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Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Sarah Winter, ou Sarah Wynter.
Sara Winter
Sara Winter durante a Comissão de Direitos Humanos e Legislação participativa segurando um rosário
Nome completo Sara Fernanda Giromini
Conhecido(a) por Protestos nus
Antifeminismo[1]
Nascimento 18 de junho de 1992 (27 anos)
São Carlos
Residência Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileira
Cônjuge Ítallo Marcel Bengaly
Filho(s) 1
Ocupação Secretária Nacional da Mulher
Religião Catolicismo[1]
Página oficial
sarawinter.com.br

Sara Winter (São Carlos, 18 de Junho de 1992) é uma youtuber, ex-feminista e política brasileira filiada ao Democratas[2] fundadora da variante brasileira do grupo feminista Femen, mas que após a segunda metade de 2013 atuou em um grupo próprio, o BastardXs.[3] A partir de 2015, passou a participar do "grupo Pró-Mulher", ao mesmo tempo em que começou a militar contra as pautas que outrora defendia, incluindo a construção social dos gêneros e o feminismo.[4] Foi candidata a deputada federal, pelo partido Democratas do Rio de Janeiro nas eleições parlamentares no Brasil em 2018, não conseguindo eleger-se.[5]

BiografiaEditar

Sara Fernanda Giromini[6] vivia com os pais na cidade de São Carlos, no interior do estado de São Paulo. Com histórico de violência familiar, Sara afirmou ter passado por vários tipos de abusos, inclusive sexuais. Foi prostituta, tendo trabalhado na prostituição durante dez meses.[7] De acordo com declarações dadas através de entrevistas, a paulista afirmou que ingressou nos movimentos feministas pois queria de alguma forma exterminar todo o tipo de violência contra a mulher.[8] Aos dezenove, com o intuito de se integrar e fundar uma célula do grupo antissexismo Femen no Brasil, ela viaja à cidade de Kiev a fim de receber treinamento e conhecer uma das líderes do grupo, Inna Shevchenko.[9] Ao retornar ao país em 2012, a ativista descreveu sua ideologia da seguinte maneira:[10]

Nossa ideologia é o sextremismo, uma forma de oposição ao machismo. E a nudez é usada pela sociedade patriarcal desde sempre, a mulher nua ou não vende todo tipo de produto. Já que somos mulheres, ao invés de vender produtos, vendemos ideias sociais. Como todo mundo gosta de olhar o corpo de uma mulher, usamos o nosso corpo para passar uma mensagem escrita no peito, um protesto.
 
Sara Winter, então líder do Femen Brasil.

O grupo sofreu uma reviravolta com o fechamento de sua filial brasileira menos de um ano depois de sua inauguração. Em nota oficial, a sede retirou o direito da líder brasileira Sara Winter de usar o nome Femen. Em maio de 2013 a ucraniana Alexandra Shevchenko, uma das fundadoras do Femen, afirmou que Sara já "não faz parte do nosso grupo, tivemos muitos problemas com ela. Ela não está pronta para ser líder".[11] A fundadora do grupo, Anna Hutsol, ameaçou ainda “revelar o real motivo que fez Sara entrar no Femen”.[12] Em represália, Sara teceu diversas críticas ao grupo, afirmando que tratava-se de uma empresa e uma ação de marketing ao invés de um movimento social legítimo,[13] dizendo ainda que as brasileiras jamais eram consultadas em relação às ações do grupo e que "já não tinham vontade nenhuma de serem representadas por elas".[14] A ex-número dois do grupo, Bruna Themis, também pronunciou-se criticamente em relação ao Femen em entrevista, acusando Sara de centralização, autoritarismo e simpatia ao nazismo.[12]

As declarações de Bruna repercutiram nas redes sociais, onde surgiram boatos de que Sara teria pertencido a um grupo neonazista durante a juventude em virtude de uma Cruz de Ferro tatuada em seu corpo. A ativista negou participação em tais grupos, porém reconheceu que manteve contato com neonazistas através da internet quando tinha cerca de 15 anos, e que realmente tinha algumas ideias similares às daquele movimento, porém afirmou que conforme foi crescendo teria percebido que aquele era um "pensamento muito errado".[15] Internautas chamaram atenção ao fato de que seu pseudônimo "Sara Winter" teria sido uma alusão à Sarah Winter, uma militante nazifascista na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial - o que foi classificado pela ativista como uma "triste coincidência". Por outro lado, ela abertamente declara-se admiradora de Plínio Salgado, fundador do partido da extrema-direita brasileiro inspirado no fascismo italiano, conhecido como Ação Integralista Brasileira durante a década de 1930 - avaliando que a referida personalidade política foi um "defensor do país".[15]

 
Na mesa, a partir da esquerda: a ativista Eloísa Machado de Almeida; a senadora mexicana Letícia Bonifaz; o presidente eventual da CDH, senador Magno Malta (PR-ES); a presidente do Centro de Reestruturação para a Vida - (Cervi), Rosemeire Santiago; a advogada e ativista Leila Linhares e Sara Winter (Brasília, 28 de Abril de 2016).

Em dezembro de 2013, apesar de ter em seu histórico um protesto contra alienação social causada pelo programa de televisão Big Brother Brasil, Sara foi candidata a uma vaga na edição de 2014 do programa.[16] Já no ano de 2014 ela abandonou completamente qualquer associação com quaisquer grupos feministas que outrora havia integrado, tendo inclusive publicado vídeos no YouTube onde pedia perdão aos cristãos por conta de seu comportamento diante daqueles grupos. Logo em seguida publicou um livro chamado "Vadia não! Sete vezes que fui traída pelo feminismo", onde detalhava experiências negativas que teve dentro do movimento.[17] Logo que a ativista tornou-se mãe de uma criança, revelou que já havia abortado sua primeira gestação mas que agora teria reformado suas posições sobre o aborto, tornando-se contrária a esta prática. Ela também abraçou o cristianismo, afirmando que pretende criar seu filho "com base nos Dez Mandamentos".[17]

A ex-feminista considera que sua página nas redes sociais vem tendo maior sucesso desde que abandonou os grupos "esquerdistas", e tem se sustentado através de palestras e venda de livros. Adicionalmente ela pretende capitalizar a partir de sua experiência, escrevendo um novo livro contando experiências de ex-feministas que saíram do movimento e foram perseguidas. Pretende também ingressar na carreira política, sonho que nutre desde criança.[17] Desde então, Sara Winter tem se relacionado com personalidades conservadoras da política brasileira, como Everaldo Dias Pereira, Marco Feliciano e Jair Bolsonaro, com quem anunciou uma parceria política em 2016 afirmando que irão lutar contra uma suposta inversão de valores na sociedade que seria provocada por movimentos sociais de esquerda tais como: feminismo, movimento negro, movimento LGBT e a ideologia de gênero.[18]

Esse é o movimento mais intolerante que eu já conheci na vida. Ele só dá suporte para mulheres que seguirem uma cartilha específica: tem que ser de esquerda, não pode ser cristã, não pode ser heterossexual e tem que começar a desconstruir a sua estética. Se a mulher alisa o cabelo, se pinta, usa salto alto, tem que parar. Muitas vezes tem que deixar os pêlos crescer. Algumas mulheres se sentem confortáveis assim, outras não. Mas se você fizer, vai ter mais voz dentro do movimento. Então eles desconstroem a sua estética, a sua crença, a sua orientação sexual, o seu posicionamento político.
 
Sara Winter em entrevista ao portal G1[1].

CríticasEditar

Grupos feministas nacionais e internacionais criticaram duramente as posições assumidas por Winter à frente do grupo, considerando que Sara não conhece com profundidade o feminismo e defende bandeiras contraditórias ou que não fazem sentido para a realidade brasileira.[19] A organização ucraniana do Femen chegou a afirmar que a brasileira “não respeitava a ideologia do grupo” e também a acusou de mentir e “fazer coisas desonestas”, como não realizar ações para as quais recebia dinheiro da Europa.[17]

Ver tambémEditar

BibliografiaEditar

Referências

  1. a b c 'Movimento mais intolerante que já conheci', diz ex-feminista Sara Winter. G1. Acesso em 26 Dez 2017.
  2. Araraquara, Fabio RodriguesDo G1 São Carlos e (21 de março de 2016). «'Movimento mais intolerante que já conheci', diz ex-feminista Sara Winter». São Carlos e Região. Consultado em 9 de fevereiro de 2019 
  3. «Ex-Femen fica noiva e funda grupo feminista que aceita homens», Folha da manhã, Folha, 2013 jun 12  Verifique data em: |data= (ajuda).
  4. Carmadélio (2015 out 23), Feminista Sara Winter muda de opinião (blogue), Com shalom  Verifique data em: |data= (ajuda).
  5. Eleições 2018 - Candidatos a deputado federal do Rio de Janeiro. Acessado em 02/10/2018.
  6. «Feminista, ativista e com muita polêmica», Estadão .
  7. «Candidata ao "BBB14": Sara Winter». Sara Winter. UOL. Consultado em 29 de junho de 2017 
  8. «Líder feminista tem cruz de ferro tatuada e diz ter sido prostituta», Folha, F5 .
  9. «O seio não é um objeto sexual, é uma arma de protesto», Abril, Veja (entrevista) .
  10. «"Temos cérebro, além de peito", diz primeira brasileira no Femen no Dia da Mulher», UOL, Notícias, 2013 mar 8  Verifique data em: |data= (ajuda)
  11. «"Femen Brasil não existe mais", diz líder ucraniana; Sara Winter afirma que grupo continuará», UOL, Notícias, 2013 mai 18  Verifique data em: |data= (ajuda).
  12. a b «Femen Brazil não tem propostas feministas, acusa ex-número 2 do grupo». Opera Mundi. 18 de setembro de 2012. Consultado em 8 de julho de 2013 
  13. «"Femen é uma empresa, não um movimento social", diz ex-líder do grupo no Brasil». Brasil de Fato. 4 de junho de 2013. Consultado em 8 de julho de 2013 
  14. «Após romper com Femen da Ucrânia, Sara Winter busca grupo antiviolência», Globo, G1, 2013 mai  Verifique data em: |data= (ajuda).
  15. a b «Acusada de ser nazista, líder do Femen se diz ameaçada», Folha da manhã, Folha .
  16. «Depois de protestar contra BBB, ex-ativista do Femen se inscreve no programa», Revista Forum (blogue), 2013 dez  Verifique data em: |data= (ajuda).
  17. a b c d Rodrigues, Fábio (21 de março de 2016). «'Movimento mais intolerante que já conheci', diz ex-feminista Sara Winter». Notícias. UOL. Consultado em 19 de maio de 2016 
  18. «"Ex-feminista" anuncia parceria política com Bolsonaro», Revista Exame (blogue), 2013 dez  Verifique data em: |data= (ajuda).
  19. Alessi, Gil (18 de maio de 2013). «"Femen Brasil não existe mais", diz líder ucraniana; Sara Winter afirma que grupo continuará». Notícias. UOL. Consultado em 12 de dezembro de 2015 

Ligações externasEditar