Seega (jogo)

Jogo de tabuleiro egípcio

Seega é um jogo de estratégia abstrato originário do Egito. Ele pode ser jogado em tabuleiros com casas na disposição 5x5, 7x7 ou 9x9. Outros nomes para o jogo incluem Seejeh, Siga, Sidjah.[2]

Seega
Tabuleiro de Seega ao final da fase de posicionamento das peças
N.º de jogadores Dois
Faixa etária A partir de 10 anos[1]

O tabuleiro começa vazio, e os jogadores revezam colocando duas peças cada, exceto na casa central. Então, os jogadores movimentam suas peças, tentando cercar as peças do adversário para removê-las.

O jogo já foi descrito na literatura pelo menos desde 1836.[3]

RegrasEditar

O jogo é jogado por dois jogadores, um com peças claras e o outro com peças escuras. Ambos têm a mesma quantidade de peças, igual a metade do número de casas no tabuleiro menos uma casa. Portanto, se o tabuleiro tiver 25 casas, cada jogador tem 12 peças. Se o tabuleiro tiver 49 casas, cada jogador tem 24 peças. Alguns tabuleiros de Seega possuem um X ou outra marca na casa central.

Semelhante ao Yoté, o tabuleiro de Seega começa vazio, e os jogadores devem colocar suas peças onde quiserem.

O jogo tem duas etapas. Na primeira etapa, de posicionamento, os jogadores colocam as suas peças nas casas do tabuleiro, sendo proibido colocar uma peça na casa central. No seu turno, o jogador 1 deve colocar duas peças em casas vazias do tabuleiro. Em seguida, o jogador 2 deve fazer o mesmo. Os jogadores alternam o turno, colocando duas peças cada vez, até completar a colocação das peças.

Na segunda etapa, de movimentação, os jogadores movem suas peças e capturam as peças do adversário. A primeira jogada do jogador 1 deve ser mover uma peça para a casa central do tabuleiro. As peças podem ser movidas apenas uma casa por vez, e apenas na horizontal ou diagonal, sem pular nenhuma peça.

Para capturar uma peça do adversário, o jogador deve mover uma de suas peças de tal maneira que uma peça do adversário fique "cercada" em um sentido (vertical ou horizontal). Por exemplo, se a movimentação de uma peça preta fizer com que uma peça branca tenha uma peça preta abaixo e acima dela (ou seja, a peça que acabou de ser movida e mais uma), ela será removida. O mesmo acontece se a peça branca tiver uma peça preta à direita e à esquerda dela. Se um jogador colocar a sua própria peça entre duas peças do adversário, nada acontece: capturas só podem ocorrer quando um jogador cerca as peças do adversário.

Após capturar uma peça do adversário, é permitido mexer novamente (a mesma peça ou outra) e realizar a captura de mais uma peça adversária, sucessivamente quantas vezes for possível.[2][4][3]

VariantesEditar

Há diversas regras que descrevem o que ocorre se não for possível mover uma peça. Em uma variante, se um jogador não puder fazer nenhum movimento, ele passa a vez, e o adversário se move novamente.[5] Em outra, o jogador que não conseguir se mover pode obrigar seu adversário a remover uma das próprias peças de tal maneira que o jogador possa fazer seu movimento.[3] Em outra, o jogador que não conseguir mover suas peças perde o jogo, exceto se isso ocorrer logo após a primeira jogada do jogador 1. Ou seja, se após o jogador 1 se mover o jogador 2 ficar sem movimentos, o jogador 1 deve remover uma de suas peças adjacentes à peça que acabou de ser movida para que o jogador 2 possa se mexer.[2][6] Em outra variante, nessa situação é o jogador 2 que escolhe qual peça do jogador 1 será removida.[4]

Em algumas versões, perde o jogador que ficar com apenas uma peça no tabuleiro. Em outras o jogo só acaba quando um jogador perder todas as suas peças.[4]

Há variantes em que as peças podem se mover na diagonal.[carece de fontes?]

HistóriaEditar

 
Desenho de tabuleiro de "khamsáwee seega" no livro de Lane. Segundo ele, o primeiro jogador deve fazer sua primeira jogada colocando peças nas casas demarcadas "a", e o segundo nas casas demarcadas "b". As jogadas seguintes são livres

O livro An Account Of The Manners And Customs Of The Modern Egyptians (1ª edição de 1936) de Edward William Lane menciona o jogo. Segundo ele, o jogo no tabuleiiro de 5x5 é o "khamsáwee seega", no tabuleiro de 7x7 é o "seb'áwee", e no tabuleiro de 9x9 é o "tisáwee". A primeira jogada de cada jogador é pré-determinada, como descrito na imagem.[3] O jogo de Seega não deve ser confundido com o tabuleiro do jogo "táb", que é chamado de seega e tem quatro fileiras de nove a quinze casas.[3]

Outro registro antigo do jogo de Seega na literatura é de 1890, publicado no Journal of American Folk-Lore. No artigo, H. Carrington Bolton relata estar acampado no Monte Sinai e assistir egípcios e beduinos jogando em buracos na areia. Bolton descreve as variantes com tabuleiros de 5x5, 7x7 ou 9x9 casas. Segundo ele, o jogo era chamado de "seegà", e as peças "kelb". O artigo relata ainda um jogo que Bolton teve com um amigo, descrito com uma notação algébrica semelhante à do xadrez, e descreve alguns aspectos da estratégia do jogo.[6] Segundo Bolton, um conhecido relata ter visto referência ao jogo em um escrito de 1694, e conclui que o jogo deve ser ainda mais antigo. Bolton também menciona conhecer o livro de Lane.[6]

Ver tambémEditar

 
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Sidjah

Referências

  1. Eric Mortensen (3 de maio de 2017). «Seejeh (AKA Seega) Board Game Review and Rules» 
  2. a b c Aljaafreh, Ahmad; Al-Oudat, Naeem (2019). «Development of a Computer Player for Seejeh (A.K.A Seega, Siga, Kharbga) Board Game with Deep Reinforcement Learning». Procedia Computer Science: 241–247. ISSN 1877-0509. doi:10.1016/j.procs.2019.09.463. Consultado em 20 de janeiro de 2021 
  3. a b c d e Lane, Edward William (1842). An Account of the Manners and Customs of the Modern Egyptians. Written In Egypt During the Years 1833—1835 3 ed. London; New York; Melbourne: Ward, Lock and Co. pp. 320–321 
  4. a b c Fouze, Abu Qouder; Amit, Miriam (19 de novembro de 2017). «Development of Mathematical Thinking through Integration of Ethnomathematic Folklore Game in Math Instruction». EURASIA Journal of Mathematics, Science and Technology Education (2). doi:10.12973/ejmste/80626. Consultado em 20 de janeiro de 2021 
  5. Pritchard, D. Brine (David Brine) (1994). The family book of games. Internet Archive. [S.l.]: London? : Brockhampton Press. p. 12 
  6. a b c Bolton, H. Carrington (1890). «Seegà, an Egyptian Game». The Journal of American Folklore (9): 132–134. ISSN 0021-8715. doi:10.2307/534200. Consultado em 20 de janeiro de 2021