Segunda Guerra Púnica

(Redirecionado de Segunda guerra púnica)

A Segunda Guerra Púnica foi a segunda de três guerras travadas entre Roma e Cartago, as duas principais potências do Mediterrâneo Ocidental no início do século III a.C.. As duas lutaram por supremacia durante dezessete anos, principalmente na Itália e Ibéria, mas também na Sicília, Sardenha e Norte da África. Os cartagineses foram derrotados depois de perdas imensas em ambos os lados. Macedônia, Siracusa e vários reinos númidas também envolveram-se na guerra, com forças ibérias e gauleses lutando em ambos os lados. Houve três teatros de operações principais: na Itália, onde Aníbal derrotou os romanos repetidas vezes, com ocasionais campanhas subsidiárias na Sicília, Sardenha e Macedônia; na Ibéria, onde Asdrúbal, irmão de Aníbal, defendeu as cidades coloniais cartaginesas com resultados mistos até seguir para a Itália; e no Norte da África, onde Cipião Africano finalmente conquistou a vitória para Roma.

Segunda Guerra Púnica
Parte das Guerras Púnicas
Map of Rome and Carthage at the start of the Second Punic War-pt.svg
O Mediterrâneo Ocidental antes do início da guerra em 218 a.C.. Roma está em vermelho e Cartago em azul.
Data 218 a.C. até 201 a.C.
Local Itália, Ibéria, Sicília, Sardenha, Macedônia
e Norte da África
Desfecho Vitória romana
Mudanças territoriais Roma anexa a Ibéria Cartaginense;
Territórios africanos cartaginenses reduzidos
Beligerantes
Roma
Numídia Oriental
Siracusa (218–215 a.C.)
e outros
Cartago
Siracusa (214–212 a.C.)
Numídia Ocidental
e outros
Comandantes
Cipião Africano
Fábio Máximo
Públio Cornélio Cipião 
Marco Cláudio Marcelo
e muitos outros
Aníbal
Asdrúbal 
Magão 
e muitos outros

A Primeira Guerra Púnica tinha terminado em 241 a.C. com uma vitória romana após 23 anos e perdas enormes para ambos os lados. Cartago expandiu seus domínios na Ibéria após o conflito, onde em 219 a.C. um exército sob o comando de Aníbal cercou, capturou e saqueou a cidade pró-romana de Sagunto. Roma declarou guerra no início de 218 a.C., com Aníbal surpreendendo-os mais tarde no mesmo ano ao marchar seu exército pela Ibéria, através da Gália e sobre os Alpes até a Gália Cisalpina. Ele obteve vitórias esmagadoras nas batalhas de Trébia e Lago Trasimeno. Aníbal seguiu para o sul da Itália em 216 a.C. e derrotou os romanos novamente na Batalha de Canas, onde aniquilou o maior exército que os romanos já tinham formado. Vários dos aliados itálicos de Roma, notavelmente Cápua, deserdaram para os cartagineses, dando a Aníbal controle de boa parte do sul da Itália. Os cartagineses tentaram conquistar a Sicília e Sardenha entre 215 e 210 a.C., mas sem sucesso. Os romanos foram tomando medidas cada vez mais drásticas para formaram mais legiões e combater Aníbal, incluindo convocar escravos, criminosos e aqueles que não se enquadravam nas qualificações normais; isto aumentou em muito o número de homens que tinham a disposição. A guerra no sul da Itália prosseguiu pela década seguinte, com os romanos lentamente recapturando a maioria das cidades que tinham perdido.

Os romanos estabeleceram uma base militar no nordeste da Ibéria em 218 a.C.; os cartagineses a atacaram várias vezes, porém falharam em destruí-la. Roma partiu para a ofensiva na Ibéria em 211 a.C. e foram derrotados, mas conseguiram manter seu controle do nordeste. O novo comandante romano Cipião Africano capturou Nova Cartago em 209 a.C., a principal base cartaginesa na península. No ano seguinte ele derrotou Asdrúbal, porém este conseguiu recuar a maioria de suas tropas para a Gália Cisalpina em 207 a.C.. Esta nova força de invasão foi depois derrotada na Batalha do Metauro. Cipião encerrou por completo a presença cartaginesa na Ibéria em 206 a.C. após vencer a Batalha de Ilipa.

Cipião invadiu a África Cartaginesa em 204 a.C., forçando o Senado Cartaginês convocar Aníbal de volta. O último confronto da guerra ocorreu entre as forças de Cipião e Aníbal na Batalha de Zama em 202 a.C., onde Aníbal foi derrotado e Cartago pediu por paz. O tratado de paz ditado por Roma destituiu os cartagineses de todos os seus territórios de além-mar e alguns de seus africanos também. Uma indenização de dez mil talentos de prata foi imposta. Cartago foi proibida de guerrear fora da África e na África apenas com permissão romana. Desse momento em diante ficou claro que Cartago estava politicamente subordinada à Roma. Esta usou atividades militares cartaginesas contra os númidas como pretexto para declarar guerra novamente em 149 a.C., iniciando a Terceira Guerra Púnica. Os romanos invadiram a cidade de Cartago em 146 a.C. e a saquearam, chacinando a maioria de sua população e demolindo-a por completo.

Fontes primáriasEditar

 
Estela de Políbio, historiador grego

A fonte mais confiável sobre a Segunda Guerra Púnica[nota 1] é o historiador Políbio, um grego enviado a Roma em 167 a.C. originalmente como um refém.[2] Ele é mais conhecido por Histórias, escrito em algum momento após 146 a.C..[2][3] O trabalho de Políbio é considerado pelos historiadores modernos como sendo amplamente objetivo e em sua maior parte neutro entre os pontos de vista romano e cartaginês.[4][5] Políbio era um historiador analítico e sempre que possível entrevistou participantes, de os ambos os lados, dos eventos que escreveu a respeito.[2][6][7] Historiadores modernos consideram que Políbio tratou os parentes de Cipião Emiliano, seu patrono e amigo, de forma indevidamente favorável, mas o consenso moderno é aceitar seu relato como está escrito na maioria das vezes.[2][8] O historiador moderno Andrew Curry considera que "Políbio acaba sendo bem confiável",[9] enquanto Craige Champion o descreve como "um historiador notavelmente bem informado, trabalhador e perspicaz".[10]

Boa parte do relato de Políbio sobre a Segunda Guerra Púnica está faltando após 216 a.C., ou existe apenas de forma fragmentária. Assim sendo, a principal fonte para o restante da guerra é o relato do historiador romano Lívio. Este é normalmente usado pelos historiadores modernos onde o relato de Políbio é inexistente. Lívio muito se baseou em Políbio, mas escreveu de uma forma mais estruturada e com mais detalhes sobre a política romana; era também abertamente pró-romano.[11][12][13] Seus relatos sobre encontros militares são frequente e comprovadamente imprecisos; o classicista Adrian Goldsworthy disse que a confiabilidade de Lívio "é muitas vezes suspeita",[14] já o historiador Phillip Sabin se referiu à "ignorância militar" de Lívio.[15]

Existem outras histórias posteriores sobre a guerra, porém são fragmentárias ou resumidas.[16] Historiadores modernos geralmente levam em conta escritos de Diodoro Sículo e Cássio Dião, dois autores gregos da era romana; John Lazenby os descreveu como "claramente inferiores" a Lívio, mas alguns fragmentos de Políbio mesmo assim podem ser recuperados desses textos.[2][11] O grego Plutarco escreveu várias biografias de comandantes romanos em seu Vidas Paralelas.[17] Outras fontes incluem moedas, inscrições, evidências arqueológicas e evidências empíricas vindas de reconstruções.[18]

ExércitosEditar

 Ver artigos principais: Exército romano e Exército de Cartago

A maioria dos cidadãos romanos homens adultos eram elegíveis para o serviço militar e serviriam na infantaria, com a minoria equestres mais rica proporcionando o componente da cavalaria. Os romanos tradicionalmente levantavam duas legiões, cada uma com uma cavalaria de trezentos homens e uma infantaria de 4,2 mil homens.[nota 2] Aproximadamente 1,2 mil soldados de infantaria, que eram homens mais pobres e jovens incapazes de pagar pela armadura e equipamentos de um legionário padrão, serviam como escaramuçadores armados com lanças de arremesso, conhecidos como vélites. Eles carregavam várias lanças, que poderiam ser arremessadas a distância em combate, também levando uma mais uma espada curta e um escudo de noventa centímetros.[21] O resto eram equipados como infantaria pesada com armadura, escudo grande e espada curta. Eles eram divididos em três classes, com a primeira também carregando duas lanças de arremesso e as outras duas levando uma lança comum. Duas subunidades de legionários e legionários individuais lutavam em ordem relativamente aberta. Um exército era geralmente formado pela junção de uma legião romana com uma legião de tamanho e equipamentos similares enviada por um de seus aliados latinos; estas legiões geralmente tinham um componente de cavalaria maior que o das romanas.[22][23][24]

Cidadãos cartagineses serviam no exército apenas se houvesse uma ameaça direta à própria cidade de Cartago.[25][26] Quando serviam, lutavam em unidades de infantaria bem protegidas armadas com lanças longas, porém eram notoriamente mal treinados e disciplinados. Os cartagineses na maioria das vezes recrutavam estrangeiros para seu exército.[nota 3] Muitos vinham de diferentes regiões do Norte da África e eram frequentemente chamados de "líbios". A região proporcionava vários tipos de lutadores, incluindo: infantaria de ordem cerrada equipadas com escudos grandes, capacetes, espadas curtas e lanças longas; escaramuçadores de infantaria leve armados com lanças de arremesso; cavalaria de choque de ordem cerrada carregando lanças;[nota 4] e uma cavalaria leve de escaramuçadores, geralmente númidas, que usavam lanças de arremesso à distância e evitavam combate próximo.[29][30] A infantaria líbia e a milícia cidadã lutavam em uma formação cerrada conhecida como falange.[31] Em certas ocasiões a infantaria usava armaduras romanas capturadas, especialmente entre as tropas de Aníbal.[32] Tanto a Ibéria quanto a Gália proporcionavam uma infantaria experiente, com tropas desprotegidas que atacavam ferozmente, mas que tinham a reputação de fugirem caso o combate se estendesse muito.[29][33] A cavalaria gaulesa, e possivelmente outros iberos, usavam armadura e lutavam como tropas de ordem cerrada; a maioria ou todos os iberos montados eram de cavalaria leve.[34] Fundibulários especialistas eram recrutados das Ilhas Baleares.[35][36] Os cartagineses também empregavam elefantes de guerra; o Norte da África na época tinha elefantes-da-floresta nativos.[33][37][nota 5]

Deveres de guarnição e bloqueios terrestres eram as operações mais comuns.[39][40] Ataques surpresa, emboscadas e estratagemas eram comuns quando exércitos estavam em campanha.[41][42] Batalhas mais formais eram usualmente precedidas pelos dois exércitos acampando entre dois a doze quilômetros um do outro por dias ou semanas, chegando algumas vezes a entrarem em ordem de batalha diariamente. Eles poderiam marchar para longe se um dos comandantes achasse que estava em desvantagem. Forçar uma batalha era difícil em tais circunstâncias caso o comandante oponente não estivesse disposto.[43][44] Formar uma ordem de batalha era uma questão complicada e premeditada, o que demorava várias horas. A infantaria geralmente era posicionada no centro da linha de batalha, com os escaramuçadores da infantaria leve na sua frente e a cavalaria nos flancos.[45] Muitas batalhas eram decididas quando uma das forças de infantaria era atacada no flanco ou na retaguarda e era parcial ou totalmente cercada.[41][46]

Ambos os estados possuíam grandes frotas no decorrer de toda a guerra. Entretanto, a frota cartaginesa raramente foi colocada no mar, sendo usada usualmente apenas apenas para escoltar transportes de tropas. Ela raramente agiu de forma agressiva, o que deu aos romanos a superioridade naval pela duração da guerra.[47]

AntecedentesEditar

 
Territórios controlados por Roma e Cartago antes do início da Primeira Guerra Púnica

A República Romana estava expandindo-se agressivamente no sul da península Itálica no século que precedeu à Primeira Guerra Púnica.[48] Ela já tinha conquistado toda a península ao sul do rio Arno até 272 a.C. quando cidades gregas na Magna Grécia se renderam ao final da Guerra Pírrica.[49] Durante esse período, Cartago tinha dominado o sul da Ibéria, boa parte das regiões litorâneas no Norte da África, Ilhas Baleares, Córsega, Sardenha e a metade ocidental da Sicília.[50] Por volta de 264 a.C., Cartago era a potência externa dominante na Sicília, enquanto Roma e Cartago eram as principais potências do Mediterrâneo Ocidental.[51] As relações entre ambos eram boas e os dois estados já tinham declarado sua amizade mútua, além de possuírem boas conexões comerciais.[52][53] Segundo o classicista Richard Miles, a atitude expansionista romana depois de conquistar o sul da Itália, combinada com a abordagem proprietária cartaginesa sobre a Sicília, fez com que as duas potências entrassem em conflito mais por acidente do que por planejamento.[54] A causa imediata da Primeira Guerra Púnica foi o controle da cidade-Estado siciliana independente de Messana.[55] A guerra entre os dois começou em 264 a.C..[56]

A guerra foi travada principalmente na Sicília e nas águas ao redor; os romanos também tentaram invadir o Norte da África em 256 a.C., mas fracassaram.[57] Foi o mais longo conflito e a maior guerra naval da história da Antiguidade, com enormes perdas materiais e humanas para ambos os lados. Os cartagineses foram derrotados em 241 a.C. após 23 anos de guerra.[58][59] Cartago, sob o Tratado de Lutácio, ditado pelos romanos, concedeu suas possessões na Sicília para Roma.[60] Esta explorou a distração cartaginesa durante a Guerra dos Mercenários contra soldados revoltosos e assentamentos norte-africanos para quebrar o tratado de paz e anexar as ilhas cartaginesas de Córsega e Sardenha em 237 a.C..[61][62] Cartago, sob a liderança de Amílcar Barca, derrotou os rebeldes no mesmo ano.[63][64]

 
Quarto-xéquel cartaginês de 237–209 a.C., mostrando o deus Melcarte. No reverso está um elefante, possivelmente um elefante de guerra, que era conectado aos Barca.[65]

Amílcar, tendo subjugado a revolta, compreendeu que Cartago precisava fortalecer sua economia e bases militares caso quisesse enfrentar Roma novamente.[66] As possessões cartagineses na Ibéria eram na época limitadas a algumas cidades litorâneas prósperas no sul.[67] Amílcar levou o exército que tinha liderado na Guerra dos Mercenários para a Ibéria em 237 a.C. e criou um estado autônomo quase monárquico nas regiões sul e leste.[68] Isto deu à Cartago minas de prata, riqueza agrícola, recursos humanos, instalações militares como estaleiros e territórios para resistir com confiança a quaisquer exigências romanas futuras.[69][70] Amílcar governou como um vice-rei e foi sucedido por Asdrúbal, seu genro, em 229 a.C.,[71] então por seu filho Aníbal em 221 a.C..[72] O Tratado de Ebro foi assinado com Roma em 226 a.C., especificando o rio Ebro como a fronteira norte da esfera de influência cartaginesa. Em algum momento nos seis anos seguintes Roma fez um acordo separado com a cidade de Sagunto, que ficava situada bem ao sul do Ebro.[73] Um exército cartaginês sob o comando de Aníbal cercou Sagunto em 219 a.C., capturando-a e saqueando-a depois de oito meses.[74][75] Roma reclamou com o governo cartaginês, enviando uma embaixada ao seu senado com exigências peremptórias. Estas foram recusadas e Roma declarou guerra em meados de 218 a.C..[75]

Roma também esteve se expandindo desde o final da Primeira Guerra Púnica, especialmente na área ao norte da Itália nas duas margens do rio Pó, conhecida como Gália Cisalpina. As tentativas romanas de estabelecer cidades e fazendas na região a partir de 232 a.C. levou a repetidas guerras contra as tribos gaulesas locais, que foram finalmente derrotadas em 222 a.C.. Os romanos foram ainda mais para o norte quatro anos depois, estabelecendo duas novas cidades, ou "colônias", ao longo do Pó e apropriando grandes áreas das melhores terras. A maioria dos gauleses guardou um enorme ressentimento por essa intrusão.[76]

GuerraEditar

ItáliaEditar

Aníbal atravessa os AlpesEditar

 Ver artigo principal: Travessia dos Alpes por Aníbal

Houve algumas escaramuças navais ao redor da Sicília durante 218 a.C.; os romanos derrotaram um ataque cartaginês[77][78] e capturaram Malta.[79] As principais tribos gaulesas na Gália Cisalpina atacaram as colônias romanas na região, fazendo os colonos romanos fugiram para Mutina, onde foram cercados. Uma força romana quebrou o cerco, porém acabou emboscada e ela mesma foi cercada. Um exército tinha sido anteriormente formado pelos romanos para uma campanha da Ibéria, porém o Senado Romano destacou uma legião romana e uma aliada e as enviaram para o norte da Itália. O recrutamento de novas tropas para substituir essas atrasou a partida do exército para a Ibéria até setembro.[80] Na mesma época, um exército romano na Sicília sob o comando do cônsul Tibério Semprônio Longo estava se preparando para uma invasão da África.[81]

Enquanto isso, Aníbal reuniu um exército cartaginês em Nova Cartago e seguiu para o norte pelo litoral das Ibéria em maio ou junho. Ele entrou na Gália por uma rota interna com o objetivo de evitar os aliados romanos no sul.[82] Na Batalha do Ródano, Aníbal derrotou uma força de gauleses locais que tentavam bloquear seu caminho.[83] Uma frota romana transportando o exército para a Ibéria desembarcou na aliada romana de Massalia, na foz do rio Ródano,[84] porém Aníbal evitou os romanos e estes continuaram seu caminho para a Ibéria.[85] Os cartagineses alcançaram o sopé dos Alpes no final do outono, atravessando-os no decorrer de quinze dias e superando as dificuldades do clima, terreno[82] e também as tátias de guerrilha das tribos nativas da região. Aníbal chegou na Gália Cisalpina em algum momento de novembro com uma infantaria de vinte mil homens, seis mil cavaleiros e um número desconhecido de elefantes dos 37 que tinham originalmente partido com ele da Ibéria.[86][87] Os romanos nessa altura já tinham ido para seus alojamentos de inverno. A entrada surpresa de Aníbal na península Itálica fez os romanos cancelarem sua planejada invasão da África, que ocorreria naquele mesmo ano.[88]

Vitórias cartaginesasEditar

 
Busto de Aníbal

Os cartagineses capturam o chefe da cidade de Taurini e tomaram seus depósitos de comida.[89][90] A cavalaria cartaginesa enfrentou e derrotou a cavalaria e infantaria leve romanas no final de novembro na Batalha de Ticino.[91] Consequentemente, a maioria das tribos gaulesas declararam seu apoio à Cartago e assim o exército de Aníbal cresceu para mais de quarenta mil homens.[81][92] O Senado Romano ordenou que o exército na Sicília se juntasse à força que estava enfrentando Aníbal.[81] Este atraiu a força combinada romana sob o comando de Semprônio para um combate em um terreno de sua escolha, resultando na Batalha do Trébia. Os cartagineses cercaram os romanos,[93][94] com apenas dez mil dos quarenta mil romanos conseguindo escapar com vida. A posição de Aníbal na Gália Cisalpina foi garantida com essa vitória e assim ele aquartelou seu homens entre os gauleses para o inverno. Mais gauleses juntaram-se à sua força, aumentando seu número para cinquenta mil.[81][95][96]

Houve choque quando as notícias das derrotas chegaram na cidade de Roma, porém as coisas se acalmaram quando Semprônio chegou para presidir as eleições consulares como era o comum.[97] Os cônsules-eleitos recrutaram mais legiões, tanto romanas quanto de seus aliados latinos. A Sardenha e Sicília foram reforçadas contra a possibilidade de um ataque ou invasão cartaginesa, enquanto guarnições foram colocadas em Tarento e em outros locais por motivos similares; além disso, uma frota de sessenta quinquerremes foi construída e depósitos de suprimentos foram estabelecidos em Arímino e Arécio em preparação para uma futura marcha para o norte.[98] Dois exércitos com quatro legiões cada, duas romanas e duas aliadas, foram formados, mas com contingentes de cavalaria maiores que os normais.[97] Um dos exércitos foi colocado em Arécio e o outro no litoral do Mar Adriático; ambos poderiam bloquear um possível avanço de Aníbal para o centro da Itália e estavam posicionados para seguir para o norte e operarem na Gália Cisalpina.[99][100]

Os cartagineses cruzaram os Apeninos sem oposição no início da primavera de 217 a.C., seguindo uma rota difícil mais desprotegida.[101] Aníbal tentou atrair para o combate o principal exército romano sob Caio Flamínio ao devastar a área que este tinha sido enviado para proteger,[102] provocando Flamínio para uma perseguição precipitada. Aníbal armou uma emboscada,[103] com o exército romano sendo completamente derrotado na Batalha do Lago Trasimeno; quinze mil romanos foram mortos,[104] incluindo Flamínio,[103] com dez mil sendo feitos prisioneiros. Uma força de cavalaria com quatro mil homens de outro exército romano também foi derrotado na Batalha do Lago Úmbrio e aniquilada.[104] Os prisioneiros romanos foram maltratados, mas os latinos foram bem tratados pelos cartagineses e muitos foram libertados e enviados de volta para suas cidades, na expectativa de que falariam bem do poderio militar cartaginês e do tratamento que receberam.[96][105] Aníbal esperava que eles poderiam ser persuadidos a deserdar.[106]

 
Estátua de Fábio Máximo

Aníbal continuou sua marcha pela Etrúria, então para a Úmbria, o litoral adriático e até a Apúlia,[107] esperando conseguir persuadir cidades etnicamente gregas e itálicas no sul da Itália a se aliarem.[99][108] Notícias das derrotas novamente causaram pânico em Roma. Quinto Fábio Máximo foi eleito ditador pela Assembleia Romana e adotou o que ficaria conhecido como "estratégia fabiana" de evitar batalhas campais, empregando em vez disso ataques em pequena escala com o objetivo de desgastar o invasor até que Roma pudesse reconstruir sua força militar. Aníbal foi deixado praticamente livre para devastar a Apúlia pelo ano seguinte.[109][110] Fábio ficou impopular com partes do exército, público e senadores romanos durante esse período por evitar batalhas enquanto a Itália era devastada pelo inimigo; existia a consciência de que essa tática não iria levar a um fim rápido para a guerra.[99][111] Aníbal marchou pelas regiões mais ricas e férteis da Itália, esperando que a devastação atraísse Fábio para a batalha, mas este recusou.[112] Fábio foi chamado pela população romana de "o protelador" e em 216 a.C. dois novos cônsules foram eleitos: Caio Terêncio Varrão, que defendia uma estratégia de guerra mais agressiva, e Lúcio Emílio Paulo, que defendia uma estratégia de meio-termo entre aquela de Fábio e aquela defendida por Varrão.[113]

Aníbal tomou um grande depósitos de suprimento em Canas na primavera de 216 a.C.. O Senado Romano autorizou a formação de um enorme exército para Varrão e Paulo, uma força de 86 mil homens, o maior na história romana até então.[114][115] Os dois marcharam para o sul a fim de enfrentar Aníbal e acamparam a dez quilômetros de distância. Aníbal aceitou combate em uma planície aberta na Batalha de Canas. As forças romanas forçaram seu caminho pelo centro deliberadamente fraco de Aníbal, porém a infantaria pesada líbia nas alas girou em torno de seu avanço, ameaçando os flancos romanos.[116] Asdrúbal[nota 6] liderou a cavalaria na ala esquerda e afugentou a cavalaria romana, então passou pela retaguarda dos romanos a fim de atacar a cavalaria na outra ala. A infantaria cartaginesa em inferioridade numérica segurou até Asdrúbal atacar as legiões pela retaguarda. Consequentemente, a infantaria romana foi cercada sem meios de escapar. Pelo menos 67,5 mil romanos foram mortos ou capturados.[116][117][118]

Miles descreveu a Batalha de Canas como o "maior desastre militar de Roma".[109] O historiador Toni Ñaco del Hoyo descreveu as batalhas de Trébia, Lago Trasimeno e Canas como as três "maiores calamidades militares" sofridas pelos romanos nos primeiros três anos de guerra.[119] O historiador Brian Carey escreveu que essas três derrotas colocaram Roma à beira do colapso.[120] Apenas algumas semanas depois, um exército romano de 25 mil homens foi emboscado e aniquilado por boios gauleses na Gália Cisalpina na Batalha da Floresta Litana.[121] Fábio foi feito cônsul em 215 a.C. e renomeado no ano seguinte.[122]

Aliados de Roma deserdamEditar

Várias cidades-Estado no sul da Itália se aliaram com Aníbal ou foram capturadas quando facções pró-Cartago traíram suas defesas. Estas incluíam a grande cidade de Cápua e a importante cidade portuária de Tarento. Duas das principais tribos sâmnias também se juntaram à causa cartaginesa. A maior parte do sul da Itália tinha se virado contra Roma até 214 a.C., porém existiam muitas exceções. A maioria dos aliados romanos no centro da Itália permaneceram leais. Todas as cidades exceto pequenos vilarejos eram fortificadas o suficiente para impedir que Aníbal as tomasse em um ataque direto, enquanto bloqueios poderiam se arrastar por muito tempo, ou serem completamente impossíveis caso o alvo fosse uma cidade portuária. Os novos aliados cartagineses tinham pouco sentimento de comunidade com Cartago ou até mesmo uns com os outros. Eles aumentaram o número de lugares que esperava-se que o exército de Aníbal defendesse da retribuição romana, porém proporcionaram tropas relativamente frescas para ajudá-lo nessa tarefa. Tais forças itálicas como foram organizadas tinham resistência em operar longe de suas cidades e tinham um desempenho ruim quando o faziam.[123]

 
Aliados cartagineses no sul da Itália c. 213 a.C.

Um parte importante da campanha de Aníbal na Itália era tentar lutar contra os romanos ao usar seus recursos naturais, além de também conseguir recrutas entre a população local. Seu subordinado Hanão conseguiu recrutar novas tropas na Sâmnia em 214 a.C., mas os romanos foram capazes de interceptar esses recrutas na Batalha de Benevento e os eliminaram antes que pudessem se encontrar com o resto das forças de Aníbal. Este era capaz de conquistar aliados, mas defendê-los contra os ataques romanos era um problema novo e difícil, pois os romanos ainda conseguiam colocar em campo vários exércitos ao mesmo tempo, que no total superavam as forças cartaginesas.[124]

A maior ganho que Aníbal tinha conseguido ao marchar para a Campânia em 216 a.C. fora a cidade de Cápua, a segunda maior da Itália. Seus habitantes tinham uma cidadania romana limitada e a aristocracia era conectada com os romanos por meio de casamentos e amizades, porém a possibilidade de se tornar a suprema cidade na península após os desastres romanos mostrou-se ser uma tentação muito grande. Um tratado foi firmado, porém ele pode ser melhor descrito como um acordo de amizade, pois os habitantes não tinham obrigações.[125] A cidade portuária de Locros deserdou para os cartagineses no verão de 215 a.C. e foi imediatamente usada para reforçar Aníbal com soldados, suprimentos e elefantes de guerra.[126] Foi a única vez durante a guerra que Cartago reforçou Aníbal.[127] Uma segunda força sob o comando de Magão, irmão mais novo de Aníbal, deveria desembarcar na Itália no mesmo ano, porém foi desviada para a Ibéria após uma grande derrota cartaginesa na região.[126][128]

Os romanos, enquanto isso, tomaram atitudes drásticas, convocando escravos, criminosos e aqueles que não se encaixavam nas qualificações normais. Eles conseguiram colocar em campo doze legiões até o início de 215 a.C., dezoito até 214 a.C. e 22 até 213 a.C.. O complemento total de legiões até 212 a.C. teria sido de mais de cem mil homens, mais um número similar de tropas aliadas. A maioria foram empregados no sul da Itália em exércitos de campo de aproximadamente vinte mil homens cada. Isto mesmo assim era insuficiente para desafiar o exército de Aníbal em uma batalha aberta, mas suficiente para forçá-lo a concentrar suas tropas e prejudicar seus movimentos.[129]

Macedônia, Sardenha e SicíliaEditar

O rei Filipe V da Macedônia declarou apoio à Aníbal em 215 a.C.,[130] iniciando a Primeira Guerra Macedônica. Os romanos ficaram preocupados que os macedônios tentariam cruzar o Estreito de Otranto e desembarcar na Itália. Roma fortaleceu sua marinha na área e despachou uma legião para ficar de guarda até a ameaça diminuir. Os romanos contiveram os macedônios em 211 a.C. ao se aliarem com a Liga Etólia, uma coalizão de cidades-Estado gregas que já estavam em guerra com a Macedônia. Esta guerra terminou em 205 a.C. com uma paz negociada.[131] Uma revolta em suporte aos cartagineses estourou na Sardenha em 213 a.C., porém foi rapidamente subjugada pelos romanos.[132]

 
Cópia de um mosaico romano do século II de Arquimedes sendo morto por um soldado romano

A Sicília permaneceu sob controle romano até 215 a.C., bloqueando reforços e suprimentos vindos de Cartago para Aníbal. O tirano Hierão II de Siracusa, uma forte aliado romano de décadas, morreu no mesmo ano; seu sucessor Hierônimo não estava satisfeito com a situação. Aníbal negociou um tratado de paz onde Siracusa passava para o lado cartaginês ao preço de fazer toda a Sicília uma possessão siracusana. O exército de Siracusa mostrou-se não ser páreo para um exército romano sob Marco Cláudio Marcelo, com a cidade de Siracusa sendo cercada em meados de 213 a.C..[133][134] Os relatos tanto de Políbio quanto de Lívio sobre o cerco se focam nas máquinas de guerra inventadas por Arquimedes para combater os romanos, que já enfrentaram dificuldades devido às fortes defesas da cidade.[135]

Um grande exército cartaginês liderado por Himilcão foi enviado no mesmo ano para libertar a cidade,[132][136] com várias outras cidades sicilianas deserdando os romanos.[132] Estes conseguiram invadir Siracusa na primavera de 212 a.C. durante um ataque surpresa noturno e capturaram vários distritos da cidade. Enquanto isso, o exército cartaginês foi enfraquecido pela peste. Os cartagineses não conseguiram reabastecer a cidade e o resto de Siracusa caiu no outono do mesmo ano; Arquimedes foi morto por um soldado romano.[137]

Cartago enviou mais reforços para a Sicília em 211 a.C. e partiu para a ofensiva. Aníbal despachou uma força de cavalaria númida para a ilha, sendo liderada pelo habilidoso líbio-fenício Motone, que infligiu grandes perdas aos romano por meio de ataques relâmpago. Um novo exército romano atacou e capturou Acragas, o principal forte cartaginês, em 210 a.C., quando a cidade foi traída para os romanos por um oficial cartaginês insatisfeito. O restante das cidades controladas pelos cartagineses se renderam ou foram tomadas pela força ou traição,[138][139] com o suprimento de grãos sicilianos para Roma e seus exércitos sendo retomado.[140]

EstagnaçãoEditar

A guerra prosseguiu no sul da Itália pelos onze anos depois de Canas a medida que cidades passavam para os cartagineses ou eram tomadas por subterfúgios e os romanos as recapturavam por cerco ou pelo suborno de facções para permitir sua entrada. Aníbal repetidas vezes derrotou os exércitos romanos, porém, sempre onde seu exército principal não estava, os romanos ameaçavam cidades que apoiavam os cartagineses ou procuravam batalha com destacamentos cartagineses ou de seus aliados, muitas vezes obtendo sucesso. Muitas das cidades e territórios que tinham se juntado aos cartagineses já tinham retornado para seu alinhamento romano até 208 a.C..[141]

Fábio recapturou a cidade aliada cartaginesa de Arpi em 213 a.C..[24] No ano seguinte, Aníbal destruiu um exército romano sob o comando de Marco Centênio Pênula na Batalha do Silaro, no noroeste da Lucânia.[142] Ele derrotou outro exército romano mais tarde no mesmo ano na Batalha de Herdônia, com dezesseis mil mortos de uma força de dezoito mil.[143][144] Os romanos mesmo assim foram capazes de cercar Cápua.[145] Aníbal ofereceu batalha aos romanos, mas o relato de Lívio sobre o combate não é claro. Os romanos aparentemente sofreram grandes perdas, mas os cartagineses não foram capazes de quebrar o cerco. Aníbal então atacou as máquinas de cerco romanas, porém novamente não conseguiu libertar a cidade. Aníbal ofereceu batalha novamente em 211 a.C., mas desta vez os romanos não deixaram suas fortificações. Aníbal, em desespero, os atacou e novamente não conseguir quebrar o cerco. Ele em seguida marchou seu exército em direção de Roma, esperando forçar os romanos a abandonar o cerco para defender a capital; entretanto, a força de cerco permaneceu no local e Cápua logo caiu. A cidade perdeu sua autonomia política e foi colocada sob nomeados romanos.[146]

Os cartagineses pegaram um exército romano despreparado próximo de Herdônia, derrotando-o completamente.[147][148] Lívio contou que em seguida Aníbal lutou a inconclusiva Batalha de Numistro, porém historiadores modernos duvidam de seu relato.[148][149] Os romanos permaneceram atrás de Aníbal, lutando na Batalha de Canúsio em 209 a.C., novamente sofrendo grandes perdas.[150][151] Esta batalha permitiu que outro exército romano se aproximasse de Tarento e a capturasse por meio de perfídia.[147][151]

Vitórias romanasEditar

Asdrúbal, irmão de Aníbal, conseguiu marchar outro exército pelos Alpes na primavera de 207 a.C.. Ele invadiu a Gália Cisalpina com uma força de 35 mil homens com a intenção de juntar-se com Aníbal, mas este não sabia da presença do irmão. Os romanos enfrentando Aníbal no sul da Itália o enganaram a acreditar que todo o exército romano ainda estava acampado, porém uma grande parte marchou para o norte sob o cônsul Caio Cláudio Nero. Eles reforçaram o exército de Marco Lívio Salinador, o outro cônsul, que já estava enfrentando Asdrúbal. Esta força combinada atacou na Batalha do Metauro e destruiu o exército cartaginês, matando Asdrúbal. Esta batalha confirmou a supremacia romana na Itália e marcou o fim da estratégia fabiana. As forças de Aníbal, sem os reforços esperados, foram forçadas a evacuar cidades aliadas e recuar para Brúcio.[152][153]

Magão desembarcou em Gênova, no noroeste da Itália, com o que restava do exército ibero. Este logo recebeu reforços gauleses e lígures. A chegada de Magão no norte da península Itálica foi seguida pela inconclusiva Batalha de Crotona com Aníbal em 204 a.C. no extremo sul. Magão marchou seus homens em direção das terras dos principais aliados gauleses de Cartago na Gália Cisalpia, porém foi interceptado por um grande exército romano e derrotado no ano seguinte na Batalha do Pó.[154]

Um exército romano invadiu Cartago em 204 a.C., conquistando duas grandes batalhas e a aliança de reinos númidas no Norte da África. Consequentemente, Aníbal e seu exército foram convocados de volta para casa.[155] Eles partiram de Crotona[156] e desembarcaram em Cartago com quinze a vinte mil veteranos. Magão também foi convocado de volta, mas morreu de seus feridos no caminho e alguns de seus navios foram interceptados pelos romanos;[157] doze mil homens conseguiram chegar em Cartago.[158]

IbériaEditar

Estabelecimento romanoEditar

 
Baixo relevo c. 200 a.C. de um guerreiro ibero armado com uma falcata e escudo oval

A frota romana continuou de Massalia no outono de 218 a.C., desembarcando seu exército no nordeste da Ibéria, onde conquistou apoio entre as tribos locais.[85] Os romanos criaram um estabelecimento entre o rio Ebro e os Pirineus, bloqueando a rota da Ibéria para a Itália e assim dificultando o envio de reforços para Aníbal.[159] Um ataque cartaginês no final de 218 a.C. foi derrotado na Batalha de Cissa.[85][159] Quarenta navios cartagineses e iberos foram derrotados em 217 a.C. por 35 embarcações romanas e massílias na Batalha do Rio Ebro, com 29 navios cartagineses perdidos.[160]

Asdrúbal recebeu ordens de Cartago em 216 a.C. para ir à Itália e juntar-se com Aníbal com o objetivo de pressionar mais os romanos em sua própria pátria. Asdrúbal objetou, argumentando que a autoridade cartaginesa sobre as tribos iberas estava muito frágil e que as forças romanas na área eram muito fortes para que ele executasse o movimento planejado. Asdrúbal agiu só no ano seguinte, cercando uma cidade pró-romana e oferecendo combate na Batalha de Dertosa,[159][161] onde tentou usar sua superioridade na cavalaria para derrotar os flancos romanos ao mesmo tempo que cercava o centro dos dois lados com sua infantaria. Entretanto, os romanos foram capazes de quebrar o centro da linha cartaginesa e então derrotaram cada ala separadamente, infligindo grandes perdas.[162][163] Não foi mais possível para Asdrúbal reforçar Aníbal na Itália.[85][162]

Os cartagineses sofreram uma onda de deserções das tribos locais celtiberas para os romanos.[85] Os comandantes romanos capturaram Sagunto em 212 a.C., enquanto no ano seguinte recrutaram vinte mil mercenários celtiberas para reforçarem seu exército. Os romanos observaram que as forças cartaginesas na Ibéria estavam divididas em três exércitos separados que estavam posicionados longe um do outro, assim dividiram suas forças.[162] Esta estratégia resultou em duas batalhas separadas em 211 a.C., as batalhas de Castulo e Ilorci, geralmente referidas conjuntamente como a Batalha do Bétis Superior. Ambas terminaram em derrotas completas para os romanos, pois Asdrúbal subornou os mercenários romanos para deserdarem. Os sobreviventes romanos recuaram para sua base litorânea ao norte do Ebro, com os cartagineses novamente falhando em expulsá-los do local.[85][162] Cláudio Nero foi trazido da Itália com reforços em 210 a.C. e conseguiu estabilizar a situação.[162]

Campanhas de CipiãoEditar

 
Busto de Públio Cipião

Públio Cornélio Cipião[nota 7] chegou na Ibéria com mais reforços romanos em 210 a.C..[165] No ano seguinte realizou um ataque contra o centro de poder cartaginês na Ibéria, Nova Cartago,[165][166] capturando-a e tomando uma enorme quantidade de ouro, prata e máquinas de cerco. Ele libertou a população capturada e também os reféns iberos feitos pelos cartagineses em uma tentativa de garantir a lealdade de suas tribos.[165][167]

Asdrúbal foi enfrentar Cipião na Batalha de Bécula em 208 a.C..[165] Os cartagineses foram derrotados, mas Asdrúbal foi capaz de recuar com a maioria de seu exército e impedir uma perseguição romana; a maioria de suas perdas foram entre seus aliados iberos. Cipião não conseguiu impedir que Asdrúbal fosse para os passos ocidentais nos Pirineus até a Gália. Este fez grandes recrutamentos na Gália e cruzou os Alpes em 207 a.C. até a Itália em uma tentativa de juntar-se a Aníbal, porém foi derrotado antes de conseguir fazer isso.[165][168][169]

Cipião, em 206 a.C. na Batalha de Ilipa, com um exército de 48 mil homens, metade itálico e metade ibero, derrotou um exército cartaginês de 54,5 mil homens e 32 elefantes. Isto selou o destino dos cartagineses na Ibéria.[165][170] Cádis, a última cidade mantida pelos cartagineses na Ibéria, deserdou para os romanos.[171] Um motim estourou entre as tropas romanas mais tarde no mesmo ano, o que atraiu o apoio de líderes iberos, que estavam decepcionados que as forças romanas permaneceram na região mesmo depois da expulsão dos cartagineses. Cipião conseguiu subjugar essa revolta. Magão fez uma tentativa de recapturar Nova Cartago em 205 a.C. quando os ocupantes romanos foram abalados por mais um motim e um levante ibero, mas ele fracassou.[172][173] Magão deixou a Ibéria para o norte da Itália com o restante de suas forças.[167][174] Cartago conseguiu recrutar pelo menos quatro mil mercenários da Ibéria em 203 a.C., mesmo com o controle nominal romano.[175]

ÁfricaEditar

Revolta na NumídiaEditar

Sífax, um poderoso rei númida da tribos dos massessílios no Norte da África, declarou seu apoio a Roma em 213 a.C.. Tropas cartaginesas foram transferidas da Ibéria para o Norte da África como uma resposta.[162][176] Os cartagineses encerraram apenas em 206 a.C. essa campanha que fazia nada além de drenar seus recursos ao dividirem vários dos reinos númidas com Sífax. Um daqueles que perdeu seu reino foi o príncipe númida Massinissa, que foi parar nos braços de Roma.[177]

Invasão romanaEditar

 
Rota da campanha de Cipião na África

Públio Cipião recebeu o comando das legiões da Sicília em 205 a.C. e teve permissão para aceitar voluntários para seu plano de encerrar a guerra com uma invasão do Norte da África. Sua força desembarcou no ano seguinte e logo recebeu o reforço de Massinissa e uma força de cavalaria númida.[178] Cipião então enfrentou em batalha e derrotou dois grandes exércitos cartagineses.[155] Sífax foi perseguido depois da segunda batalha e aprisionado por Massinissa na Batalha de Cirta. Massinissa em seguida tomou a maior parte do reino de Sífax com ajuda romana.[179]

Roma e Cartago entraram em negociações de paz e Cartago convocou Aníbal e Magão de volta.[174] O Senado Romano ratificou um esboço do tratado, porém Cartago o repudiou por desconfiar de Roma e por estar mais confiante com a chegada de Aníbal.[180] Este foi colocado no comando de outro exército, formado com seus veteranos da Itália e novas tropas africanas, porém com pouca cavalaria.[181] A decisiva Batalha de Zama ocorreu em outubro de 202 a.C..[182] Diferentemente da maioria das batalhas da Segunda Guerra Púnica, os romanos tinham superioridade em cavalaria e os cartagineses em infantaria.[181] Aníbal tentou usar seus oitenta elefantes para quebrar a infantaria romana, porém estes conseguiram combate-los eficientemente e os animais fugiram pelas tropas cartaginesas. As cavalarias romana e númida atacaram e afugentaram a cavalaria cartaginesa. As duas infantarias se enfrentaram inconclusivamente até a cavalaria romana retornar e atacar a retaguarda cartaginesa. A formação cartaginesa ruiu e Aníbal foi um dos poucos que conseguiu escapar com vida.[182][183]

ConsequênciasEditar

Um novo tratado de paz ditado por Roma tirou de Cartago todos os seus territórios de além-mar e alguns de seus africanos. Uma indenização de dez mil talentos[nota 8] de prata deveria ser paga em cinquenta anos e reféns foram tomados. Cartago foi proibida de possuir elefantes de guerra e sua frota foi restrita a apenas dez navios de guerra. Ela foi proibida de guerrear fora da África e na África apenas sob permissão romana. Muitos cartagineses queriam rejeitar o tratado, porém Aníbal falou em seu favor e ele acabou aceito na primavera de 201 a.C.. Foi claro depois disso que Cartago estava politicamente subordinada à Roma.[185] Cipião ganhou um triunfo e recebeu o agnome "Africano".[186]

O agora rei Massinissa explorou a proibição de Cartago em guerrear ao atacar repetidas vezes o território cartaginês com impunidade.[187] Em 149 a.C., cinquenta anos depois do fim da Segunda Guerra Púnica, Cartago enviou um exército sob Asdrúbal contra Massinissa apesar dos termos do tratado. Esta campanha terminou em desastre na Batalha de Oroscopa, com as facções anti-cartaginesas em Roma usando essa ação ilícita como o pretexto para uma expedição punitiva.[188] A Terceira Guerra Púnica começou mais tarde naquele ano quando um grande exército romano desembarcou no Norte da África e cercou Cartago.[189][190] Os romanos lançaram seu ataque final na primavera de 146 a.C., destruindo a cidade sistematicamente e matando seus habitantes; cinquenta mil sobreviventes foram vendidos como escravos.[191][192] Os antigos territórios cartagineses se tornaram a província romana da África Proconsular.[193][194] Um século depois o local da antiga Cartago foi reconstruído como uma cidade romana.[195][196]

Notas

  1. O termo púnico vem da palavra em latim punicus (também grafada como poenicus), que significa "cartaginês" e é uma referência à ancestralidade fenícia dos cartagineses.[1]
  2. Este número poderia aumentar para cinco mil em alguns casos,[19] ou mais ainda em casos raríssimos.[20]
  3. As fontes romanas e gregas referem-se a esses lutadores estrangeiros depreciativamente como "mercenários", porém Goldworthy descreve isso como "uma simplificação grosseira". Eles serviam sob uma variedade de arranjos; por exemplo, alguns eram as tropas regulares de cidades ou reinos aliados cedidos a Cartago como parte de arranjos formais, alguns eram de estados aliados lutando sob seus próprios líderes, enquanto muitos eram voluntários de áreas sob controle cartaginês que não eram cidadãos de Cartago.[27]
  4. Tropas de "choque" eram aquelas treinadas e usadas para aproximaram-se rapidamente de um oponente com a intenção de quebrá-lo antes ou imediatamente ao contato.[28]
  5. Estes elefantes geralmente tinham 2,5 metros de altura e não devem ser confundidos com o maior elefante-da-savana.[38]
  6. Não confundir com Asdrúbal Barca, irmão de Aníbal.[117]
  7. Este era o filho do homônimo Públio Cornélio Cipião, co-comandante romano na Ibéria morto na Batalha do Bétis Superior, e sobrinho de Cneu Cornélio Cipião, o outro co-comandante.[164]
  8. Dez mil talentos eram aproximadamente 269 toneladas.[184]

ReferênciasEditar

  1. Sidwell & Jones 1997, p. 16
  2. a b c d e Goldsworthy 2006, pp. 20–21
  3. Walbank 1990, pp. 11–12
  4. Lazenby 1996, pp. x–xi
  5. Hau 2016, pp. 23–24
  6. Shutt 1938, p. 55
  7. Champion 2015, pp. 98, 101
  8. Lazenby 1996, pp. x–xi, 82–84
  9. Curry 2012, p. 34
  10. Champion 2015, p. 102
  11. a b Lazenby 1998, p. 87
  12. Goldsworthy 2006, p. 22
  13. Champion 2015, p. 95
  14. Goldsworthy 2006, p. 222
  15. Sabin 1996, p. 62
  16. Goldsworthy 2006, pp. 21–23
  17. Mineo 2015, pp. 111–127
  18. Goldsworthy 2006, pp. 23, 98
  19. Bagnall 1999, p. 23
  20. Goldsworthy 2006, p. 287
  21. Goldsworthy 2006, p. 48
  22. Bagnall 1999, pp. 22–25
  23. Goldsworthy 2006, pp. 44–50
  24. a b Rawlings 2015, p. 312
  25. Lazenby 1998, p. 9
  26. Scullard 2006, p. 494
  27. Goldsworthy 2006, p. 33
  28. Jones 1987, p. 1
  29. a b Goldsworthy 2006, pp. 32–34
  30. Koon 2015, pp. 79–87
  31. Koon 2015, p. 80
  32. Rawlings 2015, p. 305
  33. a b Bagnall 1999, p. 9
  34. Carey 2007, p. 13
  35. Goldsworthy 2006, p. 32
  36. Bagnall 1999, p. 8
  37. Lazenby 1996, p. 27
  38. Miles 2011, p. 240
  39. Goldsworthy 2006, pp. 82, 311, 313–314
  40. Bagnall 1999, p. 237
  41. a b Koon 2015, p. 93
  42. Goldsworthy 2006, p. 55
  43. Goldsworthy 2006, p. 56
  44. Sabin 1996, p. 64
  45. Goldsworthy 2006, p. 57
  46. Sabin 1996, p. 66
  47. Bagnall 1999, p. 328
  48. Miles 2011, pp. 157–158
  49. Bagnall 1999, pp. 21–22
  50. Goldsworthy 2006, pp. 29–30
  51. Goldsworthy 2006, pp. 25–26
  52. Miles 2011, pp. 94, 160, 163, 164–165
  53. Goldsworthy 2006, pp. 69–70
  54. Miles 2011, pp. 175–176
  55. Goldsworthy 2006, pp. 74–75
  56. Warmington 1993, p. 168
  57. Goldsworthy 2006, p. 82
  58. Lazenby 1996, p. 157
  59. Bagnall 1999, p. 97
  60. Beck 2015, p. 235
  61. Scullard 2006, p. 569
  62. Miles 2011, pp. 209, 212–213
  63. Hoyos 2000, p. 378
  64. Hoyos 2007, p. 248
  65. Miles 2011, pp. 226–227
  66. Hoyos 2015a, p. 77
  67. Hoyos 2015a, p. 80
  68. Miles 2011, p. 220
  69. Miles 2011, pp. 219–220, 225
  70. Eckstein 2006, pp. 173–174
  71. Bagnall 1999, pp. 146–147
  72. Miles 2011, p. 225
  73. Goldsworthy 2006, pp. 143–144
  74. Collins 1998, p. 13
  75. a b Goldsworthy 2006, pp. 144–145
  76. Goldsworthy 2006, pp. 139–140
  77. Briscoe 2006, p. 61
  78. Edwell 2015, p. 327
  79. Castillo 2006, p. 25
  80. Goldsworthy 2006, pp. 151–152
  81. a b c d Zimmermann 2015, p. 284
  82. a b Mahaney 2008, p. 221
  83. Bagnall 1999, pp. 161–162
  84. Fronda 2015, p. 252
  85. a b c d e f Zimmermann 2015, p. 291
  86. Erdkamp 2015, p. 71
  87. Hoyos 2015b, p. 107
  88. Zimmermann 2015, pp. 283–284
  89. Bagnall 1999, p. 171
  90. Goldsworthy 2006, p. 168
  91. Fronda 2015, p. 243
  92. Goldsworthy 2006, pp. 177–178
  93. Fronda 2015, pp. 243–244
  94. Bagnall 1999, pp. 175–176
  95. Bagnall 1999, pp. 175–176, 193
  96. a b Miles 2011, p. 270
  97. a b Goldsworthy 2006, p. 181
  98. Lazenby 1998, p. 58
  99. a b c Zimmermann 2015, p. 285
  100. Goldsworthy 2006, p. 182
  101. Goldsworthy 2006, p. 184
  102. Liddell Hart 1967, p. 45
  103. a b Fronda 2015, p. 244
  104. a b Goldsworthy 2006, p. 190
  105. Lomas 2015, p. 243
  106. Fronda 2015, p. 246
  107. Fronda 2015, p. 247
  108. Lazenby 1998, p. 86
  109. a b Miles 2011, p. 279
  110. Briscoe 2006, p. 50
  111. Goldsworthy 2006, pp. 195–196
  112. Bagnall 1999, pp. 184–188
  113. Zimmermann 2015, p. 286
  114. Bagnall 1999, pp. 191, 194
  115. Goldsworthy 2006, pp. 198–199
  116. a b Fronda 2015, p. 245
  117. a b Carey 2007, p. 64
  118. Bagnall 1999, pp. 192–194
  119. Ñaco del Hoyo 2015, p. 377
  120. Carey 2007, p. 2
  121. Roberts 2017, pp. vi–1x
  122. Goldsworthy 2006, p. 227
  123. Goldsworthy 2006, pp. 222–226
  124. Rawlings 2015, pp. 312–316
  125. Hoyos 2015b, pp. 128–129
  126. a b Lazenby 1998, p. 98
  127. Erdkamp 2015, p. 75
  128. Barceló 2015, p. 370
  129. Goldsworthy 2006, pp. 226–227
  130. Miles 2011, p. 243
  131. Goldsworthy 2006, pp. 253–260
  132. a b c Miles 2011, p. 288
  133. Edwell 2015, pp. 327–328
  134. Bagnall 1999, p. 200
  135. Edwell 2015, p. 328
  136. Edwell 2015, p. 329
  137. Goldsworthy 2006, pp. 264–266
  138. Edwell 2015, p. 330
  139. Goldsworthy 2006, pp. 266–267
  140. Rawlings 2015, p. 311
  141. Goldsworthy 2006, pp. 222–238
  142. Dupuy & Dupuy 1993, p. 75
  143. Hoyos 2015b, p. 85
  144. Fronda 2015, p. 253
  145. Rawlings 2015, pp. 299–300
  146. Goldsworthy 2006, pp. 221, 233–235
  147. a b Goldsworthy 2006, pp. 235–236
  148. a b Bagnall 1999, p. 256
  149. Lazenby 1998, p. 171
  150. Rawlings 2015, p. 302
  151. a b Bagnall 1999, p. 258
  152. Zimmermann 2015, pp. 289–290
  153. Miles 2011, pp. 304–305
  154. Bagnall 1999, pp. 286–287
  155. a b Miles 2011, p. 310
  156. Goldsworthy 2006, p. 244
  157. Miles 2011, p. 312
  158. Bagnall 1999, p. 289
  159. a b c Edwell 2015, p. 321
  160. Goldsworthy 2006, pp. 248–249
  161. Goldsworthy 2006, pp. 249–250
  162. a b c d e f Edwell 2015, p. 322
  163. Bagnall 1999, p. 204
  164. Miles 2011, pp. 268, 298–299
  165. a b c d e f Edwell 2015, p. 323
  166. Zimmermann 2015, p. 292
  167. a b Barceló 2015, p. 362
  168. Carey 2007, pp. 86–90
  169. Bagnall 1999, p. 211
  170. Zimmermann 2015, p. 293
  171. Miles 2011, p. 303
  172. Bagnall 1999, p. 216
  173. Carey 2007, pp. 96, 99
  174. a b Carey 2007, p. 111
  175. Edwell 2015, p. 334
  176. Miles 2011, p. 308
  177. Barceló 2015, p. 372
  178. Goldsworthy 2006, pp. 286–288, 291–292
  179. Bagnall 1999, pp. 282–283
  180. Bagnall 1999, pp. 287–291
  181. a b Goldsworthy 2006, p. 302
  182. a b Miles 2011, p. 315
  183. Carey 2007, p. 118
  184. Lazenby 1996, p. 158
  185. Carey 2007, p. 132
  186. Miles 2011, p. 318
  187. Kunze 2015, pp. 398, 407
  188. Kunze 2015, pp. 399, 407
  189. Purcell 1995, p. 134
  190. Goldsworthy 2006, p. 341
  191. Bohec 2015, p. 441
  192. Scullard 2002, p. 316
  193. Scullard 1955, p. 103
  194. Scullard 2002, pp. 310, 316
  195. Richardson 2015, pp. 480–481
  196. Miles 2011, pp. 363–364

BibliografiaEditar

  • Bagnall, Nigel (1999). The Punic Wars: Rome, Carthage and the Struggle for the Mediterranean. Londres: Pimlico. ISBN 978-0-7126-6608-4 
  • Beck, Hans (2015) [2011]. «The Reasons for War». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Barceló, Pedro (2015) [2011]. «Punic Politics, Economy, and Alliances, 218–201». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Bohec, Yann Le (2015) [2011]. «The "Third Punic War": The Siege of Carthage (148–146 BC)». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Briscoe, John (2006). «The Second Punic War». In: Walbank, F. W.; Astin, A. E.; Frederiksen, M. W.; Ogilvie, R. M. The Cambridge Ancient History: Rome and the Mediterranean to 133 B.C. VIII. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-23448-1 
  • Carey, Brian Todd (2007). Hannibal's Last Battle: Zama & the Fall of Carthage. Barnslet: Pen & Sword. ISBN 978-1-84415-635-1 
  • Castillo, Dennis Angelo (2006). The Maltese Cross: A Strategic History of Malta. Westport: Greenwood Publishing Group. ISBN 978-0-313-32329-4 
  • Champion, Craige B. (2015) [2011]. «Polybius and the Punic Wars». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Collins, Roger (1998). Spain: An Oxford Archaeological Guide. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-285300-4 
  • Curry, Andrew (2012). «The Weapon That Changed History». Archaeology. 65 (1). JSTOR 41780760 
  • Dupuy, R. Ernest; Dupuy, Trevor N. (1993). The Harper Encyclopedia of Military History. Nova Iorque: HarperCollins. ISBN 978-0-06-270056-8 
  • Eckstein, Arthur (2006). Mediterranean Anarchy, Interstate War, and the Rise of Rome. Berkeley: University of California Press. ISBN 978-0-520-24618-8 
  • Edwell, Peter (2015) [2011]. «War Abroad: Spain, Sicily, Macedon, Africa». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Erdkamp, Paul (2015) [2011]. «Manpower and Food Supply in the First and Second Punic Wars». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Fronda, Michael P. (2015) [2011]. «Hannibal: Tactics, Strategy, and Geostrategy». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Goldsworthy, Adrian (2006). The Fall of Carthage: The Punic Wars 265–146 BC. Londres: Phoenix. ISBN 978-0-304-36642-2 
  • Hau, Lisa (2016). Moral History from Herodotus to Diodorus Siculus. Edimburgo: Edinburgh University Press. ISBN 978-1-4744-1107-3 
  • Hoyos, Dexter (2000). «Towards a Chronology of the 'Truceless War', 241–237 B.C.». Rheinisches Museum für Philologie. 143 (3/4). JSTOR 41234468 
  • Hoyos, Dexter (2007). Truceless War: Carthage's Fight for Survival, 241 to 237 BC. Leiden & Boston: Brill. ISBN 978-90-474-2192-4 
  • Hoyos, Dexter (2015a) [2011]. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Hoyos, Dexter (2015b). Mastering the West: Rome and Carthage at War. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-986010-4 
  • Jones, Archer (1987). The Art of War in the Western World. Urbana: University of Illinois Press. ISBN 978-0-252-01380-5 
  • Koon, Sam (2015) [2011]. «Phalanx and Legion: the "Face" of Punic War Battle». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Kunze, Claudia (2015) [2011]. «Carthage and Numidia, 201–149». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Lazenby, John (1996). The First Punic War: A Military History. Stanford: Stanford University Press. ISBN 978-0-8047-2673-3 
  • Lazenby, John (1998). Hannibal's War: A Military History of the Second Punic War. Warminster: Aris & Phillips. ISBN 978-0-85668-080-9 
  • Liddell Hart, Basil (1967). Strategy: The Indirect Approach. Londres: Penguin. OCLC 470715409 
  • Lomas, Kathryn (2015) [2011]. «Rome, Latins, and Italians in the Second Punic War». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Mahaney, W. C. (2008). Hannibal's Odyssey: Environmental Background to the Alpine Invasion of Italia. Piscataway: Gorgias Press. ISBN 978-1-59333-951-7 
  • Miles, Richard (2011). Carthage Must be Destroyed. Londres: Penguin. ISBN 978-0-14-101809-6 
  • Mineo, Bernard (2015) [2011]. «Principal Literary Sources for the Punic Wars (apart from Polybius)». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Ñaco del Hoyo, Toni (2015) [2011]. «Roman Economy, Finance, and Politics in the Second Punic War». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Purcell, Nicholas (1995). «On the Sacking of Carthage and Corinth». In: Innes, Doreen; Hine, Harry; Pelling, Christopher. Ethics and Rhetoric: Classical Essays for Donald Russell on his Seventy Fifth Birthday. Oxford: Clarendon. ISBN 978-0-19-814962-0 
  • Rawlings, Louis (2015) [2011]. «The War in Italy, 218–203». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Richardson, John (2015) [2011]. «Spain, Africa, and Rome after Carthage». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Roberts, Mike (2017). Hannibal's Road: The Second Punic War in Italy 213–203 BC. Barnsley: Pen & Sword. ISBN 978-1-47385-595-3 
  • Sabin, Philip (1996). «The Mechanics of Battle in the Second Punic War». Bulletin of the Institute of Classical Studies. Supplement. 67 (67). JSTOR 43767903 
  • Scullard, Howard H. (1955). «Carthage». Greece & Rome. 2 (3). JSTOR 641578. doi:10.1017/S0017383500022166 
  • Scullard, Howard H. (2002). A History of the Roman World, 753 to 146 BC. Londres: Routledge. ISBN 978-0-415-30504-4 
  • Scullard, Howard H. (2006) [1989]. «Carthage and Rome». In: Walbank, F. W.; Astin, A. E.; Frederiksen, M. W.; Ogilvie, R. M. Cambridge Ancient History. 7, Parte 2 2ª ed. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-23446-7 
  • Shutt, Rowland (1938). «Polybius: A Sketch». Greece & Rome. 8 (22). JSTOR 642112. doi:10.1017/S001738350000588X 
  • Sidwell, Keith C.; Jones, Peter V. (1997). The World of Rome: An Introduction to Roman Culture. Cambridge. Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-38600-5 
  • Walbank, F. W. (1990). Polybius. 1. Berkeley: University of California Press. ISBN 978-0-520-06981-7 
  • Warmington, Brian (1993) [1960]. Carthage. Nova Iorque: Barnes & Noble. ISBN 978-1566192101 
  • Zimmermann, Klaus (2015) [2011]. «Roman Strategy and Aims in the Second Punic War"». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 

Ligações externasEditar