Santuário de Santa Maria da Cruz

O Santuário de Santa Maria da Cruz (em italiano: Santuario di Santa Maria della Croce) é uma basílica menor que se encontra em Crema, comuna da Itália localizada na província de Cremona.

Santuário de Santa Maria da Cruz
O Santuário de Santa Maria da Cruz, em Crema, Italia
Construção 1490
Diocese Diocese de Crema
Geografia
País Itália
Local Crema,  Itália
Coordenadas 45° 22' 31" N 9° 41' 52" E

Situada na Diocese de Crema, fica a um quilômetro do centro da cidade, na Strada Statale 591, no caminho para Bergamo.

HistóriaEditar

Em 13 de fevereiro de 1489, Caterina degli Uberti, de uma família tradicional de Crema, casou com Bartolomeo Pederbelli, vulgo Contaglio, malfeitor de Bergamo e bandido da sua terra, que ocultou o seu passado criminal à sua esposa.

No ano a seguir, o relacionamento com a família da noiva não foi fácil, pois ele nunca pagou o dote.

Em 2 de abril de 1490, Contaglio convenceu (ou mesmo obrigou) Caterina a segui-lo na sua viagem de regresso a Bergamo, para a casa da família dele. Logo fora da cidade de Crema, em vez de pegar o caminho para Bergamo (a atual Via Mulini), o homem dirigiu-se para um pequeno bosque chamado Novelletto. Ali, esfaqueou com espada e faca a sua esposa, tanto que cortou a mão direita e uma parte do braço.[1] De tanta violência, a espada quebrou-se, e ele fugiu com a mochila da mulher[1] e quatro anéis de ouro. Depois desse crime, não se soube mais nada dele.

Caterina pediu socorro à Nossa Senhora para receber os sacramentos; foi naquele momento que apareceu uma mulher vestida com roupa pobre que disse-lhe: "Eu sou aquela que tu chamastes..." e as hemorragias logo pararam; mas, como as portas da cidade estavam já fechadas, a mulher deixou Caterina a convalescer na casa de um camponês. Na manhã seguinte, consultaram um médico e depois Caterina foi interrogada pelo Juíz do Malefício (magistrado veneto), e em seguida um padre chamado Filippo, da paróquia de São Bento, administrou-lhe os sacramentos. Foi naquele momento que as hemorragias recomeçaram e Caterina faleceu.

Os primeiros milagresEditar

No lugar onde Caterina foi esfaquiada foi colocada uma Cruz, e um mês depois, em 3 de maio, um rapaz[2] com graves problemas num pé que não lhe permitiam caminhar, foi levado ao Novelletto. Depois das orações, começou a caminhar autonomamente: foi o primeiro milagre e as crónicas dizem que no mesmo dia aconteceram outros 40.

Em 4 de maio, foi feita uma procissão solene ao bairro Novelletto, e foi construído um pequeno altar onde foi colocada a Madonna col Bambino, doada pelo milanês Gianfranco Cotta. Em 5 de maio, muitos têem visto a Madonna chorar e naquele dia aconteceram cerca de 80 curas milagrosas. O Conselho da Cidade decretou a construção de um edifício no lugar onde Nossa Senhora apareceu. As crônicas relatam outras curas milagrosas em 18 de maio e 2 de junho.

O círculo luminosoEditar

O podestà veneto de Crema, Nicolò Priuli, nunca confiou nos milagres e temia problemas de ordem pública. Em 18 de junho foi ao Novelletto pessoalmente e assistiu ao milagre do círculo luminoso: ao redor do Sol apareceu um círculo que parecia cair na terra por três vezes. Desde aquele momento, o podestà tornou-se num dos promotores da construção do santuário.

ArquiteturaEditar

 
Caterina degli Ubaldi, ferida e socorrida por Nossa Senhora. Grupo em argila queimada na cripta (scurólo) do santuário.

Para a construção foi chamado o arquiteto lodigiano Giovanni Battagio, discípulo de Donato Bramante, que desenhou um edifício em estilo moderno a partir do plano de cruz grega: um corpo central de cerca de 35 metros, circular e octogonal dentro e fora, ao qual se juntam quatro pequenos corpos laterais de cerca de 15 metros de altura. Todo o edifício está em tijolos à vista.[3]

Altar e criptaEditar

O corpo oriental é colocado em dois níveis: no superior encontra-se o altar-mor, que chegou do duomo de Crema: pode-se chegar subindo duas escadas de mármore vermelho de Verona. O tabernáculo é em bronze dourado.

Acima da parede encontra-se a grande pintura da Assunção de Benedetto Rusconi, vulgo o Diana, num quadro de Giacomo de Marchi e dourada por Nicolò Salserio Bianchi, Tommaso e Vincenzo Civerchio. O topo em madeira foi pintado pelo mesmo Diana e representa Deus Pai.

Na decoração geral do presbitério tem quatro bustos dos Doutores da Igreja (Santo Ambrósio, São Jerónimo, Santo Agostinho e São Gregório Mágno), provavelmente de Agostino de Fondulis.

 
A deposição de Jesus de Bernardino Campi

No nível inferior, encontra-se a pequena cripta (ou scurolo), retangular, com voltas pintadas com os apóstolos. O altar é do padova Pietro Danieletti e é de 1750. No fundo tem uma Edícula representando o milagre: Nossa Senhora aparece e socorre Caterina, no centro a mão amputada da mulher e a cópia da espada do marido.

DeposiçãoEditar

Num altar lateral merece consideração a deposição e a Adoração dos Magos de Bernardino Campi.

BibliografiaEditar

  • Silvio della Noce, Sul prodigioso movimento degli occhi dell’Immagine Ave Regina Cœlorum posta nel Santuario di S. Maria della Croce presso Crema, Milano, Tip. Osservatore Cattolico, 1870, ISBN não disponível
  • Angelo Zavaglio, Terre Nostre, Arti Grafiche di Crema, Crema, 1980, ISBN não disponível
  • Tommaso Ronna, Storia della Chiesa di Santa Maria della Croce eretta fuori della R. Città di Crema, Milano, 1825, Ristampa anastatica della Editrice Turris di Cremona, Anno 1987, ISBN não disponível
  • AA.VV., Itinerari di fede tra Adda, Oglio e Po, Arti Grafiche Rossi, Soresina, 1994, ISBN não disponível - Scheda del santuario ad opera di Cesare Alpini
  • Fabrizio Loffi, S. Maria, il restauro compie cent'anni, in La Cronaca, 26 ottobre 2003
  • Giorgio Zucchelli, S. Maria della Croce, editrice Il Nuovo Torrazzo, Crema, 2003, ISBN não disponível
  • Gruppo Antropologico Cremasco, I campanili della Diocesi di Crema, Leva Artigrafiche, Crema, 2009, ISBN não disponível

Outras imagensEditar

Referências

  1. a b Veja-se, o documento Sentenza Criminale como Copia tratta dal Registro delle Sentenze Criminali del 1490 nella Cancell.a (Cancelleria) Pretoria di Crema escrito em lingua latina, trazido por Tommaso Ronna no livro: Storia della Chiesa di Santa Maria della Croce eretta fuori della R. Città di Crema, Milano. 1825; sempre nesse livro, sobre o uso da faca, o autor escreve o relato de uma testemunha de 1490, André Robatto
  2. Tommaso Ronna diz: " ... ele tinha onze anos e era filho de Francesco Marazzo....."
  3. (em italiano) Vincenzo Maria Coronelli, Chiesa di santa Maria della Croce acquaforte, 1699; e também L. Mantovani; Zaninelli: Veduta del santuario di Santa Maria della Croce, 1835. Pinturas conservadas no Museu Cívico de Crema

Ligações externasEditar