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Sociolinguística é o ramo da linguística que estuda a relação entre a língua e a sociedade. É o estudo descritivo do efeito de qualquer e todos os aspectos da sociedade, incluindo as normas culturais, expectativas e contexto, na maneira como a língua é usada, e os efeitos do uso da língua na sociedade. O “objeto da Sociolinguística é a língua falada/sinalizada, observada, descrita e analisada em seu contexto social, isto é, em situações reais de uso.” Ou seja, a  Sociolinguística ocupa-se da língua não somente por si, mas como esta se modifica para adequar-se aos seus falantes.[1] É subdividida em Sociolinguística Variacionista, cujo fundador é William Labov, na Sociolinguística Interacional, proposta por John J. Gumperz e na Sociolinguística Educacional, pensada por Stella Maris Bortoni-Ricardo. .



DefiniçõesEditar

Há três termos importantes para a sociolinguística, que podem ser facilmente confundidos entre si:

  • Variedade: são as diferentes formas de manifestação da fala dentro de uma língua, a partir dos diferentes traços que a condicionam, eles podem ser: sociais, culturais, regionais e históricos de seus falantes. As variedades linguísticas classificam-se como:
    • Dialeto: modo particular de uso da língua numa determinada localidade. Diferente do que pensam muitos linguistas, o termo dialeto não serve para designar variedade linguística.
    • Socioleto: é a variedade linguística de um determinado grupo de falantes que partilham os mesmos traços e experiências socioculturais.
    • Idioleto: é o modo particular de cada indivíduo expressar-se através da fala.
    • Cronoleto: variedade pertencente a uma determinada faixa etária, ou seja, modo próprio desta geração manifestar-se.[2]
  • Variante: termo utilizado nos estudos de sociolinguística para designar o item linguístico que é alvo de mudança. Assim, no caso de uma variação fonética, a variante é o alofone. A variante representa, portanto, as formas possíveis de realização. No entanto, na linguística geral, o termo "variante dialetal" é usado como sinônimo de dialeto.
  • Variável: traço, forma ou construção linguística cuja realização apresenta variantes observadas pelo investigador. Em outras palavras, a variável é todo fenômeno linguístico que pode ser realizado por duas ou mais variantes. A realização de primeira pessoa do plural é uma variável linguística e as formas "nós" e "a gente" são duas variantes possíveis de realização dessa variável.[3]

Em um fenômeno variável, cabe ao sociolinguista investigar os contextos de uso que favorecem a presença de uma das variantes. Caso uma variante apresente frequência de uso maior do que a outra, pode ser que alguma mudança linguística esteja ocorrendo ou esteja prestes a ocorrer. Por outro lado, caso não haja frequência de uso maior de uma variante, pode ser que se trate de uma variação estável presente na língua.[4]

HistóriaEditar

Embora o aspecto social da língua tenha chamado a atenção desde cedo, tendo tido relevância já no trabalho do linguista suíço Ferdinand de Saussure no início do século XX, foi talvez somente nos anos 1950 que este aspecto começou a ser investigado minuciosamente. Os estudos linguísticos antes de Saussurre tinham um caráter histórico-comparativo, buscando identificar relações entre o latim, o grego e outras línguas. A partir de Saussurre, a linguística se consolidou como ciência e sua perspectiva de estudo passa de diacrônica para sincrônica. Saussurre dividiu a língua em dois aspectos: a língua e a fala. Foi aí que o autor privilegiou o estudo da língua, entendendo-a como um sistema  composto de signos e de regras que possuem valores correspondentes. Após a morte de Saussurre, seus ex-alunos Charles Bally e Albert Sechehaye organizaram um livro a partir de anotações realizadas durante as aulas ministradas pelo suíço. Foi aí que surgiu o “Curso de Linguística Geral”.

Pioneiros como Uriel Weinreich, Charles Ferguson e Joshua Fishman chamaram a atenção para uma série de fenômenos interessantes, tais como a diglossia (situação em que duas línguas coexistem sendo que o uso de uma depende da situação comunicativa da outra) e os efeitos do contato linguístico. O termo “Sociolinguística” apareceu pela primeira vez em 1953, num trabalho de Haver C. Currie. Mas pode-se dizer que a figura chave foi William Labov, que, nos anos 1960, começou uma série de investigações sobre a variação linguística – investigações que revolucionaram a compreensão de como os falantes utilizam sua língua e que acabaram por resolver o Paradoxo de Saussure.

Os estudos sociolinguísticos começaram a se consolidar a partir de 1964 com a realização de um congresso na Universidade da Califórnia, no estado de Los Angeles, Estados Unidos. Esse congresso foi organizado por William Bright, e contou com a participação de importantes figuras nos estudos da Sociolingüística mundial: William Labov, Dell Hymes e John Gumperz. A língua passa a ser vista como um produto social, pertencente a todos os indivíduos de uma comunidade, de modo que estes indivíduos possam utilizá-la de diferentes maneiras, sendo reconhecido assim o caráter heterogêneo da língua. Portanto, a Sociolinguística voltou as atenções para a relação entre língua e sociedade e as diferentes possibilidades comunicativas (as variedades linguísticas). Coube a William Labov o papel de pioneiro dos estudos desta nova disciplina em 1963, quando analisa o inglês falado na ilha de Martha’s Vineyard, no estado de Massachusetts (EUA). Após esta pesquisa, várias outras surgiram: como a estratificação social do inglês falado na cidade de Nova York (1966); a língua do gueto, entre outros.

Este ramo pode ser dividido em outras vertentes, para estudar diversos aspectos do uso da língua, podendo ser de cunho Variacionista, Educacional e Interacional.

A Sociolinguística Variacionista, ou Teoria da Variação e Mudança, é uma abordagem proposta por William Labov para explicar a covariação sistemática entre língua e sociedade.[5]

A Sociolinguística Educacional, rótulo assumido por Stella Maris Bortoni-Ricardo, tem se constituído como um campo de aplicação da sociolinguística aos programas de formação de docentes para o ensino de língua materna.

Já a Sociolinguística Interacional ou Sociointeracionismo, surgiu na década de 1970 e foi apresentado pelo linguista americano John Joseph Gumperz. [...] tem como foco as interações linguístico-sociais, as interpretações e inferências produzidas pelos interlocutores a partir dessa relação, sejam ligadas a traços linguísticos ou não linguísticos, como gestos, expressões faciais e pausas.[6]

Referências

  1. CAVALCANTE, Marianne Carvalho Bezerra. SOCIOLINGUÍSTICA
  2. BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 47-48, 2007.
  3. MOLLICA, Maria Cecilia; BRAGA, Maria Luiza (2013). Introdução à Sociolinguística: o tratamento da variação. São Paulo: Contexto. pp. 9–14 
  4. MARTELOTTA, Mário Eduardo (2009). Manual de Linguística. São Paulo: Contexto. pp. 141–155 
  5. FREITAG, Raquel Meister Ko.; CYRANKA, Lúcia Mendonça. Sociolinguística Variacionista e Educacional: tendências metodológicas. In: GONÇALVES, A.; GOIS, M. (orgs). Ciência da Linguagem: o fazer cientifico. Vol 2. Campesas Mercado de Letras, 2014
  6. WITKOWSKI, Rejane. A Sociolinguística e suas Principais Correntes de Estudo. Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI. 2013.

Ver tambémEditar

Ligações ExternasEditar

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BAGNO, Marcos. Língua, linguagem, linguística: pondo os pingos nos ii. 1 ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.

ALKMIM, Tânia Maria. Sociolinguística: parte 1. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina. (orgs). Introdução à Linguística: domínios e fronteiras, vol 1. Ed. São Paulo: Cortez, 2008.

BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolingüística na sala  de aula. São Paulo: Parábola  Editorial, 2004

BORTONI-RICARDO, Stella maris. Manual de Sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2014.

LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. Ed. Parábola, 2008.