Taifa de Baeza

A Taifa de Baeza foi um reino muçulmano que surgiu no Alandalus após a derrota do Califado Almóada pelos exércitos cristãos na batalha de Navas de Tolosa (1212). O seu único rei foi Al-Bayyasi, que foi executado por traição pelos almóadas na localidade cordovesa de Almodóvar del Río em 1226.

Porta de Jaén e arco de Villalar. Baeza

HistóriaEditar

Este reino taifa, que compreendia um território situado entre as atuais províncias espanholas de Jaén e Córdova, perdurou apenas entre 1224 e 1226. O seu único emir foi Abdalá ibne Maomé, o Baezano (Al-Bayyasi, que foi vassalo de Fernando III de Leão e Castela, a quem apoiou em diversas campanhas contra outros reis muçulmanos.

Em 1225 o rei da taifa de Baeza entregou a Fernando III, entre outros, os castelos de Jaén, Andújar e Martos, embora alguns autores sustenham que tal entrega foi realizada em outro momento,[1] encomendando a seguir o rei a posse, cujas rendas ascendiam a 50 000 maravedis afonsinos, das fortificações de Andújar e Martos a Álvaro Pérez de Castro "o Castelhano", ao mesmo tempo que na zona se assentavam tropas das Ordens de Santiago e de Calatrava,[2] passando a tornar-se a localidade de Martos no centro do dispositivo cristão de defesa na zona.[3]

A partir do momento no qual tomou posse de ambas fortificações, Álvaro Pérez de Castro começou a realizar incursões de devastação e saque nas terras que rodeavam os seus castelos e que permaneciam leais ao governador almóada de Sevilha, quem reuniu um exército com tropas recrutadas em Córdova, Sevilha, Jerez de la Frontera e Tejada, e que foi derrotado por Álvaro Pérez de Castro numa batalha campal na que ocasionou graves perdas aos almóadas, o que ocasionou que a maioria das vilas situadas entre Sevilha e Córdova, a fim de evitar os ataques cristãos, reconhecessem o rei de Baeza como seu senhor, pois era aliado do rei de Castela.[4]

Pouco depois da sua vitória, os muçulmanos sitiaram e tomaram o castelo de Garcíez, no que se encontrava um cavaleiro chamado Martín Gordillo, apesar de Álvaro Pérez de Castro acudir no seu socorro. Porém, não chegou a hora de impedir que fora tomada pelos almóadas, o que provocou que Fernando III o Santo, acompanhado por vários magnatas e prelados se dirigisse para Andújar, o que surpreendeu Álvaro Pérez de Castro, que se encontrava na cidade de Córdova em companhia do rei taifa de Baeza.[5] Uma vez reunidos o rei de Baeza e Fernando III em Andújar, acordaram que o de Baeza entregaria ao soberano castelhano outros três castelos, e que até lhe forem entregados o castelo de Baeza seria ocupado por tropas castelhanas, instalando-se nele a seguir os Maestres das Órdens de Santiago e de Calatrava, e enquanto isso, Fernando III sitiava a localidade de Capilla, situada na atual província de Badajoz, ao mesmo tempo que, no mês de julho de 1226, o rei de Baeza, era executado por traição pelo Califado Almóada na localidade cordovesa de Almodóvar del Río.[6]

A execução do rei de Baeza provocou que o governador de Jaén atacasse a guarnição cristã do Alcácer de Baeza, a qual resistiu no interior do alcácer, apesar de os muçulmanos dominarem o restante da cidade. Apesar disso, o governador de Jaén, temente a que acudissem à zona reforços cristãos, abandonou a cidade sem sitiar o alcácer, provocando assim que a população muçulmana das localidades de Baeza, Martos e Andújar, entre outras, abandonassem as suas cidades em finais de 1226, ficando desocupada Baeza de muçulmanos no segundo semestre desse ano.[7] Em 1227 Fernando III nomeou Lope Díaz de Haro tenente de Baeza, os primeiros povoadores cristãos começaram a chegar a Baeza, Andújar e Martos, enquanto nesta última a posse de Álvaro Pérez de Castro se viu reforçada pela presença de Tello Alfonso de Meneses, filho de Alfonso Téllez de Meneses e sobrinho de Tello Téllez de Meneses, bispo de Palência.

Referências

  1. Eslava Galán, Juan (1987). «La campaña de 1225 y el primer cerco de Jaén por Fernando III». Jaén: Instituto de Estudios Giennenses. Boletín del Instituto de Estudios Giennenses (132): 37-38. ISSN 0561-3590. Consultado em 26 de fevereiro de 2010 
  2. González González, Julio (2006). Consejo Superior de Investigaciones Científicas. Instituto Jerónimo Zurita, ed. Las conquistas de Fernando III en Andalucía. Edição fac-símile. Valladolid: Editorial Maxtor. 43 páginas. ISBN 84-9761-277-9 
  3. Eslava Galán, Juan (1990). «El castillo de la Peña de Martos y la Orden de Calatrava». Jaén: Instituto de Estudios Giennenses. Boletín del Instituto de Estudios Giennenses (142). 154 páginas. ISSN 0561-3590. Consultado em 26 de fevereiro de 2010. "... Martos passou assim a ocupar o centro estratégico das fronteiras cristãs." 
  4. Martínez Díaz, Gonzalo (2000). «La conquista de Andujar: su integración en la Corona de Castilla». Jaén: Instituto de Estudios Giennenses. Boletín del Instituto de Estudios Giennenses (176). 624 páginas. ISSN 0561-3590 
  5. Martínez Díaz, Gonzalo (2000). «La conquista de Andujar : su integración en la Corona de Castilla». Jaén: Instituto de Estudios Giennenses. Boletín del Instituto de Estudios Giennenses (176): 624-625. ISSN 0561-3590 
  6. Martínez Díaz, Gonzalo (2000). «La conquista de Andujar : su integración en la Corona de Castilla». Jaén: Instituto de Estudios Giennenses. Boletín del Instituto de Estudios Giennenses (176): 625-628. ISSN 0561-3590. "Ante o perigo que corria a sua vida, o rei de Baeza fugiu embora de Córdova na companha de poucos dos seus fieis; os cordoveses saíram na sua perseguição, alcançando-o perto do castelo de Almodóvar, onde o decapitaram, enviando a sua cabeça ao califa almóada, que uns dias antes se trasladara de Sevilha para Marrocos." 
  7. Martínez Díaz, Gonzalo (2000). «La conquista de Andujar : su integración en la Corona de Castilla». Jaén: Instituto de Estudios Giennenses. Boletín del Instituto de Estudios Giennenses (176): 628-629. ISSN 0561-3590 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar

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