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Sento Sé é um município brasileiro localizado no norte da Bahia. Situada às margens do Lago de Sobradinho, na região do São Francisco, a cidade é cercada de um lado pelo Velho Chico e do outro lado por belíssimas serras. De clima semiárido, sua vegetação é predominantemente do tipo caatinga.

Município de Sento Sé
Vista Panorâmica da cidade de Sento Sé

Vista Panorâmica da cidade de Sento Sé
Bandeira de Sento Sé
Brasão de Sento Sé
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 1832
Emancipação 6 de Julho de 1832
Gentílico sentoseense
Padroeiro(a) São José
CEP 47350-000
Prefeito(a) Ana Luiza Rodrigues da Silva Passos (PSD)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Sento Sé
Localização de Sento Sé na Bahia
Sento Sé está localizado em: Brasil
Sento Sé
Localização de Sento Sé no Brasil
09° 44' 45" S 41° 53' 06" O09° 44' 45" S 41° 53' 06" O
Unidade federativa Bahia
Mesorregião Vale São-Franciscano da Bahia IBGE/2008[1]
Microrregião Juazeiro IBGE/2008[1]
Região intermediária

Região Geográfica Intermediária de Juazeiro

Municípios limítrofes Campo Formoso, Casa Nova, Itaguaçu da Bahia, Jussara, Morro do Chapéu, Pilão Arcado, Remanso, Sobradinho, Umburanas e Xique-Xique
Distância até a capital 689 km
Características geográficas
Área 12 871,039 km² (BR: 95º)[2]
População 40 703 hab. (824º) –  IBGE/2018[3]
Densidade 2,95 hab/km² hab,/km²
Altitude 400 m
Clima Semiárido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,585 (4.515º) – baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 406 052 mil IBGE/2016[5]
PIB per capita R$ 9 766,51 IBGE/2016[5]
Página oficial
Prefeitura www.sentose.ba.gov.br

HistóriaEditar

O nome Sento-Sé tem sua origem de uma tribo indígena chamada Centoce. Os primeiros povoadores foram portugueses vindos de lavouras de cana-de-açúcar e edificaram engenhos. Em 1719 foi construída uma capela dedicada a São José da Barra, e em 1752 teve como seu primeiro vigário o Padre Domingo Alves de Souza, feita a correção gramatical passa a ser chamado e escrito como o arraial de Sento-Sé. Por muitos anos imperou o coronelismo. Em 06 de julho de 1832 um decreto provincial criou o município de Sento-Sé, em 21 de novembro de 1883 foi confirmada a emancipação política com a presença do presidente da província Joaquim José Pinheiro Vasconcelos.

Em 1911, a sede do município foi transferia para o arraial de Almeida, tendo o nome alterado para Manoel Vitorino[6]. Dois anos mais tarde, a sede retorna para o local de origem, porém mantendo a alteração do nome. Em 1934, um decreto estadual altera o nome do município para Sento Sé.

No ano de 1930, Sento-Sé sofreu a pressão de revoltos e a população foi maltratada com pancadas e prisões. Em 1932, Sento-Sé passou por momentos difíceis, Lampião passou pelo distrito de Américo Alves e no povoado de Quixaba e fez o povo tremer de pavor, depois de assaltar o comércio foi embora e pernoita na Gruta da Palmeira. Alguns tempos depois a cidade voltou a sua normalidade com a pesca e a agricultura de subsistência.

Na década de 1970, a cidade de Sento Sé passou por um dos seus momentos mais delicados. A construção da Barragem de Sobradinho, obrigou a relocação geográfica da sede do município e outras localidades próximas que também foram atingidas pelas águas do então formado Lago de Sobradinho. A nova sede do município foi instalada 62 quilômetros distante da cidade velha, tendo a efetivação da transferência em 1974, através da Lei Estadual nº 3347.[6]

Parque Nacional Boqueirão da OnçaEditar

A criação do Parque aumentou em quase 50% a área do bioma Caatinga que era protegida por unidades de conservação federais de proteção integral até então. A área protegida do bioma passa de 7,7% para cerca de 9%. O Parque possui a segunda maior área dentre as Unidades de Conservação de proteção integral do bioma, ficando atrás apenas do Parque Nacional da Serra das Confusões.

Os estudos para criação do Parque se iniciaram em 2002, com a proposta de cerca de 900 mil hectares de proteção integral em área pouco povoada e de difícil acesso. A proposta da criação do mosaico surgiu devido a pressões de empresas de mineração e geração de energia eólica (o Boqueirão da Onça está entre as regiões de maior potencial eólico do país), adotando-se a categoria de Área de Proteção Ambiental nessas áreas de interesse econômico. Apesar de se tratar de uma fonte energética renovável, a instalação de torres de energia eólica na região gerou polêmica, pelos impactos que traz à população e à fauna local, o desmatamento causado e o consumo exacerbado de água que a construção deste tipo de empreendimento demanda.

Ficaram excluídos dos limites descritos do Parna a faixa de domínio das Rodovias BA-210, BA- 144, BR- 122 e BR- 324; uma faixa de aproximadamente 300 metros de largura; e o reservatório da Usina Hidrelétrica de Sobradinho e suas variações de volume.

Considerada como uma das áreas prioritárias para conservação da Caatinga, a região do Boqueirão da Onça corresponde a um dos maiores e mais conservados remanescentes do bioma, representando um importante abrigo e zona de reprodução para diversas espécies da fauna e flora da região. Constitui um importante refúgio para grandes mamíferos de topo de cadeia, como as onças parda (Puma concolor) e pintada (Panthera onca).

Segundo o Plano de Ação Nacional para conservação da onça pintada (2013), o Boqueirão da Onça, junto com os Parques Nacionais da Serra da Capivara e da Serra das Confusões, representa uma das áreas mais significativas para a conservação da onça pintada na caatinga, guardando provavelmente a maior população dessa espécie no bioma. Historicamente perseguidas pelo mercado de peles e atualmente como forma de retaliação à predação de animais domésticos, uma das principais ameaças à conservação da onça pintada é, no entanto, a intensa redução de seu habitat.

A região também abriga uma enorme diversidade de aves, com mais de 230 espécies identificadas, entre elas a criticamente ameaçada arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari); o beija-flor-de-gravata-veromelha (Augastes lumachella) - que tem distribuição extremamente restrita; o pintassilgo-do-nordeste (Carduelis yarellii); a jacucaca (Penelope jacucaca); o arapaçu-do-nordeste (Xiphocolaptes falcirostris); o bico-virado-da-caatinga (Megaxenops parnaguae); o arapaçu-beija-flor (Campylorhamphus trochilirostris); e o joão-xiquexique (Gyalophylax hellmayri), espécies endêmicas da região. Outras espécies que serão protegidas pelas UCs são o tatu-bola, porco-do-mato, queixada e tamanduá-bandeira.

Com destacada beleza cênica e alto potencial para o ecoturismo, o Parque também protege um conjunto significativo de cavernas, entre elas a Toca da Boa Vista (a maior caverna brasileira em extensão, com 97,3 km) que se interliga com a Toca da Barriguda (com 33 km de extensão), formando o maior conjunto de cavernas do Hemisfério Sul. A região tem grande importância arqueológica, com diversos sítios rupestres estudados há décadas.

Com grande variação no gradiente altitudinal, o Parque também conserva, acima de 900 metros de altitude, ecossistemas de campos rupestres, que possuem uma biodiversidade única, muito pouco conhecida cientificamente e já seriamente ameaçada. As porções de maior altitude também abrigam nascentes essenciais para a segurança hídrica da região e de toda a Bacia do São Francisco.

GarimpoEditar

A diversidade mineral do município de Sento Sé, atraiu, ao longo de décadas, garimpeiros em busca de, principalmente, ametistas e cristal branco. Em décadas passadas, a concentração dos garimpos acontecia nas regiões das Minas de Mimoso, Cabeludas, Alegre, Incaibro, Careta e Palmeiras.

Em 2017, a notícia da descoberta de ametistas na Serra da Quixaba se espalhou pelo país, atraindo garimpeiros e aventureiros de todo país e até mesmo comerciantes estrangeiros de pedras preciosas.[7][8] O surgimento do garimpo da Serra da Quixaba, reacendeu o comércio de pedras na cidade, o que leva negociantes diariamente à praça principal da cidade.

LocalizaçãoEditar

Sento Sé está localizada na região norte do Estado da Bahia, tendo como limítrofes os municípios de Itaguaçu da Bahia, Jussara, Morro do Chapéu, Umburanas, São Gabriel, Ourolândia, Campo Formoso, Sobradinho, Pilão Arcado, Remanso e Casa Nova. A quantidade de municípios nas suas divisas, dá a noção da extensão territorial de Sento Sé. São 12.698,80 km² que o fazem o 3º maior município da Bahia em extensão territorial.

O município é dividido por 7 distritos. São eles: Sento Sé, Amaniú, Américo Alves, Cajuí, Minas do Mimoso, Piçarrão e Piri.

O principal acesso à cidade é pela da BA-210, partindo da cidade de Juazeiro-BA (200 km dist.), no sentido de Sobradinho - BA. Existe serviço diário de transporte rodoviário de passageiros. Outra forma de acesso é pelo Lago de Sobradinho, utilizando o serviço de travessia de embarcações de passageiros, conectando a cidade aos destinos localizados no outro lado do Lago. Há também a possibilidade de acesso por via aérea, utilizando a pista de pouso do aeroporto de Sento Sé (ICAO: SNSE).

Lista de prefeitosEditar

Prefeitos de Sento Sé, a partir de 1942.
Prefeito Inicio do mandato Fim do mandato
Antonio Nunes Sento-Sé 1942 1951
Bolivar Santana Batista 1946 1947
José Nunes Sento-Sé 1948 1948
Custódio Ferreira Sento-Sé 1948 1948
Francisco de Souza Reis 1951 1955
Antonio Nunes Sento-Sé 1955 1959
José Reis Campos 1959 1962
Flávio Nunes Sento-Sé 1963 1967
Eunice Angélica Martins Duarte 1964 1964
Osvaldo Lopes Ribeiro 1967 1971
Demóstenes Carvalho Valverde 1971 1973
Osvaldo Lopes Ribeiro 1973 1977
Joaquim Domingos da Silva (Quinzinho) 1977 1977
Demóstenes Nunes Sento-Sé 1977 1985
José Marques Sobrinho 1985 1985
Joaquim Domingos da Silva (Quinzinho) 1986 1988
Jandir da Silva Sento-Sé 1989 1992
João Leopoldo Nunes Sento-Sé 1993 1993
Hipólito Domingos dos Santos 1993 1996
José Amaro Ferreira Borges 1996 1996
Ednaldo dos Santos Barros 1997 2000
Antônio Joaquim Afonso dos Reis 2000 2000
Juvenilson Passos dos Santos 2001 2004
Juvenilson Passos dos Santos 2005 2008
Ednaldo dos Santos Barros 2009 2012
Ednaldo dos Santos Barros 2013 2016
Ana Luiza Rodrigues da Silva Passos 2017 2020

Filhos ilustresEditar

Ligações externasEditar

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE; IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «estimativa_ibge_2018.xls». agenciadenoticias.ibge.gov.br. Consultado em 26 de março  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 23 de agosto de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 à 2016». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 14 de dezembro de 2018 
  6. a b «Sento Sé» (PDF). Biblioteca IBGE. Consultado em 14 de agosto de 2019  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  7. «Milagre em Sento Sé». foco.atarde.uol.com.br. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  8. «Jazida de ametista descoberta na Bahia atrai 8 mil pessoas em busca de enriquecer». Profissão Repórter. 14 de junho de 2017. Consultado em 13 de agosto de 2019