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A regra de Wallace (comumente conhecida como regra dos nove) é uma ferramenta de medida utilizada em medicamentos de atendimento pré-hospitalar. A intenção da medida é quantizar a área total da superfície corporal atingida por uma queimadura. Além de determinar a gravidade da queimadura, a medição é importante para estimar a possível necessidade de mudança do fluido hemodinâmico do paciente, por meio da fórmula de Parkland.[1]

UtilizaçãoEditar

Parte do corpo Área
Braço esquerdo 9%
Braço direito 9%
Cabeça 9%
Tórax 9%
Abdômen 9%
Costas 18%
Perna esquerda 18%
Perna direita 18%
Virilha 1%

A regra dos nove foi inventada por Pulaski e Tennison no ano de 1947, publicada por Alexander Burns Wallace em 1951. Para estimar a área total da superfície corporal de uma queimadura, é necessário estudar os valores relacionados à área de superfície corporal.[2] Esta medida ajuda o médico de emergência a obter uma avaliação rápida da área atingida pela queimadura.[3] Por exemplo, um paciente cuja parte traseira está com 18% de queimadura e com a perna esquerda com 18% de queimadura, conclui-se que 36% da área de superfície corporal do paciente foi atingida. O cálculo de cada área de superfície corporal é atribuída à totalidade do corpo.

Por outro lado, caso um paciente tenha uma queimadura em metade da perna esquerda, seria atribuído 9% de incidência na área de superfície corporal. No entanto, se parte traseira do paciente fosse atingida por 18%, mas apenas 9% da perna esquerda foi atingida, a quantidade atingida na área de superfície corporal seria totalizada em 27%.

PrecisãoEditar

Estudos de medicina têm levantado debates sobre a precisão da regra de Wallace em pacientes obesos, observando que o valor da área de superfície corporal muda de acordo com o nível de obesidade do paciente.[1] Um estudo descobriu que a precisão da regra dos nove era potencialmente razoável para pacientes que pesam até 80 kg. No entanto, chegou-se à ideia da criação de uma "regra de cinco" para pacientes acima de 80 kg. A divisão ocorre em 5% da área da superfície do corpo para cada braço, 20% da área da superfície do corpo para cada perna, 50% para o tronco e 2% para a cabeça.[1]

Outros estudos, todavia, sugeriram que a regra de Wallace superestima a área total afetada pela queimadura,[4] entendendo que a exatidão obtida pelos cálculos é subjetiva.[5] Contanto, a regra pode ser usada facilmente e rapidamente no que tange os cuidados iniciais com pacientes que sofreram queimadura.[4] A regra de Wallace foi desenvolvida para adultos, logo, torna-se menos precisa quando utilizada em crianças devido a diferença de proporcionalidade corporal, como o tamanho da cabeça, a quantidade de massa corporal nas pernas e nas coxas. Um estudo, portanto, demonstrou que a regra seria precisa para pacientes com até 10 kg. Para contabilizar as diferenças proporcionais das crianças, propôs-se uma "regra de Wallace para crianças". A cabeça, no entanto, assume 18% da área de superfície corporal, enquanto cada perna ocupa 13,5%. O restante do corpo retém a mesma porcentagem da área de superfície corporal, previamente válida para a medida em adultos.[6]

Referências

  1. a b c Livingston, M.D., Edward H.; Lee, B.S., Scott (2000). «Percentage of Burned Body Surface Area Determination in Obese and Nonobese Patients». Journal of Surgical Research. 91 (2): 106–110. doi:10.1006/jsre.2000.5909. Consultado em 20 de janeiro de 2016 
  2. Hettiaratchy, S. Papini, R (julho de 2004). «ABC of burns: Initial management of a major burn: II—assessment and resuscitation». BMJ. 329 (7457): 101–103. PMC 449823 . PMID 15242917. doi:10.1136/bmj.329.7457.101 
  3. «Emergency Medicine». UW Health. University of Washington School of Medicine and Public Health. Consultado em 20 de janeiro de 2016 
  4. a b Wachtel TL, Berry CC, et al. (março de 2000). «The inter-rater reliability of estimating the size of burns from various burn area chart drawings». Burns. 26 (2): 156–170. doi:10.1016/S0305-4179(99)00047-9 
  5. Kalra, S. (fevereiro de 2006). «Assessment of burn area: Can we be more objective?». Burns. 32 (1). 134 páginas. doi:10.1016/j.burns.2005.08.024 
  6. «Emergency Medicine». UW Health. University of Washington School of Medicine and Public Health. Consultado em 20 de janeiro de 2016