Santo Amaro (1832-1935)

antigo município do estado de São Paulo

Santo Amaro foi um antigo município do estado de São Paulo. Até 1877 incluía as áreas dos atuais municípios de Itapecerica da Serra, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Taboão da Serra, São Lourenço da Serra e Juquitiba, que se separaram[2] em decorrencia da Lei Provincial N.º 33, de 8 de maio de 1877, pela formação da vila de Itapecerica.[3] A expansão industrial em Santo Amaro começou em 1829, com a instalação de uma colônia de imigrantes alemães.

Santo Amaro
  Município do Brasil  
Símbolos
Brasão de armas de Santo Amaro
Brasão de armas
Hino
Lema Antiquissimum Genus Paulista Meum
"Faço parte da mais antiga sociedade Paulista"
Gentílico santamarense
Localização
Localização de Santo Amaro em São Paulo
Localização de Santo Amaro em São Paulo
País Brasil
Unidade federativa São Paulo
Municípios limítrofes Norte: São Paulo
Oeste: Itapecerica
Leste: São Bernardo
Sul: Itanhaém e São Vicente
Distância até a capital Não disponível
História
Fundação 1552 (como aldeamento)
1560 (como povoado)
Emancipação 1832
-de São Paulo
Características geográficas
Área total 640,000 km²
População total (1934) [1] 27,000 hab.
Densidade 0 hab./km²
Clima Não disponível
Fuso horário Hora de São Paulo (UTC−3)
Outras informações
Padroeiro(a) Santo Amaro

HistóriaEditar

AldeamentoEditar

 
João Paes e Suzana Rodrigues, doadores da imagem católica de Santo Amaro homenageados no Monumento a Borba Gato

No início do século XVI, Santo Amaro era uma aldeia de índios Guaianases, chefiada pelo cacique Caiubí, irmão dos caciques Tibiriçá e Piquerobi. Tanto Tibiriçá quanto Caiubí colaboraram com a catequização na região, enquanto Piquerobi via os portugueses como inimigos, resultando pouco depois na Guerra de Piratininga. A chegada dos portugueses ao território paulista dominado por índios, deu início ao processo de socialização entre índios e europeus na região. Em pouco tempo o lugar passou a se chamar Nossa Senhora da Assunção do Ibirapuera.

Em 1560 a índia Maria da Grã Terebé Tibiriçá, sobrinha de Caiubí, filha de Tibiriçá, considerada avó santamarense, casou-se com o português Pedro Dias. Desta união, nasceu Clara Parente. Após ter ficado viúva, veio a se casar com Gonçalo Madeira,com quem teve a filha Águeda Rodrigues, a futura esposa do bandeirante Manuel Preto, representando assim os primeiros povoamentos na região.

Povoado e freguesiaEditar

O aldeamento foi elevado a povoado em 1560, por José de Anchieta, oficializando-se com uma missa realizada por Anchieta à margem do rio Jeribatiba, atual rio Pinheiros. A escultura que deu origem ao nome do local foi doada em 1552 por João Paes e sua esposa Suzana Rodrigues à principal capela da região.[4]

Em 1563 uma grande epidemia de varíola assolou o planalto paulista, dizimando as populações indígenas de diversos aldeamentos, entre eles, o de Santo Amaro. Tal fato causou um esvaziamento populacional que só viria a ser revertido na segunda metade do século XVII.[5]

Em 1686, José de Barros Alarcão elevou o então povoado de Santo Amaro a categoria de freguesia.

EmancipaçãoEditar

Em 1832, Santo Amaro foi elevado a categoria de cidade, separando-se de São Paulo. Omunicípio foi instalado oficialmente em 7 de abril de 1833 com a eleição de sete vereadores.

Em 6 de maio de 1833, sob a presidência de Francisco Antônio das Chagas, realizou-se a primeira secção da Câmara municipal de Santo Amaro.

O novo município abrangia todo o território que se situava ao sul do Córrego da Traição e estendia-se até a Serra do Mar (hoje aquele córrego é canalizado e sobre ele existe a Avenida dos Bandeirantes).

Em 11 de maio de 1877, pela Lei Provincial número 56, foi autorizada a construção de uma linha férrea, que deveria fazer a ligação entre São Paulo e o povoado de São Lourenço (atual município de São Lourenço da Serra). Em 14 de março de 1886, com as presenças do imperador brasileiro, Dom Pedro II, e a do Conselheiro João Alfredo, presidente da Província de São Paulo, foi inaugurada pela Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro a nova estrada de ferro, com o trem a vapor saindo da estação da Rua São Joaquim precisamente às 11 horas e 36 minutos da manhã.

O itinerário seguia pelas atuais ruas Vergueiro, Domingos de Morais, Avenida Jabaquara, até o local onde está a Igreja de São Judas Tadeu, ali ficava a estação "do encontro", onde os trenzinhos faziam um reabastecimento de combustível e água e seguia depois por vastos campos, onde hoje estão os bairros do Aeroporto e Campo Belo, e alcançavam o Brooklin paulista; ali havia curvas extremamente fechadas e o local era chamado "Volta Redonda", próximo à parada Piraquara, seguia depois pela atual Chácara Flora, e entrava em Santo Amaro por uma curva que passava pelas atuais ruas São José e Nove de Julho, onde o ponto de carga e descarga era na Praça Santa Cruz, e retorno no largo Treze de Maio, levando uma 1 hora e 30 minutos de percurso, onde está em frente a EMEFM Professor Linneu Prestes e onde se encontra um totem em homenagem a esse evento.[6] Este trem ficou conhecido como "Trenzinho de Santo Amaro" e o percurso todo era feito em uma hora e meia, mais ou menos.

SubdivisãoEditar

O município era composto desde 1841 pela freguesia de Itapecerica, desmembrada em 1877 para formar a vila de Itapecerica. Anos mais tarde denominada como município de Itapecerica da Serra, foi desmembrado nos atuais municípios de Taboão da Serra, em 1959; Embu das Artes, em 1959; Juquitiba, em 1964; Embu-Guaçu, em 1965 e São Lourenço da Serra, em 1991.

A partir de 1877, Santo Amaro passou a abranger o território correspondente às atuais regiões administrativas da Zona Sul de São Paulo e partes da Zona Centro-Sul de São Paulo. A sede do município localizava-se onde hoje é o distrito de Santo Amaro.

Santo Amaro na Revolução ConstitucionalistaEditar

A Revolução Constitucionalista de 1932, ou Guerra Paulista, foi o movimento armado ocorrido na Segunda República Brasileira, especificamente em São Paulo, estado de Maracaju (atual Mato Grosso do Sul) e Rio Grande do Sul entre 9 de julho e 2 de outubro de 1932, naquele ano era, também, o ano do primeiro centenário da emancipação de Santo Amaro. Sob a coordenação de uma comissão, previamente eleita, os santamarenses, orgulhosos de seu município, haviam organizado para aquele ano uma série de festividades alusivas ao evento, sendo que o seu ponto alto seria uma Missa Campal.

Eclode na capital, São Paulo, o Movimento M.M.D.C. e, no dia e hora programados, com a praça repleta de devotos santamarenses, estava aquela missa em andamento, quando, por ocasião do ofertório, explodiram três morteiros, sendo que um deles abriu-se no espaço e desfraldou uma bandeira paulista.

Aquela bandeira, pirotecnicamente desfraldada, deixou a multidão eletrizada pela lembrança do momento que o estado de São Paulo vivia.

Então, logo após terminar a missa, a comissão decide aderir àquele movimento e, poucos dias depois, junto com outros santamarenses, dirige-se ao município de São Paulo onde são todos recebidos pelo então Coronel Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho.

Nesta audiência, ao ver o entusiasmo daqueles destemidos santamarenses, o Cel. Euclides pergunta-lhes: "O que vocês querem?".

Em "resposta uníssona" ele ouve: "Queremos armas e munição". Emocionado, o coronel pensa apenas um instante e diz: "Neste momento está organizada a Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro".

Foi assim, desta forma, que a festa comemorativa do primeiro centenário do município de Santo Amaro foi substituída por um ato de bravura em favor de uma causa nobre pela liberdade dos paulistas.

A partir dai, um grande número de voluntários santamarenses (capelão, médicos, engenheiros, operários, funcionários públicos, etc.) alistam-se e juntam-se a Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro.[7]

ExtinçãoEditar

Após 103 anos de emancipação, em 22 de fevereiro de 1935, o interventor federal em São Paulo, Armando Sales de Oliveira, resolveu anexar Santo Amaro ao município de São Paulo.[8]

Posteriormente, já incorporada ao município de São Paulo, a mesma área do antigo município foi subdividida entre vários distritos da Zona Sul e Centro-Sul de São Paulo.

Muito do que foi dito até aqui está registrado em um mosaico que foi construído, em 1962, junto à estátua que homenageia o bandeirante Manuel de Borba Gato, defensor dos paulistas e de indígenas em eventos, um deles sendo a Guerra dos Emboabas. Esta exótica obra do escultor santamarense, Julio Guerra, está situada na atual Avenida Santo Amaro e é ponto de referência não só da avenida quanto do bairro.[9]

Referências

  1. «Santo Amaro preserva passado independente - Morar | Sobretudo Folha». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 31 de dezembro de 2021 
  2. Abroliveira (11 de fevereiro de 2016). «A curiosa história do município de Santo Amaro e sua relação com SP». SP In Foco. Consultado em 31 de dezembro de 2021 
  3. «Itapecerica da Serra». www.agendis.org.br. Consultado em 31 de dezembro de 2021 
  4. «Imagem de Santo Amaro é preservada desde 1552 em igreja - Notícias - Vila Mariana/Campo Belo | Folha». temas.folha.uol.com.br. Consultado em 11 de janeiro de 2022 
  5. Marcílio, Maria Luiza (2014). A cidade de São Paulo: povoamento e população: 1750-1850 -com base nos registros paroquiais e nos recenseamentos antigos. São Paulo: [s.n.] p. 41 
  6. «Santo Amaro: eixo histórico dos transportes, trem, bonde e metrô, no mesmo itinerário :: São Paulo - Minha Cidade». saopaulominhacidade.com.br. Consultado em 6 de janeiro de 2022 
  7. «A História da Colônia Alemã em Santo Amaro Redação e pesquisas». www.sampaonline.com.br. Consultado em 6 de janeiro de 2022 
  8. «Decreto n° 6.983, de 22/02/1935». www.al.sp.gov.br. Consultado em 6 de janeiro de 2022 
  9. «A História da Colônia Alemã em Santo Amaro Redação e pesquisas». www.sampaonline.com.br. Consultado em 6 de janeiro de 2022