Reino de Benguela

Pormenor do Atlas Van der Hagen de 1662, representando o Reino de Benguela

O Reino de Benguela foi um Estado africano pré-colonial, inicialmente com domínio sob um pequeno território no que na atualidade corresponde à região da cidade de Benguela. Após a vassalagem ao reino de Portugal, torna-se um importante elemento colonial fantoche para o centro e oeste de Angola. O nome "Benguela" viria de Mbegela, o governante daquele reino à altura da chegada luso-espanhola.[1]

HistóricoEditar

Em 1610 a costa do chamado Reino de Benguela estava ainda por explorar, sendo enviada ordem ao governador de Angola para que aí enviasse "uma pessoa de muita confiança e prática das cousas daquelas partes", com a finalidade de averiguar sobre as condições da costa, para ali fazerem escala as naus da Índia, estando este território ainda por conquistar.[2]

Em 1615 o reino de Benguela, até então uma pequena entidade política ovimbunda com domínio sobre a região da baía das Vacas, torna-se vassalo de Portugal, anexando várias ombalas do litoral e interior próximo. A constituição desse reino expandido vinha como resposta ao contexto vigente e necessidade na época, então identificada pela coroa lusa, de fazer a ligação por terra entre a costa ocidental africana e Moçambique, visando a fortificação e consolidação do reino de Portugal. Mesmo com o reino de Benguela anexando várias ombalas, a organização política dos ovimbundos no litoral sempre foi mais fraca do que aquela observada no Planalto Central de Angola.[1]

Em 1617 é criada a capitania de Benguela por Filipe II de Portugal, com sede em São Filipe de Benguela, no contexto da União Ibérica, servindo como entidade administrativa auxiliar junto aos governantes tradicionais. Em 1779 a capitania foi substituída pelo distrito de Benguela como entidade administrativa.[3]

 
Primeiro brasão de armas de Benguela, fim do século XVII

Segundo a Provisão Régia: "De meu poder real e absoluto, me praz e hei por bem, por esta presente provisão, a capitania, conquista e governo das províncias do dito Reino de Benguela (...) e por ela as erijo e ao dito reino em novo governo, para que de hoje em diante tenham separada a jurisdição e governador." [4]

O principal objectivo da criação desta nova colónia era a busca e exploração das minas de cobre do Sumbe Ambela, a norte da foz do rio Cuvo (ou Queve), e a sul de Benguela-Velha, a primeira povoação portuguesa na região (fundada em 1587 e depois extinta), próximo da actual Porto Amboim. Foi nomeado como Governador, Conquistador e Povoador de Benguela, e simultaneamente Governador de Angola, Manuel Cerveira Pereira.

Cerveira Pereira partiu de Luanda em 11 de abril de 1617, à frente de uma força de 130 homens e rumou para sul, ao longo da costa até à baía das Vacas, que alcançou em 17 de maio. Aí fundou o Forte de São Filipe de Benguela, núcleo da povoação de mesmo nome que havia de ser a capital do novo domínio português ao sul de Angola. Já o Reino de Benguela foi administrado com certo grau de autonomia entre 1617 a 1869.[5]

A 20 de abril de 1795, Alexandre José Botelho de Vasconcelos foi nomeado quinto Governador desta capitania, com subordinação ao Governador e Capitão General de Angola.[6]

Referências

  1. a b Menezes, Bernardo Kessongo. Harmonização gráfica da toponímia do município de Benguela. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2015.
  2. Maria Emília Madeira Santos (1984). O problema da segurança das rotas e a concorrência Luso-Holandesa antes de 1620. [S.l.: s.n.] p. 143 
  3. Pires, Carlos. «Resumo da História de Benguela». Angola Saiago. Consultado em 23 de julho de 2013. Arquivado do original em 4 de março de 2016 
  4. Provisão Régia: DIAS, Gastão Sousa. Os Portugueses em Angola. Lisboa: Agência Geral do Ultramar, 1959. p. 99 e 100.
  5. Pires, Carlos (31 de outubro de 2008). «Benguela - Alguns Mapas e um pouco de História». CPires. Consultado em 22 de julho de 2013 
  6. Manuel Lopes de Almeida (1961). Notícias históricas de Portugal e Brasil. [S.l.: s.n.] p. 298