Serra do Jatobá

formação rochosa situada no complexo conhecido como Palestina do Cariri, no município de Serra Branca, estado da Paraíba, no Brasil

A serra do Jatobá ou Itamorotinga (em Tupi) é uma formação rochosa situada no complexo conhecido como Palestina do Cariri, no município de Serra Branca, estado da Paraíba, no Brasil. Distante aproximadamente 9 km a sudoeste do perímetro urbano da cidade, a Serra do Jatobá é frequentemente descrita em alguns textos como sendo o maior monólito granítico da América do Sul (ainda que não se tenha identificado referências científicas que comprovem tal afirmativa).[1]

Serra do Jatobá
Vista parcial da Serra do Jatobá em 2014
Coordenadas Coordenadas : formato inválido
Altitude 745 m (2 444,2 pés)
Localização Serra Branca, Paraíba, Brasil
Cordilheira Palestina do Cariri
Rota mais fácil Serra Branca

É o principal monumento geológico e turístico do município, o qual conta com diversos sítios arqueológicos, onde existem inúmeras inscrições rupestres gravadas.[2]

Geologia e aspectos fisiográficosEditar

O município de Serra Branca encontra-se totalmente inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, na microrregião do Cariri Ocidental e é formado por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 a 1.000 metros, ocupando uma área de arco que se estende desde o sul do estado do Alagoas até o estado do Rio Grande do Norte.[3]

No semiárido brasileiro, vários afloramentos são utilizados para visitação pública e exercem papel destacado no desenvolvimento do ecoturismo regional. O afloramento da Serra do Jatobá, com seus 3 km de extensão por 2 km de largura e 500 m de altura,[4] encontra-se no Domínio dos Complexos Granitoides deformados, onde predominam em séries graníticas subalcalinas, planaltos e inselbergs.[5] Tal afloramento, caracterizado por formações graníticas e gnáissicas isoladas, se destaca pela ocorrência de uma flora local bem particular diversa da flora do entorno, além de constituir importantes sítios arqueológicos.[6]

ArqueologiaEditar

Sítio arqueológico TamborilEditar

A literatura arqueológica registra diversos sítios no município de Serra Branca. Um dos mais importantes localiza-se numa localidade denominada Tamboril, um extenso lajedo que serve de base para a Serra do Jatobá, do qual se origina o nome do sítio arqueológico.[7]

O sítio apresenta-se no lajedo, ao pé da serra, numa rocha matriz, sendo considerado como painel único, pela dispersão das sinalações, com as seguintes dimensões: 20,7m de largura por 20m de comprimento, com orientação oeste.

As gravuras foram feitas sobre a rocha matriz da serra, na sua base, de forma que, muitas se encontram bastante degradadas pelo intemperismo do local, a exemplo de gravações com sinais geométricos (circulares e lineares) já muito desgastadas. Seus blocos de rochas apresentam bordas muito tênues, devido à ação de intempéries.[8]

Sítio arqueológico PoçãoEditar

O sítio arqueológico Poção está localizado no alto de afloramentos graníticos, distantes 7 quilômetros da zona urbana do município de Serra Branca, mais precisamente na localidade Poção, onde se encontram incrustadas as sinalações pré-históricas. É composto de um conjunto de desmedidos blocos graníticos que talvez tenham desfraldado-se de um enorme batólito por efeitos tectônicos ou mesmo térmicos. Seu dorso é relativamente plano e fica à 6 metros do solo, acessível por pedras menores provendo degraus, facilitando a subida sem que seja necessário qualquer tipo de equipamento especial de escalada.[9]

As gravuras apresentam motivos geométricos, alguns apenas raspados e pouco profundos, curvilíneos, lineares, e diversas formas onduladas ora em forma de correntes, ora formando ondas simétricas.[10] Seis painéis são distribuídos no sítio de forma regular, com orientações Sudoeste e Noroeste e tamanhos diferenciados.[11]

O que tem intrigado os cientistas que chegam ao local para pesquisas são duas linhas paralelas que cruzam o lajedo de sul a norte. São semelhantes à trilhos, dividindo o painel rupestre de maneira distinta em dois conjuntos: em seu lado esquerdo o painel está configurado com diversos símbolos num amplo espaço, de forma bem espalhada e do lado direito há uma concentração de símbolos em um curto espaço com a predominância dos círculos concêntricos. Observando-as, de sul a norte, vemos que estas linhas formam um caminho imaginário que seguindo em linha reta terá como destino a Serra do Jatobá, visível num raio de 80 quilômetros. Os estudiosos divergem a respeito se seriam estas linhas alguma indicação do relevo ou mesmo alguma sinalização hídrica.[12]

Referências

  1. Leonardo Figueiredo de Meneses e Marcos Antônio Leite do Nascimento. «Proposta de frameworks para inventariação de Geossítios do Cariri Paraibano». Caderno de Geografia, v.24, n.42, 2014. Consultado em 4 de maio de 2015 
  2. Thomas Bruno Oliveira. «Boletim Informativo da Sociedade Paraibana de Arqueologia» (PDF). Sociedade Paraibana de Arqueologia. Consultado em 4 de abril de 2014 
  3. Josinaldo Viana da Silva e Marília Maria Quirino Ramos. «Cisternas de Placas: um estudo sobre o uso e a gerência da água no Sitio Cantinho no município de Serra Branca – PB - Brasil». INFORMATIVO TÉCNICO DO SEMI-ÁRIDO - ISSN: 2317-305X. Consultado em 7 de maio de 2014 
  4. Ministério do Turismo. «Caminhos do Brasil» (PDF). Guia Caminhos do Brasil. Consultado em 7 de maio de 2014 
  5. Ministério de Minas e Energia, Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral. «Influência das unidade geológico-ambientais e formas de relevo nas adequabilidades e limitações frente ao uso e ocupação e nos potenciais mineral e turístico» (PDF). Mapa Geodiversidade do estado da Paraíba. Consultado em 7 de maio de 2014 
  6. Instituto Nacional do Semi-Árido. «Relatório de Atividades 2012 - Insa» (PDF). Relatório de Atividades 2012. Consultado em 7 de maio de 2014 
  7. Thomas Bruno Oliveira. «Boletim Informativo da Sociedade Paraibana de Arqueologia» (PDF). Sociedade Paraibana de Arqueologia. Consultado em 4 de maio de 2015 
  8. Carlos Xavier de Azevedo Netto, Adriana Machado Pimentel de Oliveira Kraisch e Conrad Rodrigues Rosa. «Territorialidade e arte rupestre – inferências iniciais acerca da distribuição espacial dos sítios de arte rupestre na região do Cariri paraibano.» (PDF). Revista de Arqueologia, 20: 51-65, 2007. Consultado em 4 de maio de 2015 
  9. Thomas Bruno Oliveira. «Boletim Informativo da Sociedade Paraibana de Arqueologia» (PDF). Boletim Sociedade Paraibana de Arqueologia. Consultado em 4 de maio de 2015 
  10. Thomas Bruno Oliveira. «Boletim Informativo da Sociedade Paraibana de Arqueologia» (PDF). Boletim Sociedade Paraibana de Arqueologia. Consultado em 4 de maio de 2015 
  11. Carlos Xavier de Azevedo Netto, Adriana Machado Pimentel de Oliveira Kraisch e Conrad Rodrigues Rosa. «Territorialidade e arte rupestre – inferências iniciais acerca da distribuição espacial dos sítios de arte rupestre na região do Cariri paraibano.» (PDF). Revista de Arqueologia, 20: 51-65, 2007. Consultado em 4 de maio de 2015 
  12. Thomas Bruno Oliveira. «Boletim Informativo da Sociedade Paraibana de Arqueologia» (PDF). Boletim Sociedade Paraibana de Arqueologia. Consultado em 4 de maio de 2015