Reino da Cilícia

O Reino da Cilícia foi um estado independente que existiu de 612 a 546 a.C. Durante e depois do reino independente, a Cilícia foi governada pela dinastia de Sienésis. Sob o Império Aquemênida, o estado permaneceu como uma província autônoma até 400 a.C.

Reino da Cilícia

Hilakku

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612 a.C.546 a.C. 
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Reino da Cilícia no século VI a.C.
Região
Capital Tarso
Países atuais Turquia

Línguas oficiais lúvio
Religião luvita

Período histórico Idade do Ferro
• 612 a.C.  Colapso do Império Neoassírio
• 585 a.C.  O rei da Cilícia, Sienésis I, media um acordo de paz entre medos e lídios
• 557 a.C.  Campanha de Neriglissar contra a Cilícia
• 546 a.C.  Conquista pelo Império Aquemênida

HistóriaEditar

AntecedentesEditar

A Cilícia como um todo consiste em duas partes; a área ocidental inacessível das montanhas Tauro, também conhecida como "Cilícia Áspera", e as planícies orientais, dominadas pelos rios Cidno, Saro e Píramo e são ricas em cereais. Desde os tempos imemoriais, as duas áreas se juntam. Na segunda metade do segundo milênio antes de Cristo, toda a região, conhecida como Quizuatena, fazia parte do Império Hitita. Fontes contemporâneas mencionam as duas principais cidades das planícies, Tarso e Adana. A língua mais importante era o lúvio.[1] Naquele tempo, a região era governada por um príncipe da família real hitita, chamado “sacerdote”.[2]

Após a queda do Império Hitita em 1 180 a.C., as duas áreas foram incluídas em um reino neo-hitita chamado Taruntassa, que tinha sua capital em algum lugar na Panfília. Não se sabe quanto tempo esse estado existiu. Quando os assírios descobriram a região no século IX a.C., eles chamaram a fértil área oriental de Que e a região ocidental de Hilacu; desta palavra o termo Cilícia é derivado. As planícies de Que foram conquistadas pela primeira vez pelos assírios. O rei Tiglate-Pileser III (r. 744–727 a.C.) nomeou um governador na região, cuja residência era Adana. No entanto, não era uma posse segura do Império Neoassírio. Após a morte de Sargão II em 705 a.C., a Cilícia tornou-se independente novamente sob a antiga dinastia, a casa de Muquesa (Muksa). Conhecida pelas fontes fenícias como Mpš e pode (de acordo com uma inscrição de Caratepe) ser identificado com o Mopsus da lenda grega, que se diz ter fundado uma cidade e um oráculo na Cilícia. No entanto, o rei assírio Assaradão (r. 680–669 a.C.) reconquistou a área.[2][1]

Enquanto isso, a região de Hilacu permaneceu independente. Os assírios não estavam interessados nessa área montanhosa subdesenvolvida e em suas tribos pobres. Contudo, durante o reinado de Assurbanípal (r. 668–631 a.C.), Hilacu foi ameaçado pelos ataques cimérios, uma tribo nômade do nordeste que já havia invadido a Armênia. Portanto, Hilacu se colocou sob proteção assíria.[2]

ReinoEditar

Após a queda do Império Neoassírio em 612 a.C., a Cilícia tornou-se um reino totalmente independente com capital em Tarso. No recém-estabelecido reino ambas as áreas da Cilícia foram unidas. Os gregos deram o título de seus reis, suuanassai, como Sienésis e o nome do país como Cilícia.[1][2] Por estarem em uma geografia estrategicamente significativa, os cilícios poderiam conseguir expandir seu reino ao norte como o rio Hális em um curto período.[carece de fontes?]

O primeiro rei da Cilícia conhecido é mencionado pelo historiador grego Heródoto. Ele conta que em 585 a.C., o rei Sienésis I, o fundador do reino, e Labineto da Babilônia mediaram as negociações de um tratado de paz no fim da guerra de cinco anos entre a Média e a Lídia:[3]

Essa história confirma que a Cilícia era naquele momento um poder independente e não pertencia ao Império Neobabilônico.[2] O governo pacífico conduzido pela dinastia de Sienésis manteve o reino sobrevivente.[carece de fontes?] Nada mais de sabe sobre Sienésis I, além do que nos é contado por Heródoto.[5]

Sienésis I provavelmente foi sucedido por Apuassu, que enfrentou as campanhas do rei babilônico Neriglissar em 557 a.C. Embora Apuassu tivesse preparado emboscadas e ataques para deter o avanço babilônico, ele foi derrotado e perseguido por Neriglissar ao longo da costa ciliciana até chegar em Ura, que foi tomada e saqueada por Neriglissar.[6] Apuassu conseguiu fugir e não foi capturado, mas apesar disso a campanha foi bem-sucedida em afirmar o controle babilônico na Cilícia que se tornou um estado-tampão entre o Império Babilônico, Lídia e Império Medo.[6] As razões que levaram a esse ataque são desconhecidas, mas é possível que isso possa ter ocorrido porque Apuassu era um rei vassalo do Império Medo, rival da Babilônia.[2][5] Sendo assim a campanha foi parcialmente destinada a neutralizar a crescente influência dos medos na Anatólia.[7] No entanto, isso não pode ser confirmado.[5] No outono de 556 a.C.,[8] o rei babilônico Nabonido liderou o exército babilônico em uma campanha para da Cilícia. O fato de Nabonido ter feito campanha na Cilícia logo após a campanha de Neriglissar pode sugerir que a Síria, que estava sob domínio da Babilônia, foi ameaçada por invasores da Cilícia,[9] ou pode indicar que Nabonido em geral estava preocupado com a segurança do império.[8] Uma inscrição sugere que Nabonido fez uma campanha bem-sucedida para a Cilícia em 555 a.C.,[10] no caminho, talvez atacando a Hamate na Síria,[11] mas o registro é fragmentário.[10]

Quando os medos foram derrotados pelos aquemênidas em 550 a.C., Apuassu pode ter tentado recuperar sua independência, mas ele não teve sucesso e provavelmente por volta de 546 a.C., ele teve que reconhecer a autoridade dos persas para manter a administração local com os cilícios. A Crônica de Nabonido menciona uma campanha do rei Ciro, o Grande por volta de 547/546 a.C. em um certo país não identificado, pois na crônica contém uma lacuna. Não é impossível, mas é improvável que a Lídia seja o alvo dessa campanha.[2] Após essa campanha, não encontramos referências a Cilícia nas fontes babilônicas, o que sugere que não havia mais contatos comerciais entre cilícios e babilônios.[2][12] Seja como for, em algum momento da década de 540 a.C., Ciro adicionou a Cilícia ao Império Aquemênida, tornando-a um reino vassalo.

O rei persa Xerxes I escolheu a Cilícia para reunir um grande exército para atacar a pátria grega em 481 a.C. No próximo ano, Sienésis II serviu como um dos comandantes da marinha persa. A planície costeira do país costumava servir para reunir exércitos. Embora a Cilícia tivesse um rei nativo, ela era uma satrapia e tinha que pagar altos impostos anuais ao imperador persa. Devido à sua autonomia estendida, os cilícios pagavam mais impostos que outras satrapias.[13] Segundo Heródoto, a Cilícia tinha que dar 500 talentos de prata (aproximadamente 1,3 toneladas) e 360 cavalos brancos como impostos.[14][15]

Como satrapia do Império Aquemênida, os cilícios eram independentes em seus assuntos internos e mantinham essa autonomia por quase 150 anos. Em 401 a.C., Sienésis III e sua esposa Epiaxa se envolveram em uma revolta de Ciro, o Jovem contra seu irmão Artaxerxes II Mnemão. Sienésis foi forçado a se aliar com Ciro, devido a presença de suas tropas no país. Essa era uma política sólida, porque, caso contrário, a Cilícia teria sido invadida pelo exército rebelde. No entanto, após a derrota de Ciro na Batalha de Cunaxa, a posição de Sienésis foi difícil. A maioria dos estudiosos supõe que esse comportamento marcou o fim da independência da Cilícia, que depois de 400 a.C., tornou-se uma satrapia comum.[5][2][13]

Dinastia de SienésisEditar

 
A esquerda uma moeda que possivelmente retrata Sienésis III, Tarso. Cerca de 425-400 a.C.
  1. Sienésis I: O fundador do reino.
  2. Apuassu: Provavelmente foi filho e sucessor de Sienésis I.
  3. Oromedão: acredita-se que ele era filho de Apuassu e o sucedeu por volta da segunda metade do sexto século. Ele foi pai de Sienésis II.
  4. Sienésis II: era filho de Oromedão e provavelmente neto de Apuassu. Ele é mencionado como um dos comandantes da marinha persa durante a invasão da Grécia por Xerxes I (480 a.C.). Ele casou sua filha com Pixodaro, um líder cário.
  5. Sienésis III: provavelmente era neto de Sienésis II. Ele era casado com Epiaxa.

Referências

  1. a b c «Asia Minor Coins - Kilikia (Cilicia)». asiaminorcoins.com. Consultado em 3 de julho de 2020 
  2. a b c d e f g h i «Cilicia». Livius.org. Consultado em 15 de junho de 2020 
  3. Wiesehöfer, Josef (Kiel) (1 de outubro de 2006). «Syennesis». Brill’s New Pauly (em inglês) 
  4. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 74 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  5. a b c d Lendering, Jona. «Syennesis». Livius.org. Consultado em 1 de junho de 2020 
  6. a b Wiseman 1991, p. 242.
  7. Boardman, John; Edwards, I. E. S.; Sollberger, E.; Hammond, N. G. L. (16 de janeiro de 1992). The Cambridge Ancient History (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press 
  8. a b Beaulieu 1989, p. 116.
  9. Wiseman 1991, p. 244.
  10. a b Beaulieu 1989, p. 127.
  11. Weiershäuser & Novotny 2020, p. 5.
  12. Ener, Kasım. «Adana İl Yıllığı». adana.gov.tr. Adana Valiliği. Consultado em 1 de junho de 2020 
  13. a b Briant, Pierre (1 de janeiro de 2002). From Cyrus to Alexander: A History of the Persian Empire (em inglês). [S.l.]: Eisenbrauns 
  14. «The Satrapies(Herodotus)». Livius.org. Consultado em 4 de julho de 2020 
  15. Niaz, Ilhan (26 de março de 2014). Old World Empires: Cultures of Power and Governance in Eurasia (em inglês). [S.l.]: Routledge 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar