Siponto

comuna italiana e cidade da Antiguidade
Siponto está localizado em: Itália
Siponto
Localização de Siponto em Itália

Siponto (em latim: Sipontum ou Sipuntum; em grego: Σιποῦς; transl.: Sipos) foi uma antiga cidade portuária da Apúlia, no sul de Itália, que foi abandonada na sequência de terramotos ocorridos no século XIII. Atualmente a área é administrada como uma fração da comuna de Manfredonia, na província de Foggia e nela se situa uma estância balnear de renome chamada Lido di Siponto.

HistóriaEditar

Segundo a lenda, Siponto foi fundada por Diomedes, tendo resultado da união entre esse herói homérico e a filha de Dauno, o rei dos daunos. De facto, Siponto foi inicialmente habitado por daunos, tornando-se depois uma próspera colónia grega. Tendo caído nas mãos dos samnitas, foi reconquistada c.335 a.C. pelo rei Alexandre I do Epiro, tio de Alexandre, o Grande. Em 189 a.C. tornou-se uma colónia romana.

Segundo uma lenda, o evangelho foi pregado em Siponto por São Pedro e São Marcos e a cidade teria sido a primeira diocese de Itália. No entanto, o primeiro bispo de Siponto de que há registo é um Félix nomeado em 465. Uma tradição mais fiável é a do martírio de São Justino de Siponto e dos seus companheiros Florêncio, Félix e Justa durante o reinado de Galiano ou Maximiano (algumas fontes mencionam o ano 255). No tempo do bispo Lourenço, durante o reinado do papa Gelásio I (r. 492–496), ocorreu no monte Gargano a aparição de São Miguel, em memória da qual foi fundado o célebre Santuário do Monte Sant'Arcangelo.

 
Praça de Santo André (Piazza di Sant'Andrea), em Siponto

Em 663 d.C. Siponto foi tomada e destruída por eslavos. Cerca de 688 o papa Vitaliano extinguiu a diocese de Siponto, pois a cidade estava praticamente abandonada, passando a fazer parte da diocese de Benevento. Nos séculos VIII e IX esteve durante alguns tempos anos sob domínio dos sarracenos. A 10 de julho de 926, então sob o domínio bizantino, foi saqueada pelo eslavo Miguel da Zaclúmia.[1] Não é claro se esse ataque foi feito por ordem de Tomislau I da Croácia, como é sugerido por alguns historiadores. Aparentemente Tomislau enviou a marinha croata sob o comando de Miguel para expulsar os sarracenos daquela parte do sul de Itália e libertar a cidade.[2]

Siponto voltou a ser diocese em 1034 e sob o bispo São Gerardo foi elevada a arquidiocese em 1066. Em 1042 os normandos tornaram-na a capital dum dos seus doze condados e em 1052, obtiveram ali uma vitória decisiva sobre os bizantinos comandados pelo general Argiro. Em 1223 a cidade foi sacudida por um violento sismo. Em 1255 ocorreu outro terramoto (e possivelmente tsunami), que a reduziram a escombros. Manfredo da Sicília decidiu então reconstruir a cidade noutro local. A nova cidade foi batizada de Manfredonia e a sé da arquidiocese foi para lá transferida.

Monumentos e locais de interesseEditar

 
Ruínas da antiga basílica de Siponto
  • Dois túmulos neolíticos, que se encontram num pinhal.
  • Catacumbas da Igreja de Santa Maria Regina.
  • A Fonte Tommaso Piscitelli deve o seu nome ao escultor homónimo. Obra da década de 1930, foi erguida na praça Falcone-Borsellino adjacente à igreja de Santo André Apóstolo no bairro de pescadores chamado "casas à beira-mar", a norte de Siponto. Apresenta um homem forte no centro, o "Gargano", que com três mulheres representam as atividades económicas históricas da região — o pastoreio, a agricultura e a pesca — e um vaso como símbolo de abundância. No cimo há três putti segurando uma concha, que em 1943 substituiu as fasces originais.

NotasEditar

  1. Rački 1861, p. 15.
  2. Omrčanin 1984, p. 24.

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Siponto
 
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