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Roger Abdelmassih
Data de nascimento 3 de outubro de 1943 (76 anos)
Local de nascimento São José da Boa Vista, SP
Nacionalidade(s) Brasileira
Ocupação Ex-médico ginecologista
Crime(s) Estupro, abuso sexual e manipulação genética irregular
Pena 278 anos de prisão
Situação Encarcerado
Progenitores Mãe: Olga Pedro Abdelmassih
Pai: Jorge Abdelmassih
Esposa Larissa Maria Sacco

Roger Abdelmassih (São João da Boa Vista, 3 de outubro de 1943) é um ex-médico brasileiro, especialista em reprodução humana, sendo um dos pioneiros da fertilização in vitro no Brasil. A partir de 2009, foi acusado de violentar sexualmente suas pacientes enquanto estavam sob efeitos de sedativos.[1] Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão por 52 estupros e quatro tentativas de estupro a 39 mulheres.

BiografiaEditar

Filho de libaneses, ficou nacionalmente conhecido por tratar diversas personalidades brasileiras, como as esposas de Pelé, do ex-presidente Fernando Collor, do humorista Tom Cavalcanti, da jornalista e apresentadora Fátima Bernardes, do senador Renan Calheiros, da cantora Gretchen, entre outras. Um dos casos mais divulgados foi o das filhas gêmeas do apresentador de televisão Gugu Liberato.[2] Casou-se com a ex-procuradora da república Larissa Maria Sacco, com quem teve dois filhos gêmeos.[3]

Acusação de abuso sexualEditar

No início de 2009, a imprensa brasileira noticia que Roger Abdelmassih teria abusado sexualmente de suas pacientes.[1][4] O médico nega as acusações.[5] O número de denúncias passa de 60 ex-pacientes, vindas de três estados diferentes. Abdelmassih defende-se das acusações dizendo sofrer perseguição por clientes insatisfeitas e armação de concorrentes.[6] No dia 17 de agosto de 2009, o Juiz da 16ª Vara Criminal de São Paulo Bruno Paes Stranforini decreta a prisão de Abdelmassih.[7] Em 24 de dezembro do mesmo ano, após quatro meses na prisão, Abdelmassih é solto após habeas corpus concedido por Gilmar Mendes, então presidente do Supremo Tribunal Federal, revogando sua prisão preventiva.[8]

Roger Abdelmassih foi condenado, em 23 de novembro de 2010, a 278 anos de prisão pela juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16ª Vara Criminal de São Paulo. Ele foi acusado de 52 estupros de pacientes em sua clínica, localizada em uma área nobre da capital paulista, e condenado por estupro e atentado violento ao pudor, apesar de algumas absolvições. Abdelmassih teve seu registro profissional cassado em 20 de maio de 2011.[9]

Condenado, Abdelmassih conseguiu, novamente por decisão de Gilmar Mendes, o direito de recorrer em liberdade através de liminar concedida no habeas corpus impetrado no Supremo Tribunal Federal. Após notícias de que o médico estaria buscando a renovação do seu passaporte, foi solicitada sua prisão acreditando-se que pretendia fugir do país. Antes que pudesse ser capturado, Roger Abdelmassih foge do Brasil no início de 2011, figurando na lista de criminosos procurados pela Interpol[10] e tornando-se um dos 25 criminosos mais procurados pela Polícia Civíl de São Paulo.[11] Na época, supôs-se que ele teria fugido pela fronteira do Paraguai, seguindo para o Uruguai; Com passaporte falso, teria fugido para o Líbano, país com o qual o Brasil não tem tratado de extradição.[12] No entanto, Abdelmassih continuou no Paraguai com sua esposa Larissa Maria Sacco, onde se passava pelo empresário paraguaio Ricardo Galeano.[13]

PrisãoEditar

Após mais de três anos procurado pela polícia brasileira, Roger Abdelmassih foi preso pela Polícia Federal na tarde de terça-feira, 19 de agosto de 2014, às 13h25. A prisão ocorreu nas proximidades da escola onde deixara seus filhos e a esposa Larissa. Roger estava vivendo em Assunção, capital do Paraguai, com a mulher e os filhos, um casal de gêmeos de três anos. Em 20 de agosto de 2014, ele chega ao Brasil e é encaminhado à Penitenciária II de Tremembé.[14][15]

A defesa de Roger, composta pelo ex-ministro da justiça Marcio Thomaz Bastos e pelo advogado José Luis Oliveira Lima, não quis comentar a prisão. Em nota, a defesa afirmou que ainda aguardava o resultado de recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo contra a condenação em primeira instância. Mesmo com a fuga, os advogados ainda poderiam recorrer aos tribunais superiores em Brasília.[16]

A promotoria paulista também recorreu a essa decisão, com o intuito de aumentar a pena que soma 278 anos de prisão. Apesar da condenação beirar três séculos, a legislação brasileira impede prisões por mais de 30 anos.[17]

Em 29 de Setembro de 2017 o ministro Ricardo Lewandowski do Supremo Tribunal Federal concedeu decisão favorável à Roger Abdelmassih para que ele cumpra o resto de sua pena em prisão domiciliar. Para tomar a decisão, Lewandowski levou em consideração o comportamento e também o quadro clínico de problemas cardíacos do ex-médico. Com esta decisão, Abdelmassih deve cumprir sua pena no apartamento da esposa na cidade de São Paulo.[18]

No dia 13 de Agosto de 2019, a Justiça de São Paulo suspendeu a prisão domiciliar de Abdelmassih com base em suspeitas de que o condenado estaria fraudando o laudo médico de seus exames, realizados periodicamente para que se constate a necessidade de manter o preso em regime domiciliar; Ainda em Tremembé II, Abdelmassih secretamente fazia uso de medicamentos que alterariam seus resultados clínicos, favorecendo a decisão de que cumprisse o resto de sua pena em casa.[19]

Referências

  1. a b Christofoletti, Lilian (9 de janeiro de 2009). «Médico é investigado por supostos crimes sexuais». Folha de S. Paulo. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  2. Oyama, Thaís (18 de julho de 2001). «Foi Roger que fez». Veja. Consultado em 29 de outubro de 2019. Cópia arquivada em 8 de maio de 2003 
  3. «Quem é Larissa Sacco, a mulher que ajudou na fuga de Abdelmassih». iG. 22 de agosto de 2014. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  4. «Cremesp fiscaliza clínica de suspeito de crimes sexuais». Terra. 28 de janeiro de 2009. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  5. «Médico vê conspiração de concorrentes para prejudicá-lo». Folha de S. Paulo. 9 de janeiro de 2009. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  6. «As duas faces da moeda». Folha de S. Paulo. 28 de janeiro de 2009. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  7. «Médico Roger Abdelmassih é preso em São Paulo». Terra. 17 de agosto de 2009. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  8. Iskandarian, Carolina (24 de dezembro de 2009). «Médico Roger Abdelmassih deixa delegacia onde estava preso em SP». G1. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  9. «Kenarik Boujikian, a mulher que condenou Roger Abdelmassih, é uma das 48 desembargadoras ao lado de 360 homens no tribunal de justiça de SP». Trip. 1 de junho de 2016. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  10. «Ex-médico Roger Abdelmassih é preso no Paraguai, diz PF». G1. 19 de outubro de 2014. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  11. Tomaz, Kleber (27 de março de 2011). «Saiba quem são os 25 mais procurados pela Polícia Civil de SP». G1. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  12. «Cópia arquivada». Consultado em 19 de abril de 2011. Arquivado do original em 20 de abril de 2011 
  13. Araújo, Glauco (21 de agosto de 2014). «Paraguai investiga uso de documento falso por Roger Abdelmassih». G1. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  14. G1 (19 de agosto de 2014). «Ex-médico Roger Abdelmassih é preso no Paraguai, diz PF». Consultado em 20 de agosto de 2014 
  15. G1 (20 de agosto de 2014). «No Paraguai, Abdelmassih tinha carro de luxo, chofer e usava nome Ricardo». Consultado em 20 de agosto de 2014 
  16. Neto, João Sorima (1 de setembro de 2009). «Thomaz Bastos assume defesa do médico Abdelmassih e entra com novo pedido de habeas corpus». O Globo. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  17. «Advogados de Abdelmassih aguardam recurso ao TJ-SP contra prisão». Valor Econômico. 19 de agosto de 2014. Consultado em 29 de outubro de 2019 
  18. «Roger Abdelmassih obtém decisão no STF para cumprir prisão domiciliar». G1. 30 de setembro de 2017 
  19. «Justiça de SP suspende prisão domiciliar de Roger Abdelmassih». noticias.uol.com.br. Consultado em 13 de agosto de 2019 

Ligações externasEditar