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Rogério Skylab
Retrato a lápis de Skylab por Denis Mandarino.
Informação geral
Nome completo Rogério Tolomei Teixeira
Nascimento 2 de setembro de 1956 (63 anos)
Local de nascimento Rio de Janeiro, DF
Brasil
Nacionalidade brasileiro
Gênero(s)
Ocupação(ões)
Cônjuge Solange Venturi (1983–presente)
Instrumento(s) vocal, violão
Período em atividade 1991-presente
Gravadora(s) OutraCoisa, Psicotropicodelia, Discobertas, Coqueiro Verde
Afiliação(ões)
Página oficial rogerioskylab.com.br
godardcity.blogspot.com

Rogério Tolomei Teixeira, mais conhecido por seu nome artístico Rogério Skylab (Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1956), é um cantor, compositor, violonista, letrista, poeta, ensaísta, ator, ex-apresentador de televisão e produtor de discos brasileiro.[1]

Seu estilo musical único é caracterizado pelo minimalismo e pelo ecletismo, e suas letras são permeadas de mordazes alusões à cultura popular, pessimismo, escatologia, niilismo e humor negro (ele, porém, sempre negou com veemência que suas canções possuem fins cômicos[2][3]). O crítico musical Regis Tadeu assim o definiu: "Skylab é um exemplo inteligente de como dois elementos – “baixarias” e “sacanagens” – podem funcionar e fazer pensar. Unindo um esquisito lirismo politicamente incorreto levado a graus verborrágicos extremos a um som frequentemente pesado e intenso, Skylab destila sua acidez mórbida com uma fisionomia tão insana quanto divertida".[4]

Algumas de suas composições mais notáveis são "Motosserra", as censuradas "Câncer no Cu" e "Fátima Bernardes Experiência", "Dedo, Língua, Cu e Boceta", "Eu Chupo Meu Pau" e "Matador de Passarinho".

Índice

BiografiaEditar

Rogério Tolomei Teixeira nasceu no Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1956, e é de ascendência italiana e portuguesa. Formou-se em Letras e em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,[5] e também iniciou um curso de Direito, mas nunca o concluiu.[6] Antes de abraçar a carreira musical trabalhou como funcionário de uma agência do Banco do Brasil em Maracaju, Mato Grosso do Sul, por 28 anos.[7]

Carreira musicalEditar

Eu sou um tipo de compositor que sempre vai buscar caminhos ainda não explorados. Isto é, inexplorados ainda por mim. Se você der uma examinada no conjunto do meu trabalho, vai chegar a essa conclusão
Rogério Skylab, sobre sua carreira musical.

Em 1991 participou de um festival de música em Juiz de Fora, Minas Gerais; ganhou o prêmio em dinheiro do primeiro lugar com a canção "Samba do Skylab" (da qual retirou seu nome artístico), utilizando-o para financiar a gravação de seu álbum de estreia, Fora da Grei, no ano seguinte; o álbum foi muito bem-recebido pela crítica, e lhe rendeu muitas aparições nos talk shows de Jô Soares Jô Soares Onze e Meia e Programa do Jô ao decorrer dos anos 1990.[2]

Série "Skylab"Editar

Em 1999 Skylab lançou seu segundo álbum (e o primeiro numa série de dez álbuns autointitulados), Skylab. Foi produzido por Robertinho de Recife, mas o músico ficou ligeiramente insatisfeito com o resultado final, alegando que tinha "teclados demais" e que não esteve muito envolvido em sua parte criativa. Seu terceiro álbum, Skylab II (Ao Vivo), foi seu primeiro lançamento ao vivo; comentando sobre, afirmou que "este é 100% Skylab. O outro era 80% Robertinho".[8] Skylab II contou com a participação especial de Löis Lancaster, vocalista do grupo experimental Zumbi do Mato – Lancaster voltaria para o segundo álbum ao vivo de Skylab, Skylab IX, no qual também participaram Maurício Pereira (d'Os Mulheres Negras) e Marcelo Birck (do Graforréia Xilarmônica).[9] Zé Felipe e Marlos Salustiano, respectivamente baixista e tecladista do Zumbi do Mato, colaboraram com Skylab em seu álbum de 2007 Skylab VII, que foi indicado ao Prêmio Dynamite de Música Independente na categoria "Melhor Álbum de Rock";[10] em 2005, Skylab já ganhara o Prêmio Claro de Música Independente, na categoria "Melhor Álbum de MPB", por Skylab V.

A Série de álbuns "Skylab" parou no Skylab X, pois, no entender de Rogério Skylab, "as bandas deveriam parar de gravar no auge senão correm o risco de ficarem decrépitos como os Stones".

Parceria com Zé FelipeEditar

Em 2009, em parceria com o músico Zé Felipe (baixista do Zumbi do Mato), Skylab lança seu primeiro álbum colaborativo, Rogério Skylab & Orquestra Zé Felipe. Nas palavras de Skylab, trata-se de "um trabalho experimental".[11]

Série SkygirlsEditar

Em 2009, Skylab lança o álbum Skygirls, segundo o próprio "ligado ao eletrônico e que bebe na fonte de bandas como ‘Stereolab’".[11]

Trilogia dos CarnavaisEditar

A concepção dessa trilogia dos carnavais é o mergulho no coração da MPB, com uma espécie de linguagem muito própria a esse estilo. Foi apenas a busca de um caminho que eu ainda não tinha explorado: um tipo de arranjo, um tipo de gravação, certa maneira de cantar, de compor e de escrever que é muito própria da MPB, apesar de todo leque de variações que esse gênero comporta. Eu diria que é mais um exercício de linguagem, quase uma paródia.[11]
Rogéro Skylab, sobre a os álbuns da série "Trilogia dos Carnavais".

Depois do lançamento de Skylab X, Skylab pôs de lado sua sonoridade experimental para trabalhar na "Trilogia dos Carnavais", mais focada em gêneros típicos brasileiros como o samba, a bossa nova e a MPB.[12] A trilogia é composta por Abismo e Carnaval, Melancolia e Carnaval e Desterro e Carnaval, e teve as participações de uma vasta gama de músicos, entre eles Jorge Mautner, Jards Macalé, Arrigo Barnabé, Romulo Fróes, Fausto Fawcett e Michael Sullivan.[13][14] Sobre o Melancolia e Carnaval, o crítico musical Régis Tadeu teceu o seguinte comentário[15]:

Maluco, grosseiro, politicamente incorreto, completamente “chupeta”, falastrão, excêntrico, punheteiro, imprevisível, gênio incompreendido, provocador… Qualquer que seja o adjetivo que você use para definir este cidadão é muito pouco para dimensionar o quão surpreendente é este ótimo álbum, o segundo de uma trilogia– o primeiro é Abismo e Carnaval, de 2012 -, no qual ele apresenta vários sambas de sua autoria, todos muito bem arranjados em sua simplicidade e com belos versos. E ainda tem a participação de Jards Macalé, Rômulo Fróes e a Velha Guarda da Mangueira. É um álbum surpreendentemente belo!
Régis Tadeu, crítico musical, sobre o álbum Melancolia e Carnaval, de 2012.

Parceria com Livio TragtenbergEditar

Entre 2016 e 2018 colaborou com Livio Tragtenberg numa outra trilogia de álbuns. (Skylab & Tragtenberg – vol. 1, Skylab & Tragtenberg – vol. 2, e Skylab & Tragtenberg – vol. 3)

Esta parceria ainda rendeu um álbum ao vivo, Skylab & Tragtenberg – Ao Vivo no Estúdio Showlivre.

AtualmenteEditar

Em 15 de novembro de 2017 Skylab disponibilizou por intermédio de serviços de streaming como o Deezer, Spotify e iTunes um pequeno EP, intitulado Skylab (EP), de três faixas, que conta com a participação da dupla paulistana de noise rock/música experimental Farme&Hixizine[16] e do músico eletrônico carioca Cadu Tenório.[17] Das três faixas do EP, apenas uma ("Bocetinha de Cocô") foi escrita por Skylab; as outras duas ("Let's Play That" e "Pra Dizer Adeus") são poemas de autoria de Torquato Neto musicados por outros artistas, respectivamente Jards Macalé e Edu Lobo.[18]

Em 7 de março de 2018, Skylab anunciou que começou a trabalhar num novo álbum de estúdio, intitulado O Rei do Cu, lançado em 17 de maio de 2018.[19] Mais tarde, em 2 de abril, postou em sua página oficial no SoundCloud um trecho de uma das canções que seriam incluídas no álbum, "Dedo no Cu e Gritaria".[20] Numa postagem em sua página do Facebook ele veio a elaborar que O Rei do Cu seria a primeira parte de uma nova trilogia, a "Trilogia do Cu";[21] a segunda parte, Nas Portas do Cu, foi lançada em 1º de janeiro de 2019. A terceira parte, Crítica da Faculdade do Cu, será lançada em 2020.

Outros trabalhosEditar

Skylab publicou seu primeiro (e, até o presente momento, único) livro, a coletânea de sonetos Debaixo das Rodas de um Automóvel, em 2006 pela Editora Rocco. No ano seguinte, fez uma participação, através de um relato, no livro Zappa: Detritos Cósmicos, de Fabio Massari.[22]

De 2012 a 2014 apresentou o talk show Matador de Passarinho no Canal Brasil.

Em 2017 estreou como ator de cinema, interpretando o Professor de História no filme de Fabrício Bittar Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, baseado no livro epônimo de Danilo Gentili.[23]

Estilo de composição e influênciasEditar

"Tenho mais de 300 composições, trabalho ininterruptamente. Mas nunca fui interpretado por ninguém. Sabe o que é um compositor sem um intérprete? Tem bandinhas independentes que tocam minha música, mas estou falando de uma cantora que goste de seu trabalho e cante suas músicas. É por isso que me sinto um cadáver dentro da música brasileira."[24]
Rogério Skylab.

Seu estilo musical único é caracterizado pelo minimalismo e pelo ecletismo, e suas letras são permeadas de mordazes alusões à cultura popular, pessimismo, escatologia, niilismo e humor negro (ele, porém, sempre negou com veemência que suas canções possuem fins cômicos[2]).

Conhecido por suas vastas influências musicais e literárias, alguns de seus escritores favoritos são Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Jorge Luis Borges, Rubens Figueiredo, Milton Hatoum e Cristóvão Tezza.[6] Musicalmente, foi influenciado por Arrigo Barnabé, Os Mulheres Negras, Graforréia Xilarmônica, Zumbi do Mato, Frank Zappa, Júpiter Maçã e Daminhão Experiença;[5] seu álbum de 2002 Skylab III foi dedicado a Daminhão.[25][26]

As capas dos discos do Skylab são sempre polêmicas, pois versam sobre morte, violência, asco e estranhamento, Sobre isso, ele disse: “São duas maneiras de tratar o tema do absurdo que se diferenciam muito. Gosto também do nonsense ligado à linguagem e que passa por Beckett, Joyce e Lewis Carroll. Enfim isso dá pano pra manga”.[11]

Vida pessoalEditar

Skylab é agnóstico.[27]

Desde 1983 ele é casado com a fotógrafa, produtora de discos e artista plástica Solange Venturi.

É torcedor fanático do Fluminense Football Club, e até já fez um cover do hino do clube para o álbum Skylab & Tragtenberg, Vol. 1.[28]

Skylab já demonstrou apreço pelo ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola (a quem dedicou a canção "O Preto do Brizola", de seu álbum de 2018 O Rei do Cu) e pelo ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva.[29][30] Desde fevereiro de 2019 tem uma coluna no site de notícias Brasil 247.[31]

DiscografiaEditar

 Ver artigo principal: Discografia de Rogério Skylab

Série SkylabEditar

Trilogia dos CarnavaisEditar

  • 2012 - Abismo e Carnaval
  • 2014 - Melancolia e Carnaval
  • 2015 - Desterro e Carnaval
  • 2016 - Trilogia dos Carnavais - 25 Anos de Carreira ou de Lápide (Ao Vivo)[32]

Trilogia do CuEditar

com a Orquestra Zé FelipeEditar

  • 2009 - Rogério Skylab & Orquestra Zé Felipe

com Livio TragtenbergEditar

  • 2016 - Skylab & Tragtenberg – vol. 1[33]
  • 2016 - Skylab & Tragtenberg – vol. 2
  • 2016 - Skylab & Tragtenberg – Ao Vivo no Estúdio Showlivre
  • 2018 - Skylab & Tragtenberg – vol. 3

EPEditar

  • 2017 - Skylab (EP)

ColetâneasEditar

PublicaçõesEditar

Livros de sonetosEditar

Participação em Trabalhos de Outros ArtistasEditar

  • 2007 - Relato para o livro "Zappa - Detritos Cósmicos", de Fabio Massari[22]

FilmografiaEditar

CinemaEditar

Ano Título Papel Notas
2017 Como se Tornar o Pior Aluno da Escola Professor de História

TelevisãoEditar

Ano Título Papel
2012–2014 Matador de Passarinho Ele mesmo (apresentador)

Prêmios e IndicaçõesEditar

Ano Prêmio Indicação Trabalho Resultado Ref.
2005 Prêmio Claro de Música Independente Melhor Álbum de MPB Skylab V Venceu [34][35]
2008 Prêmio Dynamite de Música Independente Melhor Álbum de Rock Skylab VII Indicado [36]
Outros

Os álbuns Skylab II, Skylab IV e Skylab V figuram na lista "Os 200 maiores álbuns brasileiros dos anos 2000" do site La Cumbuca. Eles figuraram nas posições 24, 42, e 71, respectivamente.[37]

Referências

  1. Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira
  2. a b c Leonardo Rodrigues (15 de julho de 2014). «Sempre fui contra a imagem cômica que Jô Soares me deu, diz Rogério Skylab». Consultado em 6 de abril de 2017 
  3. Abonico Smith (11 de dezembro de 2009). «Mondo Bacana :: Rogério Skylab». Consultado em 18 de maio de 2017 
  4. registadeu.com.br/
  5. a b Bate-papo com Rogério Skylab | Bate-papo UOL
  6. a b Omar Godoy. «Rogério Skylab, um filho da adversidade». Consultado em 6 de abril de 2017 
  7. «Ex-bancário, Matador de Passarinho condena Felipão: 'Falou besteira'». 30 de novembro de 2012. Consultado em 17 de abril de 2017 
  8. Sílvio Essinger (19 de abril de 2001). «The strange world of Rogério Skylab» (em inglês). Consultado em 6 de abril de 2017 
  9. Rogério Skylab – Skylab IX no Discogs
  10. Prêmio Dynamite da Música divulga classificados. A Notícia, 9 de setembro de 2008
  11. a b c d esquinamusical.com.br/ Entrevista: O Carnaval Melancólico de Rogério Skylab
  12. g1.globo.com/ Blog do Mauro Ferreira - Aos 25 anos de carreira, Skylab segue "bloco do eu sozinho" na folia de DVD
  13. Mariana Peixoto (27 de setembro de 2015). «Sem qualquer ressentimento, o irreverente Rogério Skylab segue criando e provocando polêmicas». Consultado em 6 de abril de 2017 
  14. Júlio Maria (22 de setembro de 2016). «Crítica: Skylab, mais profundo do que o humor». Consultado em 6 de abril de 2017 
  15. noticias.yahoo.com/ Cinco ótimos álbuns revitalizam a música brasileira
  16. Farme&Hixizine no Bandcamp
  17. Cadu Tenório no Bandcamp
  18. Tratore - SKYLAB (EP) - Rogério Skylab
  19. João Luiz Azevedo (8 de março de 2018). «DIA 25 DE ABRIL 2018: ROGÉRIO SKYLAB LANÇA SEU NOVO ÁLBUM 'O REI DO CÚ' NA SALA BADEN POWELL». Portal do JL. Consultado em 8 de março de 2018 
  20. Rogério Skylab - Dedo no Cu e Gritaria
  21. Rogério Skylab - Facebook (7 de março de 2018)
  22. a b revistasinuosa.wordpress.com/ FRANK ZAPPA: as intervenções sonoras e políticas de um “Dom Quixote elétrico”
  23. Juliana Góes (26 de julho de 2017). «Danilo Gentili assina o cartaz oficial de 'Como se Tornar o Pior Aluno da Escola'». Blah Cultural. Consultado em 29 de dezembro de 2017 
  24. uai.com.br/ Sem qualquer ressentimento, o irreverente Rogério Skylab segue criando e provocando polêmicas
  25. Leon Carelli (13 de dezembro de 2016). «'Só os mendigos salvam o planeta'». Consultado em 14 de janeiro de 2017 
  26. Marco Antônio Barbosa (2002). «Rogério Skylab em 'Skylab III'». Consultado em 11 de abril de 2017 
  27. Lista fiável de ateus, agnósticos e afins
  28. Panorama Tricolor – Skylab & Tragtenberg, Vol. 1
  29. «Cantor Rogério Skylab: 'Meu candidato é Lula. Não importa se ele está preso'». Diário do Centro do Mundo. 1º de junho de 2018. Consultado em 30 de abril de 2019 
  30. «Fora da lei». Helena. 20 de novembro de 2018. Consultado em 30 de abril de 2019 
  31. Rogério Skylab - Brasil 247
  32. «Crítica: Skylab, mais profundo do que o humor - Cultura - Estadão». Consultado em 24 de setembro de 2016 
  33. «Skylab & Tragtenberg - vol. 1 - Rogerio Skylab». Rogerio Skylab (em inglês) 
  34. rockemgeral.com.br/ Lobão sai como grande vencedor do Prêmio Claro
  35. territoriodamusica.com/ Rogério Skylab lança novo álbum
  36. revistaogrito.ne10.uol.com.br/ Arquivado em 15 de março de 2014, no Wayback Machine. Confira todos os indicados no Prêmio Dynamite este ano
  37. lacumbuca.com/ 200 Discos Nacionais dos Anos 00 - A lista completa

Ligações externasEditar