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Tamandaré (navio)

Tamandaré
Carreira  Brasil
Proprietário Cia. de Navegação LLoyd Brasileiro
Operador a mesma
Homônimo Joaquim Marques Lisboa (1807-1897), o Marquês de Tamandaré. Militar e heroi nacional brasileiro. Patrono da Marinha de Guerra do Brasil.
Construção 1918-1919, por American International Shipbuilding Corp, Hog Island, Estados Unidos
Lançamento agosto de 1919
Porto de registo Rio de Janeiro
Estado Afundado em 26 de julho de 1942, pelo U-66
(Friedrich Markworth)
Características gerais
Classe cargueiro – classe Hog Islander
Tonelagem 4 942 ton. (5 753 ton.[1])
Largura 16,5 m
Maquinário n/d
Comprimento 122,2 m
Calado 8,3 m
Propulsão turbina a vapor
Velocidade 11,5 nós
Carga 52

O Tamandaré foi o décimo-terceiro navio mercante brasileiro a ser atacado pelos submarinos do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Seu afundamento ocorreu em 26 de julho de 1942, torpedeado pelo U-66, ao largo de Trinidad e Tobago, nos limites entre o Mar do Caribe e o Oceano Atlântico, causando a morte de quatro, dentre os 52 tripulantes a bordo.

O navioEditar

Pertencente à classe Hog Islander, foi construído entre 1918 e 1919, nos estaleiros da American Shipbuilding Shipping Corporation, na Filadélfia, mais precisamente, no antigo distrito de Hog Island — daí o nome da classe dos navios -, dentre um total de 122 unidades produzidas em massa, sob encomenda do governo dos Estados Unidos, para reestruturação de sua frota mercante, ao final da Primeira Guerra Mundial.

Como tal, possuía 4 942 toneladas de arqueação bruta de registro, 122,2 m de comprimento (118,9 m entre perpendiculares) por 16,5 m de largura e um calado de 8,3 m. Constituído de um casco de aço, era propelido através de turbinas a vapor, com potência de 2.500 HP, fazendo alcançar a velocidade de 11,5 nós.[nota 1][2]

Foi o quinto navio brasileiro dessa classe a ser atacado em 1942. Antes dele, quatro Hog Islanders do Lloyd Brasileiro já haviam sido alvo dos torpedos alemães e italianos: o Buarque, o Cairu, o Comandante Lira (o único que não afundou) e o Gonçalves Dias.

HistóriaEditar

Lançado em julho de 1919, ainda sob o nome Sheshequin, teve sua construção completada em agosto daquele ano, sendo rebatizado de City of Fairbury, pela Agência de Navegação Americana (US Shipping Board – USSB). Em 1938, é adquirido pela empresa americana Moore McCormack Co, com registro no Porto de Nova York, sob o nome de Mormacport.

Em 1940, é comprado pelo Lloyd Brasileiro, juntamente com outros navios da classe, e, então, renomeado Tamandaré, tendo o Rio de Janeiro, como porto de registro.[1][3]

Seu nome brasileiro foi homenagem a Joaquim Marques Lisboa, militar brasileiro ao tempo do Império, mais conhecido pelo seu título nobiliárquico de Marquês de Tamandaré, ou ainda, pelo sua graduação militar de Almirante Tamandaré.[nota 2]Considerado heroi nacional, é o patrono da Marinha de Guerra do Brasil.

AfundamentoEditar

Antes da viagem, o mercante brasileiro recebeu informações de que a zona em que iria navegar estava infestada de submarinos. O Capitão-de-Longo-Curso José Martins de Oliveira, comandante da embarcação, resolve então modificar sua rota. A viagem transcorria tranqüila, ao largo de Trinidad e Tobago, quando, na tarde do dia 25 de julho, os brasileiros são alertados de que um submarino alemão avariado navegava na superfície. Verificada a rota do inimigo, o Tamandaré achou que podia enfrentá-lo com a artilharia de bordo, um recurso que estava sendo utilizado pelo Brasil para minimizar os ataques sofridos aos seus navios. Feitos os cálculos, preparou-se o ataque. Vários disparos foram feitos do navio brasileiro, mas os alemães se defendiam com manobras rápidas.[4]

Na madrugada do dia 26, às 2:10 (hora local;[5] 8:15 pelo Horário da Europa Central), quando se preparava para novo ataque, o navio, vindo do Recife com cargas variadas (café, tecidos, medicamentos, areia monazítica e manganês), é surpreendido pelo ataque de outro submarino alemão – o U-66, comandado pelo Capitão-Tenente Friedrich Markworth. Desta vez, o u-boot teve melhor sorte e acabou por disparar uma salva de dois torpedos contra o Tamandaré. Era uma noite estrelada e de lua cheia, o que pode ter contribuído para a localização do navio, que, provavelmente, teve a sua posição informada pelo submarino que escapara.[6]

Um dos torpedos atingiu o navio, causando uma explosão tão violenta que arruinou três baleeiras de bombordo e matou instantaneamente quatro tripulantes que estavam de serviço da sala de máquinas. A tripulação restante, bem como a guarnição do canhão, conseguiu se salvar através das outras duas baleeiras restantes. Em quarenta minutos o navio estava afundado.[6]

Os sobreviventes foram recolhidos pelo barco-patrulha norte-americano USS PC-492 depois de serem avistados por um avião.[3]

ConsequênciasEditar

No inquérito que foi aberto no consulado brasileiro de Port of Spain, em Trinidad e Tobago, o capitão Martins afirmou que exercera rigorosa vigilância para que não fosse surpreendido por um ataque. Reclamou, porém, que a falta de bons binóculos prejudicou essa tarefa, bem como asseverou que a tripulação era maior do que o necessário. Para ele, naquele tipo de navio, a guarnição de 52 homens poderia ser reduzida para 42, já inclusos os artilheiros.

Martins também relatou que as ordens sobre as saídas dos navios deveriam ser transmitidas em linguagem cifrada, o que não era muito comum, lembrando, ainda, que o ideal seria que tais saídas fossem determinadas pelo comandante, o que evitaria a navegação em lua cheia por locais infestados de submarinos.[6]

NotasEditar

  1. O navios da classe Hog Islander eram esteticamente feios, porém bem construídos e com bom desempenho em termos e capacidade e de velocidade. Tanto a linha da proa como a da popa formavam um ângulo reto em relação à linha d´água, resultando em uma silhueta quase retangular. Além disso, visto de lado, o navio era simétrico de popa a proa. Tal combinação produziu uma visão não-convencional de perfil, pois criava uma forma de camuflagem, uma vez que tornava difícil para os submarinos para dizer que direção os navios estavam indo. Nenhum desses navios foi concluído a tempo de ser utilizado antes do fim da Primeira Guerra, porém, foram amplamente utilizados pela marinha militar e mercante. Cinquenta e oito deles foram afundados durante a Segunda Guerra Mundial.
  2. A palavra Tamandaré é de origem indígena, do vocábulo tupi "tab-moi-inda-ré", que significa o repovoador. Era o nome de uma localidade no litoral estado de Pernambuco (ver Tamandaré), onde estavam sepultados os restos mortais do irmão do futuro almirante, Manuel Marques Lisboa Pitanga, morto na Confederação do Equador, em 1824. Em 1859, acompanhando o casal imperial em viagem ao norte do Brasil, de passagem por Pernambuco, Joaquim Marques Lisboa pediu ao imperador D. Pedro II para trazer os restos mortais de seu irmão o que lhe foi atendido. Pelo gesto, quando o imperador resolveu fazê-lo barão, no ano seguinte, deu-lhe o título de barão de Tamandaré.

Referências

  1. a b Wrecksite. «SS Tamandaré». Consultado em 22 de janeiro de 2011 
  2. Naufrágios do Brasil. «Navios Brasileiros afundados em outros países». Consultado em 22 de janeiro de 2011 
  3. a b Uboat.net. «Tamandaré». Consultado em 22 de janeiro de 2011 
  4. Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira. «Navios torpedeados». Consultado em 22 de janeiro de 2011. Arquivado do original em 28 de julho de 2012 
  5. DONATO. Hernâni. op.cit., p. 551.
  6. a b c SANDER. Roberto. op.cit., p. 175-176.

BibliografiaEditar

  • DONATO. Hernâni. Dicionário das batalhas brasileiras. 2ª ed. São Paulo: IBRASA, 1996.
  • SANDER. Roberto. O Brasil na mira de Hitler: a história do afundamento de navios brasileiros pelos nazistas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar