Rota turística e gastronômica Santa Maria - Silveira Martins

A Rota turística e gastronômica Santa Maria - Silveira Martins abrange dois distritos do Rio Grande do Sul: Arroio Grande (um dos 10 distritos do município de Santa Maria) e município de Silveira Martins (que possui apenas o 1º distrito). A rota é baseada na gastronomia italiana.

Placa de acesso à rota. Localizada no bairro Camobi, em Santa Maria.

HistóriaEditar

Em 1880, Silveira Martins - então território de Santa Maria (Rio Grande do Sul) - apresentava forma tipicamente de cidades rurais, vilas coloniais. As relações sociais era marcadas por encontros aos domingos nas igrejas, familias dedicavam-se exclusivamente ao trabalho nas lavouras, seu comércio era restrito devido á precariedade de vias de deslocamentos, as técnicas utilizadas na produção de alimentos eram rudimentares e, muitas vezes, sem condições de higiêne.

A religiosidade é fator importante na história de Santa Maria e Silveira Martins. Desde a imigração italiana no Brasil, o sistema de colonização do governo brasileiro distribuia os imigrantes em lotes rurais, a vida social dos imigrantes dava-se em função da igreja. Domingo era considerado dia sagrado, era proibido trabalhar na lavoura, precisavam dedicar o dia a rezar. Ao se fixarem nos lotes, logo providenciavam um lugar em comum para orar. Inicialmente, as igrejas eram construidas de madeiras, logo apos sendo construidas igrejas em pedras ou tijolos.

As relações entre as autoridades municipais de Santa Maria e os italianos de Silveira Martins ficavam submetidas ao Ministério da Agricultura, sob jurisdição do govemo central no Rio de Janeiro.

O processo migratorio desencadeado no sul do pais, durante o periodo do Brasil Império teve grande importância na ocupação da região da Quarta Colônia. [1]No ano de 1875, com a unificação da Italia e a necessidade de ocupação da regiao serrana da Provincia de Sao Pedro do Rio Grande do Sul, chegaram as primeiras levas de imigrantes italianos nas Colonias de Campo dos Bugres, Dona Isabel e Conde D'Eu, convertendo-se posteriormente em Caxias do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves respectivamente. Estavam formadas as três colônias de imigração italiana do RS. Porém, com o sonho de fazer a América, muitos italianos continuaram vindo para o Brasil. Dom Pedro II, por meio de seu aliado senador do imperio, Gaspar da Silveira Martins, percebeu a necessidade de povoar a Serra de São Martinho, fazendo defesa ao norte e nordeste para a intendência de Santa Maria da Boca do Monte. Surge, então, mais uma colonia de imigração italiana no RS, chamada inicialmente de Città Nuova, depois Città Bianca e mais tarde de Silveira Martins, em homenagem ao seu intercessor no Império, Gaspar da Silveira Martins.

Devido às guerras, às pessimas condições de trabalho e de alimentos, ao aumento da população e da pobreza, a Italia nao estava sendo um país que oferecia condições de sobrevivencia nem expectativas de vida aos cidadãos italianos. Dessa maneira, os agricultores italianos precisaram pensar em uma solução para melhorarem de vida. Foi pensando nessa situação em que se encontrava a Italia que o governo brasileiro logo após a abolição da escravatura, necessitava de operários para trabalhar na agricultura e auxiliar na colonização do território. Diante da situação econômica e histórica da Italia, foi estimulada a vinda dos italianos para povoar suas terras, pois precisavam de mão-de-obra na agricultura.

Os imigrantes vindos para o Brasil abandonaram seu território na busca de melhores oportunidades de vida. Esse tipo de territorialidade se caracterizou como processo territorial material que fez com que os italianos viessem para o Brasil buscar abrigo, recursos e obtenção de lucro e não pelo aspecto simbólico do Brasil, pois os italianos sentiam muita ligação e forte identidade com sua terra.

Em 1884, os 1.650 lotes devolutos ja haviam sido ocupados, fato que levou aos imigrantes adquirirem, dos fazendeiros portugueses, mais 3.000 lotes, criando o complexo colonial Silveira Martins. Em 1884, o império deu inicio ao processo de emancipação politica da ex-colonia [2]. Foi em 1886[3], que a colônia de Silveira Martins foi dividida entre os municipios de Santa Maria, Vila Rica (atual, Julio de Castilhos) e Cachoeira do Sul.

Silveira Martins passou a fazer parte como o 4º distrito de Santa Maria. Posteriormente, em 1988, Silveira Martins conseguiu a sua emancipação política de Santa Maria. A origem do nome Silveira Martins deu-se em homenagem ao grande tribuno riograndense Gaspar da Silveira Martins, que era senador do império na epoca do processo de colonização e imigração no Rio Grande do Sul.

A rota turística e gastronômicaEditar

A rota turística gastronômica de Santa Maria e Silveira Martins, no estado do Rio Grande do Sul, foi formatada como produto turístico no ano de 2005. O objetivo da rota é valorizar o caminho percorrido pelos imigrantes italianos,os quais chegaram a Silveira Martins e Santa Maria em 1887, ofertar uma alternativa de renda para os produtores rurais, dinamizar a economia de Santa Maria e Silveira Martins, resgatar e preservar a cultura por meio da gastronomia, valorizar as potencialidades naturais, da paisagem cultural, histórica para o desenvolvimento local e regional baseando-se em principios de sustentabilidade.

A rota turística gastronômica Santa Maria - Silveira Martins foi criada para resgatar e valorizar o caminho percorrido pelos imigrantes italianos, preservar a cultura e história do lugar e, principalmente, agregar valor na renda dos proprietaries rurais e gerar empregos e oportunidades. Ademais, devido a proximidade entre os municipios de Santa Maria e Silveira Martins e do constante fluxo de pessoas que visitam os empreendimentos no bairro Arroio Grande, no distrito santamariense homônimo e Silveira Martins, existe um grande potencial em desenvolver o turismo nos dois municípios. A rota turistica gastronômica encaixa-se na modalidade de Turismo classificada como Turismo rural e apresenta uma nova alternativa de renda para produtores rurais comercializarem seus produtos e valorizarem a cultura local. As rotas gastronômicas, ou rotas alimentares representam a combinacao da gastronomia local/regional combinada com os atrativos ambientais, históricos e culturais de uma região.

A Rota Turística e Gastronômica de Santa Maria e Silveira Martins tem 46 pontos de visitação entre o Santa Maria (precisamente o distrito do Arroio Grande) e Silveira Martins. A rota possui balneários, mirantes, cascatas, fábricas de facas, cantinas, restaurantes, moinho, museu, igrejas, capelas, monumentos, pousada e propriedades especializadas em Turismo rural e ecoturismo.

o conceito de território apresenta relevante importância no estudo do espaço pela atividade turística ao desvendar a complexidade de analise da espacialidade do Turismo. Em especial, envolve as rotas turísticas, sendo possível destacar as diferentes territorialidades que os imigrantes italianos tiveram no seculo XIX ao territorializarem a Serra de Sao Martinho, atual Silveira Martins considerada berco da Quarta Colônia de Imigração Italiana.

A Rota Turística Gastronômica Santa Maria - Silveira Martins foi criada com o fim de valorizar o caminho percorrido pelos imigrantes italianos quando chegaram a Silveira Martins. Localizada nos dois municípios, inicia-se na RS-511 (Arroio Grande (Santa Maria) - bairro de Santa Maria) e termina no centro de Silveira Martins.

Pontos turísticosEditar

A Rota Turística e composta por diversos pontos turíticos. Destaca-se que um dos estabelecimentos comerciais, o Restaurante Osteria, encontra-se desativado, passando então a Rota a contar com quarenta e sete pontos turíticos. Desse total, quatorze são estabelecimentos que comercializam produtos coloniais e/ou artesanatos e restaurantes.

No município de Santa Maria (distrito do Arroio Grande), está situada a Cantina Pozzobon. Trata-se de um restaurante que serve comidas tipicas italianas e comercializa produtos alimentícios.

No centro de Silveira Martins localiza-se os empreendimentos: o Ristorante La Sorella, um restaurante que serve comidas típicas da localidade de origem italiana; o Fundo de Quintal Café, que se caracteriza como um café colonial, servindo doces e salgados, para grupos de pessoas, mediante reservas; a Cooperativa Mista de Produção e Serviço de Silveira Martins (COOPROSESMA), composta por produtores de Silveira Martins e outros municípios da Quarta Colônia, que comercializa na praça central do Municipio, produtos coloniais e artesanatos de seu associados; e o Loro Produtos Coloniais, um armazém que comercializa produtos coloniais.

No interior do municipio de Silveira Martins, localizam-se 6 Moinho e Alambique da Familia Moro, trata-se de um antigo moinho de farinha de milho, onde, além da fábricação de farinha, comercializa-se cachaça, graspa e licores; a Cantina e Belvedere Familia Padoim, onde se comercializam produtos coloniais e artesanatos; a Cantina Salla, onde se comercializam produtos coloniais; a Cantina Adermo Vissentini, com comercialização de uvas e produtos coloniais; Cantina do Nico, com comercialização de produtos coloniais; o Restaurante Val de Buia, onde são servidos pratos típicos locais, inspirados na culinária italiana, além de possuir, juntamente com o restaurante, uma cantina que comercializa produtos coloniais de produtores do municipio e municipios vizinhos; o Laticinios Nilma, uma pequena aqroindustria de carater familiar; a Aqroindustria Michelin, uma pequena aqroindustria de massas; e a Quinta Dom lnacio, um sítio de ecoturismo e lazer, que funciona mediante reserva, servindo café colonial e comercializa produtos coloniais.

Alem dos estabelecimentos comerciais, a Rota conta com mais trinta e três atrativos, sendo eles: no município de Santa Maria, distrito do Arroio Grande - Capela São Marcos, Fábrica de Facas Gaúcha, Igreja São Valentin, Balneário Zimmermann, Balneário Ouro Verde, Sede Campestre Clube Santamariense, Santuário Nossa Senhora do Rosario, Paróquia São Pedro, Fábrica de Facas Ginete, Fábrica de Facas lpê, Fábrica de Facas Cascavel e Fábrica de Facas Coqueiro. No centro da cidade de Silveira Martins existem os seguintes estabelecimentos comerciais/culturais: Museu do Imigrante, Centro Cultural Bom Conselho, Igreja da Matriz Santo Antonio de Padua, Praça Giuseppe Garibaldi e Centro de lnformações Turísticas. Já no interior de Silveira Martins, existem os seguintes atrativos turísticos: Capela São João, Balneário Baggio Visentini, Família Gabbi, Mirante Pedra do Guerino, Familia Piasentin, Balneário Recanto Agape, Capela São Vitor e Santa Corona, Sociedade Agricola Esportiva e Recreativa Val Feltrina, Mudario Belle Fiore, Aqroindustria de Massas do Vale, Cascata Mezzomo, Monumento ao Imigrante, Gruta Nossa Senhora de Fátima, Conjunto Histórico da Pompéia, Chácara Santa Eulalia e Mirante Michelin.

Área AbrangidaEditar

A área abrange o o distrito do Arroio Grande (um dos 10 distritos de Santa Maria) e o distrito Sede de Silveira Martins (como é o único distrito, é o próprio município de Silveira Martins).

Arroio GrandeEditar

Arroio Grande, 4º distrito de Santa Maria, representa o "Portal da Quarta Colônia", onde tem início a Rota Turistica e Gastronomica Santa Maria - Silveira Martins. O distrito é composto do bairro homônimo que compreende todo seu território. Arroio Grande limita-se com outros três distritos de Santa Maria: Pains, Palma e Sede e com os municípios de Itaara, Júlio de Castilhos e Silveira Martins. Sua colonização começou por imigrantes italianos a partir de 1879 e, devido a passagem dos imigrantes pelo Arroio, deu-se a origem do nome. Hoje Arroio Grande e caracterizada pela agricultura familiar (produtos coloniais produzidos pelas familias e cornercializacao direta), por cinco fábricas de facas, pelo turismo gastronômico, religioso e rural. A economia do distrito é essencialmente agropastoril (pecuaria leiteira), sendo que, na agricultura, destacam-se o arroz, o feijão, o milho, o fumo e os hortifrutigranjeiros. O distrito de Arroio Grande contém o bairro Arroio Grande.

Silveira MartinsEditar

 Ver artigo principal: Silveira Martins

O município de Silveira Martins faz parte da Microrregião Geográfica da Quarta Colônia e limita-se ao norte, com Ivorá, ao sul, com Restinga Seca, ao leste com São João do Polêsine e Faxinal do Soturno e, ao oeste, com Santa Maria e Julio de Castilhos.

Situada sobre a Serra de São Martinho, na Serra Geral, ou Rebordo do Planalto, e uma das areas piloto da Reserva de Biosfera da Mata atlântica no Estado, apresentando clima subtropical úmido. Silveira Martins tem sua origem na década de 1870, quando o Governo Imperial requisitou as terras devolutas existentes na região de Santa Maria da Boca do Monte e, nelas, instalou o Quarto Núcleo de Colonização do Estado. Os primeiros habitantes deste núcleo foram russos e alemães, que na sua grande maioria abandonaram a região por não se adaptarem às condições geográficas das encostas da Serra Sao Martinho. Este fato levou a direção da colônia a desviar levas de imigrantes italianos para povoar aquela região. Dessa forma, surge a Quarta Colônia de Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, chamada inicialmente de Città Nuova, depois Città Bianca e, mais tarde, de Silveira Martins, em homenagem ao seu intercessor no império, Gaspar da Silveira Martins. O municipio, criado no ano de 1987, com o desmenbramento de terras dos municípios de Faxinal do Soturno e Santa Maria, tem sua a economia baseada no setor primário, destacando-se o cultivo do arroz e da batata inglesa.

Referências

  1. Segundo Karsburg (2007)
  2. (KARSBURG, 2007)
  3. ISAIAS, A. Os sonhos de emancipação e as frustrações, na história de Silveira Martins (III). A Razão, Santa Maria, 22 abr. 1987.

BibliografiaEditar

  • TORRES, Thaís Gomes. A construção do espaço pelo turismo: Rota turística e gastronômica de Santa Maria e Silveira Martins, RS. Dissertação de Mestrado. CCNE, UFSM. Santa Maria, RS, Brasil. 2009.
  • LINDNER, Michele. Turismo rural e desenvolvimento local: Rota turística e gastronômica de Santa Maria - Silveira Martins, RS. Dissertação de Mestrado. CCR, UFSM. Santa Maria, RS, Brasil. 2007.

Ligações externasEditar

  A Wikipédia possui o

Portal Santa Maria
da Boca do Monte


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