Sufiane ibne Aufe

Sufiane ibne Aufe ibne Almugafal Alazedi Algamidi (em árabe: سفيان بن عوف بن المغفل الأزدي الغامدي; romaniz.: Sufyān ibn ʿAwf ibn al-Mughaffal al-Azdī al-Ghāmidī; falecido em 672 ou 673/4) foi um comandante árabe a serviço dos califas ortodoxos Omar (r. 634–644) e Otomão (r. 644–656)e o califa omíada Moáuia I (r. 661–680). Ele lutou como partidário de Moáuia contra o califa Ali durante a Primeira Fitna, liderando um ataque contra as forças deste último no Iraque. Ao longo de sua carreira militar, foi o comandante principal nas guerras com o Império Bizantino. Embora os relatos medievais em árabe, grego e siríaco não sejam inteiramente consistentes, provavelmente estava à frente de um grande exército árabe que foi derrotado de forma decisiva pelos bizantinos em 673/74 e foi morto durante a batalha.

VidaEditar

Sufiane pertencia ao ramo gamida dos azeditas, residente no sul de Hejaz (oeste da Arábia).[1] Era companheiro do profeta Maomé.[2] Durante a conquista muçulmana da Síria bizantina, participou do cerco e captura de Damasco em 634 ou 635 como tenente de Abu Ubaidá ibne Aljarrá. Durante o califado de Otomão (r. 644–656), se tornou leal ao governador da Síria, Moáuia ibne Abu Sufiane.[3] Por um certo período, o último nomeou Sufiane saíbe alçauaife (ṣāḥib al-ṣawāʾif), ou seja, comandante-chefe das expedições de verão no território bizantino na Anatólia, através da fronteira norte.[2][4]

Durante a Primeira Fitna entre Moáuia e Ali (r. 656–661), liderou um ataque contra as posições de Ali no Iraque em 659/660[5] ou no verão de 660.[6] Alcançou Hite e Sandauda pela primeira vez, ambas na margem oeste do Eufrates, e ao encontrá-las abandonadas por suas guarnições e habitantes, que fugiram com a notícia do ataque iminente de Sufiane, prosseguiu em direção a Ambar, na margem leste do rio.[7] Durante o ataque, o comandante da guarnição de Ambar Asras ibne Haçane Albacri, e trinta de seus soldados, foram mortos.[5] Depois de saquear a cidade, retirou-se à Síria sem prosseguir para Almadaim conforme instruído por Moáuia, que mesmo assim o elogiou pela eficiência e sucesso da expedição. Ele prometeu instalar Sufiane em qualquer escritório que desejasse. Os ataques contribuíram à fuga de muitos iraquianos à Síria durante a guerra.[8]

Moáuia acabou prevalecendo no conflito e se tornou califa em 661. Reiniciou as campanhas contra o Império Bizantino após a calmaria causada pela guerra civil e em 665 nomeou Sufiane ao lado de seu próprio filho Iázide para liderar um ataque de verão contra os bizantinos; Sufiane e seus homens entraram em território bizantino antes de Iázide, mas logo depois retiraram-se como resultado de uma doença.[9] Nos relatos muçulmanos medievais de Iacubi (m. C. 900) e Tabari (m. 923), foi o comandante de um ataque contra o território bizantino em 670/71.[10] De acordo com os historiadores tradicionais muçulmanos Uaquidi (falecido em 822), Califa ibne Caiate (falecido em 854), Iacubi e Tabari, liderou uma expedição contra os bizantinos em 672, durante a qual Uaquidi e Iacubi afirmam que morreu.[11] De acordo com o historiador siríaco Teófilo de Edessa (falecido em 785), foi morto com 30 000 de seus homens por um exército bizantino liderado pelos patrícios Floro, Petronas e Cipriano em 673/74; Miguel, o Sírio (falecido em 1199), observa ainda que o local da batalha foi em uma cidade costeira da Lícia sitiada pelos árabes.[12] A batalha foi um ponto de viragem nesta fase das guerras árabe-bizantinas, preparando os bizantinos para uma contra-ofensiva nos anos seguintes.[13] Na biografia de Sufiane por ibne Açaquir (falecido em 1176), diz-se que foi morto em território bizantino em 674.[14]

Referências

  1. Ulrich 2008, p. 87, 99.
  2. a b Elad 2003, p. 108.
  3. Biesterfeldt 2018, p. 809, nota 1164.
  4. Biesterfeldt 2018, p. 809.
  5. a b Biesterfeldt 2018, p. 853, nota 1412.
  6. Madelung 1997, p. 293, nota 549.
  7. Madelung 1997, p. 293.
  8. Madelung 1997, p. 294.
  9. Biesterfeldt 2018, p. 905.
  10. Jankowiak 2013, p. 267.
  11. Jankowiak 2013, p. 266–267.
  12. Jankowiak 2013, p. 246, 276.
  13. Jankowiak 2013, p. 276.
  14. Jankowiak 2013, p. 279, nota 178.

BibliografiaEditar

  • Madelung, Wilferd (1997). The Succession to Muhammad: A Study of the Early Caliphate. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. ISBN 978-0-521-64696-3 
  • Biesterfeldt, Hinrich; Günther, Sebastian (2018). The Works of Ibn Wāḍiḥ al-Yaʿqūbī (Volume 3): An English Translation. Leiden: Brill. ISBN 978-90-04-35621-4 
  • Elad, Amikam (2003). «The Beginnings of Historical Writing by the Arabs: The Earliest Syrian Writers on the Arab Conquests». Estudos de Jerusalém em Árabe e Islã [Jerusalem Studies in Arabic and Islam]. 28: 65–102 
  • Jankowiak, Marek (2013). «The First Arab Siege of Constantinople». In: Zuckerman, Constantin. Travaux et mémoires, Vol. 17: Constructing the Seventh Century. Paris: Association des Amis du Centre d’Histoire et Civilisation de Byzance. pp. 237–320 
  • Ulrich, Brian John (2008). Constructing Al-Azd: Tribal Identity and Society in the Early Islamic Centuries. Madison: Universidade de Uisconcim