Abrir menu principal

Teatro Castro Alves

Bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia na cidade de Salvador
Teatro Castro Alves
Frente do Teatro Castro Alves, em 2019.
Estilo dominante modernismo
Arquiteto José Bina Fonyat Filho
Engenheiro Humberto Lemos Lopes
Inauguração 4 de março de 1967 (52 anos)
Geografia
País Brasil
Cidade Salvador, Bahia

O Teatro Castro Alves (TCA) é um teatro brasileiro. É o maior e mais importante centro artístico de Salvador, capital do estado da Bahia, e se localiza no Largo do Campo Grande.

HistóriaEditar

Fruto das ideias desenvolvimentistas do governador Antônio Balbino, a história do Teatro Castro Alves, que homenageia o "Poeta dos Escravos", possui momentos de grandes espetáculos e tragédias, como os dois incêndios que motivaram sua reforma.

O primeiro deles ocorreu antes mesmo de sua inauguração. Era a madrugada do dia 9 de julho de 1958 — cinco dias antes da abertura ao público — e a versão apurada oficialmente foi de que um curto-circuito havia destruído aquele que deveria ser o mais novo espaço cultural de uma cidade que jazia estagnada economicamente — o chamado "Enigma Baiano" que se estendia desde o início do século e nos anos 50 preocupava estudiosos e economistas.

Seu projeto original foi feito pelos arquitetos Alcides da Rocha Miranda e José de Souza Reis, em 1948; porém o edifício construído foi aquele desenvolvido por José Bina Fonyat Filho e o engenheiro Humberto Lemos Lopes,[1] sendo ganhador da IV Bienal de São Paulo com suas linhas e conceitos modernistas e chocando a sociedade baiana de então, avessa a novidades,com sua grandiosidade que incomodava os políticos em disputa pelo poder local. Foi tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).[2]

As obras foram executadas pela então Secretaria de Viação e Obras Públicas, que na época chegou a publicar o livreto intitulado "A verdade sobre o Teatro Castro Alves" mostrando desde o projeto de lei do então deputado estadual Antônio Balbino em 2 de junho de 1948, fotos e imagens do projeto, entrevista com especialistas e buscando justificar a realização desse projeto ao invés do idealizado por Rocha Miranda e Souza Reis.

Balbino, que introduzira no governo do Estado uma mentalidade de planejamento e fomento econômico, enfrentava sem sucesso as forças conservadoras: Quando pronto a edificação que não possuía os pilares em V sofreu um misterioso incêndio, depois disso a edificação passou a ter os benditos pilares.

Seu aparente fracasso fez com que as obras de recuperação, reiniciadas ainda em seu mandato, fossem abandonadas por Juracy Magalhães — seu opositor.

O teatro foi praticamente reconstruído pelo governo Lomanto Júnior — recebendo entretanto, por parte da elite local já avessa ao ativismo cultural, grande ojeriza, que somente o tempo foi capaz de vencer.

Foi inaugurado, com a presença, além do próprio governador, do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, a 4 de março de 1967.

Ali se apresentam, para horror de uma sociedade atônita, Gilberto Gil e Caetano Veloso — iniciando a grande agitação cultural que iria — partindo da Bahia — revolucionar o Brasil, nos anos setenta.

Mas o TCA não resistiria incólume ao choque cultural, abandonado por anos a fio, chega aos anos 80 degradado e, finalmente, novamente arde em chamas e em 1989 é novamente fechado.

A partir de 1991, no governo Antônio Carlos Magalhães, o teatro passa por uma ampla reforma ao custo de 10 milhões de dólares estadunidenses que lhe restituiu o vigor do qual originalmente havia imaginado Balbino, sendo reinaugurado mais uma vez em 27 de março de 1993, — desta feita numa cidade que despertara para sua grande vocação cultural, que já reconhecia a genialidade de seus "filhos" antes vistos com escândalo.

Entre outros pontos, foi reforçada a segurança, os espaços de camarim e Sala do Coro, entre outros passaram por modificações e uma polêmica rampa ligando o terraço do foyer ao acesso principal foi acrescentada.

 
Apresentação da Orquestra Sinfônica Simón Bolívar da Venezuela no TCA, em 2011.

Entre 2009 e 2010, é promovido um concurso público nacional de projetos de arquitetura, voltado à requalificação e ampliação do teatro, organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, Departamento da Bahia (IAB-BA). O concurso foi vencido pelo escritório paulistano Estúdio América.

Em 2014, o TCA iniciou a venda de ingressos pela internet ou telefone, até então inédito. Os clientes poderão adquirir os ingressos por meio de cartões de débito e crédito por serviço de bilheteria online ou call center.[3][4]

Em 2016 é concluída a reforma da Concha Acústica, que incluiu dentre outros a construção de uma passarela luminotécnica que permite uma vista aérea da montagem de todos os elementos técnicos de luz e som. A Sala do Coro e a Sala Principal também serão remodeladas.[1][5]

InstalaçõesEditar

Compõem o complexo cultural do TCA a Sala Principal, Sala do Coro e a Concha Acústica.[1]

  • A Sala Principal possui capacidade de abrigar 1.554 espectadores, construída com um minucioso projeto acústico que se preocupou até mesmo em relação aos materiais da poltrona e carpete. Não há ponto morto, ou seja, a visibilidade da plateia é perfeita.
  • A Sala do Coro comporta até 201 espectadores e até o ano de 1978 se destinava aos ensaios do coro das óperas que iam se apresentar, se transformando em um teatro de semi arena, permanecendo assim até 1989. Após a reforma, é ampliado em 1995, e prioriza as apresentações teatrais locais.
  • A Concha Acústica alberga até 5.500 pessoas, com seu formato de teatro grego, uma semi-arena ao ar livre. Uma lona tensionada fixa em estrutura metálica cobre o palco e permitem a realização dos eventos mesmo sob chuva, abrigando ao menos 1000 espectadores. Na parte superior cada um dos seis camarotes comportam 25 pessoas, servidos por uma estrutura de apoio com bar e sanitários.

ProjetosEditar

Conta o TCA com três projetos permanentes:

  • Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA);
  • Balé do Teatro Castro Alves (BTCA);
  • Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBÁ).

Além desses três corpos estáveis, possui ainda:

  • Memorial do TCA (em implantação, objetiva a preservação da memória do Teatro, através de fotografias, filmes e registros dos eventos artísticos que ali tiveram lugar);
  • Centro Técnico — com 15 funcionários para o apoio aos eventos, é considerado um dos melhores do país, já criando cerca de 11 mil figurinos para espetáculos do Núcleo de teatro e produções externas, possuindo um laboratório para efeitos de maquiagens nos atores.
  • Setor de Multimeios e Programação Visual, funciona desde 1988, possui mais de 5 mil negativos e mais de 200 vídeos.
  • Documentação e Pesquisa, desde 1967 guarda um arquivo com 45 mil documentos, assim como o banco de textos teatrais, com mais de 100 peças de autores nacionais e estrangeiros, traduzidas para o português.

Atrações apresentadasEditar

Entre tantos que passaram pelo TCA, se destacam as pessoas de Raul Seixas e Marcelo Nova, Gilberto Gil, Chico Buarque, João Gilberto, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia,Ney Matogrosso, Flávio Venturini, Paulo Autran, Montserrat Caballé, Mikhail Baryshnikov, Sandy e os balés Bolshoi e Kirov, o maestro Zubin Metha e a Filarmônica de Israel, além da cantora Claudia Leitte gravando seu segundo DVD ao vivo Negalora: Íntimo, entre muitos outros.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c «Teatro Castro Alves completa 50 anos; conheça estrutura do complexo». Correio24h. 5 de março de 2017. Consultado em 2 de abril de 2018 
  2. [1]
  3. [2]
  4. [3]
  5. [4]

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar