Rinkeby é um bairro do distrito municipal de Rinkeby-Kista em Estocolmo, Suécia. É limitado por Kista, Tensta, Bromsten e Sundbyberg. Em 2016 tinha cerca de 19 349 habitantes, dos quais 90% são de origem imigrante. Rinkeby é conhecido pelo seu dialeto local - Sueco de Rinkeby (Rinkebysvenska) - uma variante da língua sueca, que mistura expressões vindas de outras línguas, como o turco, árabe, somali e outras. A linguista Ulla-Britta Kotsinas da Universidade de Estocolmo fez um estudo exaustivo deste dialeto.

Rinkeby, em 2014
A Praça Rinkebytorget

Nos anos anteriores a 2008, a Agência Estatal de Segurança Social, o Serviço Público de Emprego do Estado, os bancos e os serviços postais desocuparam as suas instalações na área .[1]

Num relatório de Dezembro de 2014, a polícia sueca classificou a zona a vermelho,na categoria mais grave de zonas urbanas com elevadas taxas de criminalidade.[2] Apesar disso, a esquadra de polícia que existia em Rinkeby foi fechada em 2014. Uma nova esquadra deveria ter sido construída , mas nenhuma construtora aceitava a obra por motivos de segurança.[3] Por fim, a construção foi iniciada em Dezembro de 2017.[4]

DistúrbiosEditar

De acordo com a Universidade de Defesa sueca, desde a década de 1970, vários residentes de Rinkeby e de outras zonas locais têm estado implicados na prestação de apoio logístico e financeiro a vários grupos militantes transnacionais sediados no estrangeiro ou na adesão a esses grupos. Entre estas organizações encontram-se o Hezbollah, o Hamas, o PKK, o GIA, a Organização Abu Nidal (ANO), o Exército Vermelho Japonês, a Fração do Exército Vermelho, a Al-Qaeda, o Estado Islâmico, o Al-Shabaab, o Ansar al-Sunna e o Ansar al-Islam.[5]

Em 2010, houve distúrbios durante dois dias em Rinkeby, com cerca de uma centena de jovens a atirar pedras, atear fogos e atacar a esquadra de polícia local. Uma escola ardeu e os jovens atacaram os bombeiros que pretendiam apagar o incêndio.[6]

Em 2016, uma equipa australiana de filmagem de 60 minutes visitou a zona para fazer um documentário sobre a crise da imigração. A equipa de filmagem foi cercada por um grupo de jovens, apedrejada, esmurrada e pontapeada. [7][8][9]

Em Maio do mesmo ano, uma equipa da emissora pública norueguesa NRK (Norwegian Broadcasting Corporation), juntamente com a polícia e o economista sueco Tino Sanandaji, foram atacados, apedrejados e ameaçados.[10][11][12]

Em Fevereiro de 2017, eclodiram tumultos em Rinkeby, quando a polícia efectuou uma detenção numa estação de metro. Uma multidão de jovens reuniu-se no local, apedrejando a polícia, queimando carros e assaltando lojas. A polícia reagiu disparando sobre os desordeiros. O fotógrafo do Dagens Nyheter foi atacado e a sua máquina fotográfica foi roubada. [13][14]

Outras ControvérsiasEditar

Um fenómeno radicalmente novo na história moderna da Suécia é a opressão das mulheres na esfera pública em geral, com referência à religião ou "honra". Já em 2010, um jornal local noticiou que não se conseguiam ver mulheres na praça principal de Rinkeby. As autoridades colocaram três bancos cor-de-rosa na praça, destinados às mulheres, mas os bancos acabaram por ser retirados, uma vez que os homens os ocupavam. Algumas repórteres do jornal local tentaram sentar-se e tomar café num café de Rinkeby, mas foram insultadas pelos proprietários.[12]

Nalin Pekgul, ex-deputada social-democrata sueco-curda e conhecida feminista, explicou numa entrevista : "Todos devem compreender que não é aceitável que homens e mulheres não se sentem juntos nos cafés em 2017". E prosseguiu: "Para que as mulheres na Suécia conquistem a sua liberdade, é crucial o que os políticos dizem e fazem e sobre que assuntos os jornalistas lançam luz .O debate deve continuar".[12]


Referências

  1. «Företag och myndigheter lämnar Rinkeby (Companhias e autoridades deixam Rinkeby)». Sveriges Radio (em sueco). 28 de julho de 2008 
  2. «Utsatta områden -sociala risker, kollektiv förmåga och oönskade händelser- (Arq. em Wayback Machine)» (PDF). 19 de agosto de 2016 
  3. Björklund, Andreas (10 de Março de 2017). «Källor till SVT: Ingen vill bygga ny polisstation i Rinkeby (Fontes à SVT: ninguém quer construir uma nova delegacia em Rinkeby)». SVT Nyheter (em sueco) 
  4. «Polisen: Attack mot polisstationen i Rinkeby» (em sueco). Dagens Nyheter. 7 de Agosto de 2018 
  5. Gustafsson, Linus (e outros) (2017). «Swedish Foreign Fighters in Syria and Iraq ː An Analysis of open-source intelligence and statistical data» (PDF). Swedish Defence University. pp. 23–24 
  6. «Immigrant youths riot in Sweden». BBC News (em inglês). 9 de junho de 2010 
  7. Wang-naveen, Mala (3 de Abril de 2016). «TV-team fra 60 Minutes angrepet i Sverige» (em norueguês bokmål). Aftenposten 
  8. El-Mochantaf, Christer (18 de março de 2016). «Australiskt tv-team attackerat i Rinkeby» (em sueco). Expressen 
  9. «Striking footage shows Australian TV crew attacked in Stockholm's 'Little Mogadishu' suburb (VIDEO)» (em inglês). RT International. 21 de Março de 2016 
  10. Eriksen, Daniel (6 de Maio de 2016). «NRK-team truet og kastet stein etter i Sverige» (em norueguês bokmål). NRK 
  11. Stjernberg, Max Sohl (15 de Maio de 2016). «Attacker mot blåljus-personal ökar i landet» (em sueco). Expressen 
  12. a b c «The Truth About Sweden». Washington Examiner (em inglês). 3 de março de 2017. Consultado em 24 de junho de 2020 
  13. Bearak, Max (21 de Fevereiro de 2017). «Riots erupt in Sweden's capital just days after Trump comments». Washington Post 
  14. Ortamo, Simo (21 de Fevereiro de 2017). «Ruotsin poliisi ampui kohti naamioituneita mellakoitsijoita Rinkebyssä» (em finlandês). YLE 

Ligações externasEditar