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Pormenor do Atlas Van der Hagen de 1662, representando o Reino de Benguela

O Reino de Benguela foi a designação de um território de Angola a sul de Luanda, correspondente à Capitania de Benguela, criada por Filipe II de Portugal em 1615, com sede em Benguela.

Em 1610 a costa do chamado Reino de Benguela estava ainda por explorar, sendo enviada ordem ao governador de Angola para que aí enviasse "uma pessoa de muita confiança e prática das cousas daquelas partes", com a finalidade de averiguar sobre as condições da costa, para ali fazerem escala as naus da Índia, estando este território ainda por conquistar.[1]

Primeiro brasão de armas de Benguela, fim do século XVII

A capitania de Benguela foi criada por Filipe II em 1615, no contexto da União Ibérica, por separação do chamado Reino de Benguela do resto de Angola,[2] segundo a Provisão Régia: "De meu poder real e absoluto, me praz e hei por bem, por esta presente provisão, a capitania, conquista e governo das províncias do dito Reino de Benguela (...) e por ela as erijo e ao dito reino em novo governo, para que de hoje em diante tenham separada a jurisdição e governador." [3]

O principal objectivo da criação desta nova colónia era a busca e exploração das minas de cobre do Sumbe Ambela, a Norte da foz do rio Cuvo (ou Queve), e a Sul de Benguela-Velha, a primeira povoação portuguesa na região (fundada em 1587 e depois extinta), próximo da actual Porto Amboim. Foi nomeado como Governador, Conquistador e Povoador de Benguela, e simultaneamente Governador de Angola, Manuel Cerveira Pereira.

Cerveira Pereira partiu de Luanda em 11 de Abril de 1617, à frente de uma força de 130 homens e rumou para Sul, ao longo da costa até à baía das Vacas, que alcançou em 17 de Maio. Aí fundou o Forte de São Filipe de Benguela, núcleo da povoação de mesmo nome que havia de ser a capital do novo domínio português ao sul de Angola, o Reino de Benguela, que foi administrado autonomamente entre 1617 a 1869.[4]

A 20 de Abril de 1795, Alexandre José Botelho de Vasconcelos foi nomeado quinto Governador desta capitania, com subordinação ao Governador e Capitão General de Angola.[5]

Referências

  1. Maria Emília Madeira Santos (1984). O problema da segurança das rotas e a concorrência Luso-Holandesa antes de 1620. [S.l.: s.n.] p. 143 
  2. Pires, Carlos. «Resumo da História de Benguela». Angola Saiago. Consultado em 23 de julho de 2013. Arquivado do original em 4 de março de 2016 
  3. Provisão Régia: DIAS, Gastão Sousa. Os Portugueses em Angola. Lisboa: Agência Geral do Ultramar, 1959. p. 99 e 100.
  4. Pires, Carlos (31 de outubro de 2008). «Benguela - Alguns Mapas e um pouco de História». CPires. Consultado em 22 de julho de 2013 
  5. Manuel Lopes de Almeida (1961). Notícias históricas de Portugal e Brasil. [S.l.: s.n.] p. 298