na terceira balada, O Cavaleiro Insone, descreve como esses povos de Cerro de Pasco voltaram a se organizar para a grande batalha depois do massacre de Chinche. Com a publicação de Cantar de Agapito Robles e A Tumba do Relâmpago, escritos entre 1977 e 1978, o ciclo é fechado.

Referências

  1. Santos, Iago (6 de novembro de 2018). «Sucesso em séries, Realismo Fantástico volta ao horário nobre da Globo após quase 20 anos». O CANAL. Consultado em 25 de outubro de 2019 
  2. Abrams, M. H.; Harpham, Geoffrey (10 de janeiro de 2011). A Glossary of Literary Terms (em inglês). [S.l.]: Cengage Learning. p. 258. ISBN 9781133417965 
  3. Barroso, Juan (1977). "Realismo Mágico" y "Lo Real Maravilloso" en el Reino de Este Mundo y el Siglo de las Luces. [S.l.]: Ediciones Universal 
  4. a b «Le réalisme magique latino-américain». Scyfy .
  5. MAIA, GRETHA LEITE. «ALUMBRAR-SE: REALISMO MÁGICO E RESISTÊNCIA ÀS DITADURAS NA AMÉRICA LATINA». ANAMORPHOSIS – Revista Internacional de Direito e Literatura - v. 2, n. 2, julho-dezembro 2016. doi:10.21119/anamps.22.371-388 
  6. «Qué es el Realismo Mágico: definición, características y autores destacados». Red Historia (em espanhol). 17 de dezembro de 2018. Consultado em 25 de outubro de 2019 
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