Simbácio IV Bagratuni

Simbácio IV Bagratuni
Nacionalidade
Derafsh Kaviani.png
Império Sassânida
Progenitores Pai: Manuel Bagratuni
Filho(s) Basterotzes II Bagratuni
Gariquepetes[1]
Ocupação General

Simbácio IV Bagratuni (em grego: Συμβάτιος; transl.: Symbátios; em armênio/arménio: Սմբատ; transl.: Smbat; m. 616) foi naxarar da família Bagratuni que serviu como marzobam da Hircânia de 595 a 602 e então marzobam da Armênia de 604 a 611 ou 616 para René Grousset ou de 599 a 607 por Christian Settipani.

VidaEditar

 
Soldo de Maurício I (r. 582–602)
 
Dracma de Vararanes VI (r. 590–591)

Simbácio era filho de Manuel Bagratuni e pai de Basterotzes II É citado pela primeira vez nos anos 580, quando o imperador Maurício I (r. 582–602) solicitou que os naxarares recrutassem cavaleiros para servir na guerra contra os avares no Danúbio. Simbácio e Isaac Mamicônio lideram uma unidade de 1 000 cavaleiros cada para Constantinopla, onde foram ricamente recompensados e enviados para casa. Sebeos também diz que Maurício supostamente adotou Simbácio na ocasião.[2] Em 589, porém, Simbácio lidera rebelião contra os bizantinos, foi capturado por Domencíolo e enviado a Constantinopla, onde foi condenado a morte (talvez por comissão senatorial) e foi jogado para ser devorado por feras no hipódromo.[3] Sebeos afirma que dominou um urso, um touro e um leão[4] e então foi salvo no último minuto por Maurício, por aclamação popular, e então banido, em decorrências de várias mentiras maliciosas proferidas, para "terras distantes" e depois à África,[3] de onde fugiu e se refugiou no Império Sassânida.[5]

Simbácio entra no serviço do Cosroes II (r. 590–628), logo se torna seu favorito e é honrado com o título de "Satisfação de Cosroes" (Ḵosrow Šum); outros afirmam que ganha o título apenas em 608.[3] Segundo Parvaneh Pourshariati, a casa de Simbácio auxiliou Cosroes durante a guerra civil sassânida de 589-591 contra o rebelde Vararanes VI (r. 590–591).[6] Em 595, foi nomeado ministro menor das finanças e marzobam da Hircânia (zona costeira meridional do mar Cáspio), posição que reteve por 8 anos (até 602).[7] Em seu mandato, a província prospera e ele recebe o comando de forças persas e armênias com as quais teve sucessos variados.[8] Ele auxiliou na supressão de insurreições no Oriente, como aquela de Bistam no Coração.[9][10] Também descobriu uma colônia armênia no Turquestão e deu-lhe os sacerdotes que lhe faltavam. Sua lealdade e seus sucessos foram dignos de honra para sua família, e seu filho Basterotzes foi nomeado copeiro real.[11] Simbácio também foi nomeado tanuter (membro sênior de um família naxarar).[12]

 
Dracma de Bistam
 
Dinar de Cosroes II (r. 590–628)

Segundo selo recém-publicado, no 18º ano do reinado de Cosroes (607/608), Simbácio foi enviado à Armênia com poderes especiais e o título de "comandante do exército dos senhores das casas" (gund-i-kadag xwadāyag ān framādār), dignidade apoiada pelo título de "Senhor das Casas" que lhe foi dado no Livro das Cartas;[8] vários autores sugerem que também foi designado marzobam da província, mas as datas variam: René Grousset sugeriu de 604 a 611/616[11] e Christian Settipani de 599 a 607.[13] Seus poderes extraordinários permitiram-lhe reafirmar a autoridade da coroa persa sobre a Armênia, restaurar o prestígio da enfraquecida Igreja com a convocação de um concílio e e eleição do católico Abraão I após vacância de 3 anos, e reconstruir a Catedral de Gregório, o Iluminador na capital administrativa de Dúbio, superando os objetivos das autoridades persas locais.[8] Também interveio no concílio de Dúbio para impedir que os bispos armênios se alinhassem à ortodoxia grega.[14]

Em seus últimos anos, talvez em 608,[3] Simbácio liderou um exército persa-armênio contra os "cuchanas" (turcos ou heftalitas), talvez matando seu rei em combate corpo a corpo. Após essa nova vitória, foi reconvocado à corte persa em Ctesifonte, onde morreu em 616 ou 617 cheio de honrarias. Para N. Garsoian, sua carreira brilhante provavelmente é fruto de um exagero do relato super laudatório de Sebeos, no qual exalta-se a força, proeza, piedade e honras do biografado, virtudes que passam a seu filho Basterotzes. Apesar disso, ressalta o autor, a correspondência preservada no Livro das Cartas e o selo sassânida recém-descoberto testemunham sua importante atividade, ao menos na Armênia e fronteira oriental do Império Sassânida.[8]

Ver tambémEditar

Precedido por
Butma
Marzobam da Armênia
604–611 ou 616/7
Sucedido por
Saraiampetes ou Namdar Gusdanaspes

Referências

  1. Martindale 1992, p. 1363.
  2. Settipani 2006, p. 330.
  3. a b c d Martindale 1992, p. 1210.
  4. Grousset 1947, p. 259-260.
  5. Grousset 1947, p. 260.
  6. Pourshariati 2008, p. 154, nota 825.
  7. Toumanoff 1990, p. 111.
  8. a b c d Garsoian 2005.
  9. Pourshariati 2008, p. 136–137.
  10. Shahbazi 1989.
  11. a b Grousset 1947, p. 261-264.
  12. Pourshariati 2008, p. 153-154.
  13. Settipani 2006, p. 330-331.
  14. Grousset 1947, p. 264 e 268.

BibliografiaEditar

  • Garsoian, N. (2005). «Smbat Bagratuni». Enciclopédia Irânica. Nova Iorque: Columbia University Press 
  • Grousset, René (1947). História da Armênia das origens à 1071. Paris: Payot 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). «Symbatius 1». The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8 
  • Pourshariati, Parvaneh (2008). Declínio e queda do Império Sassânida. Nova Iorque: IB Tauris & Co Ltd. ISBN 978-1-84511-645-3 
  • Settipani, Christian (2006). Continuidade das elites em Bizâncio durante a idade das trevas. Os príncipes caucasianos do império dos séculos VI ao IX. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8 
  • Shahbazi, A. Shapur (1989). «Besṭām o Bendōy». Enciclopédia Irânica. Nova Iorque: Columbia University Press 
  • Toumanoff, Cyril (1990). Les dynasties de la Caucasie chrétienne de l'Antiquité jusqu'au xixe siècle: Tables généalogiques et chronologiques. Roma: Edizioni Aquila