Reificação (marxismo)

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Reificação (do latim res: "coisa"; em alemão: Verdinglichung, literalmente: "transformar algo em coisa" ou Versachlichung, literalmente: "objetificação") ou coisificação é uma operação mental que consiste em transformar conceitos abstractos em objectos ou mesmo tratar seres humanos como objetos. No marxismo, o conceito designa uma forma particular de alienação, característica do modo de produção capitalista. Implica a coisificação das relações sociais, de modo que a sua natureza é expressa através de relações entre objetos de troca (ver fetichismo da mercadoria). O conceito está presente em Hegel e Feuerbach, mas foi desenvolvido em âmbito marxista por György Lukács e trabalhado pelos integrantes da Escola de Frankfurt.

Coisificação/ReificaçãoEditar

Coisificação (o mesmo que reificação) é o ato de transformar ideias em coisas concretas. Segundo o texto Técnica, corpo e coisificação: notas de trabalho sobre o tema da técnica em Theodor W. Adorno[1], o processo de coisificação das relações sociais é mediado pela técnica, que torna as pessoas semelhantes às máquinas, trazendo à tona toda a violência e barbárie presentes no ser humano, que foram culturalmente dominadas.

Para Adorno, a técnica é supervalorizada e fetichizada a tal ponto que as pessoas se relacionam com ela de forma exagerada e irracional, tornando-a o ponto central da vida. No processo de coisificação, as pessoas perdem os traços de subjetividade e individualidade, passando a compor um coletivo de pessoas que tem a vida mediada pela técnica.

No ensaio Educação após Auschwitz, publicado no livro Minima moralia (título original: Mínima moralia. Reflexionen aus dem beschãdigten Leben)[2], Adorno exemplifica o processo de coisificação e coletivização através dos esportes e da técnica presente neles. Para ele, o esporte moderno procura desenvolver o corpo para aproximá-lo das máquinas, projetando corpos que tenham maior resistência. Essa semelhança criada entre o ser humano e a maquinaria causa o que Adorno chama de embrutecimento e desumanização. As pessoas perdem a criticidade e as individualidades e passam a seguir o coletivo sem questionar. No caso dos esportes, o corpo é moldado para aumentar as capacidades e conquistar o objetivo, que é a vitória. Para tanto não existem questionamentos, e as subjetividades são esquecidas por serem tidas como fraqueza.

Referências

  1. Alexandre Fernandez Vaz e Jaison José Bassani. «Técnica, corpo e coisificação: notas de trabalho sobre o tema da técnica em Theodor W. Adorno» (PDF) 
  2. Adorno, Theodor W. (1951). Minima moralia (PDF). [S.l.]: Edições 70 

BibliografiaEditar

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