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Telma Sandra Augusto de Souza
Prefeita de Santos Bandeira de Santos (São Paulo).svg
Período 1 de janeiro de 1989
até 1 de janeiro de 1993
Antecessor Oswaldo Justo
Sucessor David Capistrano Filho
Vereadora de Santos Bandeira de Santos (São Paulo).svg
Período 1.º - 1º de janeiro de 1983
14 de março de 1987
2.° - 1º de janeiro de 2009
31 de dezembro de 2010
3.° - 1º de janeiro de 2017
até a atualidade
Deputada Federal por São Paulo
Período de 1º de fevereiro de 1995 até
31 de janeiro de 2007
e 1º de janeiro de 2011 até
31 de janeiro de 2011
Deputada Estadual de São Paulo
Período 1.º - 15 de março de 1987
15 de março de 1989
2.° - 1º de janeiro de 2011
31 de dezembro de 2014
Dados pessoais
Nascimento 29 de setembro de 1944 (75 anos)
Santos, SP
Partido PT
Profissão Pedagoga, Professora universitária, Advogada e Mestre em Saúde Coletiva

Telma Sandra Augusto de Souza (Santos, 29 de setembro de 1944) é uma pedagoga, professora universitária, advogada e política brasileira. É mãe de dois filhos, Walter de Souza Leite e Wagner de Souza Leite.

Índice

TrajetóriaEditar

Ingressou na política como vereadora em Santos, em 1982. Pautou sua vida pela defesa da justiça social, da democracia e das causas populares, sendo eleita prefeita de sua cidade natal em 1988. Foi a primeira mulher a chegar à prefeitura de Santos, cargo que ocupou de janeiro de 1989 a dezembro de 1992, de onde saiu com aprovação de 97%, somando-se Bom, Ótimo e Regular, segundo o Ibope e o Datafolha, dois dos mais respeitados institutos de pesquisa do Brasil. Conseguiu eleger um sucessor de seu partido, David Capistrano Filho (1948-2000), que foi seu secretário de Saúde na Prefeitura.

Antes disso, participou do movimento pela anistia política e militou nas lutas dos professores da Baixada Santista. Uma das fundadoras do PT em 1979, ocupou diferentes cargos ao longo dos anos, sendo, inclusive, presidente do diretório estadual na década de 1990.

Iniciou sua trajetória nas urnas elegendo-se a vereadora mais votada do PT em Santos em 1982, com 6.249 votos, terceira colocada no geral. Disputou a primeira corrida à Prefeitura de Santos em 1984, após a retomada da autonomia política do Município, então cassada pela ditadura militar. Na ocasião, obteve 34.252 votos ficando na terceira colocação, atrás de Oswaldo Justo (1926-2003), que acabou eleito prefeito, e Rubens Lara (1944-2008), ambos do PMDB.

Em 1986, elegeu-se deputada estadual por São Paulo pela primeira vez, com 28.615. Interrompeu o mandato em 1988, quando tornou-se a primeira prefeita mulher da cidade de Santos, com 73.176 votos, vencendo o candidato do então prefeito Oswaldo Justo, Joaquim Del Bosco Amaral, do PMDB, que obteve 72.183 votos, e o ex-prefeito Paulo Gomes Barbosa, do PDS (nomeado pelo Governo Militar e governante da cidade entre 1980 e 1985).

Deixou a Prefeitura em 1992 e, logo depois disso, em 1994, disputou prévias internas no PT com o então deputado federal José Dirceu para definir a candidatura do partido ao Governo do Estado de São Paulo, perdendo por pequena margem de votos. Na oportunidade, Dirceu disputou o Palácio dos Bandeirantes pelo PT, perdendo para o também santista Mario Covas (PSDB) e Francisco Rossi (PDT).

No mesmo ano, 1994, Telma de Souza elegeu-se pela primeira vez deputada federal por São Paulo, com 138.082 (a sexta mais votada), feito repetido em 1998 (135.172 votos, 13ª mais votada) e 2002. Neste ano, marcado pela chegada do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, com Luiz Inácio Lula da Silva, Telma alcançou 161.198 votos (21ª mais votada). Em 2006, Telma obteve 89.637 votos na tentativa de se reeleger, ficando na primeira suplência do PT. Chegou a assumir o mandato em janeiro de 2011, substituindo Antônio Palocci, que assumia o cargo de ministro-chefe da Casa Civil do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Nesse entremeio, ainda como suplente de deputada federal, Telma surpreendeu a população de sua cidade ao se candidatar a vereadora em 2008, alcançando a incrível marca de 20.631 votos, consolidando-se como a vereadora mais votada da História da cidade, tirando o título do líder portuário José Gonçalves, falecido em 2012 aos 100 anos de idade. O resultado tornou Telma a vereadora mais votada de todo o Brasil, proporcionalmente, naquele ano de 2008. Ela angariou nada menos que 8,47% dos votos válidos da cidade, muito distante do segundo colocado, Marcus Vinícius Gomes de Rosis (1961-2015), do PMDB, que conseguiu 8.438 votos, ou 3,46% do eleitorado santista.

Em 15 de março de 2011, Telma de Souza retornou à Assembleia Legislativa de São Paulo, como deputada estadual, após obter 90.361 votos nas eleições de outubro de 2010. Em 2014, disputou a reeleição, obtendo 55.250 votos, ficando na terceira suplência do PT. Em outubro de 2016 mesmo com um grande desgaste do partido dos Trabalhadores e com uma ampla coligação que apoiava o atual prefeito reeleito, Telma voltou a câmara municipal de santos sendo a segunda mais votada com 8.604 o que ajudou a eleger outro companheiro, o vereador Chico. atualmente é líder da aposição na câmara municipal de santos e as mais recentes pesquisa indicaram que Telma é considerada a vereadora mais atuante da cidade.

Falando em disputas ao Executivo, Telma de Souza ainda concorreu ao cargo de prefeita de Santos em 1996, 2000, 2004 e 2012, terminando na segunda colocação em todas as ocasiões.

Prefeita de SantosEditar

Telma de Souza assumiu a Prefeitura de Santos em 1989, momento em que o país passava por fortes dificuldades econômicas, com uma moeda fraca e inflação galopante. Em clima de retomada da democracia, Telma fez um governo pautado pela justiça social e das causas populares, com inúmeras realizações, sobretudo nas áreas da Saúde, que virou a marca de seu governo.

Policlínicas, um marco na Saúde santistaEditar

Uma das maiores realizações do governo Telma de Souza foi a construção do sistema de saúde de Santos, formado basicamente por uma rede de 21 policlínicas que cobriam as necessidades dos moradores de todos os bairros, garantindo-lhes o primeiro atendimento de forma completa e com qualidade, servindo como a porta de entrada para o recém criado Sistema Único de Saúde (SUS) - Santos foi um dos municípios pioneiros na implantação do SUS, criado a partir da Constituição de 1988. A estrutura, idealizada pelo secretário de Saúde David Capistrano e implantada por Telma, transformou-se em modelo nacional e exemplo para outros países, com aplausos de organismos brasileiros e internacionais, como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial (OMS).

Programa anti-Aids foi reconhecido como um dos melhores do mundoEditar

O programa de controle da Aids da cidade foi considerado modelo internacional de eficiência, a partir da mudança de enfoque adotada pelo governo Telma de Souza. Da atenção aos soropositivos até a educação preventiva nas escolas; do sistema de vigilância epidemiológica às garantias legais dos direitos dos pacientes e o combate à discriminação, Santos saiu da condição de cidade com maior incidência de Aids por mil habitantes, para a vanguarda mundial no enfrentamento da epidemia. Incidência por 100 mil/hab estabilizou-se em 1995.

Para alcanar este resultado, Telma implantou em Santos a chamada política de redução de danos, que, entre outras coisas, previa a distribuição de seringas descartáveis a usuários de drogas injetáveis. À primeira vista, a iniciativa foi bastante criticiada, o que gerou ações judiciais até mesmo com o pedido de prisão da prefeita, do secretário Capistrano e do diretor do setor, Fábio Mesquita. A medida não só foi reconhecida como eficaz como foi replicada mundo afora, levando Telma a ser convidada pela ONU para falar a respeito em diversos países do mundo.

Em 1989, durante a gestão de Telma de Souza na prefeitura de Santos, esta tornou-se a primeira cidade brasileira a implantar um núcleo de atendimento a pacientes com Aids, o Craids (Centro de Referência em Aids).[1]

Pioneirismo na Saúde Mental e inovação no Atendimento DomiciliarEditar

Da mesma forma que agiu preventivamente, o governo Telma de Souza criou programas pioneiros no país, como o de Internação Domiciliar (PID) e o de Saúde Mental, hoje recomendados como modelos para a América Latina, pela Organização Panamericana de Saúde, organismo ligado à Organização Mundial de Saúde.

O fim da "Casa de Horror"Editar

Na Saúde Mental, particularmente, o que aconteceu durante o governo Telma de Souza foi uma verdadeira revolução de costumes, em Santos. Até então, a cidade convivia hipocritamente com um "hospital psiquiátrico" - a Casa de Saúde Anchieta - que era uma fábrica de ganhar dinheiro com a loucura, onde se adotavam as mais bárbaras "técnicas de tratamento", como surras e eletrochoques. Telma interveio no "Anchieta" e, a partir dali, criou uma estrutura descentralizada de atendimento às pessoas com doenças mentais, formada por Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS), em que o apoio familiar era fundamental. A Casa de Saúde Anchieta sofreu intervenção municipal em maio de 1989, sendo fechada e restaurada, servindo de berço para o Projeto do TamTam, do psicólogo e Arteeducador Renato Di Renzo, reconhecido internacionalmente.


Saúde Bucal supera meta recomendada
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Estudo da Universidade de São Paulo, em agosto de 1995, concluiu que a média de dentes cariados, extraídos ou tratados entre as crianças santistas até 12 anos era de 1,7. A Organização Mundial de Saúde considera bom para o ano 2000 a média de 3 dentes. Esse resultado transformou em modelos internacionais os programas de saúde bucal desenvolvidos pelo município de Santos, que começavam o atendimento ainda na maternidade e chegaram a 50 mil escolares em 1996.

Urbanismo - Uma revolução habitacional: urbanizar favelasEditar

Uma revolução habitacional: urbanizar favelasEditar

O que marcou o Governo Telma de Souza, em Santos, foi a agilidade de sua atuação. Mesmo na área habitacional, onde os recursos necessários ultrapassavam a capacidade de investimento do Município, as providências foram tomadas já nos primeiros meses da administração. A ideia que norteou esses passos foi a de que, se não havia recursos disponíveis, havia onde consegui-los, dentro do País ou no exterior. Mas, para isso, era preciso que as solicitações de financiamentos estivessem calcadas em projetos sérios, abrangentes e honestos.

Projeto DiqueEditar

Foi assim, por exemplo, que nasceu o Projeto Dique, destinado a urbanizar toda a região denominada "Dique da Vila Gilda", onde moravam mais de 3.000 pessoas, instaladas sobre palafitas, vivendo sobre as águas fétidas de uma área alagada pela maré. Este foi uma das marcas de atuação da prefeita Telma de Souza na Zona Noroeste de Santos, com quem Telma tem uma forte ligação até o dias de hoje. O projeto Dique, iniciado durante seu mandato, foi referência internacional, apresentado durante a 2ª Conferência da ONU sobre Assentamentos Humanos em Istambul (Turquia). O projeto integrava ações de saúde, geração de emprego e saneamento nas obras que substituíam palafitas por casas de alvenaria.[1]

Enfrentar os problemasEditar

Telma sabia dos problemas técnicos que precisavam ser enfrentados e, mais ainda, das dificuldades de se obter dinheiro para dar início às obras. Na falta de recursos internos, foi primeiro buscá-los no exterior, obtendo o apoio de agências internacionais de financiamento e depois do próprio Governo Federal.


Tudo encaminhado em 1992
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Quando passou o governo de Santos a seu sucessor David Capistrano, também do Partido dos Trabalhadores, em janeiro de 1993, tudo já estava encaminhado para a concretização da grande obra de urbanização do "Dique da Vila Gilda". Quatro anos depois, vencendo todas as dificuldades, cerca de 800 casas haviam sido construídas, em substituição às antigas palafitas, e o Projeto Dique tornara-se irreversível. Seu modelo foi reconhecido internacionalmente e levado, a convite, à Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre Assentamentos Humanos, a Habitat 2.

Um dos 16 projetosEditar

Mas o programa habitacional dos governos democráticos e populares não se limitou à urbanização do "Dique". Este foi apenas um dos 16 projetos executados ou iniciados ao longo desses oito anos (1989 a 1996), entre próprios ou em parceria com o governo estadual.


Cidadania resgatada
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No total, 6.700 famílias tiveram ou estão tendo sua cidadania resgatada, beneficiando-se através da compra de imóveis financiados a baixo custo, regularização fundiária de seus terrenos ou urbanização de seus lotes. Deixaram de conviver com ratos, mosquitos, mau cheiro, falta de água, instalações elétricas precárias, ausência de rede coletora de esgotos. Superaram o medo das inundações provocadas pelas chuvas, pela maré alta e pelos deslizamentos das encostas dos morros da Cidade.

Porto - A história emocionante de uma luta vencidaEditar

A história emocionante de uma luta vencidaEditar

No dia 28 de fevereiro de 1991, depois de uma greve geral em que Santos parou em defesa dos mais de 5.300 portuários demitidos pelo governo Collor, os trabalhadores retomaram seus empregos num ato cívico que emocionou milhares de pessoas por toda a Cidade. Por trás daquele ato estava a firmeza e a coragem de Telma de Souza, que chamou para si a responsabilidade e soube de imediato mobilizar os mais diferentes segmentos sociais em defesa do futuro de Santos. O episódio entrou para a história da Cidade, tanto que a Câmara Municipal aprovou a criação do “Dia da Resistência Portuária”, comemorado todo dia 28 de fevereiro.

Foram essas mesmas qualidades e princípios que levaram Telma de Souza a buscar no exterior, mais particularmente no porto de Barcelona, na Espanha, o modelo que considera mais justo para fazer a transição do porto santista rumo à modernidade. Espelhando-se na bem sucedida experiência daquele importante porto europeu, Telma colocou em debate a proposta de se estabelecer uma administração tripartite para o Porto de Santos, da qual fariam parte em condições de igualdade o Governo, os Trabalhadores e os Empresários.

Morros - Participação dos moradores, a maior conquistaEditar

Participação dos moradores, a maior conquistaEditar

Até 1989, 50 pessoas já haviam morrido em deslizamentos nas encostas dos morros de Santos. Naquele ano, Telma de Souza assumiu a prefeitura da Cidade, dando início a um trabalho que marcaria sua administração, pela simplicidade das medidas adotadas e, principalmente, pelo envolvimento dos moradores dessas áreas na solução do problema.

Crise social leva famílias a assumirem riscosEditar

A ocupação dos morros santistas é quase tão antiga como a cidade, que tem 466 anos de fundação. Ao longo dos séculos fixaram-se ali muitas famílias portuguesas da Ilha da Madeira, de onde trouxeram a delicadeza de seus famosos bordados e o segredo da fabricação da boa aguardente de cana, esta plantada nas terras do próprio morro. Os portugueses, em sua maioria, se instalaram nos locais mais firmes e seguros. Mas, nas últimas décadas, em decorrência da crise social do país, centenas de migrantes nordestinos passaram a ocupar as encostas íngremes.

Problema nunca foi encarado como prioridadeEditar

Apesar das tragédias que se repetiam a cada temporada de chuvas fortes, pouco ou nada era feito para se buscar uma solução. Argumentava-se que seriam necessárias obras custosas e tudo ficava do mesmo jeito. A primeira providência tomada pelo governo Telma de Souza foi estabelecer uma parceria com o conceituado Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, que realizou o mapa geológico do local, identificando os pontos de risco e sua gradação. A partir desse levantamento, todas as famílias que habitavam áreas perigosas foram cadastradas. Aquelas que ocupavam áreas de alto risco foram removidas e incorporadas ao programa habitacional da Prefeitura, com prioridade.

Moradores passaram a ajudar no trabalho de prevençãoEditar

As demais, que se encontravam em áreas de médio ou baixo risco, passaram a receber informações e treinamento sobre situações de emergência, integrando os Núcleos de Defesa Civil (Nudecs) dessa parte da Cidade. Assim, em épocas de chuvas prolongadas ou fortes, os próprios moradores estavam capacitados a detectar ameaças de deslizamentos, multiplicando o trabalho das equipes mantidas pelo poder público municipal. Resultado: a partir de 1992, as mortes causadas por chuvas foram zeradas nos morros de Santos.

Educação - Avanços além do padrão brasileiroEditar

Seis em cada cem cidadãos santistas têm formação universitária, enquanto a média do Brasil é de apenas 0,5. A da Áustria é 7. A europeia é de 3,3. E a norte-americana de 2,6. Isoladamente, Santos tem também o recorde latino-americano de escolaridade média, com oito anos. Ainda longe dos padrões ideais, este número está, no entanto, muito além do índice médio brasileiro, que é de três anos.

Resultados de um trabalho que começou com a Telma, em 1989Editar

Esses números resultam da prioridade dada por Telma de Souza à Educação Básica, desde o seu primeiro dia de governo. Esse trabalho foi continuado na administração seguinte, do Partido dos Trabalhadores. Tanto que, em oito anos, o número de escolas municipais aumentou de 28 para 40, e o acesso à escola foi universalizado, chegando-se na rede pública municipal de Santos ao índice de escolaridade de 11 anos, um dos maiores do mundo. Os números abaixo referem-se ao período de 1995/96, durante o governo David Capistrano, após as políticas de Educação implantadas pelo PT durante o governo Telma de Souza, que se estendeu de 1989 a 1992).

Meio Ambiente – Santos assumiu a dianteira na área ambientalEditar

Santos é uma das 15 cidades do mundo a integrar o Programa de Cidades Modelo para aplicação da Agenda 21. Esse documento é um desdobramento da Agenda 21, resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente - ECO-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992. A escolha de Santos foi feita pelo Conselho Internacional de Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI), organismo ligado à ONU, com sede em Toronto, no Canadá.

Vários programas de Santos foram desenvolvidos em conjunto com o ICLEI, durante os governos do Partido dos Trabalhadores, sendo recomendados às municipalidades como modelos de ação na área da proteção ao meio-ambiente e ao desenvolvimento sustentado. 

Ligações clandestinas foram detectadasEditar

Simultaneamente à recuperação das comportas (que no governo David Capistrano viriam a ser substituídas por equipamentos automatizados) foi feito um trabalho de detecção de ligações clandestinas de esgotos, que esteve a cargo de estagiários da Universidade Santa Cecília - UNISANTA. Eles vistoriaram 31.000 imóveis, especialmente aqueles localizados nas proximidades dos canais, detectando 23.000 ligações irregulares de esgotos, que iam parar no mar da baía, contribuindo para poluir as praias.

Santos ganha novo ânimoEditar

Com esse trabalho - que custou muito pouco aos cofres públicos, porque a infraestrutura já existia desde o tempo de Saturnino de Brito -, os riscos à saúde pública foram consideravelmente reduzidos e o poder público pôde dar início ao processo de recuperação da imagem ambiental da cidade.

Cidade recupera suas praiasEditar

Iniciado em novembro de 1990, o Programa de Recuperação das Praias de Santos contou com a cooperação técnica da Cia. de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp. Consistia em desviar as águas poluídas dos sete canais da cidade para uma estação de tratamento e dali para alto mar. Para que isso fosse possível, houve a necessidade de recuperar o sistema de comportas instalado no início do século pelo engenheiro Saturnino de Brito, quando ele construiu os canais que integravam o Projeto de Saneamento da Cidade de Santos.

Turismo - Vencida a poluição, os turistas voltaramEditar

Vencida a poluição, os turistas voltaramEditar

Uma das consequências mais evidentes da recuperação da balneabilidade das praias de Santos foi a volta dos turistas à Cidade. Quando Telma passou o governo a seu sucessor, os paulistanos já haviam redescoberto Santos. Naquele ano, 1993, o velho charme santista voltara à moda, "agora cheio de badalação e com muitas novidades", conforme definiu a revista Veja São Paulo, de 6 de janeiro de 1993: "Seus 8 quilômetros de praia estão recuperados e mais limpos que boa parte do Guarujá, o aluguel de um imóvel ali sai 50% mais barato que em Ubatuba e a cidade fica a um terço da distância de Ilhabela", dizia a revista, contando que a razão do milagre estava mesmo na limpeza do mar.

Comerciantes comemoram a recuperação da balneabilidadeEditar

Não há empresário do segmento turístico em Santos, hoje, que deixe de reconhecer o mérito do governo Telma de Souza na retomada de seus negócios. Nos anos subsequentes ao governo Telma, no verão de 1994/1995, por exemplo, Santos registrou a presença de 3,2 milhões de turistas, que gastaram cerca de R$ 120 milhões em seu comércio. Um recorde absoluto apontado pela própria Embratur, que acabou indicando Santos como a cidade que mais atrai turistas estrangeiros na região. No verão de 1995/1996 foram 3,7 milhões de visitantes.

Comunicação - D.O. URGENTE, o jornal que todos gostavamEditar

A criação do jornal da Prefeitura, em abril de 1989, significou o lançamento de uma nova forma de fazer imprensa oficial. Os profissionais encarregados dessa tarefa o faziam da forma mais simples e objetiva possível: fazer do Diário Oficial do Município um verdadeiro jornal. Na prática, isto significava dar um tratamento técnico às matérias publicadas pelo D.O.URGENTE --nome-fantasia escolhido para definir a publicação.

O jornal divulgava as ações administrativas em seus detalhes, informando a população de tudo o que estava sendo feito em cada área do governo. A prefeita Telma de Souza só aparecia nas fotos em que sua presença fosse absolutamente necessária; seu nome só ia para a manchete quando ela era a fonte real da notícia. Optou-se por fugir do personalismo. Simultaneamente, o D.O.URGENTE criou várias seções: uma delas --'CONFIRA'—acompanhava o noticiário dos meios de comunicação sobre a Cidade, reproduzindo a notícia original e colocando embaixo a versão da administração. Com isto conseguiu-se desmascarar inúmeras mentiras e evitar que a opinião pública acumulasse uma imagem distorcida da Administração Municipal.

Outra seção --'ACESSO DIRETO'-- respondia às cartas recebidas pelo Gabinete da Prefeita, pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura ou pela própria Redação do jornal. Essas respostas sempre continham informações de interesse público e contribuíam para difundir novos esclarecimentos.

Uma terceira --'DAMOS A FICHA'—mostrava como funcionavam os vários setores da administração e como os munícipes poderiam obter aqueles serviços.

Outra --'TUDO DA CIDADE'—trazia matérias sobre a história, a economia, os aspectos turísticos, a cultura, as personagens santistas.

Essas seções, somadas ao tratamento jornalístico das matérias do D.O.URGENTE, fizeram da publicação um imediato sucesso editorial: sua tiragem pulou dos 5 mil iniciais para cerca de 30 mil exemplares, ao longo de seis anos, e sua fórmula passou a ser copiada por várias cidades de São Paulo e mesmo de outros estados, não necessariamente administradas pelo Partido dos Trabalhadores.

Um mesmo princípio: prestação de serviçosEditar

O espírito que norteou a criação do D.O.URGENTE foi adotado para todas as demais ações de comunicação da administração Telma de Souza. Ou seja: ênfase na prestação de serviços e divulgação dos atos do governo.

Outras ações:

  • Produção de jornais temáticos para serem encartados no D.O.URGENTE.
  • Remessa diária de press-releases aos jornais, rádios e emissoras de tv.
  • Edição de folhetos, folders e livretes sobre os serviços prestados pela administração municipal
  • Criação de um serviço telefônico de atendimento direto ao munícipe, o 156; etc.

Deputada Federal e Deputada EstadualEditar

Na Câmara dos Deputados, onde atuou em quatro mandatos a partir de 1995, Telma se tornou uma das parlamentares mais atuantes na defesa de programas sociais e na luta pelos interesses da Baixada Santista e do Vale do Ribeira. Foi reeleita em 1998 e 2002. No início de 2011, na condição de primeira suplente do PT na Câmara, Telma assumiu seu quarto mandato.

PortosEditar

Em Brasília, exerceu, entre muitas outras funções, a coordenação da Frente Parlamentar em HIV/Aids, a presidência da Subcomissão dos Portos e Aeroportos e integrou a coordenação da Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. 

PetrobrasEditar

Ainda no Congresso Nacional, também deu sequência a uma batalha, iniciada de forma solitária em 2000, para trazer para Santos o Escritório de Negócios da Petrobras, no bairro do Valongo, após uma intensa disputa com o município do Rio de Janeiro. A unidade é essencial para que a cidade e toda a Região Metropolitana da Baixada Santista possam usufruir do crescimento econômico e dos milhares de empregos gerados pela exploração das reservas de gás e petróleo da Bacia de Santos. 

Orçamento ParticipativoEditar

Telma foi também a criadora, em 2001, do Orçamento Parlamentar Participativo, com a promoção de audiências públicas onde, com a presença de representantes das prefeituras da região da Baixada e de organizações não-governamentais, eram definidos os montantes e os direcionamentos das emendas individuais que fazia anualmente ao Orçamento Geral da União. 

Avenida PerimetralEditar

Como deputada federal, Telma de Souza iniciou, em 1998, uma campanha para angariar recursos para a construção da Avenida Perimetral de Santos, que hoje é não apenas o principal pulmão viário da cidade, mas, também, uma rota altamente estratégica para a Baixada Santista. É pela Perimetral que passam as cargas que levam e trazem as riquezas que deixam e chegam o maior porto da América Latina, que bate sucessivos recordes de movimentação.

A Perimetral do Porto de Santos foi aberta ao tráfego em 2010, após quase uma década de obras. O Governo Federal investiu R$ 110 milhões, porém, os primeiros recursos desse significativo montante foram destinados por Telma, que indicou todas suas emendas parlamentares para as obras da Perimetral. Em 1999, Telma repetiu a ação, desta vez com o apoio do falecido deputado Ricardo Izar. A partir do ano 2000, Telma conseguiu mobilizar não apenas um, mas todos os 70 deputados federais da bancada de São Paulo no Congresso Nacional para, num esforço suprapartidário, incentivar a concretização desta fundamental realização para a Baixada Santista. 

A partir de então, as obras foram iniciadas e, com aportes financeiros feitos diretamente pelo Governo Federal, por meio da Codesp, a Perimetral do Porto, finalmente, tornou-se uma realidade. Com nove quilômetros de extensão, ela recebe, diariamente, cerca de 8 mil veículos, de passeio e de cargas. A Perimetral de Santos deu tão certo que serviu de modelo para a Avenida Perimetral de Guarujá, aberta ao tráfego em 2013.

José BonifácioEditar

Enquanto deputada federal, foi a autora da lei que tornou o santista José Bonifácio um Herói da Pátria, em 2005. Como deputada estadual, Telma é autora da Lei Estadual 11.049/2013, que que instituiu o “Programa Memória de José Bonifácio", que, entre outras coisas, transfere a capital do Estado de São Paulo para Santos, terra natal de José Bonifácio de Andrada e Silva, todo dia 13 de junho, sua data de nascimento.

O projeto foi promulgado no ano de comemoração do 250º aniversário do Patriarca da Independência, após derrubada de veto do governador Geraldo Alckmin à ideia. A lei prevê, ainda, a promoção de cerimônia cívica junto ao monumento do Patriarca, no Centro Histórico de São Paulo, durante os festejos da Semana da Pátria, em todo mês de setembro, além da republicação das obras do ilustre santista pela Imprensa Oficial do Estado, a inserção de uma semana de atividades específica no calendário escolar da rede estadual, entre outros itens.

Em sua volta à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em março de 2011 – foi eleita pela primeira vez à Casa em 1986 –, Telma, através de inúmeros projetos, levantou importantes bandeiras em prol de todo o Litoral Paulista. Lá, a parlamentar coordenou as Frentes Pró-Mobilidade Urbana da Baixada Santista e da defesa de Santos como subsede da Copa do Mundo de 2014, além de ocupar a 4ª Secretaria da Mesa Diretora e presidir a Comissão de Saúde da Casa entre março de 2013 e março de 2015.

Procuradoria Especial da MulherEditar

Autora da Resolução aprovada em plenário que instituiu, no âmbito do Estado de São Paulo, a criação da Procuradoria Especial da Mulher, Telma foi nomeada, em dezembro de 2011, a Procuradora responsável pelo órgão. A Procuradoria Especial da Mulher tem a missão de encaminhar denúncias às autoridades investigativas e conduzir mulheres vítimas de crimes e abusos para o atendimento adequado. Outra atribuição do órgão será fiscalizar e acompanhar a execução de programas dos poderes executivos voltados para a promoção da igualdade de gêneros, além de promover campanhas educativas e antidiscriminatórias.

A Procuradoria Especial da Mulher na Alesp é um órgão interno e faz parte do organograma da Casa. Telma estimulou, junto a vereadores de todo o Estado, a criação de versões municipais nas Câmaras. Já foram criadas versões em Itanhaém, Peruíbe, Praia Grande, Pindamonhangaba, Limeira, Araraquara, Guarulhos, Ibiúna e Osasco. As Procuradorias vêm realizando trabalhos importantes e colocando cada vez mais as causas femininas nas pautas de discussão, criando-se verdadeiras embaixadas das mulheres para o apoio, acolhimento e formação. O resultado disso é uma aproximação cada vez maior do Legislativo com a população feminina, próximos à demanda real de cada região, fica cada vez mais eficiente colher propostas e encaminhamentos que melhor atendam às demandas.

Dia Mães de MaioEditar

Ainda como deputada estadual, Telma foi a autora da Lei nº 14.981, que criou o “Dia Mães de Maio” no calendário oficial do Estado de São Paulo. A ser lembrada em todo dia 12 de maio, a data perpetuou a memória das vítimas dos assassinatos em série ocorridos em São Paulo em maio de 2006, decorridas dos confrontos entre a Polícia e facções criminosas, especialmente na Baixada Santista. Organismos não governamentais de diversas partes do Brasil calculam que 450 pessoas teriam sido executadas no episódio que ficou conhecido como os "Crimes de Maio".

Desempenho em eleiçõesEditar

Ano Eleição Partido Candidato a Votos Votos em Santos Resultado
1982 Municipal de Santos PT Vereadora 6.249 (3º) Eleita
1985 Municipal de Santos PT Prefeita 34.252 (3º) Não Eleita
1986 Estadual de São Paulo PT Deputada Estadual 28.615 (68º) não disponível Eleita
1988 Municipal de Santos PT Prefeita 73.176 (1º) Eleita
1994 Estadual de São Paulo PT Deputada Federal 138.082 (6ª) não disponível Eleita
1996 Municipal de Santos PT Prefeita 94.771 (1º - primeiro turno)
123.618 (2º - segundo turno)
Não Eleita
1998 Estadual de São Paulo PT Deputada Federal 135.172 (13º) 82.590 (1º) Eleita
2000 Municipal de Santos PT Prefeita 116.577 (1º - primeiro turno)
127.934 (2º - segundo turno)
Não Eleita
2002 Estadual de São Paulo PT Deputada Federal 161.198 (21º) 82.795 (1º) Eleita
2004 Municipal de Santos PT Prefeita 93.573 (1º - primeiro turno)
119.231 (2º - segundo turno)
Não Eleita
2006 Estadual de São Paulo PT Deputada Federal 89.637 (60º/73º) 45.632 (1º) Não Eleita
2008 Municipal de Santos PT Vereadora 20.631 (1º) Eleita
2010 Estadual de São Paulo PT Deputada Estadual 90.361 (52º) 41.063 (2º) Eleita
2012 Municipal de Santos PT Prefeita 41.623 (2º) Não Eleita
2014 Estadual de São Paulo PT Deputada Estadual 55.250 (103º) 30.445 (2º) Não Eleita
2016 Municipal de Santos PT Vereadora 8.604 (2º) Eleita

Referências

  1. a b «Folha Online - Especial - 2006 - Eleições». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 4 de abril de 2012 

Ligações externasEditar