Serra Negra

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Serra Negra é uma pequena cordilheira que atravessa a divisa dos estados brasileiros de Sergipe e Bahia. Essa serra engloba uma área equivalente à 5.229 ha e uma das suas montanhas principais tem um pico que atinge 762 metros de altura,[1] sendo o ponto mais culminante do território de Sergipe e uma das maiores elevações localizadas dentro da caatinga, no nordeste brasileiro.[2]

Serra Negra
Serra
Complexo Serra Negra, de um lado Bahia e do outro Sergipe
País  Brasil
Região Sergipe e Bahia
Localidades mais próximas Pedro Alexandre, Poço Redondo
Altitude 762 m
Coordenadas 10° 0' 29.16" S 37° 50' 26.50" O

Divisão entre Sergipe e BahiaEditar

A divisão da Serra Negra entre os dois estados proporciona, respectivamente, conflitos de informações no acervo literário (onde as obras mencionam a Serra Negra tanto como uma serra de Sergipe[3] quanto uma serra da Bahia). Esse fato aliado ao fato de que a serra também vêm sendo apresentada com outros nomes, resultou em um trabalho de caracterização do complexo montanhoso publicado em 2020.[1]

Serra da GuiaEditar

A área montanhosa que corresponde ao estado sergipano pertence ao município de Poço Redondo e possui dois picos com 680 e 762 metros que são os pontos mais culminantes do estado[1]. A área sergipana é apresentada frequentemente em obras de cunho acadêmico como Serra da Guia e possui uma outra porção menor que é conhecida popularmente como Serra da Conceição.[1] Encostado ao desdobramento sergipano há uma Comunidade Quilombola (oficialmente reconhecida) denominada Quilombo da Guia.[3]

Serra da VoturunaEditar

A área montanhosa que corresponde ao estado baiano pertence ao município de Pedro Alexandre e possui um pico que atinge a altura de 716 metros[1]. A área baiana é genericamente conhecida pelo próprio nome da cordilheira, Serra Negra e a sua principal porção também recebe o nome histórico-espacial de Serra da Voturuna. Uma área significativa do seu topo é habitada por uma comunidade com características quilombolas, constituída por povos afrodescendentes, que adotaram o modelo de agricultura familiar na localidade.[1]

Bacias hidrográficas procedentesEditar

Em virtude da altura e o relevo acidentado, este complexo montanhoso forma uma barreira natural às massas de ar procedentes do oceano Atlântico que, por meio do sistema de chuvas orográficas, acaba descarregando umidade em suas vertentes. Essa propriedade possibilita que micro-climas abastecidos por maior umidade e temperaturas mais brandas sejam formados e também que parte da água que por infiltração sofre um armazenamento passageiro no solo, mantenha-se por um tempo maior nele ou percole como água subterrânea. Frente a isso, a água armazenada no solo que não for evapotranspirada termina por escoar das matas úmidas paulatinamente formando diversos mananciais hídricos na Serra Negra e ofertando água respectivamente para seis riachos notórios.[1] Esse corpos de água formam as bacias hidrográficas do Rio Jacaré (Poço Redondo), Rio Vaza-Barris[4] e a nascente do Rio Sergipe.

Bacia do Rio JacaréEditar

A bacia Hidrográfica do Rio Jacaré é constituída pelos riachos São Clemente, da Guia e do Boqueirão como corpos de água tributários. Esses riachos colhem tanto a água que escoa das chuvas quanto a água que percole dos brejos no trecho do complexo situado no território de Poço Redondo,[1] compondo os afluentes principais da margem direita da sub-bacia hidrográfica do Rio Jacaré.[5] O Rio Jacaré faz parte do contexto histórico-espacial do município de Poço Redondo (que foi desenvolvido às margens dos poços deste corpo d'agua).[6]

Bacia do Rio Vaza-BarrisEditar

A conexão de diversos córregos que colhem água nas vertentes do desdobramento montanhoso pertencente ao município de Pedro Alexandre constitui um dos tributários do rio Vaza-Barris[4], cujo ponto a jusante da confluência situa-se na comunidade chamada Malhada Grande, em Paripiranga.[7] O Riacho do Meio e Rio do Peixe participam da bacia hidrográfica do rio Vaza-Barris, e ambos são abastecidos com a água procedente do manancial hídrico da serra desde a sede da cidade até as proximidades das comunidades Serra Negra e Lagoa da Mata[1]. Antes de chegar ao Vaza-Barris, ambos os corpos de água abastecem o Reservatório do Gasparino[1] que está construído dentro do município de Coronel João Sá.[8]

Nascente do Rio SergipeEditar

O Rio Sergipe, que banha o estado atravessando pelo sentido oeste/leste e desagua no Oceano Atlântico, nasce em uma área da serra que se encontra entre a Fazenda Sombrio e o Assentamento da Santa Maria[1]. Contudo, em seu curso natural, mais à frente, forma o Riacho do Cachorro, que é um referencial de sua nascente, já que é mais estável durante as épocas de estiagem.[9]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k LIMA, Ricardo Junio Feitosa. O Complexo Montanhoso Serra Negra. Athos – Revista de Estudos Integrados, Vol.5, N.1, 2020. ISSN 2674-8002.
  2. SILVA, T. E. Múltiplos olhares sobre o Semi-Árido nordestino: sociedade, desenvolvimento, políticas públicas. Sergipe: Editora Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Sergipe, 2003. 329 p.
  3. a b FRIZERO, M. G. Quilombo Serra da Guia (Coleção Terras de quilombos). Belo Horizonte: FAFICH, 2016.
  4. a b CPRM, Serviço Geológico do Brasil. Projeto Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea: Diagnóstico do Município de Pedro Alexandre - Bahia. Salvador: CPRM/PRODEEM, 2005. 14p.
  5. SANTANA, J. L. S. Impacto da precipitação e de vazão máximas em obras de infraestrutura em uma sub-bacia do semi-árido de Sergipe. Ciências ambientais & Desenvolvimento, v. 8, p. 795-796. 2007.
  6. IBGE, Cidades (2017). «Poço Redondo». cidades.ibge.gov.br. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística | v4.4.11. Consultado em 15 de outubro de 2020 
  7. INEMA. Qualidade das águas do Estado da Bahia: Programa Monitora – 1ª Campanha 2015. Regiões de Planejamento e Gestão das Águas - RPGA do Rio Vaza-Barris. 2015.
  8. ANA. Reservatórios do Semiárido Brasileiro: hidrologia, balanço hídrico e operação. Relatório Final. Agência Nacional de Águas - Brasília: ANA, Engecorps Engenharia S.A., 2016.
  9. ALVES, J. P. H. Rio Sergipe: importância, vulnerabilidade e preservação. São Cristóvão: Editora UFS, 2006.

Ver tambémEditar