Salviniaceae

Salviniaceae é uma família de samambaias conhecidas como “samambaias aquáticas”, caracterizadas pela flutuação livre e adaptadas a sistemas de água doce estagnados de climas tropicais e temperados. O gênero Salvinia pertence à essa família.


Como ler uma infocaixa de taxonomiaSalviniaceae
Salvinia molesta.jpg
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Traqueophyta
Classe: Pollipodiopsida
Ordem: Salviniales
Família: Salviniaceae

DescriçãoEditar

Essas plantas não possuem raízes e suas folhas são unidas em grupos de três, com duas folhas distintas. A dorsal flutuante, verde, simples com folhas inteiras, e a folha ventral, fortemente ramificada e submersa. Apresentam pelos repelentes à água na superfície superior das folhas e há órgãos produtores de esporos (esporângios) nas folhas submersas, constituídos por soros cercados de um indúsio globoso (esporocarpo). São consideradas heterosporadas por produzirem dois tipos diferentes de esporos.[1]

Um exemplar da família Salviniaceae, é a Salvinia gigante (Salvinia molesta), samambaia flutuante exótica, nativa do sudeste do Brasil. São consideradas uma grande ameaça para estes ambientes de água doce porque formam tapetes grossos que cobrem a superfície de corpos de água lentos. Além disso, impedem recreação e entradas para irrigação de energia elétrica, bem como fornecem refúgios para organismos portadores de doenças como mosquitos e caracóis, e ainda, são capazes de expulsar espécies nativas de plantas aquáticas reduzindo o conteúdo de oxigênio dos animais.

Possuem diferentes formas de crescimento, dentre elas primária, secundária e terciária, exibem folhas ovais que variam de 15 mm de largura a 60 mm, dependendo do estágio de crescimento. [2]

MorfologiaEditar

Caules – As plantas da família Salviniaceae possuem caules aquáticos, alongados, horizontais, e revestidos por tricomas. Além disso, em cada nó do caule, emerge uma parte flutuante e uma parte submersa. Esses nós podem dar origem a novos indivíduos através de propagação vegetativa e por esse motivo são considerados “clones”, chamados de rametes.[3]

 
Salvinia (Salviniaceae) nas regiões sul e sudeste do Brasil {A-C: Salvinia auriculata: A: Hábito, B – Fronde flutuante, C – Detalhe do soróforo; D-F: Salvinia biloba: D – Hábito, E – Fronde flutuante, F – Detalhe do soróforo; G-I. Salvinia cucullata: G – Hábito, H – Fronde flutuante, H – Sistema de tricomas; J-M. Salvinia herzogii: J – Hábito, K – Fronde flutuante, L – Sistema de tricomas (todas as espécies do complexo Salvinia auriculata), M – Detalhe do soróforo}

Frondes flutuantes – Em cada nó do caule existe um par de fronde flutuante. Estas, têm pecíolo curto ou ausente, são clorofiladas, e portanto, verdes. Ademais, são as partes utilizadas para propagação vegetativa.

Sistema de tricomas – Possuem associados a papilas e pelos são encontrados acima delas. As papilas possuem diversidade de formas, sendo curtas ou alongadas, ausentes ou presentes, afiladas ou cupuliformes. Esse sistema de tricoma está localizado na face abaxial das frondes flutuantes. Além disso, os tricomas podem ser únicos ou estar em conjuntos de dois, três ou quatro e possuem também o ápice hidrofílico e o restante hidrofóbico também, como fator importante para flutuação das plantas.[4][5].

Frondes submersas – As frondes que estão submersas tem uma morfologia semelhante a raízes. Possuem ramificações e são as partes responsáveis pela reprodução sexuada da planta. As frondes férteis possuem divisão em trofóforos e soróforos.

Soróforos – Os soróforos portam os soros por meio de indúsios. A organização desses soros é uma característica importante para definir a taxonomia. Essa estrutura diferencia-se de acordo com a espécie e podem ter formatos muito distintos, como espiga, cacho ou glomérulo.[6]

Soros – Assim como os soróforos, os soros também possuem formas e tamanhos variáveis: globosos ou apediculados e sésseis ou pedicelados e são comumente envoltos por tricomas.

Indúsio - Os indúsios são tecidos protetores dos esporângios e nesse caso, cada soro (megasporangiado ou microsporangiado) é envolto por um indúsio parenquimatoso formado por duas camadas de celulas, o que torna-os delicados com facilidade de rompimento.[7]

Esporângios – Os esporângios estão localizados no interior dos soros com indúsios e são classificados em microsporângios ou megasporângios. Dessa forma, um microsporângio contém muitos micrósporos, enquanto o megasporângio, apenas um megásporo em seu interior. Isso varia de acordo com as espécies, já que, algumas possuem as duas estruturas e outras apenas uma em cada soro.






Distribuição e diversidade taxonômicaEditar

A maioria das espécies de Salviniaceae ocorre em água rica em nutrientes nas regiões tropicais e subtropicais e demonstram forte propagação vegetativa e uma taxa de crescimento alta. Algumas tornaram-se ervas daninhas em reservatórios e sistemas de irrigação.

As espécies atualmente identificadas estão representadas abaixo:

  • Salvinia adnata
  • Salvinia auriculata
  • Salvinia biloba
  • Salvinia cucullata
  • Salvinia cyathiformis
  • Salvinia hastata
  • Salvinia herzogii
  • Salvinia martynii
  • Salvinia minima
  • Salvinia molesta
  • Salvinia natans
  • Salvinia nuriana
  • Salvinia nymphellula
  • Salvinia oblongifolia
  • Salvinia radula
  • Salvinia rotundifolia
  • Salvinia spruceii


No Brasil a família Salviniaceae é distribuída nos domínios fitogeográficos da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, nas vegetações de campo de várzea, floresta ciliar e vegetações aquáticas e são descritas 10 espécies.

É encontrada em todas as regiões brasileiras, detalhadas a seguir: Norte: nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Roraima, Tocantins;

Nordeste: em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe;

No Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso.

No Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e possíveis ocorrências no Espírito Santo.

No Sul: no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina.

 
Distribuição Geográfica de Salviniaceae no Brasil.

Não há espécies endêmicas no Brasil.

As espécies atualmente identificadas no Brasil estão representadas abaixo:

Salvinia Ség

  • Salvinia adnata Desv.
  • Salvinia auriculata Aubl.
  • Salvinia biloba Raddi
  • Salvinia martynii Kopp
  • Salvinia minima Baker
  • Salvinia molesta D.S.Mitch.
  • Salvinia nurian de la Sota
  • Salvinia oblongifolia Mart.
  • Salvinia sprucei Kuhn

Azolla Lam

  • Azolla cristata Kaulf
  • Azolla filiculoides Lam

FilogeniaEditar

Salviniaceae é uma família de monilófitas da ordem Salviniales. As Salviniaceae contêm os dois gêneros Azolla e Salvinia, com um total de cerca de 20 espécies conhecidas. O Azolla foi anteriormente colocado em sua própria família, Azollaceae, mas pesquisas recentes mostraram que Azolla e Salvinia são gêneros irmãos.

ImportânciaEditar

Algumas espécies de Salvinia são utilizadas como ferramentas para estudos em engenharia naval, pelo motivo de terem grande capacidade de retenção de ar devido ao sistema de tricomas presentes nessas plantas. [8]. Essa característica é estudada pela indústria naval em cascos de navio, possibilitando à diminuição do atrito entre a camada de ar e a superfície da água e facilitando o deslizamento do navio, utilizando a tecnologia similarmente as plantas. Além disso, a Salvinia é muito utilizada como planta ornamental em aquários e lagos artificiais, Salvinia cucullata Roxb é facilmente encontrada em sites de lojas online. Quanto à importância ecológica, essas espécies possuem potencial como bioindicadores da qualidade da água e bioacumuladores, absorvendo metais pesados presentes (como Cádmio e Chumbo) no ambiente aquático em que se encontram.[9] e Crômio. [10]


ReferênciasEditar

  1. Almeida, Gaziele Wolff. Avaliação do potencial bioindicador e fitorremediador de Salvinia auriculata Aublet na presença de cádmio e chumbo. 2009. 73 p. Dissertação (Mestrado)-Universidade Federal de Lavras, Lavras. (Tese) 
  2. Almeida, Gaziele Wolff. Avaliação do potencial bioindicador e fitorremediador de Salvinia auriculata Aublet na presença de cádmio e chumbo. 2009. 73 p. Dissertação (Mestrado)-Universidade Federal de Lavras, Lavras. (Tese) 
  3. Room, P.M. & Thomas, P.A. (1986) Nitrogen, phosphorus and potassium in Salvinia molesta Mitchell in the field: effects of weather, insect damage, fertilizers and age. Aquatic Botany.
  4. Barthlott, Z.; Wiersch, S.; Colic; Koch, K. (2009). Classification of trichome types within species of the water fern Salvinia, and ontogeny of the egg-beater trichomes. [S.l.]: Botany. pp. 830–836 
  5. Barthlott, W; Schimmel, T; Wiersch, S. (2010). The Salvinia paradox: superhydrophobic surfaces with hydrophilic pins for air retention under water. [S.l.]: Adv. Mater. p. 2325–2328 
  6. Almeida, Gaziele Wolff. Avaliação do potencial bioindicador e fitorremediador de Salvinia auriculata Aublet na presença de cádmio e chumbo. 2009. 73 p. Dissertação (Mestrado)-Universidade Federal de Lavras, Lavras. (Tese) 
  7. Nagalingum, NS; Schneider, H (2006). Morfologia comparativa de estruturas reprodutivas em samambaias heterosporosas e reavaliação do esporocarpo. [S.l.]: International Journal of Plant Science. pp. 805–815. 
  8. Barthlott, W; Schimmel, T; Wiersch, S (2010). The Salvinia paradox: superhydrophobic surfaces with hydrophilic pins for air retention under water. [S.l.]: Adv. Mater. p. 2325–2328 
  9. Almeida, Gaziele Wolff. Avaliação do potencial bioindicador e fitorremediador de Salvinia auriculata Aublet na presença de cádmio e chumbo. 2009. 73 p. Dissertação (Mestrado)-Universidade Federal de Lavras, Lavras. (Tese) 
  10. Pereira, Paula da Fonseca; Antunes, Flavia (2012). Pigmentos lipossolúveis e hidrossolúveis em plantas de salvínia sob toxicidade por cromo. [S.l.: s.n.]