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Royal Asiatic Society

The Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland
Pintura de Chokha (1799-1830) pertencente ao acervo da RAS, retratando a batalha de Haldighati (1576)
Fundação 1823 (196 anos)
Sede Londres
 Inglaterra
Línguas oficiais língua inglesa
presidente Gordon Johnson (2015-2018)
Sítio oficial http://www.royalasiaticsociety.org

The Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland (Real Sociedade Asiática da Grã-Bretanha e Irlanda), em geral conhecida simplesmente por Royal Asiatic Society ou RAS, é uma organização fundada em Londres no ano de 1823 tendo, como objectivo estatutário, a "investigação e o encorajamento da investigação de assuntos da ciência, da literatura e das artes relativos à Ásia"[1]. A RAS foi fundada por iniciativa de um distinto grupo de orientalistas liderado por Henry Thomas Colebrooke, um estudioso do sânscrito, e recebeu, em 1824, de Jorge IV do Reino Unido, o estatuto de Sociedade Real. A sociedade tem mantido, ao longo dos anos, uma presença actuante, criando capítulos locais em alguns países asiáticos e congregando os mais distintos estudiosos das línguas e culturas da Ásia.

ObjectivosEditar

Nos termos dos seues estatutos, aprovados por carta régia de Jorge IV da Grã-Bretanha datada de 11 de Agosto de 1824, a Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland (RAS) tem, como objectivo, o fomento do estudo das ciências, línguas e culturas da Ásia (nas palavras do estatuto: the investigation of subjects connected with and for the encouragement of science, literature and the arts in relation to Asia). Desde a sua fundação, a RAS tem sido um foro de pesquisa académica, ao mais alto nível, promovendo conferências, editando periódicos especializados, com destaque para o Journal of the Royal Asiatic Society (o JRAS), e publicando obras sobre temática asiática. A RAS é considerada a academia sénior de estudos asiáticos do Reino Unido, incluindo entre os seus membros os seus mais notáveis estudiosos. Os membros da Sociedade têm o direito de usar após o seu nome as iniciais FRAS, Fellow of the Royal Asiatic Society.

HistóriaEditar

A RAS foi fundada em Londres no ano de 1823 por iniciativa de um grupo de notáveis estudiosos do orientalismo, apoiados por um grupo de oficiais ligados à administração colonial britânica, em espacial ao Raj Britânico. O grupo era liderado por Henry Thomas Colebrooke, um importante estudioso do sânscrito que fora presidente da Asiatic Society of Calcutta, que pretendia que a nova sociedade fosse uma contraparte metropolitana daquela instituição, fundada na Índia em 1774 pelo jurista e estudioso do sânscrito Sir William Jones.

Quando o Oriental Club de Londres foi formado em 1824, foi fixado que ser membro da RAS era uma das quatro qualificações para admissão no novo clube[2].

A estreita ligação da RAS ao Império Britânico no Oriente levou a que a maior parte dos trabalhos produzidos pelos seus membros, ou apoiados pela Sociedade, focassem temas relativos ao subcontinente indiano. Contudo, os objectivos da RAS estendiam-se muito para além da Índia, abrangendo todo campo de estudo que se convencionara ser coberto pelo orientalismo, incluindo toda a Ásia, a Etiópia e as culturas islâmicas do Magrebe. A sociedade coloca contudo algumas limitações ao seu campo de investigação, nomeadamente não apoiando estudos de história contemporânea e estudos de política actual. Esta moratória na investigação de assuntos da actualidade levou à fundação da Central Asian Society, que depois se transformou na Royal Society for Asian Affairs. Depois da Segunda Guerra Mundial, com o gradual fim da hegemonia britânica na a leste do Suez, a RAS manteve o seu foco Ásia, remetendo-se a um papel puramente académico e politicamente desinteressado.

Durante toda a sua história, a Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland manteve um número reduzido de membros (os fellows), recrutados pelo seu valor académico e influência pública de entre os mais distintos investigadores e reputados políticos ligados aos assuntos da Ásia. Entre os membros mais notáveis contam-se personalidades como Rabindranath Tagore, Sir Aurel Stein e Sir Wilfred Thesiger. Apesar de serem admitidos membros de todo o mundo, a maioria é proveniente do Reino Unido e dos países asiáticos que foram colónias britânicas. Novos membros são eleitos regularmente.

A RAS mantém sociedades afiliadas em vários pontos da Ásia: na Índia (Calcutá, Bombaim, Bangalore, Madras e Bihar), Sri Lanka (a Royal Asiatic Society of Sri Lanka), Hong Kong (fundada em 1847), Japão, Malásia (estabelecida 1877) e Seoul, Coreia (fundada em 1900)[3]. A antiga filial de Bombaim é agora The Asiatic Society of Bombay. Em 2008 a filial de Shanghai, que existira de 1857 a 1949, foi restabelecida como a Royal Asiatic Society, North Asia Branch.

O Journal of the Royal Asiatic Society (JRAS) é publicado quatro vezes por ano pela Cambridge University Press, tendo como objectivo a publicação de artigos científicos sobre os temas de estudo da Sociedade e a crítica e revisão de literatura sobre as mesmas temáticas. Para além do JRS a Sociedade publica regularmente manuscritos históricos e monografias de grande qualidade académica.

A RAS mantém o Oriental Translation Fund of Great Britain and Ireland, um fundo estabelecido em 1828[4], destinado a apoiar a edição de obras sobre temáticas asiática que pelas suas características não pudessem ser editadas pelos editores comerciais. Criado o contexto dos fundos editoriais da época Vitoriana (os antecessores dos clubes do livro) que imprimiam obras para distribuição pelos seus subscritores, ao contrário do que aconteceu com a sua maioria, o funda da RAS sobreviveu até aos nossos dias, mantendo uma nova série de edições e distribuindo as antigas publicações em suporte digital para fins de investigaçção[5]. Os resultados obtidos pelo fundão foram excelentes desde a sua fundação[6].

A Royal Asiatic Society é, presentemente, presidida pelo historiador Gordon Johnson e tem, como patrono, o príncipe Carlos de Gales.

Notas

  1. About us Arquivado em 21 de fevereiro de 2009, no Wayback Machine..
  2. The Asiatic Journal and Monthly Miscellany for April 1824, p. 473 online at books.google.com (accessed 28 January 2008)
  3. «Cópia arquivada». Consultado em 19 de maio de 2019. Arquivado do original em 21 de fevereiro de 2009 
  4. Oriental Translation Fund of Great Britain and Ireland.
  5. «Cópia arquivada». Consultado em 26 de dezembro de 2009. Arquivado do original em 20 de outubro de 2007 
  6. Oriental Translation Fund of Great Britain and Ireland.

Algumas publicações da RASEditar

  • "Charter of Incorporation of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland." Journal of the Royal Asiatic Society. pp 25–27, 1957.
  • Beckingham, C.F. Centenary Volume of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland 1823-1923. Pargiter, F.E. (ed.) Published by the Society, 1923, London.
  • Mashita, Hiroyuki. Theology, Ethics and Metaphysics: Royal Asiatic Society Classics of Islam. Routledge Publishing, 2003.
  • Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. B. W. Robinson. Persian Paintings in the Collection of the Royal Asiatic Society Routledge, 1998.
  • Rost, Reinhold. "Miscellaneous Papers Relating to Indo-China and the Indian Archipelago" Reprinted for the Straits Branch of the Royal Asiatic Society, from the "Journals" of the Royal Asiatic, Bengal Asiatic, and Royal Geographical Societies; the "Transactions" and "Journal" of the Asiatic Society of Batavia ... Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland Malayan Branch Published by Trübner & co., 1887.
  • Tritton, Arthur Stanley. Muslim Theology... Royal Asiatic Society by Luzac, 1947.
  • Winternitz, Moriz (compiled), Frederick William Thomas (appendix). A Catalogue of South Indian Sanskrit Manuscripts: Especially Those of the Whish Collection Belonging to the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland Library. Whish Collection, 1902.

ReferênciasEditar

  • Finn, Elizabeth Anne McCaul. Reminiscences of Mrs. Finn, Member of the Royal Asiatic Society. Marshall, Morgan and Scott, 1929.
  • Hunter, William Wilson. Life of Brian Houghton Hodgson: British Resident at the Court of Nepal, Member of the Institute of France; Fellow of the Royal Society; a Vice-president of the Royal Asiatic Society, Etc. J. Murray, 1896.
  • Simmonds, Stuart, Simon Digby. "The Royal Asiatic Society: its history and treasures": In commemoration of the sesquicentenary year of the foundation of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. E. J. Brill, 1979.
  • Skrine, Francis Henry, William Wilson Hunter. Life of Sir William Wilson Hunter, K.C.S.I., M.A., LL.D., a Vice-president of the Royal Asiatic Society. Longmans, Green, and Co., 1901.
  • Taintor, Edward C. "The Aborigines of Northern Formosa: A Paper Read Before the North China Branch of the Royal Asiatic Society." Customs Press: Shanghai, 18th June, 1874.

Ligações externasEditar