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Teatro Experimental do Negro

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Teatro Experimental do Negro ensaiando Sortilégio, com Abdias do Nascimento e Léa Garcia, 1957. Arquivo Nacional.

Teatro Experimental do Negro (TEN) foi uma companhia teatral brasileira, que atuou entre 1944 e 1961.

HistóricoEditar

O TEN foi fundado e dirigido por Abdias Nascimento. A ideia para sua criação nasceu em 1941, após um encontro com os poetas Efraín Tomás Bó, Godofredo Tito Iommi, Raul Young e Napoleão Lopes Filho, que desde a década de 1930 formavam a Santa Hermandad Orquídea, para assistir à peça O Imperador Jones, de Eugene O'Neill, no Teatro Municipal de Lima. Naquela montagem, um ator branco com o rosto pintado de negro, o argentino Hugo D’Evieri, interpretava o protagonista negro[1].

De volta ao Brasil, Abdias do Nascimento foi preso em consequência de seus protestos contra a discriminação racial. Ainda na penitenciária do Carandiru, criou com outros presos o Teatro do Sentenciado. Ao deixar a prisão, concebeu uma companhia teatral voltada para o desenvolvimento da cidadania e conscientização racial. O elenco foi composto por operários e empregadas domésticas. Alguns dos primeiros membros eram analfabetos, e foi preciso realizar cursos de alfabetização para que eles pudessem ler os textos das peças.

A estreia da companhia foi em 1945, com O imperador Jones. Eugene O’Neill cedeu gratuitamente os direitos para encenar o texto. A escolha se justificou pela ausência, na dramaturgia brasileira da época, de obras que contemplassem o problema racial. No dia 8 de maio de 1945, o TEN se apresentou no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Aguinaldo Camargo representou o papel principal sob a direção de Abdias Nascimento.

A primeira montagem de um texto brasileiro veio dois anos depois, com O filho pródigo, drama poético de Lúcio Cardoso. Aguinaldo Camargo vatuou ao lado de Ruth de Souza, José Maria Monteiro, Abdias do Nascimento, Haroldo Costa e Roney da Silva. Tomás Santa Rosa assinou os cenários[2][3]. Nélson Rodrigues escreveu para o TEN a peça Anjo Negro (1946), cuja estreia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro teve como condição de o ator principal ser um branco pintado de preto. O TEN produziu vários outros espetáculos, trabalhando com textos brasileiros e estrangeiros.

Além da atuação nos palcos, o TEN assumiu uma postura política, criando entidades como a Associação das Empregadas Domésticas e o Conselho Nacional de Mulheres Negras. Publicou o jornal Quilombo, que denunciava a discriminação racial em todo o Brasil e dava notícias e informações sobre cultura negra no mundo. Combateu o padrão eurocentrista de beleza dos concursos de Miss Brasil, realizando concursos de beleza para mulheres negras. Em 1955, promoveu a Semana do Negro e um concurso de artes plásticas tendo como tema o Cristo Negro. Publicou o jornal Quilombo (1948-50), a antologia Dramas para negros e prólogo para brancos (1961)[4], e os livros Sortilégio (Mistério Negro), de Abdias Nascimento (1959), eTeatro Experimental do Negro: Testemunhos (1966).

O TEN foi impedido pelo governo brasileiro de participar do primeiro Festival Mundial de Artes Negras, realizado no Senegal em 1966[5]., ocasião em que Abdias Nascimento publicou sua "Carta Aberta a Dacar" denunciando o critério discriminatório aplicado pelo Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores). O artigo foi publicado pela revista Présence Africaine, editado pelo renomado intelectual senegalês Alioune Diop.

Em 1968, o TEN realizou um ciclo de debates e a primeira exposição do projeto Museu de Arte Negra, no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Logo em seguida, Abdias Nascimento viajou para o exterior, onde foi obrigado a ficar durante 13 anos de exílio. No exterior, ele continuou o trabalho do TEN ao desenvolver atividades culturais e artísticas, bem como continuar o combate ao racismo.

Peças encenadasEditar

  • 1945 - O Imperador Jones
  • 1946 - O Moleque Sonhador
  • 1946 - Festival do 2º Aniversário do Teatro Experimental do Negro
  • 1946 - Othello
  • 1946 - Todos os Filhos de Deus Tem Asas
  • 1947 - Terras do Sem Fim
  • 1947 - O Filho Pródigo
  • 1947 - Recital Castro Alves
  • 1948 - A Família e a Festa na Roça
  • 1948 - Aruanda
  • 1949 - Filhos de Santo
  • 1949 - Calígula
  • 1952 - Rapsódia Negra
  • 1953 - O Imperador Jones
  • 1953 - O Filho Pródigo
  • 1954 - Festival O'Neill
  • 1954 - Onde Está Marcada a Cruz
  • 1956 - João Sem-Terra (Teatro Novos Comediantes de S.Paulo)
  • 1956 - Orfeu da Conceição
  • 1957 - Perdoa-me por Me Traíres
  • 1957 - Sortilégio - Mistério Negro[6]

Referências

  1. NASCIMENTO, Abdias do. Teatro experimental do negro: trajetória e reflexões. Estud. av. [online]. 2004, vol.18, n.50 [cited 2014-03-20], pp. 209-224
  2. Teatro experimental do negro: trajetória e reflexões. Cultura.rj, 18 de março de 2014
  3. Teatro Experimental do Negro, o pioneiro a levar o negro para os palcos. SP Escola de Teatro, 18 de novembro de 2013
  4. Seção TEN. Acervo Ipeafro
  5. Teatro Experimental do Negro - TEN. Enciclopédia Itaú Cultural
  6. Teatro Experimental do Negro - espetáculos. Enciclopédia Itaú Cultural